
{"id":6835,"date":"2023-09-13T12:11:48","date_gmt":"2023-09-13T15:11:48","guid":{"rendered":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/?p=6835"},"modified":"2024-06-29T21:02:44","modified_gmt":"2024-06-30T00:02:44","slug":"manaus-exclusao-e-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/manaus-exclusao-e-pandemia\/","title":{"rendered":"Manaus, exclus\u00e3o e pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Manaus (AM)<\/strong> \u2013 Na comunidade Waikiru, onde vivem 150 pessoas do povo Sater\u00e9-Maw\u00e9, em um bairro da zona oeste de Manaus, todos foram contaminados pelo coronav\u00edrus durante a pandemia da Covid-19. A doen\u00e7a rapidamente se espalhou no local. Em resposta, como bilh\u00f5es de outras pessoas amedrontadas pelo medo da morte, eles tamb\u00e9m optaram pelo isolamento. Foi nesse momento cr\u00edtico que decidiram resgatar antigos conhecimentos medicinais ancestrais. Banhos de plantas da floresta e infus\u00f5es de ch\u00e1s ajudaram a amenizar os sintomas da doen\u00e7a. Mas um mal maior, muito mais conhecido e devastador, chegou de forma implac\u00e1vel: a crise econ\u00f4mica. A comunidade cuja principal fonte de renda \u00e9 a venda de artesanato e trabalhos informais teria enfrentado a fome n\u00e3o fossem as doa\u00e7\u00f5es de alimentos vindas de organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e de igrejas.<\/p>\n\n\n\n<p>Waikiru \u00e9 uma das mais de 50 comunidades ind\u00edgenas localizadas em Manaus. Ela tamb\u00e9m \u00e9 uma das mais antigas. Foi fundada na d\u00e9cada de 1980 por N\u00e2ndia Sater\u00e9, quando ela veio da Terra Ind\u00edgena Andir\u00e1 Marau, territ\u00f3rio origin\u00e1rio dos Sater\u00e9-Maw\u00e9, localizado nos munic\u00edpios de Barreirinha, Mau\u00e9s e Parintins, no Amazonas. N\u00e2ndia voltou a morar na sua aldeia, em Mau\u00e9s, mas suas filhas decidiram permanecer em Manaus. Hoje, a comunidade \u00e9 liderada por uma mulher, a cacica Geane Maria da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Leiliane Maria Sater\u00e9, professora da comunidade, \u00e9 filha de N\u00e2ndia e irm\u00e3 da cacica Geane. Ela lembra do exato instante em que a Waikiru decidiu se fechar. Era abril de 2020, e as not\u00edcias da capital do Amazonas em <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/com-12-mortes-por-covid-19-amazonas-entra-na-curva-do-colapso-no-sistema-de-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">calamidade p\u00fablica<\/a> repercutiam no mundo. Mas, naqueles primeiros meses da pandemia, as informa\u00e7\u00f5es batiam de frente com a desinforma\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cQuando soubemos dessa doen\u00e7a, a gente n\u00e3o se assustou no primeiro momento. Foi mais como lidar com o desconhecido. A gente foi abrir os olhos quando viu que Manaus estava naquele desespero, naquela calamidade. Ent\u00e3o, a comunidade se fechou. Na \u00e9poca, tinha muitos fakenews. Diziam que no Amazonas n\u00e3o ia chegar porque gripe s\u00f3 gosta de frio, essas coisas. Pelo contr\u00e1rio, depois vimos que Manaus foi a mais afetada\u201d,<\/p>\n<cite>Leiliane Maria Sater\u00e9, professora da comunidade ind\u00edgena Waikiru<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leiliane-Maria-Satere-na-comunidade-indigena-Waikiru-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6837\" srcset=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leiliane-Maria-Satere-na-comunidade-indigena-Waikiru-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leiliane-Maria-Satere-na-comunidade-indigena-Waikiru-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-300x200.jpg 300w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leiliane-Maria-Satere-na-comunidade-indigena-Waikiru-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-768x512.jpg 768w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leiliane-Maria-Satere-na-comunidade-indigena-Waikiru-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-150x100.jpg 150w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leiliane-Maria-Satere-na-comunidade-indigena-Waikiru-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-696x464.jpg 696w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leiliane-Maria-Satere-na-comunidade-indigena-Waikiru-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leiliane-Maria-Satere-na-comunidade-indigena-Waikiru-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Leiliane Maria Sater\u00e9, na Comunidade ind\u00edgena Waikiru, no bairro Reden\u00e7\u00e3o, zona centro-oeste de Manaus. Onde vivem  o povo Sarter\u00e9-Maw\u00e9 (Foto: Alberto C\u00e9sar Ara\u00fajo\/Amaz\u00f4nia Real).