O povo desacreditou da política partidária e deseja algo novo? Uma breve análise para o segundo turno

Entre o desencanto e a participação, a disputa pela narrativa e a descrença política podem definir os rumos da democracia.
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Desde 2014 os movimentos relacionados à política recaem sobre o mesmo argumento nas redes sociais: todos eles roubam, todos se sentam juntos, todos eles fazem acordos. Isso já não é algo oculto, com o avanço das redes sociais e a constante mudança na forma como a informação é entregue, as pessoas tiveram acesso ao histórico, acordos e redes sociais das figuras políticas. 

O MBL (Movimento Brasil Livre) se fundamenta nesse discurso. Nas lives mais recentes de Arthur do Val (Mamãe Falei) ele explicitamente afirma que no Brasil há uma política que não muda. Ao contrário do que parte da esquerda afirma, muitas dessas figuras influentes na internet não estão explicitamente fomentando a direita, estão primeiro construindo um imaginário de um país governado de forma “igual”, em que todos os políticos agem unidos pelo poder.

Dizer que eles estão completamente errados seria negar o jogo político, porém a narrativa é perigosa e aponta diretamente para uma fundamentação de direita, perda de direitos básicos e agravamento das vulnerabilidades.

A princípio, quem ouve acredita que eles estão preocupados com os impostos, a carne cara ou falta de liberdade imposta pelo poder, mas não, eles estão alinhados ao o que eu vou denominar como “fomento da descrença”, fomentando a descrença política eles reafirmam indignações comuns do povo, se alinham emocionalmente e recriam a narrativa à direita.

O povo desacredita da política partidária no momento em que vê a boca de urna sendo realizada por esquerda e direita, por exemplo. A verdade é que jogo político ocorre, não é algo que podemos negar ou ocultar, isso já está na tela do celular dos brasileiros. 

O que acontece quando o povo desacredita da política?

Bom, fazem anos que expresso minha preocupação com abstenções, nulos e brancos (dá pra incluir o link de um texto meu do ano passado). Esse ano o número somado chegou a 39 milhões, é um número alarmante e acende uma reflexão: para onde vão as pessoas que já desistiram completamente da ideia de mudança pela política partidária? Para onde vão as pessoas que desistiram da política em si?

Essas pessoas são o futuro do nosso país, me preocupa um país em que só falamos de política nas eleições e me preocupa ainda mais o olhar triste da população ao votar. Eu entendo os dados, me lembro exatamente do aumento da gasolina e das pessoas comendo sopa de osso no governo Bolsonaro, mas a população periférica e pobre continua sendo o que é em governos progressistas, pois estamos no capitalismo.

O novo modo de acumulação econômica (neoliberalismo), mudou e inaugurou os novos modelos de trabalho, que ficaram mais precários e mais exploratórios ao longo dos anos. Algo que expôs o trabalhador a situações extremas, alterando ainda mais a vida dos brasileiros (talvez colocar o link do texto que fiz sobre a escala 6×1). 

Esse cenário é administrado de uma maneira mais razoável pelos governos progressistas, que buscam não só ampliar os direitos dos trabalhadores, mas garantir alguns auxílios para lidar com as vulnerabilidades ocasionadas pelo sistema capitalista.

É impossível dizer que o trabalhador brasileiro está vivendo a melhor era do trabalho, os modelos de trabalho mudaram em todo o mundo, nosso povo vem acumulando diversas fontes de renda há anos para sobreviver! Reconhecer isso não é fracassar, é afirmar para a população que vivemos em um mundo capitalista, mas que a agenda progressista estará comprometida em melhorar esse cenário. 

Quem domina a narrativa, detém poder: muitas informações e muitas perdas

Diante de tantas informações novas, a população é bombardeada de cortes e anúncios em suas redes sociais que podem ocultar a profundidade dos acontecimentos reais. Flávio Bolsonaro disse que irá alterar a constituição, mas o quê? Como? E assim nascem as narrativas de “fakes news criadas pela esquerda”, em meio a tantas informações, não há tempo de verificar a verdade, porque a verdade é posta em um lugar atribuído a quem disse a informação, quantas vezes nós pensamos: essa pessoa jamais compartilharia fake news. 

É exatamente assim que ocorre o movimento de quem detém a narrativa detém o poder, é difícil prospectar uma realidade sem democracia. Talvez você que esteja lendo esse texto está frustrado, porque já entendeu a gravidade. Mas a verdade é que em um momento com tantos acontecimentos esse tipo de reflexão parece ocupar um lugar pequeno do nosso dia, até porque a vida cotidiana continua e vai exigindo esforços constantes.

Meu olhar é que a população deseja erros tanto quanto deseja acertos, não precisamos de perfeição para nos conectar, precisamos desfazer a imagem semiótica que ser de esquerda é ser ideal. Algo que inúmeros novos nomes da política de esquerda estão fazendo muito bem: Guilherme Cortez, Érika Hilton, Rick Azevedo… a construção de uma imagem que aproxima as pessoas!

A democracia está em jogo, o congresso está ocupado por pessoas que atacam diretamente nossos direitos e essa é uma realidade atual! 

Todavia, a juventude é o futuro e a transformação, nesse segundo turno estamos vendo o levantar definitivo da nova política, Roblox sendo usado para assistir apurações, lives interativas, reels constantes e conexão direta com as pessoas. A política do digital sim, mas não só isso, as pessoas querem e anseiam saber de política, elas só desacreditaram do cenário “comum” ofertado há anos.

A solução não é se abster ou desistir da política, mas sim compreender o tamanho da força que nós temos, nós podemos transformar o cenário político e nossa voz deve ser ouvida. E a participação política é importante justamente por isso: discorde, vote e participe porque você pode!

E para quem insiste em compartilhar um olhar paralisado sobre política, eu digo que as pessoas não são burras ou incapazes, elas também estão tentando sobreviver, assim como nós… Eu amo o Brasil e amo o meu povo, meu povo é o que me dá esperança de continuar nesse chão e é pelas mãos do povo que o poder irá se transformar! Acreditem no nosso povo!

Este é um conteúdo opinativo. O Desenrola e Não Me Enrola não modifica os conteúdos de seus colaboradores colunistas.  

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