Em agosto de 2026 o estado de São Paulo registrou 23 casos de sarampo, a doença altamente transmissível já foi erradicada do Brasil em 2016, mas a partir de 2018, por conta do alto fluxo migratório e da redução da cobertura vacinal, a patologia retornou ao país.

Dez anos após a eliminação do sarampo, a cidade de São Paulo procura reforçar a cobertura vacinal dos cidadãos através de mutirões de vacinação para aplicar uma dose extra da vacina contra a doença. Todas as pessoas de 6 meses a 59 anos que vivem na cidade de São Paulo, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo, devem tomar a vacina até o dia 1º de setembro, independente de sua situação vacinal.
Os sintomas do sarampo são:
- Manchas vermelhas no corpo e febre alta (acima de 38,5ºC);
- Tosse;
- Coriza;
- Irritação ou vermelhidão nos olhos (conjuntivite);
- Mal estar intenso.
As manchas vermelhas costumam aparecer primeiro no rosto e atrás das orelhas, e em seguida se espalham pelo restante do corpo. De acordo com o site do Ministério da Saúde, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de cinco anos.
Quando falamos sobre a vacinação, é fundamental lembrar dos profissionais que estão na linha de frente da aplicação do imunizante. São pessoas que trabalham nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e que fazem um trabalho ativo de mobilização comunitária sobre a importância de se vacinar.
Na Unidade Básica de Saúde Jova Rural, localizada no Conjunto Habitacional de mesmo nome, no distrito do Jaçanã, zona norte de São Paulo, trabalha o agente comunitário de saúde Edmilson Camilo, ele atua na unidade desde 2021 e atualmente se empenha para mobilizar a comunidade na campanha de vacinação.

“Nós auxiliamos tanto a equipe técnica nas vacinações extramuro e na busca ativa no território. O principal foco agora é identificar as pessoas não vacinadas”, conta.
A vacinação extramuro é feita em mercados do bairro e de Guarulhos – município que faz divisa com o bairro. A vacinação na UBS Jova Rural o atendimento aos pacientes que buscam imunização acontece das 7h às 19h, com o movimento de pessoas intenso.
Importância do agente de saúde
“Nós [agentes comunitários de saúde] estamos na casa das pessoas praticamente toda a semana. Eu procuro levar o máximo de informações para os moradores. Vou até o território, faço um levantamento das informações com relação às necessidades daquela família [que atendi], se tem alguma questão pontual eu trago para a equipe para ver o que a gente pode fazer.”
Edmilson Camilo, agente de saúde da Unidade Básica de Saúde Jova Rural.
Além de levar informações e da identificação de problemas de saúde em seu território, o agente também realiza a busca ativa de pessoas que estão com o calendário vacinal incompleto, informando a população sobre a importância e porquê se imunizar. Edmilson também realiza em sua rotina o monitoramento do calendário vacinal de recém nascidos, com o mesmo processo de busca ativa de crianças que estão com vacinas atrasadas, além de realizar a conscientização dos responsáveis pelos menores.

Edmilson traz que a confiança dos moradores é muito importante e deve ser conquistada ao longo do tempo de trabalho com o território: “É a questão do dia a dia, a gente fica conversando e a gente vai ganhando a confiança. A gente vai desenvolvendo o nosso trabalho”.
“Temos muitos desafios, às vezes eles [a população] não compreendem que as demandas que às vezes eles trazem pra gente não é uma demanda tão aguda, uma coisa que não tem tanta necessidade. Mas a gente consegue controlar a situação, explicar e o vínculo ajuda nesse momento”, conta.
O profissional relembra o começo de seu trabalho durante a pandemia da COVID-19, e expõe que conviveu com a resistência da comunidade para receber os agentes comunitários de saúde em suas casas: “Tinha família que falava pra mim: ‘Você está vindo aqui na minha casa para me trazer doença’ e eu falava ‘não, estou trazendo saúde’. Porque eles subentendem que é porque eu trabalho na área da saúde que eu pego o vírus e levo para a casa deles”, diz.

Hoje em dia o profissional ainda esclarece as dúvidas da população do Jova Rural sobre o processo de vacinação.
“As pessoas estão mais atentas [quanto às vacinas], estão acompanhando pelas mídias. Toda hora eu passo na rua e às vezes me chamam ‘ó vem aqui eu quero falar com você [sobre] a vacina do sarampo é para qual idade?’, eles já estão bem informados e buscando a imunização”.
Edmilson Camilo, agente de saúde da Unidade Básica de Saúde Jova Rural.
Mas o profissional diz que ainda há desinformação no território. Edmilson expõe o caso de uma moradora que mostrou um áudio que dizia que todos que tomassem as vacinas iriam morrer por conta de um vírus.
“Você vê o desespero da pessoa no olhar dela, aí eu conversei com ela e ouvi a mensagem e falei: ‘Ó esquece isso aqui é uma mentira é falso, todas as vacinas têm fundamento científico, metodológico são acompanhadas pela vigilância. Eu to aqui na sua casa todos os dias, eu não ia dar minha cara a tapa aqui na sua porta para trazer uma coisa falsa para você’, o rosto dela mudou na hora e ela falou ‘Ai que alívio, você está falando pra mim então está tudo certo”, relembra.
Proximidade com os moradores
Além de Edmilson, a UBS Jova Rural conta com mais 36 agentes comunitários de saúde que atendem 29.171 habitantes do bairro cadastrados na UBS. Márcia Soares, 52 anos, é uma das moradoras que recebe as visitas dos agentes comunitários de saúde da UBS: “Tem uma agente de saúde que sempre está ali na rua da minha casa, sempre conversando e orientando. Ela é uma fofa, orienta e fala dos cuidados”, diz


O vínculo de alguns agentes com a comunidade vai além da oferta de atendimento de saúde. No caso de dona Benedita Leite, 74 anos, sua vizinha, Poliana, é a profissional designada para os atendimentos da região. A senhora também tem uma igreja evangélica que conta com as ações de conscientização da Unidade Básica de Saúde
“Eu conheço desde criança, a Poliana. Lá na minha rua eu tenho uma igreja então o pessoal daqui sempre vai fazer palestra lá. Quando teve a palestra foi sobre a vacinação e eles mediram a pressão e levaram aquele soro para pôr na água, foram trinta pessoas que participaram. Um sucesso”, conclui.