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“Estamos criando o protocolo integrado da primeira infância”, diz supervisora da assistência social da M´Boi Mirim

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Os distritos do Jardim Ângela, na zona sul e Brasilândia, na zona norte de São Paulo são os primeiros territórios da cidade a realizar  ações do projeto integrado com as secretarias de governo do município junto a organizações da sociedade civil, que atuam nas periferias combatendo as desigualdades sociais que afetam principalmente mães solos e crianças na primeira infância.  

A partir de um olhar crítico para políticas públicas de assistência social nas periferias de São Paulo direcionadas para primeira infância, período que vai do 0 a 6 anos nas crianças, Luciane Farias, supervisora dos Serviços de Assistência Social da M´Boi Mirim, compartilhou com o Desenrola os desafios para atender o crescente número de famílias e crianças em situação de vulnerabilidade social do distrito Jardim Ângela, zona sul de São Paulo.

Uma das estratégias adotadas pela Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social de São Paulo está sendo a implantação do protocolo integrado de políticas públicas para a primeira infância.

A iniciativa surge a partir do Marco Legal da Primeira Infância, conjunto de normas que coloca as crianças de 0 a 6 anos no centro da atenção do poder público, para desenvolver projetos que promovam políticas e qualificação de profissionais para atender esse público.

Segundo Farias, o protocolo integrado da primeira infância visa aproximar ainda mais o trabalho das secretarias de governo que atuam diretamente com a primeira infância das organizações da sociedade civil e movimento sociais que atuam nos territórios periféricos, agindo contra as desigualdades sociais que afetam os moradores locais.

Uma das políticas públicas de assistência social que tem colocado em prática o protocolo integrado da primeira infância é o SASF – Serviço de Assistência Social as Famílias, no qual a supervisora conta que o Jardim Ângela conta com quatro unidades, onde cada uma tende cerca de mil famílias em situação de alta vulnerabilidade.

Um dos objetivos do SASF é fazer um diagnóstico das necessidades básicas das famílias, para encaminhar para serviços especializados das áreas de assistência social, saúde, educação, entre outros.

É a partir do SASF que o serviço de assistência social desenvolve o programa Criança Feliz, que visa oferecer uma série de serviços públicos para crianças amenizar o impacto das desigualdades sociais na vida das famílias, um cenário que se agravou ainda mais com o contexto da pandemia de covid-19.

Além disso, o SASF vem lidando diretamente com casos de mães solo desempregadas que enfrentam uma série de dificuldades para conseguir manter uma estrutura básica para os seus filhos. É partir deste contexto, que os serviços de assistência social atuantes nos territórios periféricos buscam oferecer uma rede de proteção para crianças e suas famílias.

Mas Farias deixa bem claro: “O território da M´Boi Mirim tem 79 serviços de assistência social, é o segundo maior distrito, ficando atrás apenas da Subprefeitura da Sé”, aponta ela.

A supervisora dos serviços de assistência social da M´Boi Mirim enfatiza que mesmo com essa estrutura de atendimento aos moradores do território, a quantidade de serviços é insuficiente dado o número de habitantes que hoje já ultrapassa 300 mil pessoas, fato que torna o aumento de demanda uma constante no cotidiano de quem está na linha de frente atendendo as famílias e crianças da região.

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