Somos uma organização de jornalismo periférico de soluções e educação midiática antirracista, criada por e para pessoas periféricas, comprometida em comunicar nossas realidades com profundidade, responsabilidade e imaginação. Atuamos como um organismo vivo, coletivo e diverso, que acredita na força das narrativas que nascem dos territórios e dos corpos que historicamente foram silenciados.

Jornalismo Periférico de Soluções

Educação Midiática Antirracista

Articulação em rede

Inovação Tecnológica e Conhecimento
Sobre nós
O Desenrola e Não Me Enrola existe para construir um novo modelo de jornalismo para pessoas periféricas através de tecnologias territoriais de produção e difusão que parte das vivências e histórias de vida, de maneira a mudar o imaginário, incidir em políticas públicas e garantir direitos e vida para essa parcela da população.
Somos periféricos por origem, por escolha e por compromisso. Nossa equipe é majoritariamente formada por pessoas negras e mulheres, guiada por perspectivas antirracistas e por uma prática de comunicação que busca soluções reais para os desafios que atravessam nossos territórios. Prezamos pela diversidade de raça, gênero e trajetórias, porque entendemos que a pluralidade fortalece o que construímos.
Existimos porque acreditamos que nossas histórias importam — e precisam ser contadas por quem vive as ruas, vielas, becos, bairros e comunidades que compõem as periferias do Brasil. Comunicamos o agora, atentos ao futuro e conscientes do passado que nos trouxe até aqui.
Desde 2013, refletimos e produzimos a partir dos saberes, expressões e práticas presentes nas periferias. Criamos metodologias próprias, damos novos sentidos ao fazer jornalístico e ampliamos a circulação de conhecimentos que emergem de diferentes contextos sociais e culturais.
Somos desenrolados porque transformamos desafios em movimento. Porque seguimos em coletivo, fortalecendo laços, criando caminhos e comunicando para garantir vida plena e direitos. E também porque acreditamos que desenrolar é mais que uma ação diária — é um compromisso com quem somos e com tudo o que ainda vamos construir.
Diretrizes
Missão
Transformar os imaginários e as narrativas sobre as periferias e seus moradores por meio da comunicação. Fortalecer um novo modelo de jornalismo periférico, antirracista e baseado em tecnologias territoriais, capaz de construir e difundir histórias reais, ampliar o acesso à informação e incidir em políticas públicas que garantam direitos, dignidade e futuro para a população periférica.
Visão
Ser referência na comunicação e na produção de conhecimento sobre a identidade cultural das periferias. Inspirar novos jeitos de narrar, pesquisar e representar nossos territórios, influenciando debates públicos, gerando inovação social e formando uma nova geração de comunicadores comprometidos com justiça racial, social e territorial.
Valores

Territorialidades
O território é origem, metodologia e horizonte. É a partir dele que comunicamos e inovamos.

Antirracismo
Nossas práticas enfrentam o racismo estrutural e fortalecem vidas negras através de narrativas, escolhas e representatividade concreta.

Diversidade e Inclusão
A pluralidade de raças, gêneros, identidades e vivências orienta nossas decisões e fortalece nosso impacto.

Coletividades
Somos uma construção conjunta. O “desenrolar” é feito a muitas mãos, em constante movimento.

Transparência e Responsabilidade
Compromisso com uma comunicação ética, rigorosa e voltada ao interesse público periférico.

Inovação Social
Criamos metodologias e tecnologias territoriais que geram soluções reais e ampliam o acesso ao conhecimento.

Futuridade
Olhamos adiante sem perder de vista o passado. Acreditamos na capacidade de imaginar e construir futuros periféricos.

Afeto e Cuidado
Praticamos o cuidado nas relações, nas escutas e nas escolhas. A comunicação também é vínculo e responsabilidade coletiva.
Objetivos Institucionais

Desenvolver Tecnologias de Comunicação e Educação

Criar e implementar soluções inovadoras que mitiguem as desigualdades informacionais

Fortalecer Redes de Lideranças Comunitárias e Comunicadores

Criar e implementar soluções inovadoras que mitiguem as desigualdades informacionais

Promover o acesso à soluções de impacto social que inspiram políticas públicas

Produzir, distribuir e fortalecer narrativas de benefícios, por meio do jornalismo de soluções, para combater desertos de informações nas periferias e favelas, para incluir a população local no debate público

Difundir a agenda do Letramento Midiático Antirracista

Educar jovens, adultos e idosos por meio do desenvolvimento de habilidades, técnicas e conhecimento conceitual, sobre o uso crítico e consciente de plataformas digitais, combatendo a segregação digital, desertos de informação e analfatismo midiático

