ENTREVISTA

“Muitos expositores começaram com a gente”: o impacto do Festival Percurso no empreendedorismo cultural da periferia

Em um diálogo sobre sua trajetória como empreendedor cultural, Jaime Diko Lopes, morador do Monte Azul, zona sul de São Paulo, conta como se tornou um dos organizadores do Festival Percurso.
Por:
Ruan Henrique
Edição:
Ronaldo Matos

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No próximo domingo (10) de dezembro, acontece mais uma edição do Festival Percurso na Praça do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, a partir das 9h. Um dos organizadores do evento, Jaime Diko Lopes, 42, que também é comunicador da Rádio Mixtura, ressalta o propósito da agência Solano Trindade, criadora do evento, de fortalecer a economia local fomentado por empreendedores culturais e artistas independentes, que não são valorizados pelo sistema da indústria cultural.

Após 4 anos de realização da última edição presencial, o Festival Percurso retorna a praça do Campo Limpo com a sua tradicional feira de empreendedores, rodas de conversas e shows de artistas enraizados nos territórios periféricos. Ruan Henrique, aluno do Você Repórter da Periferia – programa de educação midiática antirracista – promovido pelo Desenrola e Não Me Enrola, conversou com o Jaime Diko Lopes para entender os propósitos do evento que já faz parte do calendário cultural da cidade de São Paulo.

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Jaime Diko e Tia Nice durante evento do Organicamente Rango. Foto:Vitória Rosendo, aluna da 7ª edição do Você Repórter da Periferia/Novembro 2023.
Jaime Diko e Tia Nice durante evento do Organicamente Rango. Foto:Vitória Rosendo, aluna da 7ª edição do Você Repórter da Periferia/Novembro 2023.

Ruan Henrique – Você Repórter da Periferia: Como foi criado o Festival Percurso?

Jaime Diko: Quando você fala de festival de música, somente vem à mente os grandes festivais que todo mundo fica ostentando, que são absurdos os valores cobrados, R$ 200, R$ 300 ou R$ 500, para você ir em um festival, o lance da ostentação chega até a gente, e a gente não tem esse recurso para pagar. O Percurso (Festival) é justamente isso. Eu falei assim: “mano, a gente vai fazer um festival nosso aqui, tá ligado? Que ele seja gratuito.” Aí a gente começou a entender como funciona esse mecanismo.

Ruan Henrique – Você Repórter da Periferia: Como o Festival Percurso impacta na vida dos empreendedores locais?

Jaime Diko: Muitos expositores começaram com a gente para depois entrar em várias outras feiras que acontecem na cidade, porque ninguém quer um expositor que não tem uma experiência, e a experiência acaba se dando no Festival Percurso, talvez um artista que não tem uma experiência, já exclui de um monte de situação, às vezes você não tem o diploma da faculdade X, e isso não te contempla diante da sociedade, então o Festival Percurso dá a experiência aos expositores locais e artistas que não são contemplados pelo sistema, por falta de experiência ou profissionalização.

 Ruan Henrique – Você Repórter da Periferia: Qual a visão de futuro daqui pra frente?

Jaime Diko: Queremos ser referência, mas é uma consequência. A gente chegou pra fazer a diferença, desde o princípio, com certeza. O primeiro show nosso foi dos Racionais, uma das maiores bandas do Brasil, da quebrada. Depois de 15 anos que eles não faziam show no Capão Redondo, em 2014. A gente realizou no território deles, então é esse lance, de a gente conseguir também trazer os shows do sonho, sabe? Tipo, a gente fala assim: “Mano, tá acontecendo esse show lá do Racionais naquele palco, mas nós também queremos ter”. O show do Mano Brown do Boogie Naipe, o único show deles em uma praça pública foi feito por nós.

 Ruan Henrique – Você Repórter da Periferia: Como você chegou até o Festival Percurso?

Jaime Diko: No primeiro Festival que aconteceu em 2014, eu cheguei, mas eu era um expositor, mas já trabalhava com produção cultural, porque até então eu era colaborador de um espaço que chamava Espaço Comunidade, onde agregava vários coletivos, aí eu fui convidado pra uma exposição no Festival Percurso. “Ó, vai ter um festival e o Racionais vai tocar”. Foi assim que eu entrei, eles já sabiam que eu trabalhava com o Z’áfrica Brasil, que é uma grande banda de Zâmbia, da Zona Sul de São Paulo.

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