21 de março foi uma data muito especial do calendário: I) Dia Mundial da Poesia; II) Dia Nacional e Mundial da Síndrome de Down; III) Dia Internacional de Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial; IV) Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé.
A data simboliza lutas que, institucionalizadas no sábado passado, perduram por todos os dias (horas, minutos, segundos) do ano, da vida. Como ensina o poeta Sérgio Vaz, no poema “Novos Dias”, “não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para uma vida inteira” (Literatura, pão e poesia).
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Para permanecer nas lutas demarcadas em 21 março, nesta publicação do Desenrola e Não Me Enrola de hoje, sintetizo noções básicas sobre cada uma delas. Aproveito a oportunidade, inclusive, para também sugerir algumas referências das artes e da mídia, de modo a municiar os leitores em guerras que, efetivamente, valem a pena lutar.
Dia Mundial da Poesia

O Dia Mundial da Poesia se estabeleceu em 1999, durante a 30.a Sessão da Conferência Geral da Unesco. A data escolhida para celebrar o gênero literário não teve nada de aleatório: coincide com o início da Primavera no Hemisfério Norte; ou seja, associa-se ao renascimento, à renovação, à mudança.
Segundo a entidade, em suas publicações, a datação tem “o objetivo de promover a diversidade linguística e dar às línguas ameaçadas mais oportunidades de expressão. O Dia Mundial da Poesia é também uma oportunidade para homenagear poetas e reviver a tradição oral da leitura de poesia”.

Para celebrar a ocasião, uma recomendação: “Novos Dias”, do poeta Sérgio Vaz. Sugestiva indicação, pois se homenageia a poesia oralizada (periférica), em uma diversidade de vozes, bem como se presta tributo a um poeta contemporâneo e, por fim, evoca-se um tempo melhor do que o que vivemos atualmente.
Dia Nacional (e Mundial) da Síndrome de Down
O Dia Mundial da Síndrome de Down foi instituído pela Síndrome de Down Internacional (Down Syndrome International), em 2006. A ONU (Organização das Nações Unidas) oficializou a data, em Assembleia Geral, no ano de 2011, após propositura feita pelo Brasil (comemorando-se a partir de 2012, sempre em 21 de março); no nosso país, a Lei 14.306/22, instituiu o Dia Nacional da Síndrome de Down.
A Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, explica que “a data escolhida representa a singularidade da triplicação (trissomia) do cromossomo 21 que causa esta ocorrência genética”. A Síndrome de Down, vale ressaltar, não é uma doença, mas uma mutação do material genético.
Para conscientização sobre as pessoas com Down como sujeitos de direitos (superando a visão estereotipada delas como objetos), duas dicas: uma arte audiovisual para crianças que tem muito a ensinar aos adultos também; uma reportagem sobre a arte do Graffiti como instrumento de inclusão social.
Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial
A ONU oficializou 21 de Março como o Dia Internacional de Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial, em 1966. Tal marco alude aos fatos ocorridos em Sharpeville, bairro periférico de Johanesburgo, na África do Sul. Em 21 de março de 1960, a polícia branca reprimiu um protesto pacífico de pessoas negras, assassinando 69 manifestantes e ferindo cerca de outros 180.
A manifestação dos habitantes de Sharpeville tinha, dentre outros objetivos, a pretensão de acabar com a lei do passe, a qual exigia que pessoas negras com mais de 15 anos portassem um documento (assinado por brancos) para circular pelos bairros habitados, exclusivamente, por brancos e de extirpar a obrigatoriedade de as crianças negras usarem a língua “Africânder” nas escolas.
Para fazer jus à luta antirracista, duas indicações: um reel, do site Mundo Negro, e a música “Ismália”, do rapper Emicida. Relembro dois casos e ampla repercussão em março deste ano (só para não me alongar): da médica Andréia Marins Dias (assassinada no Rio) e, também, das irmãs estudantes de uma escola municipal de São Paulo (uma xingada de “macaca”, outra – quando foi interpelar o agressor – esmurrada na boca).
Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé

Inicialmente, o PL (Projeto de Lei) 2053/22 previa 30 de setembro, Dia de Xangô (o Orixá da justiça, do trovão, do fogo e dos raios), para ser o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. Mas, no decorrer de sua tramitação, optou-se por celebrá-lo em 21 de março, no Dia Internacional de Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial.
Trata-se de um marco legal para fortalecer o combate ao racismo religioso. Embora exista o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, a maioria dos casos de ataques às religiões se dá contra aquelas de matriz africana, em decorrência de uma história de 400 anos de perseguições aos povos negros, suas culturas e suas manifestações.
Para pensar sobre a questão, recomendo a leitura (também pode-se assistir à matéria audiovisual, do Jornal Nacional da Globo) de uma reportagem, bem como visitar virtualmente a exposição Somatória de Forças, da renomada artista visual Aline Bispo.
