
{"id":94,"date":"2020-06-19T03:00:20","date_gmt":"2020-06-19T06:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/06\/19\/rumo-ao-enem-movimento-4g-para-estudar-apoia-estudantes-das-periferias\/"},"modified":"2024-06-29T21:19:26","modified_gmt":"2024-06-30T00:19:26","slug":"rumo-ao-enem-movimento-4g-para-estudar-apoia-estudantes-das-periferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/quebrada-tech\/rumo-ao-enem-movimento-4g-para-estudar-apoia-estudantes-das-periferias\/","title":{"rendered":"Rumo ao Enem, movimento &#8216;4G para estudar&#8217; apoia estudantes das periferias"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Campanha quer garantir compra de pacote de dados 4G para 5.000 estudantes das periferias e favelas de todo o pa\u00eds, que est\u00e3o se preparando para o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/b2ap3_large_3830c8866ccc2d54216bff2904b831e_20200817-021433_1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Aluno da Rede Ubuntu utiliza o celular para pesquisas na internet durante o estudo para o Enem. (Foto: Arquivo Pessoal)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Fazendo uma provoca\u00e7\u00e3o sobre o direito \u00e0 internet para estudantes de escolas p\u00fablicas nas periferias, o movimento &#8216;4G para estudar&#8217; surge por meio de uma rede de Cursinhos Populares que criaram uma plataforma de doa\u00e7\u00f5es online, onde pessoas interessadas em contribuir podem doar um valor equivalente a um plano de pacote de dados 4G, que ser\u00e1 entregue a um morador da quebrada que est\u00e1 se preparando para o ENEM e enfrentando dificuldades para dar andamento aos estudos, devido \u00e0 m\u00e1 qualidade da internet nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>O movimento ir\u00e1 impactar estudantes de diversos contextos perif\u00e9ricos do Brasil, como alunos da rede p\u00fablica de ensino nos estados de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Nesses estados, cursinhos populares atuam em diversas frentes, com o objetivo de garantir que jovens das periferias tenham uma experi\u00eancia qualificada para se preparar para o ENEM, visando potencializar o n\u00famero de moradores da quebrada que acessam o ensino superior.<\/p>\n<p>Uma das iniciativas que comp\u00f5em o movimento &#8216;4G para estudar&#8217; \u00e9 a Rede Ubuntu, coletivo de educa\u00e7\u00e3o popular criado em 2013 por um grupo de educadores e estudantes universit\u00e1rios da zona sul de S\u00e3o Paulo. Segundo Rafael C\u00edcero, coordenador pedag\u00f3gico da rede Ubuntu, a participa\u00e7\u00e3o de cursinhos de diversas regi\u00f5es brasileiras \u00e9 uma forma de garantir que o projeto de fato democratize a internet em v\u00e1rios cantos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia que os cursinhos encontraram para distribuir a internet para os alunos foi de adquirir chips, comprar planos de dados, e para alunos que j\u00e1 tem chips, ser\u00e1 entregue apenas o plano de dados mensal. A escolha da operadora para compra dos chips ter\u00e1 um mapeamento por regi\u00e3o, verificando qual territ\u00f3rio tem maior qualidade de sinal \u00e9 por consequ\u00eancia maior alcance.<\/p>\n<p>Os cursinhos tamb\u00e9m pretendem arrecadar de maneira mensal fundos para impactar 5.000 mil alunos selecionados para receber os pacotes de dados. De acordo com C\u00edcero, o movimento tamb\u00e9m quer chamar a aten\u00e7\u00e3o de empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es para apoiar essa mobiliza\u00e7\u00e3o. &#8220;Para esse momento importante que o pa\u00eds est\u00e1 vivendo, precisamos cobrar as operadoras para que elas se disponibilizem e contribuam com esse debate&#8221;. Ele ressalta que a pandemia exp\u00f4s a fragilidade do sistema p\u00fablico de educa\u00e7\u00e3o. &#8220;Mesmo sem pandemia, os alunos aprendem muito pouco na escola, daquilo que o Enem e o