Volta às aulas na comunidade, milhões de crianças e jovens retornando para suas atividades letivas. Na rede pública se inicia com a famosa reunião de pais para que tenham conhecimento de como a escola está, quem faz parte da gestão e para que sejam repassadas as normas e o cronograma escolar. Mas o que vemos ainda com esse reencontro com as escolas são problemas estruturais que se repetem ano após ano e que ainda impactam diretamente as condições de ensino e aprendizado.
Entre salas superlotadas, ventilação insuficiente e manutenção irregular, lá continua presente, em algumas unidades, um elemento antigo, a lousa verde com uso de giz. Apesar de parecer um recurso simples e tradicional, o material representa riscos à saúde e reforça o atraso na modernização das escolas públicas.
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A poeira liberada pelo giz pode causar alergias e agravar problemas respiratórios como rinite, bronquite e asma. Professores estão entre os mais afetados, já que passam horas em contato direto com o pó, escrevendo e apagando conteúdos ao longo da jornada.
O impacto também atinge os estudantes, especialmente em salas fechadas ou com pouca ventilação. As partes de ferro da lousa que são usadas como suporte para deixar apagador e giz, muitas com desgaste e ferrugem, evidenciando ainda mais a falta de manutenção.
Médicos especialistas em alergia e imunologia alertam que o pó de giz no ambiente escolar pode causar reações alérgicas, irritações crônicas na garganta, olhos e pele, a inalação constante gera processos irritativos na mucosa e pode levar ao afastamento profissional.
A permanência de recursos que já deveriam ter sido substituídos evidencia a lentidão nos investimentos em infraestrutura e na atualização dos ambientes escolares.
Não há uma lei específica que proíba o uso de giz nas escolas de São Paulo. No entanto, normas gerais de saúde e segurança do trabalho e de vigilância sanitária estabelecem a obrigatoriedade de ambientes escolares salubres e com qualidade do ar adequada.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio de orientações sobre qualidade do ar em ambientes coletivos, recomenda a redução de partículas em suspensão e a garantia de ventilação adequada para prevenir problemas respiratórios. Além disso, a legislação trabalhista e as diretrizes de saúde ocupacional determinam que empregadores — no caso, o poder público — devem adotar medidas para minimizar riscos à saúde dos trabalhadores.
A realidade das salas de aula evidencia que o desafio da educação pública vai além do conteúdo, envolve assegurar condições dignas, seguras e atualizadas para quem ensina e para quem aprende.
