ENTREVISTA

Jovem cineasta relata os desafios para produzir cinema nas periferias de São Paulo

Durante a 1º Mostra Experimental Filme Sem Nome, a cineasta Binha Sakata, exibiu o curta-metragem “Autonomia Amarela em Diáspora”, produzido em 2023.
Você Repórter da Periferia entrevista jovem cineasta da zona sul de São Paulo. Foto: Nicolas Santos
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Em 2023, a cineasta Binha Sakata, 26, moradora do distrito Cursino, zona sul de São Paulo, produziu o seu primeiro filme “Autonomia Amarela em diáspora”, que foi exibido durante a 1º Mostra Experimental Filme Sem Nome, realizada no Centro Educacional Unificado (CEU) São Pedro, localizado no distrito de José Bonifácio, zona leste de São Paulo.

Binha Sakata,  cineasta. Foto: Nicolas Santos, jovem da 8ª edição do Você Repórter da Periferia/Julho 2024.
Binha Sakata, cineasta. Foto: Nicolas Santos, jovem da 8ª edição do Você Repórter da Periferia/Julho 2024.

Em entrevista ao Você Repórter da Periferia, ela conta os desafios que vivenciou para se tornar uma profissional do cinema atuando nas periferias, considerando que o primeiro contato com produção audiovisual aconteceu quando ela participou de um projeto de formação cultural destinado a jovens das periferias de São Paulo. 

VCRP: Qual foi o seu primeiro contato com produção cinematográfica?

Assistindo ao SPTV do meio-dia, o César Trailer, falou assim: “Vão abrir as inscrições para o Cine Inclusão, um projeto para jovens das periferias em São Paulo, entre 16 e 24 anos”. Então eu fiz a inscrição e passei. Eu tinha 18 anos, esse foi meu primeiro contato com o cinema. No final deste processo a gente produziu um curta metragem.

VCRP: Como foi sua experiência com o cinema na sua infância e adolescência?

Minha mãe me levava ao cinema às vezes, mas ela não tinha muito saco. Eu tinha um amigo que foi responsável por me levar em espaços culturais. Comecei a frequentar museus, ele me apresentou livros e filmes fora do circuito muito comercial.

VCRP: Você enfrentou muitos desafios para desenvolver um olhar como cineasta e como produtora?

É um tanto desafiador por conta das minhas inseguranças, tipo expor minhas ideias, eu sabia da relevância mas não ao ponto de concretizar. Sempre achava que os outros tinham mais experiências para executar.

VCRP: Quais as maiores dificuldades para produzir cinema na periferia?

Uma das minhas maiores dificuldades foi interpretar e narrar o poema para criar o curta metragem. Por mais que eu já escrevesse a um tempo, uma coisa é escrever e outra é performar, vocalizar e externalizar. Usei equipamentos que eu já tinha, uma câmera T5i e um Samsung 2017, por que tinha cenas na rua e não ia levar minha câmera, usei o celular e acolhi a qualidade do vídeo como uma estética.

Esse conteúdo foi produzido por jovens em processo de formação da 8° edição do Você Repórter da Periferia (VCRP), programa em educação midiática antirracista realizado desde 2013, pelo portal de notícias Desenrola e Não Me Enrola.

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