
{"id":81,"date":"2020-07-03T03:00:19","date_gmt":"2020-07-03T06:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/07\/03\/como-empreendedores-perifericos-estao-sobrevivendo-a-pandemia-sem-letramento-digital\/"},"modified":"2024-06-29T21:12:23","modified_gmt":"2024-06-30T00:12:23","slug":"como-empreendedores-perifericos-estao-sobrevivendo-a-pandemia-sem-letramento-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/quebrada-tech\/como-empreendedores-perifericos-estao-sobrevivendo-a-pandemia-sem-letramento-digital\/","title":{"rendered":"Como empreendedores perif\u00e9ricos est\u00e3o sobrevivendo \u00e0 pandemia sem letramento digital"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Sem perfil nas redes sociais, atendimento via WhatsApp e muito menos loja virtual, comerciantes locais das periferias de S\u00e3o Paulo que n\u00e3o passaram por um processo de letramento digital voltado ao neg\u00f3cio, relatam o impacto de se adaptar \u00e0 pandemia, criando alternativas de vendas, mesmo com o com\u00e9rcio fechado de maneira parcial ou total.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/b2ap3_large_31d3d8439d6802841ee816187f57e010.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>A costureira Valdirene Rodrigues \u00e9 moradora da Vila industrial, periferia da Zona leste de S\u00e3o Paulo (Foto: Rosana Aparecida)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Durante os \u00faltimos tr\u00eas meses, comerciantes e moradores das periferias que tem seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios instalados nos territ\u00f3rios, se viram sem op\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o de renda, pois sua forma mais comum de comercializa\u00e7\u00e3o \u00e9 por meio de atendimento presencial, e diante das circunst\u00e2ncias causadas pela pandemia de coronav\u00edrus, os moradores tiveram que se reinventar para manter sua renda e sustentar sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Jaime de Jesus, 41, mora no distrito do Campo Limpo, no Jardim Piracuama, zona sul de S\u00e3o Paulo. Ele \u00e9 vendedor ambulante h\u00e1 dezoito anos, mas esse of\u00edcio n\u00e3o foi uma op\u00e7\u00e3o, mas sim uma oportunidade que ele encontrou nas circunst\u00e2ncias que tinha e se adaptou a ela, ligando com o seu prazer de conhecer hist\u00f3rias &#8220;Todo dia \u00e9 uma hist\u00f3ria diferente, que marca a gente&#8221;, descreve o ambulante, mostrando como era o seu cotidiano antes da chegada da pandemia de coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>&#8220;Eu comecei vendendo bebidas nos est\u00e1dios, capa de chuva, a\u00ed fui trabalhando, fui trabalhando, n\u00e3o tive mais oportunidade de voltar pro mercado de trabalho, a\u00ed continuei na rua&#8221;, relembra;<\/p>\n<p>Devido \u00e0 falta de op\u00e7\u00e3o de oportunidades no mercado de trabalho formal, ele foi se adaptando a cultura de vendedor ambulante, para garantir seu sal\u00e1rio no final do m\u00eas. &#8220;N\u00e3o tem uma coisa certa assim pra vender sabe, um dia eu vendo guarda chuva, no outro eu vendo sempre alguma coisa diferente&#8221;.<\/p>\n<p>Diante da pandemia, Jaime n\u00e3o teve op\u00e7\u00e3o de parar suas atividades, assim ele come\u00e7ou a repensar novas alternativas para ganhar dinheiro, e uma delas foi vender m\u00e1scaras na feira do Campo limpo. &#8220;Estou aqui na feira vendendo m\u00e1scara infantil, m\u00e1scara de algod\u00e3o, m\u00e1scara neoprene, m\u00e1scara de adulto. \u00c9 o que eu to fazendo no momento agora&#8221;, explica o morador, relatando sua estrat\u00e9gia de gera\u00e7\u00e3o de renda em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;D\u00e1 pra tirar um dinheirinho sim pra sustentar minha fam\u00edlia&#8221;, afirma ele, lembrando que seu rendimento mensal durante a pandemia diminui, mas ainda est\u00e1 conseguindo se auto sustentar, por\u00e9m o vendedor ressalta que as ruas neste momento n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o reconfortante como antes. &#8220;Eu n\u00e3o gostaria de estar na rua n\u00e9, trabalhando, se expondo, arriscando pegar um v\u00edrus, e acabar ficando doente, mas eu preciso estar na rua trabalhando para poder sobreviver n\u00e9&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>No Cap\u00e3o Redondo, distrito vizinho do Campo Limpo, a moradora Claudiene Santos, mais conhecida em seu bairro por Cacau, 26, \u00e9 manicure h\u00e1 oito anos. Cacau costuma atender em sua casa. Segundo ela, a flexibilidade de hor\u00e1rios para fazer suas demais tarefas foi um dos principais motivos para trabalhar por conta pr\u00f3pria. &#8220;Trabalho em casa por conta da minha filha, assim n\u00e3o preciso pagar ningu\u00e9m para cuidar dela. Posso fazer meus hor\u00e1rios, pois preciso conciliar com os hor\u00e1rios da escola e alguma consulta m\u00e9dica que eu precisar ir&#8221;.<\/p>\n<p>Assim como o vendedor ambulante, a manicure come\u00e7ou a trabalhar por conta pr\u00f3pria em casa por falta de emprego formal. Logo nas primeiras semanas do isolamento social, Cacau se viu preocupada, pois todas suas clientes deixaram de ir at\u00e9 ela para fazer as unhas. &#8220;As clientes sumiram no come\u00e7o da quarentena, tipo sumiram mesmo, fiquei praticamente um m\u00eas sem trabalhar&#8221;.