Inspirar e Apoiar Novas Narrativas Democráticas

Fomentar narrativas que promovam debates sobre Cidadania Digital, como forma de fortalecer a valorização da democracia, direitos humanos e a justiça social, engajando debates sobre inovação, tecnologia e políticas públicas de combate às desigualdades informacionais.
Eixos de Atuação

Identidades
Engajamos as pessoas a reconhecer, refletir e afirmar as múltiplas manifestações das identidades culturais periféricas. Acreditamos que fortalecer identidades é fortalecer presença, autoestima, pertencimento e poder de atuação social.
Territórios
Evidenciamos e difundimos informações sobre os múltiplos aspectos dos territórios periféricos — suas dinâmicas, riquezas, potenciais e desafios. Comunicamos o território como lugar de vida, criação, disputa, afeto e futuro.


Repertórios
Valorizamos a diversidade de saberes, promovemos espaços de formação que ampliam repertórios técnicos, culturais e críticos. Estimulamos o pensamento reflexivo sobre relações sociais, políticas e históricas que moldam a vida nas periferias.
Memória Desenrola

O Desenrola e Não Me Enrola surgiu a partir da dinâmica dos corres, com criatividade pulsante e com desejo latente de registrar a efervescência cultural das quebradas que vivíamos de perto.
Essa trajetória começou a ganhar corpo em 2013, quando, munidos apenas de um computador desktop e uma filmadora Mini DV, os cofundadores e então estudantes de jornalismo Thais Siqueira e Ronaldo Matos, montaram sua própria redação. O objetivo era ousado: criar um blog para dar visibilidade a uma cena cultural periférica sistematicamente ignorada pela mídia tradicional.
Ao mergulhar no cotidiano das periferias, o coletivo notou que a produção de conteúdo demandava novas vozes. Diante da barreira entre o conhecimento jornalístico e quem estava fora da universidade, a dupla decidiu agir. Assim nasceu o Você Repórter da Periferia: programa de educação midiática antirracista que, com coragem e propósito, lançou sua primeira turma em 2014.
Um divisor de águas fundamental nesse percurso foi o contato com a FiloCzar (Escola de Filosofia, Ciência e Artes). A imersão nesse ecossistema de artistas e ativistas permitiu que o coletivo aprofundasse sua visão crítica sobre as questões sociais e experimentasse novas metodologias narrativas, refinando o que viria a ser um jornalismo genuinamente feito por e para a periferia.
Esse amadurecimento culminou em um salto estratégico em 2017. O antigo blog deu lugar a um portal de notícias robusto, expandindo a linha editorial para investigar não apenas a cultura, mas os complexos modos de viver, trabalhar e sobreviver nas bordas da cidade. O fechamento desse ciclo de fundação consolidou-se com a inauguração do Centro de Mídia M’Boi Mirim, estabelecendo um espaço físico de redação e um ponto de articulação vital para o território, ativo até 2022.

Além da produção de conteúdo, o Desenrola consolidou-se como referência na formação de comunicadores, na articulação de redes e na inovação do jornalismo periférico, antirracista e de soluções.
Com o sucesso das edições do Você Repórter da Periferia, novos talentos ganharam visibilidade. A partir desse intercâmbio, Flávia Lopes e Evelyn Vilhena foram convidadas a integrar o coletivo, que então se transformou em um portal de notícias.
Ao longo dos anos, o amadurecimento institucional promoveu reorganizações internas e um novo modelo de governança. Esse processo incluiu a criação do Conselho Consultivo, instância composta por especialistas em tecnologia social e profissionais com sólida experiência em projetos de transformação.
Nossa veia inventiva também impulsionou a criação de programas especiais, como o Cena Rápida e o Desenrola Aí, que ampliaram significativamente o alcance da nossa produção jornalística.
Desde a fundação, compreendemos que nossa força é coletiva. Essa visão — fortalecida pela articulação com outros comunicadores, movimentos sociais e lideranças comunitárias — amadureceu junto com a necessidade de pensar a comunicação para além de São Paulo. Como resultado, em 2023, fomos cofundadores da Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas. A iniciativa nasceu com o compromisso de conectar vozes, elaborar caminhos coletivos para o jornalismo no país e incidir em esferas públicas e privadas pelo direito à comunicação.

