Moradora da Vila Medeiros, doceira concilia estudos, trabalho e a produção de ovos de Páscoa para compor renda

Da cozinha de sua casa, na zona norte de São Paulo, Carolina Gonçalves produz doces para a Páscoa e conta seus planos para o futuro.
Edição:
Isadora Santos

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Em uma viela no bairro Jardim Brasil, no distrito de Vila Medeiros, na zona norte de São Paulo, encontramos uma casa animada com crianças dançando e um cachorrinho acompanhando o ritmo da canção. É na cozinha dessa casa que a doceira Carolina Gonçalves, 39, prepara os produtos para a Páscoa de 2026. 

“Eu comecei vendendo copo da felicidade, com brownie e frutas, geralmente [com] morango [dentro]. Esse é meu carro chefe, todo mundo pede”, conta sobre o início das vendas de doces aos 25 anos.

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Carolina é mãe de cinco filhos, sendo três deles ainda em idade escolar, além do cuidado com os filhos, ela também trabalha na UBS Jardim Julieta como auxiliar administrativo. Pela manhã, frequenta o curso de enfermagem no Senac do Tatuapé. 

A filha mais nova foi sua motivação pelo interesse na área da saúde. “Ela ficou internada desde os quatro meses de idade até um ano na UTI. Então hoje eu quero ajudar as pessoas do mesmo jeito que minha filha foi ajudada”, conta Carolina.

“[A rotina] Não é fácil”, diz depois de sair de uma ligação com o marido que estava no mercado comprando ingredientes para a sua produção. O único tempo que tem para fazer os seus doces, inclusive na época da Páscoa, é durante a noite. Ela começa a produção após às 22 horas, e termina por volta das três da manhã.

História entrelaçada com os doces

“[Eu comecei] desde criança, porque minha mãe trabalhava, e para complementar a renda ela também fazia bolos para fora. Então, ela ia trabalhar e pedia pra mim ‘Vai colocando um bolo pra assar?’”, relembra ao contar que sua história sempre esteve interligada com os doces. 

No começo foi ajudando a mãe com as vendas, hoje, como a mãe, ela também usa o dinheiro ganho com as sobremesas  para complementar sua renda e aprender mais do mundo da confeitaria.

“[Essa] é a minha terapia, é o meu momento. Eu fico mais relaxada, minha mente abre mais, eu consigo pensar com mais fluidez, eu relaxo. Fazer chocolates é uma coisa que gosto.” 

Carolina de Araújo Gonçalves, auxiliar administrativo, estudante de enfermagem e doceira.

“Já cheguei a ter 100 clientes”, lembra orgulhosa de seu trabalho. É ela que divulga as produções via Instagram, Facebook e também no seu WhatsApp pessoal. Hoje em dia, por conta de sua rotina de trabalho, estudo e criação dos filhos, ela posta menos nas redes sociais, e aceita menos pedidos que antigamente.

Como os preparos são feitos apenas por ela, essa diminuição no fluxo de venda contribui para conciliar sua rotina. “Eu nem ia fazer os ovos para essa páscoa, decidi fazer mesmo na semana passada. Então estou fazendo poucas encomendas”, diz.

Valorização do doces artesanais

Em 2026 as encomendas de ovos de Páscoa de Carolina foram um sucesso entre os seus clientes. Mesmo com a limitação que colocou para as produções, já foram vendidos 68 ovos de páscoa. Por noite, Carolina consegue fabricar 20 ovos de chocolate recheados. Também são feitas 200 mini-casquinhas de ovos, campeão de vendas durante essa época do ano, vendidos a dez reais cada.

Carolina diz que, atualmente as pessoas estão mais abertas para a compra de doces artesanais, em 2026 ela investiu aproximadamente 1.300 reais na produção de páscoa e prevê lucrar em torno de 3.500 reais. 

Entre os principais fatores considerados para a escolha dos pequenos negócios na hora da compra dos produtos de Páscoa, 41% dos consumidores consideraram o preço, 35% afirmam que a qualidade do produto influencia na escolha e 31% escolhe os pequenos negócios pelas ofertas e promoções.

“Eu tenho um sonho de abrir um espacinho”, conta sobre seu objetivo. Mesmo com as encomendas limitadas, a doceira continua se aperfeiçoando com cursos, equipamentos e em busca de espaço somente para as produções.

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