Opinião

Direito ao brincar: a criatividade que desafia a falta de espaços

Enquanto áreas centrais contam com praças bem cuidadas e opções de lazer, periferias carecem de espaços públicos e infraestrutura para crianças, que usam a criatividade para exercer o direito de brincar.
Compartilhe

Mês de outubro chegou e já pensamos logo no Dia das Crianças, aquelas resenhas, festividades, brinquedos e distribuição de presentes que sempre rola na quebrada. Você sabe quais espaços de lazer realmente existem na comunidade para que essas crianças possam se divertir para além desse dia único?

Enquanto bairros centrais de São Paulo concentram praças bem cuidadas, áreas verdes e equipamentos de lazer, na comunidade a realidade é outra, ruas estreitas, poucos espaços públicos e quase nenhuma estrutura voltada para a infância.

Para muitas crianças a rua, a quadra e o campinho acabam sendo os únicos cenários possíveis para brincar. O campinho de terra, ainda que sem alambrado, se transforma em estádio, um ponto de encontro onde a molecada se diverte.

Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, a cidade conta com um pouco mais de mil praças públicas distribuídas nos 96 distritos. A concentração, no entanto, é desigual, enquanto bairros centrais e de classe média recebem mais manutenção e investimentos, distritos periféricos convivem com praças abandonadas, sem iluminação ou brinquedos sem condições de uso. Há comunidades inteiras sem nenhum espaço de lazer formal. Isso no dia a dia afeta diretamente a qualidade de vida dessas crianças.

O brincar, que deveria ser garantido, acaba sendo um exercício de resistência, com muita criatividade elas fazem ruas vazias virar pista de carrinho de rolimã, a calçada se transforma em tabuleiro de amarelinha riscado com giz improvisado, os campinhos viram grandes estádios onde rolam as melhores disputas entre meninos e meninas, onde o objetivo é ganhar o grande prêmio, que é um refrigerante de dois litros. Nessa simplicidade e com poucos recursos, as crianças inventam mundos inteiros através da imaginação.

Foto: Juh Na Várzea

Ainda assim, na quebrada vemos essas crianças florescer em risos, invenções e brincadeiras que surgem da forte arma que a infância periférica tem : A criatividade. Um lembrete de que é nessa força inventiva que a periferia mantém viva a essência do ser criança. Que 12 de outubro seja, em muitas quebradas, um dia para aproveitarem e se divertir com esses eventos destinados a elas, Mas, que nós, nos dediquemos para que essa felicidade possa permanecer também nos outros dias.


Este é um conteúdo opinativo. O Desenrola e Não Me Enrola não modifica os conteúdos de seus colaboradores colunistas.

nossas notícias
no seu email


relacionadas

Imposto de Renda: o Leão deixou de ser daltônico

Compartilhe

Neste artigo para o Desenrola, respondo a perguntas relacionadas à Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, acentuando a importância do preenchimento de todos os cidadãos para a melhor representatividade dos dados coletados e o melhor embasamento e planejamento de políticas públicas futuras.

Fortaleça a construção de novos horizontes no jornalismo.

Apoie agora!

últimas

Em Guaianases, projetos impactam autonomia e a vida de quem envelhece na periferia

Compartilhe

Ao contrário do que muita gente pensa, envelhecer na periferia pode significar vitalidade e pertencimento. Pelo menos é o que têm comprovado os frequentadores do projeto Dia Total e da Academia Black Brothers. Com atividades específicas para a população idosa, as iniciativas têm impactado não só a rotina, mas a saúde física e mental de muita gente pela região.

Acessar o conteúdo