
{"id":6733,"date":"2023-08-29T10:00:00","date_gmt":"2023-08-29T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/?p=6733"},"modified":"2024-06-29T21:02:51","modified_gmt":"2024-06-30T00:02:51","slug":"a-gente-ficou-40-anos-proibidas-de-jogar-maria-amorim-propoe-reparacao-historica-para-o-futebol-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/a-gente-ficou-40-anos-proibidas-de-jogar-maria-amorim-propoe-reparacao-historica-para-o-futebol-feminino\/","title":{"rendered":"\u201cA gente ficou 40 anos proibidas de jogar\u201d: Maria Amorim prop\u00f5e repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para o futebol feminino"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m dos resultados obtidos com a bola em campo, a Copa do Mundo Feminina, 2023, explicitou as diferentes e acentuadas dificuldades e desigualdades que os times femininos, ainda hoje, enfrentam. \u201cO futebol feminino profissional quanto a investimento, n\u00e3o est\u00e1 nem 1% comparado com o masculino\u201d, afirma Maria Amorim, 38.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apaixonada por futebol, Maria \u00e9 uma mulher preta, cearense, perif\u00e9rica, m\u00e3e do Lucas, de 18 anos, da Ana, de 13, e companheira do Beto. Ela \u00e9 moradora de Parelheiros, extremo sul de S\u00e3o Paulo, joga futebol desde crian\u00e7a e como educadora social viabiliza que meninas e mulheres da periferia pratiquem esse esporte, que frequentemente \u00e9 dito como masculino.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"547\" height=\"547\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/245119197_596119375076852_5809675160008263235_n.jpg\" alt=\"Moradora de Parelheiros, al\u00e9m de jogadora, Maria tamb\u00e9m \u00e9 ativista em defesa do futebol feminino (foto: arquivo pessoal)\" class=\"wp-image-6738\" srcset=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/245119197_596119375076852_5809675160008263235_n.jpg 547w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/245119197_596119375076852_5809675160008263235_n-300x300.jpg 300w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/245119197_596119375076852_5809675160008263235_n-150x150.jpg 150w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/245119197_596119375076852_5809675160008263235_n-96x96.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Moradora de Parelheiros, al\u00e9m de jogadora, Maria tamb\u00e9m \u00e9 ativista em defesa do futebol feminino (foto: arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Eu diria que [sou] ativista da modalidade feminina, sempre buscando ocupar lugares majoritariamente masculinizados, que nunca sonhou em ser jogadora profissional, mas que sempre teve dentro de si a luta pela modalidade, que decidiu brigar por esses espa\u00e7os, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 meu, mas de todas as mulheres que querem jogar e praticar futebol independente de se profissionalizar ou n\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<cite><em>Maria Amorim. educadora social de Parelheiros.<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O futebol de v\u00e1rzea, predominante nas periferias, \u00e9 a principal \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o de&nbsp; Maria. Ela \u00e9 fundadora, junto com seu companheiro Beto, do time Apache Feminino e da Liga Feminina de Futebol Amador de Parelheiros, que re\u00fane 110 equipes. Maria tamb\u00e9m \u00e9 t\u00e9cnica e diretora do time masculino Onze Veteranos. Em 2019, ela criou e hoje conduz o projeto FutVida, que insere crian\u00e7as de 6 a 15 anos no esporte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6739\" srcset=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_-300x169.jpg 300w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_-768x432.jpg 768w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_-150x84.jpg 150w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_-696x392.jpg 696w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_-1068x601.jpg 1068w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/maria-amorim_futvida_.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">As treinadoras, Maria Amorim e Cec\u00edlia Bringel, e as crian\u00e7as do projeto FutVida (foto: arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Futebol de base: peneira e investimento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, Maria tamb\u00e9m contribui com perspectivas sobre o futebol feminino profissional, somando com as vis\u00f5es e as realidades que h\u00e1 nas periferias. \u201cO futebol feminino hoje, falando desde o profissional, que respinga no amador, eu acho que tem muito uma [quest\u00e3o de] repara\u00e7\u00e3o [hist\u00f3rica], n\u00e9? A gente ficou 40 anos sem jogar futebol, 40 anos proibidas de jogar.\u201d a educadora traz um contexto hist\u00f3rico e desdobramentos atuais sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Federa\u00e7\u00e3o [Paulista de Futebol], recentemente, criou a peneira sub 17. Isso \u00e9 muito bom, porque na minha \u00e9poca n\u00e3o tinha peneira. Uma peneira sub 17 da Federa\u00e7\u00e3o oportuniza as meninas a participarem e [serem visibilizadas e analisadas pelos] respons\u00e1veis de clubes. S\u00f3 que tinha uma quest\u00e3o muito forte, que era o atestado m\u00e9dico\u201d, menciona a treinadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria tamb\u00e9m relata sobre uma constata\u00e7\u00e3o que ela exp\u00f4s em uma reuni\u00e3o, que ocorreu na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo (Alesp), solicitada pela Deputada Leci Brand\u00e3o, em defesa do futebol feminino, que reuniu integrantes do futebol de v\u00e1rzea, do profissional e a ex-coordenadora da Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol, Thais Picarte, em 2022.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cNa minha fala, eu trouxe que entendo totalmente que o atestado m\u00e9dico seja necess\u00e1rio, mas a forma como ele \u00e9 pedido \u00e9 muito burocr\u00e1tico. Uma m\u00e3e de Parelheiros n\u00e3o vai faltar um dia de trabalho, para levar a menina ao m\u00e9dico, para conseguir um atestado.\u201d<\/em><\/p>\n<cite><em>Maria Amorim, fundadora da Liga Feminina de Futebol Amador de Parelheiros.