Série Atletas da Quebrada

“É um orgulho representar nossa quebrada”, afirma Giba, paratleta morador de Carapicuíba

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Após acidente de moto, o paratleta morador de Carapicuíba encontrou no esporte um caminho de possibilidades, e através do vôlei sentado constrói sua história e leva a quebrada em cada espaço conquistado.

Entre os dias 24 de agosto a 05 de setembro acontecem os Jogos Paralímpicos em Tóquio, e nessa edição dos jogos, o Brasil conta com 234 paratletas, sendo 26% da delegação brasileira paralímpica composta por paratletas de São Paulo, entre eles está Gilberto Lourenço da Silva, 42, conhecido como Giba, morador de Carapicuíba e atleta paralímpico desde 2007.

O esporte já estava presente na rotina de Giba desde antes dele se tornar atleta profissional. Seja na época que jogava futebol aos finais de semana, mas “nada de profissional”, como ele conta, ou de fato como profissional no vôlei sentado; o esporte é um acontecimento importante na vida do atleta paralímpico.

Hoje Giba joga profissionalmente na posição de ponteiro no vôlei sentado, representando a seleção brasileira desde 2007, onde já foi quatro vezes campeão no Parapan. O atleta começou na modalidade em 2006, três anos após o acidente que sofreu de moto na estação Antônio João, no município de Barueri.

“Minha história no esporte começou quando sofri um acidente de moto e vim perder a perna direita. Fui convidado por um colega chamado Carlinhos em 2006, aí comecei a treinar e disputei o Campeonato Paulista do mesmo ano e já recebi uma medalha de destaque”, conta Giba, relatando o início da carreira na modalidade do vôlei sentado.

“Após esse convite comecei a jogar como atleta Paralímpico. Tudo foi muito rápido, fui convocado para a seleção em 2007”

conta Giba.

Além do futebol, que tinha como momento de lazer aos finais de semana, antes do acidente e de se tornar atleta profissional, Giba trabalhava como motoboy. Atualmente se dedica exclusivamente ao esporte. “Hoje o vôlei é minha profissão sim, minha renda vem do bolsa atleta e uma pensão que fiquei com o acidente”, compartilha.

Giba faz parte do Club Athletico Paulistano e treina no Centro Paralímpico Brasileiro – Foto: arquivo pessoal

Atualmente o paratleta faz parte do Club Athletico Paulistano, clube localizado em Pinheiros, região oeste de São Paulo, e treina no Centro Paralímpico Brasileiro que fica na rodovia dos imigrantes.

Ele conta que não possui apoio de espaços esportivos no território onde mora: “Até hoje não consegui apoio nenhum da minha cidade. Nem com espaço para treinar, como apoio pela prefeitura”, afirma Giba, que também analisa a importância de ocupar espaços como as Paraolimpíadas sendo um paratleta da quebrada.

“Pra mim é um orgulho chegar nesses espaços e representar nossa quebrada.”

O tetracampeão do Parapan relata que os acessos são muito ruins para o paratleta Paralímpico. Segundo ele, o único lugar adaptado de forma correta é o Centro Paralímpico. “Na minha opinião falta patrocínio para que o atleta chegue ao topo, com isso temos que seguir dando o nosso melhor desse jeito mesmo”, afirma.

Entre Parapan, Mundial e Paraolimpíadas, o paratleta conta que foi um campeonato regional que mais o marcou na sua trajetória até aqui. “O campeonato que marcou pra mim foi o Paulista de 2006, porque ali senti que achei o meu lugar após o acidente”, relembra.

Ele continua abordando momentos marcantes da sua vida como paratleta e destaca uma partida em especial. “A partida que marcou minha vida foi o mundial de 2014, o Brasil tirou a equipe do Irã da final que não acontecia há 32 anos”, recorda Giba.

Além da importância para o território e de representar a quebrada, para Giba, o esporte é uma via de fortalecimento. “Foi através do esporte que consegui refazer minha vida, foi onde minha família viu também que eu tinha achado uma profissão e que não cairia em depressão. Ajudou muito na minha vida, minha família hoje tem eu como um ídolo”, compartilha o paratleta.

“Com tudo que já conquistei, a paraolimpíada é a medalha que falta e também ela é o espelho para o mundo ver como é jogar vôlei”, finaliza o ponteiro, que leva na memória títulos, lugares e espaços que conquistou e tem conquistado através do esporte.

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