Desde o ciclo eleitoral de 2022, o debate sobre desinformação e o domínio das Big Techs estrangeiras sobre os meios de comunicação impulsionou uma postura ainda mais atuante do jornalismo.
Diante desse cenário, compreendemos que o aprofundamento das desigualdades informacionais enfraquece a mobilização por direitos nos territórios. Por isso, em parceria com o Centro para Mudanças Exponenciais, tornamo-nos a organização pioneira na criação de um ecossistema de integridade da informação.
Nesse processo, sistematizamos e reformulamos nossas tecnologias sociais de educação midiática antirracista sob a perspectiva da mudança exponencial. Essa diretriz fundamentou a segunda edição do nosso laboratório de comunicação: o Você Repórter da Periferia 2.0.
Atualmente, concentramos nossos esforços na aplicação dessa metodologia, visando exponencializar uma produção jornalística inovadora, pautada pelo impacto direto e pelo aprendizado contínuo junto à nossa audiência.
Nossas histórias desenroladas
2013
- Blog com foco em cultura periférica
- Redação com equipamentos básicos
- Encontro com lideranças, movimentos e artistas locais
2014
- Criação do Você Repórter da Periferia e realização da 1ª edição
- Fortalecimento das redes culturais locais
- Realização do 1º Congresso Escritores da Periferia
2015
- 2º Congresso Escritores da Periferia
- Cobertura da Virada Cultural, em São Paulo
- 2ª edição do Você Repórter da Periferia
2016
- Criação da Rede Jornalistas das Periferias
- 3ª edição do Você Repórter da Periferia
- Articulação da Rede Jornalistas das Periferias
2017
- Lançamento do portal de notícias
- Inauguração do Centro de Mídia M’Boi Mirim
- 4ª edição do Você Repórter da Periferia
- 3º Congresso Escritores da Periferia
- Virada Comunicação – evento realizado pela Rede de Jornalistas das Periferias dedicado à comunicação periférica
2018
- Projeto “No Centro da Pauta”, articulado pela Rede de Jornalistas das Periferias, com produção de conteúdo jornalístico
- 5ª edição do Você Repórter da Periferia
- 4º Congresso Escritores da Periferia
2019
- Pesquisa Fórum de Comunicação e Territórios, realizada pelo Desenrola e outras iniciativas de comunicação periférica
- Prêmio Google News Initiative (Innovation Challenge) dedicado ao projeto Território da Notícias, que somos co fundadores
- Criação da coluna Quebrada Tech, em parceria com o Uol Tilt
- 6ª edição do Você Repórter da Periferia
2020
- Nova marca e identidade visual
- Campanha #CompartilheInformação, ligada a Artigo 19
- Ampliação da redação
2021
- Lançamento do Você Repórter da Periferia 2.0, nosso laboratório de comunicação
- Projeto Fundo de Resposta Rápida, com apoio da Internews, para a produção da série de reportagens Direitos Invisíveis, sobre a falta de acesso a direitos na pandemia
2022
- Somos finalistas do 9º Prêmio Sebrae de Jornalismo
- Nova sede – fechamento do Centro de Mídia e inauguração da Casa Redação Desenrola
- Cobertura das eleições, com a criação do Desenrola Aí nas Eleições, programa de entrevistas a candidaturas
- Fomos premiados no Google News Initiative – Fundo de Equidade
- Fomos premiados no Google Startup Labs
2023
- Retomada do Você Repórter pós pandemia, realização da 7ª edição
- Criação do Cena Rápida, nosso podcast Desenrolado
- Finalista na etapa estadual no Prêmio Sebrae com o podcast Cena Rápida
2024
- Fundação da Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas
- Recebimento dos prêmios: AMAERJ Patrícia Acioli, Periferia Viva e Cidadania na Periferia
2025
- Ingressamos no ecossistema de mudanças exponenciais – Center for Exponencial Change
- Reformulação das tecnologias sociais de formação em educação midiática antirracista
- Realização da 2ª edição do Você Repórter da Periferia 2.0
Premiações
Nossa trajetória é marcada pelo compromisso com a democratização da comunicação, a valorização das narrativas das periferias, os direitos humanos e o combate à desinformação. Esse trabalho tem sido reconhecido por instituições nacionais e internacionais, com premiações como o Innovation Challenge Latin América (2019), o Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo Empreendedor (2022), o Prêmio Cidadania na Periferia e o Prêmio Periferia Viva (2024).
As conquistas reforçam o impacto do jornalismo produzido a partir dos territórios e seu papel na promoção da inclusão produtiva, da educação midiática antirracista e da transformação social.