Dados da PNAD Contínua (IBGE) mostram que cerca de 9 milhões de jovens no Brasil não concluíram o ensino médio, muitos deles por precisarem conciliar estudo e trabalho. Em meio a esse cenário, a implementação do Novo Ensino Médio trouxe mudanças na estrutura da educação, com foco no desenvolvimento de competências técnicas e na ampliação da carga horária dos estudantes, além da criação dos chamados itinerários formativos.
Na prática, essa nova organização levanta questionamentos sobre permanência no ambiente escolar, acesso e sobre qual tipo de formação está sendo priorizada nas escolas, especialmente na rede pública.
Foi a partir desse contexto que conversamos com Leandro Silva, professor da rede pública e privada e coordenador do Cursinho Popular do Vitto, que atua em duas regiões da cidade de São Paulo, com unidades no Tatuapé, na zona leste, e na Praça da Árvore, na zona sul. Ele aponta como essa lógica tem aproximado a escola de um modelo mais empresarial, com foco em resultados e padronização, esvaziando conteúdos fundamentais para a formação de senso crítico dos estudantes, o que impacta não só a formação acadêmica, mas também a autonomia dos professores em sala de aula.
O episódio também aborda como os cursinhos populares têm se tornado um suporte na demanda de reforço escolar e preparação para os vestibulares nesse cenário no qual, em sala de aula, existe a diminuição do ensino de conteúdos cobrados nas provas para ingresso no ensino superior, o que interfere na preparação dos estudantes.
Roberta Pontes, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), de Ibura de Baixo, em Recife, Também chega para esse papo e destaca como os estudantes têm se organizado coletivamente, por meio de grêmios estudantis e mobilizações, para questionar e lutar contra a implementação desse modelo.
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