Desde 2014, desenvolvemos uma metodologia própria de educação midiática antirracista, por meio do programa Você Repórter da Periferia e outras formações. Nosso trabalho prepara jovens para produzir informação a partir de suas próprias vivências e para desenvolver pensamento crítico sobre como a mídia trata raça, território e desigualdades.
Nossa proposta pedagógica-comunicacional se sustenta em três fundamentos:
Protagonismo periférico
Os jovens aprendem técnicas de jornalismo observando e narrando o próprio território. A formação reforça que suas experiências são fontes legítimas e valiosas de conhecimento.
Leitura crítica da mídia
Debatemos como a imprensa tradicional reproduz estereótipos raciais e territoriais e mostramos ferramentas para desmontar esses enquadramentos. O objetivo é formar comunicadores capazes de disputar narrativas.
“Você percebe que aprendeu com as aulas quando assisti a uma reportagem e vê tudo que foi dito em aula; repara em coisas que nunca passariam na cabeça.” Aluna da 5ª edição
Comunicação como mobilização e cuidado
A comunicação é apresentada como ferramenta de transformação social, fortalecimento de vínculos e construção de memória. A prática é coletiva, afetiva e orientada pela ética do cuidado com o território.
As formações incluem oficinas de redação, fotografia, videorreportagem, técnicas de entrevista, criação para redes sociais e imersões jornalísticas em diferentes bairros da Zona Sul de São Paulo.
Comunicação que combate desigualdades
Nosso trabalho parte da compreensão de que o racismo estrutura a comunicação no Brasil. Por isso, nossas produções e formações dialogam com direitos humanos, cultura, mobilidade, educação, juventudes, memória, gênero, raça e território — temas que atravessam a vida periférica e estruturam nossa linha editorial.
Produzir conteúdo é disputar narrativas. E disputar narrativas é disputar pelo acesso aos direitos.
47,4% dos jovens relataram compreenderem melhor os conteúdos escolares/ universitários após participarem do programa.
Jovens que produzem, jovens que transformam
As trajetórias dos nossos ex-alunos mostram o impacto do nosso trabalho. Muitos seguiram no jornalismo, no audiovisual, em coletivos culturais ou em organizações sociais. Outros seguem atuando como agentes de transformação em suas próprias comunidades.
A juventude periférica é a força que move nossa redação.
Rebeca Motta Participou da 5ª edição do projeto, quando ainda estava cursando a graduação. Depois, passou a escrever reportagens para diversos sites. Em 2023, foi finalista do Prêmio 50+ jornalistas negras do Brasil em 2023.
Luiz Lucas Participou da 3ª edição do programa durante sua graduação em Jornalismo. Passou por diversas redações, entre elas a do Canal Rural e do ICL – Instituto Conhecimento Liberta.
Construindo o futuro da comunicação periférica
Unindo educação, inovação, pesquisa e jornalismo, continuamos expandindo nossas ações para formar novas gerações de comunicadores, fortalecer a circulação de informação qualificada e garantir que as vozes das periferias sejam reconhecidas como fundamentais para o país. Seguimos comprometidos em construir uma comunicação que respeita o território, combate às desigualdades e cria novos futuros para as juventudes periféricas.
“O Você Repórter da Periferia nos coloca como investigadores do nosso lugar no mundo. Nos direciona pra construção coletiva da memória do nosso lugar, nossa história… nossos afetos!” Aluna da 5ª edição