<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela ressalta que a demora para ter atendimento \u00e9 outro problema que surge ao levar meninas ao m\u00e9dico, no SUS, para conseguir o atestado m\u00e9dico. <em>\u201cPara ter esse atestado, o m\u00e9dico vai pedir exames. Ent\u00e3o, estava tendo menos meninas pretas nas peneiras. E a\u00ed, eu trouxe essa reflex\u00e3o: onde \u00e9 que est\u00e3o as meninas pretas? Na periferia, esse caminho para a menina chegar at\u00e9 \u00e0 peneira \u00e9 muito longo.\u201d<\/em> complementa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria acrescentou tamb\u00e9m, nesta reuni\u00e3o, que uma realidade recorrente nas periferias \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das m\u00e3es solos, que n\u00e3o podem arriscar a fonte de renda da fam\u00edlia, faltando ao trabalho, para acompanhar as filhas nesses processos. Ela destacou e reivindicou que, \u201cas institui\u00e7\u00f5es, a confedera\u00e7\u00e3o t\u00eam que achar um caminho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"712\" height=\"481\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-17-at-13.24.05.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6740\" srcset=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-17-at-13.24.05.jpeg 712w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-17-at-13.24.05-300x203.jpeg 300w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-17-at-13.24.05-150x101.jpeg 150w, https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/WhatsApp-Image-2023-08-17-at-13.24.05-696x470.jpeg 696w\" sizes=\"(max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reuni\u00e3o na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo (Alesp) realizada em 2022, em defesa do futebol feminino. (foto: arquivo pessoal)<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As coloca\u00e7\u00f5es da educadora social trouxeram resultados. \u201cEsse ano de 2023, na pr\u00f3pria peneira, eles colocaram um m\u00e9dico \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a menina podia ir sem um atestado m\u00e9dico, l\u00e1 passava pelo m\u00e9dico da Federa\u00e7\u00e3o e fazia o atestado na hora. Ent\u00e3o, j\u00e1 foi uma possibilidade que encurtou muito o caminho das meninas\u201d, conta Maria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da conquista, iniciativas e dos demais feitos realizados, a educadora social diz que se preocupa muito com o cen\u00e1rio do futebol feminino devido \u00e0 falta de valoriza\u00e7\u00e3o. \u201cNa periferia tem muita menina boa de bola. Ent\u00e3o, qual seria o futuro ideal para o futebol feminino? Clubes grandes, institui\u00e7\u00f5es como a Federa\u00e7\u00e3o, olhar para o futebol feminino e implantar projetos, fazer parcerias com projetos j\u00e1 existentes\u201d, sugere Maria. Ela menciona que o ideal \u00e9 ter investimento e suporte para que no futuro essas meninas sejam selecionadas para jogar profissionalmente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cHoje, cada clube profissional s\u00f3 tem um time feminino, porque \u00e9 obrigat\u00f3rio, ou seja, se vai participar de uma Libertadores, se o clube t\u00e1 dentro da Conmebol, ele precisa ter um time feminino. Por isso que os grandes clubes t\u00eam, porque sen\u00e3o, n\u00e3o tinha\u201d<\/em><\/p>\n<cite><em>Maria Amorim \u00e9 t\u00e9cnica e diretora do time masculino Onze Veteranos.<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contrapartida, a educadora social, atrav\u00e9s do projeto FutVida, busca aproximar e tornar poss\u00edvel o acesso de meninas e adolescentes, dos bairros Jd. S\u00e3o Norberto e Nova Am\u00e9rica, na zona sul de S\u00e3o Paulo, ao futebol. \u201cA gente que \u00e9 de periferia, quando decide montar um projeto e trazer as meninas para o esporte, a gente tem que buscar estrat\u00e9gias para que ela continue praticando, juntamente com a fam\u00edlia\u201d, argumenta a educadora, mencionando que \u00e9 preciso fortalecer os v\u00ednculos com os pais como um caminho para tornar esses processos colaborativos, a fim de criar redes de apoio para as meninas que sonham em jogar futebol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTem um ditado africano que a gente leva muito pra vida [que diz], \u2018que \u00e9 necess\u00e1rio toda uma aldeia para cuidar e educar uma crian\u00e7a\u2019. E \u00e9 isso que a gente faz com os nossos movimentos. A gente precisa estar junto. A gente precisa fazer essa constru\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, conclui Maria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Amorim, moradora de Parelheiros, destaca a import\u00e2ncia da presen\u00e7a da periferia na constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para viabilizar o acesso de meninas ao futebol feminino profissional&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":6734,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[955,954,810,395,49],"ppma_author":[841],"class_list":["post-6733","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-contextos-perifericos","tag-copa-do-mundo-feminina","tag-futebol-feminino","tag-pagina-inicial","tag-periferia","tag-territorio-da-noticia"],"acf":[],"authors":[{"term_id":841,"user_id":43,"is_guest":0,"slug":"lima-viviane-silvagmail-com","display_name":"Viviane Lima","avatar_url":{"url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/c5998b250df53527903054c60b3cb907_large.jpg","url2x":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/c5998b250df53527903054c60b3cb907_large.jpg"},"first_name":"Viviane","last_name":"Lima","user_url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Vivian3.silva.lima\"><i><\/i> \/Vivian3.silva.lima<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/vi.vianelima\/\"><i> <\/i> @vi.vianelima<\/a>\r\nJornalista, formada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e t\u00e9cnica em multim\u00eddia, pela Etec Jornalista Roberto Marinho (JRM). Como comunicadora tem interesse e atua em projetos de impacto social com \u00eanfase em cultura, ra\u00e7a, g\u00eanero, classe, periferia e interseccionalidade. Tem experi\u00eancia como produtora de reportagem para r\u00e1dio e tv, assistente de produ\u00e7\u00e3o cultural e social media. 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