A copa é nossa: quando a periferia joga junto

Muito antes do apito inicial, moradores já transformam as ruas em espaços de celebração coletiva e pertencimento.
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Daqui a um mês começa a Copa do Mundo, e na quebrada já conseguimos ver os moradores se movimentando e articulando para que a comunidade fique naquele clima de torcida que o futebol tanto traz. 

Quem se recorda da sua infância quando iam chegando esses dias, próximos à estreia do Brasil em uma Copa, e lá iam todos se juntar pra cortar os fitilhos nas cores verde e amarela, amarrar com barbante para pendurar e decorar a rua. Guias de calçadas pintadas de verde e amarelo e a bandeira do nosso país pintada em algum muro de uma casa. 

Os moradores se ajudam fazendo aquela famosa “vaquinha”, contribuindo como podem para deixar a rua toda festiva para esse clima de união e festa que essa época traz para a quebrada. Um puxa a ideia, outro traz o material, alguém consegue a tinta, outro improvisa a escada. Quando se vê a rua já está vestida, bandeirinhas atravessando de um poste ao outro. 

Não é só decoração. É afirmação de presença. É dizer “Aqui também tem festa!”.  

Tem também o ritual do ajuntamento, churrasco, amigos, torcida, sorrisos, no sofá ou na cadeira de plástico. Esse é o clima nas comunidades que vão se preparando para assistir aos jogos. Um fazer coletivo que começa muito antes do apito inicial. 

No fim das contas, o que se constrói vai além do futebol. São laços fortalecidos, memórias compartilhadas, nos lembrando que há uma riqueza imensa na convivência, solidariedade e alegria coletiva. 

Claro que a gente quer a taça, quer gritar “campeão”, e na comunidade queremos também celebrar a vitória que construímos todo dia lado a lado com quem compartilha a correria. Porque ganhar sozinho nunca foi o nosso jogo. 

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