vestibular cobra&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo a Anatel, somente na cidade de S\u00e3o Paulo, munic\u00edpio onde a Rede Ubuntu atua, h\u00e1 mais de 24 milh\u00f5es de celulares. Destes, sete milh\u00f5es s\u00e3o utilizados no formato pr\u00e9-pago e 17 milh\u00f5es s\u00e3o utilizados como p\u00f3s-pagos. A plataforma Telebrasil afirma que para atender essa demanda de usu\u00e1rios de smartphones h\u00e1 mais de sete mil antenas de celular espalhadas pela cidade. No mapeamento mais recente realizado pela Assossia\u00e7\u00e3o Brasileira de Telecomunica\u00e7\u00f5es, as antenas que distribuem o sinal de internet para celular est\u00e3o concentradas em sua maioria na regi\u00e3o central da capital paulista, ficando as periferias com uma taxa reduzida de cobertura de sinal.<\/p>\n<p>Pensando na imensa desvantagem que seus alunos j\u00e1 enfrentavam antes da pandemia chegar \u00e0s periferias e levando em considera\u00e7\u00e3o o quanto essa condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade aumentou, a Rede Ubuntu vem criando estrat\u00e9gias para ajudar seus alunos. &#8220;Muitos dos nossos alunos iam a biblioteca estudar durante a semana, iam at\u00e9 o c\u00e9u, utilizavam o computador da biblioteca. Agora sem poder ir presencialmente nesses espa\u00e7os, eles tamb\u00e9m sofrem mais por falta de condi\u00e7\u00f5es estruturais para estar estudando&#8221;, explica o coordenador pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo de todas essas desigualdades estruturantes que os alunos est\u00e3o expostos, Um dos caminhos alternativos para manter a realiza\u00e7\u00e3o das aulas foi a oferta de conte\u00fados digitais did\u00e1ticos para os alunos, seguindo o cronograma que j\u00e1 seria passado durante os encontros presenciais, que eram realizados sempre aos finais de semana.<\/p>\n<p>&#8220;A gente aderiu ao Google sala de aula, depois come\u00e7amos arquivar todo material de cursinho e forma\u00e7\u00e3o de aula, onde os alunos t\u00eam acesso por meio de email e os canais deles, logo depois a gente come\u00e7ou oferecer v\u00eddeo aulas, por meio do Youtube&#8221;, relata C\u00edcero, afirmando que as v\u00eddeo aulas podem ser acessadas a qualquer momento.<\/p>\n<p>Percebendo que muitos alunos n\u00e3o estavam acessando o material por falta de internet, a Rede Ubuntu enxergou no movimento 4G para estudar uma forma de democratizar o acesso \u00e0 internet para os alunos durante a prepara\u00e7\u00e3o do ENEM.<\/p>\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">&#8220;O benef\u00edcio da internet \u00e9 que eu posso pesquisar para n\u00e3o deixar passar em branco&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Gerontologia, nutri\u00e7\u00e3o ou medicina &#8211; essas s\u00e3o as tr\u00eas op\u00e7\u00f5es de curso que Caio dos Santos, 24, morador da periferia do Campo limpo, zona sul de S\u00e3o Paulo, pretende cursar com ajuda do Enem e com o apoio da Rede Ubuntu. Essas se tornaram suas motiva\u00e7\u00f5es para se adaptar a nova rotina de estudo e organiza\u00e7\u00e3o durante a pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse meio tempo, bem no come\u00e7o eu tava sem internet, ent\u00e3o eu fiquei estudando s\u00f3 por meio de livros mesmo&#8221;, conta Santos, afirmando que os livros traziam muitas informa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m n\u00e3o sanava todas suas d\u00favidas, e assim a falta de internet colaborava com um acesso limitado \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, quando se remete a estudar para um prova que abrange todo conte\u00fado do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>&#8220;O benef\u00edcio da internet agora com qualquer d\u00favida que eu tenho, ou alguma dificuldade de entender o exerc\u00edcio, eu posso pesquisar pela internet para eu n\u00e3o deixar passar em branco, porque \u00e9 o que acontecia muito. Eu estudava com livros e algumas coisas ficavam em branco e eu precisava anotar para sanar essas d\u00favidas com algu\u00e9m ou em uma pr\u00f3xima tentativa de fazer os exerc\u00edcios&#8221;, relembra o estudante.