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo mapeamento feito pela Coordena\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas de Manaus e Entorno (Copime), Manaus tem 66 aldeias, sendo 54 delas de contexto urbano e 12 \u00e0 margem dos rios que cercam a capital amazonense; entre eles, o rio Negro, o rio Cuieiras e o rio Tarum\u00e3-A\u00e7u. \u00c9 um mapeamento realizado em campo, durante as visitas das lideran\u00e7as da Copime em aten\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/37565-brasil-tem-1-7-milhao-de-indigenas-e-mais-da-metade-deles-vive-na-amazonia-legal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Censo de 2022 do IBGE<\/a>, divulgado em agosto, Manaus possui a maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do Pa\u00eds em contexto urbano: 71 mil pessoas. Antes da divulga\u00e7\u00e3o deste n\u00famero, Marcivana Paiva, tamb\u00e9m Sater\u00e9-Maw\u00e9, coordenadora da Copime, j\u00e1 tinha expectativa de que a popula\u00e7\u00e3o chegaria a essa quantidade. Ela atribui o crescimento \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, ancestral e pol\u00edtica das pessoas, que passaram se reconhecer e se identificar como ind\u00edgena pertencente a um povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com esta popula\u00e7\u00e3o t\u00e3o expressiva atestada pelo IBGE, os ind\u00edgenas de Manaus continuam apagados nos registros oficiais dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos do munic\u00edpio e do Estado. N\u00e3o existem documentos sobre quem s\u00e3o, onde vivem, quantos precisam de escolas ou de atendimento \u00e0 sa\u00fade diferenciada. A subnotifica\u00e7\u00e3o ocorre em todas as esferas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Inseguran\u00e7a alimentar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia da Covid-19, mesmo com a vulnerabilidade hist\u00f3rica dos povos origin\u00e1rios e altas taxas de infec\u00e7\u00e3o e de mortalidade, Manaus, a cidade que colapsou e viveu sucessivas trag\u00e9dias sanit\u00e1rias, n\u00e3o documentou quantos ind\u00edgenas foram contaminados, quantos morreram, quantos foram hospitalizados ou vacinados. Mura, Sater\u00e9-Maw\u00e9, Kokama, Apurin\u00e3, Tikuna, Tukano, Bar\u00e9, entre outros povos que vivem na capital amazonense, tiveram seus dados de imuniza\u00e7\u00e3o pulverizados em \u201cpopula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, conforme a Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Manaus (Semsa), em resposta \u00e0 reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro ano da pandemia, os ind\u00edgenas de Manaus n\u00e3o tiveram acesso \u00e0s alas de hospitais de campanha criadas pelo governo do Amazonas abertas aos povos ind\u00edgenas. A alega\u00e7\u00e3o: o setor ficou restrito aos chamados \u201caldeados\u201d, isto \u00e9, apenas aos que moravam em territ\u00f3rios ind\u00edgenas e n\u00e3o na capital. Os que moravam Manaus encontraram dificuldade de se identificar como ind\u00edgenas nos cadastros nos hospitais. Os funcion\u00e1rios insistiam em cham\u00e1-los de \u201cpardos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em 2020 veio o temor da sa\u00fade se agravar devido a outras doen\u00e7as e junto \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o bastava ser ind\u00edgena para ter acesso a atendimento de sa\u00fade diferenciado.