Brincar na Onde?

Sem manutenção, pracinhas viram único lazer das crianças durante as férias; ano eleitoral reacende debate sobre a conservação desses espaços.

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Durante as férias escolares a rotina muda, as crianças na quebrada passam a ocupar ainda mais as ruas, calçadas e pracinhas. Para as famílias sem opções de lazer acessíveis, esses espaços públicos se tornam o principal, e às vezes o único lugar possível para brincar. É ali que as férias acontecem de verdade.

As pracinhas, porém, revelam um contraste duro entre o que deveriam ser e o que de fato são. Escorregadores quebrados, balanços sem assentos, aparelhos de ginástica quebrados, parafusos soltos, brinquedos interditados pelo tempo, não por placas de aviso, mas pelo abandono. O espaço que deveria oferecer segurança e alegria acaba impondo riscos diários a quem só quer brincar. 

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Aqui na Cohab de Taipas, zona noroeste de São Paulo, na praça Jonatha Santos da Silva, podemos ver os brinquedos quebrados, faltando partes, e faltando até grades de segurança para as crianças não caírem para o lado. A frustração de muitas mães e pais em chegar e ver que naquele espaço sua criança não poderá usufruir de todos os brinquedos com tranquilidade. Não se trata apenas de entretenimento, mas de direito. 

Quando esses espaços estão deteriorados, o impacto vai além do visual, atinge a saúde física, o desenvolvimento social e a segurança das crianças. 

A ausência de manutenção não é um problema novo, tampouco pontual. Ela revela uma lógica de prioridades que historicamente empurra os bairros periféricos para o fim da fila. Enquanto parques centrais recebem reformas, iluminação e novos brinquedos, muitas pracinhas de quebrada seguem invisíveis nos mapas de investimentos públicos. 

Direito ao lazer seguro para além do ano eleitoral

Mas como sabemos bem, neste ano teremos eleições, e por um acaso (tão óbvio) podemos ver nos próximos meses umas movimentações na quebrada, visitas técnicas e promessas de campanha, apresentadas como ações rápidas e de impacto direto na vida da população: limpezas mais frequentes nas ruas, nas praças, podas de árvores, pinturas de guias, revitalização dessas pracinhas, iluminação mais adequada. Medidas estratégicas essas, tomadas pelo interesse de diálogo direto com as famílias para obtenção de votos.

Para além do calendário eleitoral, a manutenção desses espaços representa uma demanda objetiva. Em um ano decisivo, que possamos olhar para nossas quebradas e reivindicar a forma como o poder público vai responder a essas faltas, principalmente se o cuidado com a infância periférica será tratado como compromisso permanente ou apenas como pauta circunstancial.  

Este é um conteúdo opinativo. O Desenrola e Não Me Enrola não modifica os conteúdos de seus colaboradores colunistas.

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