<\/p>\n<p>Sobre suas perspectivas para o dia da prova que n\u00e3o est\u00e1 definido ainda, devido ao adiamento por causa da pandemia do coronav\u00edrus, Santos se diz confiante por ter mais tempo para estudar, estar usando bons h\u00e1bitos de organiza\u00e7\u00e3o que vem praticando e procurando usar o tempo a seu favor.<\/p>\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">&#8220;Teve uma semana que era para entregar as atividades e minha internet n\u00e3o queria funcionar&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Outro aluno da Rede Ubuntu \u00e9 Ryan Roris, 17, morador do Jardim das Oliveiras, bairro localizado em Itapecerica da Serra. Durante a pandemia, o jovem divide sua rotina entre estudar para terminar o terceiro ano do ensino m\u00e9dio e se preparar para o Enem. Ambas as atividades necessitam de internet, por\u00e9m ele vem de adaptando as oscila\u00e7\u00f5es de Inal para entregar suas atividades.<\/p>\n<p>&#8220;Teve uma semana que era para entregar as atividades e minha internet n\u00e3o queria funcionar por nada. Eu tive que usar meus dados m\u00f3veis para passar pro notebook&#8221;, conta o estudante, relatando o recente incidente de ficar sem internet para manter a rotina de estudos.<\/p>\n<p>&#8220;E tamb\u00e9m to pesquisando alguns cursos on-line, mas n\u00e3o \u00e9 nada certo porque eu tenho que ficar indo na casa da minha irm\u00e3, por conta do notebook, por que a internet l\u00e1 \u00e9 melhor, e assim t\u00e1 dando pra continuar os estudos durante esse caos&#8221;, descreve Roris, relatando a import\u00e2ncia do apoio familiar e do acesso ao notebook para realizar as atividades escolares.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da internet de m\u00e1 qualidade, outro impacto negativo na rotina de estudos do aluno \u00e9 a falta de concentra\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 bem dif\u00edcil ter total concentra\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes minha m\u00e3e me chama para fazer alguma coisa, \u00e0s vezes as pessoas aqui de casa come\u00e7am a falar e voc\u00ea acaba desconcentrando. Eu tento sempre manter o foco, por mais dif\u00edcil que seja&#8221;.<\/p>\n<p>Com poucas esperan\u00e7as sobre o futuro nos estudos, Roris sabe que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 seu esfor\u00e7o que basta. Para o estudante, ainda existe uma barreira chamada desigualdade. &#8220;Se a tecnologia t\u00e1 avan\u00e7ada deveria n\u00e3o ser apenas para as pessoas que tem mais classe, que tem mais condi\u00e7\u00f5es. E sim, tamb\u00e9m aqui na periferia, porque a minha condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o possa chegar l\u00e1 encima tamb\u00e9m, assim como algu\u00e9m que tenha todos os recursos&#8221;.<\/p>\n<p>Para continuar na luta por uma boa nota no Enem, Roris diz que busca for\u00e7as nos ensinamentos e viv\u00eancias dos seus pais. &#8220;Aqui em casa mesmo, a \u00fanica que tem um diploma de faculdade \u00e9 minha irm\u00e3. Meus pais sempre falam pra eu estudar e ter um diploma e uma vida boa sabe? Porque eles n\u00e3o completaram o ensino fundamental e eles n\u00e3o querem isso pra mim, querem um processo bem diferente do deles e melhor&#8221;, finaliza o estudante.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Campanha quer garantir compra de pacote de dados 4G para 5.000 estudantes das periferias e favelas de todo o pa\u00eds, que est\u00e3o se preparando para o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem). Aluno da Rede Ubuntu utiliza o celular para pesquisas na internet durante o estudo para o Enem. 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