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cFoi um tempo de muitas nega\u00e7\u00f5es de direitos. O hospital de campanha instalado em Manaus, que foi discutido em um Grupo de Trabalho e resultado de um pacto entre os entes federativos, foi fechado para n\u00f3s da cidade\u201d<\/p>\n<cite>Marcivana Paiva, tamb\u00e9m Sater\u00e9-Maw\u00e9, coordenadora da Copime<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Marcivana-Paiva-do-povo-Satere-Mawe-a-primeira-mulher-a-assumir-a-Coordenacao-dos-Povos-Indigenas-de-Manaus-Copime-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6838\" srcset=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Marcivana-Paiva-do-povo-Satere-Mawe-a-primeira-mulher-a-assumir-a-Coordenacao-dos-Povos-Indigenas-de-Manaus-Copime-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Marcivana-Paiva-do-povo-Satere-Mawe-a-primeira-mulher-a-assumir-a-Coordenacao-dos-Povos-Indigenas-de-Manaus-Copime-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-300x200.jpg 300w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Marcivana-Paiva-do-povo-Satere-Mawe-a-primeira-mulher-a-assumir-a-Coordenacao-dos-Povos-Indigenas-de-Manaus-Copime-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-768x512.jpg 768w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Marcivana-Paiva-do-povo-Satere-Mawe-a-primeira-mulher-a-assumir-a-Coordenacao-dos-Povos-Indigenas-de-Manaus-Copime-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-150x100.jpg 150w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Marcivana-Paiva-do-povo-Satere-Mawe-a-primeira-mulher-a-assumir-a-Coordenacao-dos-Povos-Indigenas-de-Manaus-Copime-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-696x464.jpg 696w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Marcivana-Paiva-do-povo-Satere-Mawe-a-primeira-mulher-a-assumir-a-Coordenacao-dos-Povos-Indigenas-de-Manaus-Copime-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Marcivana-Paiva-do-povo-Satere-Mawe-a-primeira-mulher-a-assumir-a-Coordenacao-dos-Povos-Indigenas-de-Manaus-Copime-Foto-Alberto-Cesar-AraujoAmazonia-Real.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marcivana Sater\u00e9-Maw\u00e9, a primeira mulher a assumir a Coordena\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas de Manaus (Copime) (Foto: Alberto C\u00e9sar Ara\u00fajo\/Amaz\u00f4nia Real)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Naquele per\u00edodo, tem-se o registro da interna\u00e7\u00e3o de apenas uma ind\u00edgena da cidade de Manaus, <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/como-os-indigenas-de-manaus-foram-apagados-na-pandemia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Terezinha Ferreira de Souza<\/a>, tamb\u00e9m do povo Sater\u00e9-Maw\u00e9, moradora de uma comunidade \u00e0 margem do rio Tarum\u00e3-A\u00e7u. Mas isso ocorreu apenas porque houve uma grande manifesta\u00e7\u00e3o do lado de fora do hospital, durante da pandemia. \u201cMuitos parentes iam ao hospital e eram mandados de volta para casa. Muitos morriam em casa. Outros n\u00e3o eram compreendidos por causa da dificuldade de falar portugu\u00eas. N\u00e3o houve entendimento da gravidade dessa situa\u00e7\u00e3o pelas autoridades de sa\u00fade&#8221;, diz Marcivana.<\/p>\n\n\n\n<p>A Covid-19 tamb\u00e9m levou inseguran\u00e7a alimentar \u00e0s comunidades, com aumento inesperado de desemprego, fim das atividades de turismo (uma das principais fontes de renda) e impossibilidade de realizar pesca e ca\u00e7a para a alimenta\u00e7\u00e3o. O agravamento da situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas obrigou a Copime a acionar uma rede de apoio que resultou em fundos destinados para a compra de cestas b\u00e1sicas e medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente ia nas comunidades, mas era um perigo. Ficamos muito expostos. Havia realmente o medo de sermos infectados, o que acabou acontecendo com todos n\u00f3s. A gente pensava: \u2018Vamos morrer lutando\u2019. Mas conseguimos levar mais de 7 mil cestas b\u00e1sicas, com apoio da Igreja Cat\u00f3lica, de organiza\u00e7\u00f5es com projetos emergenciais, com parceiros de fora\u201d, lembra Marcivana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que era interessante \u00e9 que os parentes pediam nas cestas sempre lim\u00e3o e alho. Eles queriam isso para fazer os ch\u00e1s junto com outras plantas. N\u00f3s, Sater\u00e9, tomamos muito banho de mucuraca\u00e1, de cip\u00f3 alho. Naquele momento dram\u00e1tico de nossa hist\u00f3ria, resgatamos nosso conhecimento e aceitar que ele