Depois de um mês e meio a Copa do Mundo 2026 chegou ao fim, com a eliminação da seleção brasileira, tiveram muitas bandeiras e fitilhos da rua sendo recolhidos, as decorações começaram a sumir das fachadas, camisetas saíram do destaques das vitrines de lojas. Com isso veio o movimento nas redes sociais, publicações de influencers com o tema “poxa, e agora o que vou fazer com meus looks?!, com as diversas camisetas diferentes que comprei do Brasil.”
Isso mostra o quanto a Copa consegue transformar o cotidiano, fazendo com que pessoas que normalmente nem acompanham futebol se movimentem para decorar suas casas, marcarem encontros para assistir às partidas e organizarem sua semana em função dos horários dos jogos.
Mas, junto com o encerramento da Copa masculina, fica uma pergunta que merece nossa atenção.
Daqui a menos de um ano, o Brasil será o palco de um momento histórico: receberá, pela primeira vez, a Copa do Mundo Feminina, em 2027. Será um evento inédito para o país e para toda América do Sul. A expectativa é enorme, mas será que veremos a mesma mobilização?
Será que as vitrines de lojas estarão decoradas com a mesma intensidade? As ruas ganharam bandeiras e fitilhos novamente? As pessoas se reunirão para assistir aos jogos? Os bares abrirão mais cedo para transmitir os jogos? As empresas flexibilizarão os horários para que seus funcionários possam assistir às partidas? Ou continuaremos tratando o futebol feminino como um evento secundário?
Para a Copa do Mundo Feminina de 2027, a Fifa prevê investir US$ 800 milhões (R$ 4,2 bilhões), enquanto o Governo Federal estima aplicar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão em infraestrutura, mobilidade e segurança. Ainda assim, o investimento da entidade no futebol feminino segue muito abaixo do destinado às Copas masculinas, que movimentam bilhões de dólares.
O Brasil tem uma história construída por mulheres que desafiaram preconceitos para jogar bola e inspirar gerações. Hoje, a modalidade cresce, e revela atletas cada vez mais preparadas para competir em alto nível. Mas aqui deixo novamente mais uma perguntas: será que a estrutura e suporte para essas mulheres são os mesmos do que a Copa Masculina? Os patrocinadores investem da mesma forma e intensidade?
Receber uma Copa do Mundo Feminina em casa é uma oportunidade rara. Mais do que sediar jogos, o país terá a chance de mostrar que valoriza o esporte praticado por mulheres e que entende o futebol como patrimônio de todos, independentemente do gênero.
Talvez seja hora de fazermos um exercício simples. Antes de guardar a camisa da seleção no fundo do armário, vale pensar: ela servirá apenas como lembrança da Copa que terminou ou voltará a ser vestida daqui a alguns meses para apoiar as nossas jogadoras? Afinal, quando a seleção entra em campo, a camisa deveria pesar igual para todos.