<\/p>\n<p>A partir deste momento, a sensa\u00e7\u00e3o de desespero tomou conta de Cacau. &#8220;Fiquei desesperada, pois meu marido \u00e9 Uber e estava muito dif\u00edcil pra ele tamb\u00e9m, quase n\u00e3o chamavam. Ent\u00e3o n\u00e3o conseguimos o aux\u00edlio emergencial e tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00ednhamos nenhuma garantia de renda&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">Letramento digital distante<\/strong><\/p>\n<p>A partir das experi\u00eancias relatas pelos empreendedores, torn\u00e1-se not\u00e1vel a dist\u00e2ncia entre eles e o letramento digital, termo que consiste num conjunto de t\u00e9cnicas e habilidades para interagir com diversas m\u00eddias e plataformas, produzindo informa\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gias de sociabilidade a partir do manuseio de computadores desktop e dispositivos m\u00f3veis.<\/p>\n<p>A tentativa de Jaime de reduzir seu tempo de exposi\u00e7\u00e3o na rua retrata bem esse cen\u00e1rio de dificuldades para utilizar das ferramentas tecnol\u00f3gicas no dia dia. &#8220;\u00c0s vezes eu exponho meus produtos pelo WhatsApp, pelo status, mas tem hora que n\u00e3o tem jeito \u00e9 preciso sair de casa&#8221;, diz o vendedor ambulante. Para ele, o baixo alcance das vendas, por meio da exposi\u00e7\u00e3o dos seus produtos no status do WhatsApp, faz da rua a melhor op\u00e7\u00e3o para conseguir aumentar sua renda.<\/p>\n<p>O ambulante acredita a inexperi\u00eancia com ferramentas tecnol\u00f3gicas amplia as dificuldades com o neg\u00f3cio nesse momento. &#8220;Eu sou um pouco leigo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia n\u00e9, eu n\u00e3o sei mexer muito tamb\u00e9m. Dependo da minha filha, dependo da minha esposa, mas elas sempre me ajudam, mas eu tenho um pouco de dificuldade&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de migrar para o WhatsApp, a manicure buscou usar plataformas como Facebook e Instagram para tentar conquistar novos clientes. &#8220;Eu comecei a usar as ferramentas do Facebook e Instagram agora n\u00e9, porque antes eu tinha medo, n\u00e3o sabia mexer, mas eu comecei a fazer agora. Mas eu s\u00f3 posto as coisas, fa\u00e7o o b\u00e1sico, eu n\u00e3o sei fazer o que o restante das pessoas fazem no Instagram&#8221;, diz Cacau.<\/p>\n<p>Mesmo com suas dificuldades, ela continua persistindo em aprender um pouco mais das tecnologias que t\u00eam acesso em busca de impactar e valorizar o seu neg\u00f3cio. Por\u00e9m, ela ressalta que sua maior metodologia de marketing continua sendo o uso das indica\u00e7\u00f5es de clientes.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria das minhas clientes s\u00e3o todas antigas, todas elas indicam para algu\u00e9m. Ent\u00e3o mesmo que venha do Facebook, foi porque algu\u00e9m indica a\u00ed elas procuram no Facebook ou no Instagram e me encontra&#8221;, explica ela, enfatizando que s\u00f3 assim para atrair novas pessoas a conhecerem o seu trabalho e despertar nelas o interesse em pedir o n\u00famero de contato para agendar um hor\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">Dificuldade Compartilhada <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil vender produtos pela internet, n\u00e3o adianta voc\u00ea postar uma foto e falar assim: &#8216;eu to vendendo&#8217;, tem que ter recurso, tem que ter muita coisa que eu n\u00e3o tive como op\u00e7\u00e3o entendeu?&#8221;, testemunha Valdirene Rodrigues, 47, moradora da Vila industrial, periferia da Zona leste de S\u00e3o Paulo, que trabalha por conta pr\u00f3pria em sua casa como costureira.<\/p>\n<p>Com dificuldades para vender seus produtos pela internet, ela conta o impacto da perda do contato presencial com clientes. &#8220;Eu n\u00e3o tinha como receber as pessoas em casa, e nem tinha como ir at\u00e9 elas, ent\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o ficou bem complicada n\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, Valdirene n\u00e3o conseguiu prosseguir com seu trabalho, pois n\u00e3o conseguiu realizar atendimentos presenciais. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu usar a tecnologia a seu favor, pensando nisso, observou uma forte demanda em seu bairro por m\u00e1scaras e come\u00e7ou a produzir e comercializar.<\/p>\n<p>&#8220;Eu comecei a fazer m\u00e1scaras para venda n\u00e9 e continuo fazendo, porque ainda t\u00e1 dif\u00edcil&#8221;, afirma a costureira. Ela acredita que se tivesse o dom\u00ednio de recursos tecnol\u00f3gicos para auxiliar no seu trabalho e divulgar seus produtos isso ajudaria a melhoras as vendas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem perfil nas redes sociais, atendimento via WhatsApp e muito menos loja virtual, comerciantes locais das periferias de S\u00e3o Paulo que n\u00e3o passaram por um processo de letramento digital voltado ao neg\u00f3cio, relatam o impacto de se adaptar \u00e0 pandemia, criando alternativas de vendas, mesmo com o com\u00e9rcio fechado de maneira parcial ou total. 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Em 2018, ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Atrav\u00e9s da escrita e da escuta ativa, ela pauta a tecnologia contando a hist\u00f3rias de moradores e projetos das periferias e favelas, para transformar seu imagin\u00e1rio sobre a quebrada."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3356,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81\/revisions\/3356"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=81"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}