faz parte de n\u00f3s\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Na comunidade Waikiru, enquanto serve o almo\u00e7o do pai Marcos Lima, de 94 anos, com um peixe com caldo e farinha, Anita Lima lembra do per\u00edodo mais dram\u00e1tico na comunidade e diz que foi o conhecimento da medicina tradicional que ajudou a amenizar os sintomas. &#8220;Aqui em casa, todos pegaram. Mas usamos muitos rem\u00e9dios caseiros, muitos banhos com folhas. Meu pai, mesmo com essa idade, n\u00e3o ficou grave&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6839\" srcset=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-150x100.jpg 150w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-696x464.jpg 696w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-1068x712.jpg 1068w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2-1920x1280.jpg 1920w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Parque-das-Tribos_Foto_-FernandoCrispim_La-Xunga_AmazoniaReal-2.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vanda Ortega Witoto, durante atendimento na Unidade de Sa\u00fade feita pela pr\u00f3pria comunidade do Parque das Tribos. Na foto, com agentes da Semsa (Foto: Fernando Crispim\/La Xunga\/Amaz\u00f4nia Real\/2021).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Imuniza\u00e7\u00e3o excludente<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de 2021, ainda sob a gest\u00e3o de Jair Bolsonaro (PL), quando o governo federal iniciou a campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19, os ind\u00edgenas de Manaus tiveram uma nova experi\u00eancia de exclus\u00e3o. Eles n\u00e3o faziam parte dos grupos priorit\u00e1rios do Plano Nacional de Vacina\u00e7\u00e3o. Foi preciso iniciar outra batalha.&nbsp;As lideran\u00e7as ind\u00edgenas foram ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal no Amazonas. Uma decis\u00e3o judicial, que veio em junho daquele ano, determinou que os ind\u00edgenas de contexto urbano deveriam ser considerados priorit\u00e1rios. Na ocasi\u00e3o, a maioria dos ind\u00edgenas j\u00e1 havia sido vacinada com a primeira dose, em outros grupos priorit\u00e1rios, como por idade e comorbidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente dizia: \u2018Olha, estamos aqui\u2019. Quando est\u00e1vamos brigando por vacina, as autoridades pediram que embas\u00e1ssemos nossas demandas com dados. Mas como vamos falar de ind\u00edgenas da cidade se sempre fomos invisibilizados? Quais os dados? Nenhum\u201d, relembra Marcivana.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ingressar com uma a\u00e7\u00e3o judicial e cobrar das autoridades do munic\u00edpio, a Copime atualizou em fevereiro de 2021 seu mapeamento, e solicitou no primeiro momento 20 mil doses para ind\u00edgenas da cidade. \u201cN\u00e3o tinha dados oficiais. De onde vamos tirar informa\u00e7\u00e3o? As 20 mil doses foi um n\u00famero que conseguimos identificar naquele momento, a partir das nossas informa\u00e7\u00f5es. Foi dif\u00edcil porque as comunidades estavam desarticuladas, muitas continuavam reclusas, com dificuldades financeiras. Depois, conseguimos uma recomenda\u00e7\u00e3o legal do MPF, mas a morosidade \u00e9 terr\u00edvel\u201d, lembra a coordenadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marcivana, apesar de a<a href=\"https:\/\/coiab.org.br\/conteudo\/justi%C3%A7a-determina-inclus%C3%A3o-de-todos-os-povos-ind%C3%ADgenas-do-amazonas-em-1624584732913x344399622951665660\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Justi\u00e7a Federal do Amazonas mandar<\/a> o Estado brasileiro vacinar todos os ind\u00edgenas apenas em junho de 2021, quando a maioria j\u00e1 estava ao menos imunizada com a primeira dose, a decis\u00e3o continuou necess\u00e1ria e importante porque, a partir dali, ele serviria como refer\u00eancia para outras demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA decis\u00e3o respalda a nossa luta. Ela garante e reconhece os direitos dos ind\u00edgenas. A cidade n\u00e3o \u00e9 isolada das nossas aldeias. H\u00e1 uma grande quantidade de fam\u00edlias em Manaus que recebem seus parentes de todo o Amazonas, das aldeias, para tratamento. S\u00e3o pequenas casas e malocas que recebem