Chegamos há mais uma Copa do Mundo e o álbum de figurinhas volta a tomar conta dos espaços em bancas, lojas, escolas e roda de conversas. O hábito de colecionar e trocar figurinhas, completar o álbum, atravessa gerações e tornou-se parte da cultura esportiva de muitos brasileiros.
Os valores dos álbuns e das figurinhas podem variar de acordo com a edição. Versões especiais costumam custar significativamente mais do que as versões tradicionais. No entanto, levando em consideração quanto se gasta para completar o álbum da Copa do Mundo 2026, levanto uma discussão sobre a acessibilidade desse produto para moradores das quebradas.
Segundo especialistas de consumo, o valor para completar o álbum, em um cenário impossível na prática, seria em torno de mil reais, não encontrando nenhuma figurinha repetida nos pacotinhos (que custam R$ 7 com cinco unidades) ele completo precisa de 980 figurinhas. Sendo que com moderadas trocas, ou mesmo sem trocar nenhuma figurinha, para completar a pessoa gastaria entre R$ 2 mil a 7 mil reais.
Fala sério, a realidade é outra!
Mil reais corresponde a 66% do salário mínimo brasileiro. Já o gasto para quem participa de trocas, ultrapassa o salário. Isso ajuda a explicar por que muitos colecionadores da quebrada dependem de feiras de trocas, grupos comunitários e compras coletivas para completar a coleção.
Mas, na comunidade o que não falta é a criatividade a mil, sempre ativando as melhores ideias para participar e fazer parte deste momento. Na escola Alice Meirelles Reis, localizada em Taipas, Zona Noroeste de São Paulo. Uma das professoras desenvolveu com as crianças do 2º ano fundamental, a “COPA DO MUNDO CULTURAL”, dentro desse pacotinho havia cinco folhinhas e cada criança podia desenhar e fazer suas próprias figurinhas raras, épicas e únicas.

Essa iniciativa além de estimular a imaginação, faz com que muitas delas tenham esse pertencimento de viver esse momento de Copa do Mundo com alegria e, claro, sem comprometer o orçamento familiar.
Em um país onde o futebol é parte da identidade cultural, o álbum da Copa do Mundo continua sendo um símbolo de encontro, diversão e memória afetiva.
O debate sobre a acessibilidade dos álbuns reflete uma questão mais ampla: como produtos ligados ao entretenimento e à cultura popular podem permanecer ao alcance de diferentes camadas da população.
Em meio à paixão pelo esporte, cresce o desafio de garantir que a experiência da Copa não seja medida pelo poder de compra, mas pela capacidade de unir pessoas em torno de uma tradição que, historicamente, sempre pertenceu a todos.