Em 2026, a Copa do Mundo de Futebol Masculino deve movimentar R$ 4,32 bilhões no comércio varejista brasileiro, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o que representa 6,5% a mais em comparação à última edição. Para a ambulante, Mislene Barreiros, e a crocheteira, Camila Vilela, os números se apresentam de forma mais palpável do que através de um relatório. As duas vivem do comércio informal, e criam suas próprias estratégias para manter as vendas em alta durante o campeonato.


Camila Vieira mora na Vila Silviania, bairro localizado em Carapicuíba, município da região metropolitana de São Paulo. Ela conta que aprendeu a fazer crochê com sua mãe aos 11 anos, mas foi aos 15 que começou a vender as peças que desenvolvia. Além do crochê, Camila trabalha como produtora cultural e oficineira.
“No mês de março eu estava apenas com duas encomendas, quando eu lancei a propaganda que estava fazendo brincos, as encomendas começaram a surgir. Em abril as encomendas aumentaram, passaram para 15. Em junho isso dobrou e eu estou falando com você e fazendo porque tenho coisas para entregar”
Camila Vieira, crocheteira, produtora cultural e oficineira, moradora de Carapicuíba.
Atualmente, cada brinco temático ou pulseira vendido por Camila custa entre R$ 17,50 e R$ 25, já o conjunto de brincos com pulseiras feitos pela artesã é vendido por R$ 50.
A vendedora ambulante Mislene Barreiros trabalha de segunda à sábado na Avenida Milton da Rocha, no bairro de Vila Sabrina, localizado no distrito de Vila Medeiros, na zona norte de São Paulo. Junto de seu marido, ela vende camisas de times, bonés e copos térmicos, o preço dos produtos em sua barraca varia entre R$ 40 e R$120.
“Começamos recentemente. A gente tinha uma loja na galeria, mas ela vai fechar. Então a gente colocou a barraca na rua”, conta sobre a galeria localizada atrás de sua barraca.

O movimento de clientes na barraca da vendedora ambulante é constante, e o diferencial de seu espaço é a presença de camisetas de outras seleções. “Estamos vendendo bastante. A gente sempre trabalhou com roupa esportiva de times, como: Corinthians, São Paulo, Palmeiras e times internacionais. Mas agora a gente tá focando mesmo no Brasil, porém temos outras seleções também”, ressalta.
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Tanto Mislene quanto Camila afirmam estarem investindo em seus empreendimentos. A vendedora ambulante explica que o marido trabalha diretamente com um fornecedor para conseguir os produtos de sua barraca, e que para a copa investiu mais dinheiro que o comum em seus produtos.


A crocheteira afirma ter investido em média R$ 230 em linhas e pedrarias. Camila explica: “Eu não tinha o costume de comprar essas cores de linha nos tons amarelo e verde, embora eu já tivesse estoque em casa para produzir bastante peças. Mas eu tive que voltar para esse tema não só com linhas, porque também coloco em minhas peças pedrinhas e miçangas, por isso a compra voltada para a copa foi maior”, detalha.
De acordo com estudo feito pelo Sebrae, 791 mil pequenos negócios devem se beneficiar com a Copa do Mundo no Estado de São Paulo Os dados calculam que 698 mil microempreendedores individuais (MEIs) e 93 mil micros e pequenas empresas ou empreendimentos terão algum impacto de vendas durante o período. O estudo divulgado em maio aponta que o evento, que acontecerá nos Estados Unidos, Canadá e México, entrou no radar dos empreendedores.
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Camila conta que com a aproximação da Copa, percebeu um aumento no preço dos insumos. “Como o tema da copa está em alta, esses tons de linha ficaram um pouco mais caros né? Por exemplo, essa linha que uso é uma cléa, o valor dela estava em 22 reais, mas já cheguei a pagar 18 reais em um cone de quinhentos metros. Na semana passada, eu fui comprar porque tinha acabado e ela estava custando 29 reais”. A crocheteira relata que por conta dessa situação precisou aumentar o custo de sua produção para os clientes.
Futuro da seleção e dos negócios
Após a estreia no dia 13, a seleção brasileira tem jogos confirmados nessa primeira fase da Copa do Mundo até o dia 24 de junho. A vendedora ambulante Mislene se mostra animada ao falar sobre o futuro dos jogadores junto a seleção no torneio.
“Se o Brasil for bem, o pessoal vai querer comprar mais, vai ter mais buscas pelas camisetas. Isso acaba aumentando as vendas, né? Querendo ou não ainda tem muita gente com aquele medo do Brasil não passar nem da primeira fase, se passar as coisas vão melhorar”.
Mislene Barreiros, vendedora ambulante, moradora da Vila Sabrina, zona norte de São Paulo.
Caso o Brasil não tenha um bom desempenho, a ambulante também tem planos: “Se o Brasil for eliminado cedo continuaremos vendendo as outras camisetas normais dos times do brasileirão”, diz.
Além das vendas durante a Copa do Mundo, em outros períodos do ano, Camila também vende suas peças pelo WhatsApp e as divulga em seu Instagram. A crocheteira ainda realiza suas vendas em feiras de artesanato, e diz que em datas comemorativas sempre procura fazer peças temáticas.
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“Sempre que tem uma data comemorativa, procuro voltar o meu trabalho para aquele tema. Então, por exemplo, quando chegar o mês das crianças voltarei a minha produção para esse público. Vou tentar fazer mais amigurumis, bonecas de pano. Eu sempre tô buscando o meu trabalho voltado às datas temáticas”, conta.
O mesmo ocorre com Mislene, que fora da época de Copa do Mundo conta com outros campeonatos de futebol que acontecem regularmente para impulsionar suas vendas: “Em outras épocas, saem outras camisetas. Aqui sai bastante a camiseta do Corinthians, é a campeã de vendas”, conclui.