um grande contingente de pessoas doentes\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Todos queriam a vacina<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Moy Sater\u00e9 \u00e9 uma lideran\u00e7a hist\u00f3rica. Ela pertence a uma fam\u00edlia de mulheres Sater\u00e9-Maw\u00e9, que foram pioneiras do movimento no Amazonas; \u00e9 neta da matriarca Tereza Ferreira, filha de Kutera e sobrinha de <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/baku-e-seu-protagonismo-feminino-no-movimento-indigena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Baku<\/a> e <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/geracao-mulheres-satere-mawe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zenilda<\/a>, duas das lideran\u00e7as ind\u00edgenas de maior relev\u00e2ncia na Amaz\u00f4nia. Ambas j\u00e1 s\u00e3o falecidas. Em junho de 2020, Moy liderou um protesto na frente do Hospital Nilton Lins para que uma de suas primas, Terezinha, fosse internada em um dos leitos destinados aos ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mobiliza\u00e7\u00f5es como esta e muita press\u00e3o \u00e0 aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do munic\u00edpio fizeram com que a comunidade Wairiku passasse a receber atendimento na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) pr\u00f3ximo da comunidade. \u201cNa cidade a gente vive a nossa cultura. Na \u00e9poca da vacina\u00e7\u00e3o, tivemos que pressionar, chamar o MPF, chamar aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. Dizer que os ind\u00edgenas de todo territ\u00f3rio brasileiro, incluindo os que est\u00e3o na cidade, precisavam ser imunizados imediatamente. N\u00f3s fizemos uma mobiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e a UBS Santos Dumont passou a nos atender\u201d, lembra Moy.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa da necessidade de isolamento, de restri\u00e7\u00f5es de transporte e circula\u00e7\u00e3o, a comunidade se viu sem sustento e convivia com not\u00edcias permanentes de casos de \u00f3bitos. \u201cN\u00e3o morreram parentes na nossa comunidade, mas perdemos em outras. Somos artes\u00e3s, fazemos colares, pulseiras, brincos. Muitas sementes que recebemos s\u00e3o mandadas por outros parentes e muitos morreram\u201d, conta Moy.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha de Moy e tamb\u00e9m lideran\u00e7a Sater\u00e9-Maw\u00e9, Inara Waty conta que as muitas negativas de atendimento aos ind\u00edgenas nas unidades de sa\u00fade de Manaus serviram para mostrar a falta de transpar\u00eancia estat\u00edstica dos grupos ind\u00edgenas na pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFizeram um hospital para internar os ind\u00edgenas, mas foi apenas marketing. N\u00e3o receberam os que estavam na cidade. Se tinha hospital para atender, por que n\u00e3o nos atenderam? A vacina foi outra luta. Todo mundo queria se vacinar. Foi a segunda porrada que recebemos. Diziam que s\u00f3 os ind\u00edgenas aldeados. A gente fica incr\u00e9dula, porque diziam \u2018os povos ind\u00edgenas ser\u00e3o vacinados logo\u2019. E a gente se inclui como ind\u00edgena\u201d, afirma Inara Waty, que \u00e9 acad\u00eamica de Geografia pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Prefeitura n\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Frequentemente, a Prefeitura de Manaus divulga v\u00e1rios informes institucionais (<a href=\"https:\/\/www.manaus.am.gov.br\/semcom\/no-dia-dos-povos-indigenas-prefeitura-leva-servicos-de-saude-as-comunidades-da-zona-oeste-de-manaus?action=genpdf&amp;id=212320\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">como este<\/a>) falando das a\u00e7\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade dos ind\u00edgenas da cidade de combate \u00e0 Covid-19 e outros atendimentos: testagem, atendimento e vacinas. No entanto, os dados essenciais para compreender a realidade e o impacto da doen\u00e7a nas comunidades inexistem. A <strong>Amaz\u00f4nia Real<\/strong> procurou a Semsa e o \u00f3rg\u00e3o enviou dados de imuniza\u00e7\u00e3o registrados pelo Distrito Especial Sanit\u00e1rio Ind\u00edgena (Dsei) de Manaus, que atende 19 munic\u00edpios, apenas a \u201cind\u00edgenas aldeados\u201d. No Amazonas, existem cinco Dseis, entre os 34 vinculados \u00e0 Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai) em todo o Pa\u00eds, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas aldeados assistidos pelo Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena Manaus (Dsei) \u00e9 de 538 pessoas. \u00c9 importante salientar que os ind\u00edgenas no contexto urbano s\u00e3o registrados como popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, disse a Semsa, sem especificar onde vivem essas 538 pessoas \u201caldeadas\u201d. Segundo o \u00f3rg\u00e3o municipal, a cobertura vacinal desse universo \u00e9 de 84,8% para dose 1, 92,9 para dose 2 e 65,4% para dose de refor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>No<a href=\"https:\/\/www.fvs.am.gov.br\/indicadorSalaSituacao_view\/75\/2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Vacin\u00f4metro Covid-19 Amazonas<\/a>, do governo do Estado, n\u00e3o existem dados sobre ind\u00edgenas de contexto urbano, incluindo a capital Manaus. No<a href=\"https:\/\/infoms.saude.gov.br\/extensions\/SEIDIGI_DEMAS_Vacina_C19\/SEIDIGI_DEMAS_Vacina_C19.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Vacin\u00f4metro da Sesai\/Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>, o Dsei Manaus registra uma popula\u00e7\u00e3o de 29.124 pessoas. Destas, 97% tomaram a primeira dose e \u00fanica, 91% a segunda dose e \u00fanica. Esses dados, contudo, n\u00e3o se referem a ind\u00edgenas que est\u00e3o no contexto urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marcivana Paiva, a falta de documenta\u00e7\u00e3o sobre o quadro de sa\u00fade dos ind\u00edgenas impede a cria\u00e7\u00e3o e institui\u00e7\u00e3o p\u00fablicas para as comunidades ind\u00edgenas de contexto urbano n\u00e3o apenas de Manaus, mas de todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Preconceito e racismo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Um estudo da organiza\u00e7\u00e3o Oxfam Brasil sobre a desigualdade da cobertura vacinal afirma que, durante a pandemia, ocorreu a invisibiliza\u00e7\u00e3o de grupos raciais. Como consequ\u00eancia, essa condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade n\u00e3o foi levada em conta na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cOs efeitos do racismo estrutural e institucional comprometem a an\u00e1lise da desigualdade racial no acesso \u00e0 vacina contra a Covid-19, tendo reflexos na investiga\u00e7\u00e3o do impacto da vacina\u00e7\u00e3o entre pessoas racializadas, devido \u00e0 baixa qualidade de informa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA desigualdade no acesso e uso das vacinas contra a Covid-19, talvez seja a mais clara sinaliza\u00e7\u00e3o sobre o desprezo pela vida em escala planet\u00e1ria, em especial de pessoas e regi\u00f5es menos desenvolvidas\u201d, diz o estudo. O relat\u00f3rio da Oxfam \u00e9 a prova da subnotifica\u00e7\u00e3o e do apagamento de popula\u00e7\u00f5es marginalizadas socialmente, como ind\u00edgenas, quilombolas ou moradores de rua. O levantamento mostra apenas dados estaduais, por falta de dados mais espec\u00edficos e por munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>O epidemiologista <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/o-epidemiologista-que-enfrentou-o-negacionismo-e-o-terceiro-episodio-da-serie-ciencia-na-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jesem Orellana<\/a>, pesquisador da Fiocruz Amaz\u00f4nia e refer\u00eancia em estudos sobre a pandemia da Covid-19, lembra que as subnotifica\u00e7\u00f5es resultam em falta de dados. Isso pode ser observado no relat\u00f3rio da Oxfam sobre a desigualdade na cobertura vacinal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMesmo se a equipe de pesquisa tivesse f\u00f4lego para avaliar dados na escala municipal ou at\u00e9 de subgrupos espec\u00edficos como ind\u00edgenas em contexto urbano ou ribeirinhos, essa an\u00e1lise seria desafiadora, pois as bases de dados sobre vacina\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o permitem esse tipo de an\u00e1lise ou eventual an\u00e1lise dessa natureza seria temer\u00e1ria, devido \u00e0 