
{"id":974,"date":"2015-06-26T03:00:00","date_gmt":"2015-06-26T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2015\/06\/26\/sarau-do-grajau-leva-autenticidade-e-possibilidades-de-se-fazer-cultura-para-a-comunidade\/"},"modified":"2024-06-29T21:30:54","modified_gmt":"2024-06-30T00:30:54","slug":"sarau-do-grajau-leva-autenticidade-e-possibilidades-de-se-fazer-cultura-para-a-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/territorios-criativos\/sarau-do-grajau-leva-autenticidade-e-possibilidades-de-se-fazer-cultura-para-a-comunidade\/","title":{"rendered":"Sarau do Grajau leva autenticidade e possibilidades de se fazer cultura para a comunidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Evento que acontece todo \u00faltimo s\u00e1bado do m\u00eas, h\u00e1 cerda de um ano e meio no bairro do Graja\u00fa, zona sul de S\u00e3o Paulo, marca presen\u00e7a na Virada Cultural 2015 e revela os tra\u00e7os da identidade cultural da periferia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Foto: Sarau do Graja\u00fa<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A comunidade do Graja\u00fa, formada por cerca de 1 milh\u00e3o de pessoas, recebeu em janeiro de 2014 um Sarau com seu nome. Idealizado por Daniel Alexandrino e Edilene Santos, o evento acontece em um bar que tamb\u00e9m \u00e9 sede do Hawa\u00ed, tradicional time de futebol do bairro. Vindos de outros coletivos culturais da periferia, o trabalho do casal foi convidado para se apresentar na Virada Cultural deste ano.<\/p>\n<p>O nome surgiu como provis\u00f3rio e acabou se tornando oficial. &#8220;Existem muitos coletivos dentro do Grajau, como o &#8220;Ateli\u00ea Daki&#8221; e &#8220;Sobrenome Liberdade&#8221; e \u00e9 impressionante que ningu\u00e9m teve a ideia obvia de usar o nome &#8220;Graja\u00fa&#8221;. N\u00e3o que sejamos mais criativos, mas a gente simplesmente se perguntou &#8216;Como vamos chamar?&#8217; e saiu &#8220;Sarau do Grajau&#8221;, porque a gente ia fazer no Graja\u00fa e a partir do nome a comunidade se identificou. As pessoas falam Sarau <em data-redactor-tag=\"em\">do<\/em> Graja\u00fa e a gente faz <em data-redactor-tag=\"em\">no<\/em> Graja\u00fa, <em data-redactor-tag=\"em\">para<\/em> o Graja\u00fa, <em data-redactor-tag=\"em\">com<\/em> o Graja\u00fa&#8221;, ressalta Alexandrino.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o passou a enxergar que ela existe e que ela pode produzir cultura. Al\u00e9m das apresenta\u00e7\u00f5es do sarau, a comunidade est\u00e1 organizando eventos aos finais de semana com o equipamento utilizado no sarau que fica alocado no bar.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que a comunidade passou a entender que ela \u00e9 importante e que ela pode produzir e criar seu pr\u00f3prio espa\u00e7o de lazer e cultura. Um coisa que eu costumo dizer, a gente n\u00e3o quer fazer sarau, a gente quer que a comunidade se aproprie do sarau&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O trabalho que vem sendo realizado mexeu com a auto estima dos moradores, que est\u00e3o se movimento e aproveitando as oportundiade de conhecimento que o sarau est\u00e1 possibilitando \u00e0 todos. O casal tamb\u00e9m criou uma biblioteca comunit\u00e1ria onde \u00e9 poss\u00edvel pegar quantos e quais livros a pessoa quiser. N\u00e3o h\u00e1 anota\u00e7\u00f5es e nem restri\u00e7\u00f5es quanto a data de devolu\u00e7\u00e3o, a \u00fanica &#8216;regra&#8217; \u00e9 que o livro seja devolvido j\u00e1 que \u00e9 algo da comunidade.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que esse acesso do morador \u00e0 literatura e \u00e0 poesia, enfim, vai surgindo naturalmente, quando o cara percebe que o sarau \u00e9 legal e t\u00e1 ali no bar, t\u00e1 ali do lado, e que ele n\u00e3o precisa ir pro centro. O morador vai tendo contato com livro, com algum escritor, ele vai ouvindo uma m\u00fasica diferente. Querendo ou n\u00e3o, para al\u00e9m da literatura, acaba virando um movimento social tamb\u00e9m porque as pessoas v\u00e3o l\u00e1 protestar, v\u00e3o l\u00e1 falar, se expressar de alguma maneira e reinvindicar. E a\u00ed a gente tem l\u00e1 uma pequena estante com livros que \u00e9 uma biblioteca comunit\u00e1ria&#8221;, informa Edilene.<\/p>\n<p>Acontecendo h\u00e1 pouco mais de um ano, o sarau j\u00e1 ajudou muita gente a se soltar e mostrar seu talento em p\u00fablico, como o poeta Maur\u00edcio que guardava mais de 300 poemas em um caderno que s\u00f3 ele conhecia e que hoje recita poesia at\u00e9 mesmo quando est\u00e1 discutindo com sua esposa, e o Val Divino que al\u00e9m de um grande f\u00e3 de Roberto Carlos, interpreta as m\u00fasicas do cantor e hoje faz seus shows no Sarau.<\/p>\n<p>Auto declarados como um casal que realiza um movimento de esquerda, algo particular entre os dois, como projetos futuros \u00e9 o que n\u00e3o falta no calend\u00e1rio de Edilene e Daniel. Para o fim deste ano, est\u00e1 programado o document\u00e1rio &#8220;Grajau em Foco&#8221; que ir\u00e1 registrar o trabalho dos artistas e movimentos da regi\u00e3o. Al\u00e9m do projeto &#8220;Poesia nas Escolas&#8221; e apresenta\u00e7\u00f5es de cinema e teatro na comunidade.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3 vamos desmistificando a arte, de forma que as pessoas comuns da comunidade, com um certo medo da c\u00e2mera e at\u00e9 com um certo medo do microfone se olhem e digam &#8216;eu tamb\u00e9m posso fazer arte&#8217;, isso \u00e9 que \u00e9 legal&#8221;, diz o articulador cultural.<\/p>\n<p>Edilene lembra que mesmo que o movimento se auto afirme de esquerda, com toda essa condi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e de pensamento, ele s\u00e3o totalmente apartid\u00e1rios. &#8220;Agora a gente passa a ter o VAI como parceiro e a gente tem que colocar isso, temos sim o apoio da prefeitura. Agora toda vez que voc\u00ea pensa num movimento que vai falar de justi\u00e7a social, que vai buscar igualdade de g\u00eanero etc, automaticamente a gente \u00e9 visto como um movimento de esquerda porque \u00e9 a esquerda que busca essa equipara\u00e7\u00e3o, essa igualdade&#8221;, defende Edilene.<\/p>\n<p>&#8220;Eu costumo dizer que a gente \u00e9 um movimento libert\u00e1rio de esquerda e que a gente anda armado. A gente \u00e9 perigoso, a gente anda armardo com poesia, com verdade e com a comunidade&#8221;, finaliza Alexandrino.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evento que acontece todo \u00faltimo s\u00e1bado do m\u00eas, h\u00e1 cerda de um ano e meio no bairro do Graja\u00fa, zona sul de S\u00e3o Paulo, marca presen\u00e7a na Virada Cultural 2015 e revela os tra\u00e7os da identidade cultural da periferia. 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