baixa completude e, principalmente, qualidade desses dados\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Orellana, essa lacuna \u00e9 \u201coutro legado da m\u00e1 gest\u00e3o da epidemia no Brasil, um retrocesso em nossas coberturas vacinais e na qualidade do dado gerado, deixando subgrupos importantes da popula\u00e7\u00e3o, como ind\u00edgenas vivendo em cidades, imigrantes, moradores de rua ou ribeirinhos, na mais velada invisibilidade\u201d. Isso aconteceu, diz Orellana, pela exclus\u00e3o dos mesmos do processo de vacina\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo por sua tardia inclus\u00e3o, sem qualquer considera\u00e7\u00e3o bio\u00e9tica e humanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, historicamente, sofre com v\u00e1rias doen\u00e7as preexistentes e transmiss\u00edveis trazidas pelo invasor europeu, como mal\u00e1ria e tuberculose. Tamb\u00e9m possuem comorbidades causadas pela imposi\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos da coloniza\u00e7\u00e3o, como diabetes.<\/p>\n\n\n\n<p>No interior do Amazonas, as terras ind\u00edgenas n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, tanto que muitos precisaram ser transferidos para Manaus durante a pandemia; mas os casos de mortes nas aldeias at\u00e9 hoje s\u00e3o incalcul\u00e1veis devido \u00e0 subnotifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Manaus, a Covid-19 fez v\u00edtimas proeminentes, como o escritor e agente de sa\u00fade<a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/aldevan-baniwa-que-denunciou-a-falta-de-testes-para-covid-19-morre-em-uti-de-manaus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Aldevan Baniwa<\/a>, o l\u00edder Eli Macuxi e o vice-cacique<a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/professor-tikuna-que-morreu-por-suspeita-de-covid-19-e-enterrado-em-vala-coletiva-em-manaus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Aldenor Tikuna<\/a>, que foi enterrado em uma vala comum. \u201cTudo nos foi negado. Foi nega\u00e7\u00e3o nas unidades de sa\u00fade, nega\u00e7\u00e3o no direito \u00e0 vacina. Se houver uma pr\u00f3xima pandemia, ou mesmo em outras situa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, temos que ter direito \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso. Que deixemos de ser invis\u00edveis. Nesta pandemia, at\u00e9 hoje n\u00e3o sabemos quantos, de fato, morreram em Manaus. Temos os nomes de 37 pessoas, mas sabemos que foram muito mais de 100. S\u00f3 n\u00e3o foi mais por causa da nossa medicina tradicional\u201d, diz Marcivana Paiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ind\u00edgenas da capital do Amazonas sofreram duplamente o apagamento e a desigualdade no acesso \u00e0 hospitais e vacinas durante a pandemia da Covid-19&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":6836,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[964,965,130,963,810,214,49,966],"ppma_author":[73],"class_list":["post-6835","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-contextos-perifericos","tag-amazonas","tag-amazonia-real","tag-desigualdades-sociais","tag-manaus","tag-pagina-inicial","tag-pandemia-de-covid-19","tag-territorio-da-noticia","tag-vacina-de-covid-19"],"acf":[],"authors":[{"term_id":73,"user_id":7,"is_guest":0,"slug":"ronaldo-comunicacaogmail-com","display_name":"Ronaldo Matos","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d5c023cdb350cc81d5a42963af328e5ef634d2fff49293bcebb933eaf78d5961?s=96&d=mm&r=g","first_name":"Ronaldo","last_name":"Matos","user_url":"http:\/\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ronaldo.matosilva\"><i><\/i> \/ronaldo.matosilva<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ronaldomatosjor\/\"><i> <\/i> @ronaldomatosjor<\/a>\r\nApreciador do direito de imaginar, criar, pesquisar e refletir, Ronaldo Matos \u00e9 jornalista e educador. Ele \u00e9 co-fundador e editor do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Influenciado pela cultura Hip Hop e a Filosofia, o morador do Jardim \u00c2ngela vive a quebrada como uma plataforma urbana de conhecimento, para compreender e questionar o que \u00e9 periferia. 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