
{"id":64,"date":"2020-08-10T03:00:42","date_gmt":"2020-08-10T06:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/08\/10\/o-fanzine-e-uma-arma-de-revolucao-diz-artista-e-educador-social-do-jardim-angela\/"},"modified":"2024-06-29T21:12:13","modified_gmt":"2024-06-30T00:12:13","slug":"o-fanzine-e-uma-arma-de-revolucao-diz-artista-e-educador-social-do-jardim-angela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/raizes-perifericas\/o-fanzine-e-uma-arma-de-revolucao-diz-artista-e-educador-social-do-jardim-angela\/","title":{"rendered":"\u201cO fanzine \u00e9 uma arma de revolu\u00e7\u00e3o\u201d, diz artista e educador social do Jardim  \u00c2ngela"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Atrav\u00e9s da arte do fanzine, o educador social Roger Beats, aborda diversas tem\u00e1ticas de luta e resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. Al\u00e9m de proporcionar viv\u00eancias de recorte, montagem e colagem em fanzines para crian\u00e7as e adolescentes, atrav\u00e9s desta linguagem art\u00edstica e comunicativa, eles descobrem novas possibilidades de enxergar e estar no mundo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A arte e a liga\u00e7\u00e3o com o universo do fanzine chegaram \u00e0 vida de Rog\u00e9rio Souza, conhecido como Roger Beats de forma natural. O artista \u00e9 morador do Jardim \u00c2ngela, regi\u00e3o sul da cidade. Hoje, ele vive entre o extremo da zona sul e a Ocupa\u00e7\u00e3o Cultural Ouvidor 63, espa\u00e7o comunit\u00e1rio de cultura localizado no centro velho de S\u00e3o Paulo, um dos locais onde ele realiza oficinas de fanzine.<\/p>\n<p>O fanzine \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o impressa composta por textos autorais ou n\u00e3o, recorte de jornais, revistas, livros e imagens diversas que tem a fun\u00e7\u00e3o de explorar tem\u00e1ticas a partir da imagina\u00e7\u00e3o de quem o produz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de fanzineiro, o artista \u00e9 educador social, e se considera &#8220;artivista&#8221;. Roger j\u00e1 produzia fanzines h\u00e1 algum tempo, mas n\u00e3o entendia que eram fanzines. Para ele, eram informativos, revistinhas ou manifestos.<\/p>\n<p>Por volta de 2001, o educador social e fanzineiro recorria \u00e0s lan houses, e dentro do per\u00edodo de uma hora ele transcrevia um texto pesquisado, selecionava imagens que combinasse com o tema e imprimia. Chegando em casa, recortava, diagrama, corrigia pequenas falhas da impress\u00e3o com caneta, e montava seu manifesto madrugada adentro, pois na \u00e9poca trabalhava e estudava. No dia seguinte, passava na copiadora e tirava c\u00f3pias do material.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/b2ap3_large_download.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Fanzine elaborado pelo educador social que retrata a juventude perif\u00e9rica.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&#8220;Nesse per\u00edodo conheci uma galera do New Metal, onde as ideias coincidiram, havia uma necessidade de passar uma mensagem, informar e conscientizar a juventude sobre algo&#8221;, conta Roger, relembrando que deste encontro de prop\u00f3sitos surgiram tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o de eventos culturais nas periferias da zona sul.<\/p>\n<p>&#8220;Come\u00e7amos a fazer eventos de Hardcore e Emocore pela sul e tamb\u00e9m, encontros de sarau na laje de casa. Durante uns oito anos propagamos a Cultura Underground atrav\u00e9s de manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e impressas. Eles que me falaram sobre a arte do fanzine, e como eu j\u00e1 fazia uns manifestos recortado e xerocado, isso como &#8220;shape&#8221; ideal na vida&#8221;, compartilha o educador.<\/p>\n<p>Desde pequeno o artista sempre foi envolvido com quest\u00f5es culturais e sociais da regi\u00e3o onde mora. Roger conta que possui 13 anos de carteira assinada, mas vivia sem dinheiro e angustiado. Largou o trabalho de ajudante de servi\u00e7os gerais e auxiliar de servi\u00e7os diversos, e foi pensar em alternativas de desenvolvimento cultural e educacional para a comunidade. Hoje considera que n\u00e3o trabalha, e sim que vive em miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O fanzine bem no estilo &#8216;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8217;, veio como uma importante ferramenta que potencializa a comunica\u00e7\u00e3o offline e multiplica essa informa\u00e7\u00e3o para as pessoas que atuo, as que vivem entre becos e vielas. Os \u00faltimos cinco anos, em vez de fazer fanzine sozinho como maioria dos fanzineiros fazem, comecei a proporcionar viv\u00eancias de recorte, montagem e colagem em zines de uma forma simples e linguagem popular&#8221;, conta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Para minha surpresa, o fanzine soou como arma de express\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o para muitas crian\u00e7as, adolescentes e jovens da periferia.&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Os fanzines tem a inten\u00e7\u00e3o de informar algo que est\u00e1 para acontecer, ou trazer a realidade de algo que n\u00e3o \u00e9 transmitido pela m\u00eddia tradicional. Muitas das produ\u00e7\u00f5es do zinester, termo mundialmente conhecido para definir quem produz e propaga a arte do fanzine, t\u00eam sido constru\u00eddas de forma coletiva e colaborativa.<\/p>\n<p>&#8220;Isso na verdade, \u00e9 visto como caso raro, pois a grande maioria do fanzineiros do Brasil atua de forma individual e introspectiva. Os objetivos e prop\u00f3sitos na produ\u00e7\u00e3o coletiva, t\u00eam sido de atuar no inconsciente dos participantes sobre determinado assunto ou tema. Os encontros de Crias de Zines tamb\u00e9m t\u00eam o prop\u00f3sito de dar voz e protagonismo aqueles que s\u00e3o como invis\u00edveis na sociedade&#8221;, relata o educador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/b2ap3_large_downloa_20200817-014410_1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Oficina de fanzine realizada com crian\u00e7as da zona sul de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Para Roger, o fanzine \u00e9 uma arte introspectiva e intimista. Os temas s\u00e3o exclusivos de cada &#8216;zineiro&#8217;, reflete seu momento e olhar para o mundo em sua volta. Nas a\u00e7\u00f5es culturais e sociais nas quais ele leva os encontros &#8220;Fanzinando Id\u00e9ias&#8221;, oficina de fanzines que ele desenvolveu uma metodologia pr\u00f3pria, o educador percebe a necessidade local e qual a informa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ser\u00e1 analisada pelos participantes.<\/p>\n<p>&#8220;Geralmente sou convidado por lideran\u00e7as, institui\u00e7\u00f5es e coletivos para atuar atrav\u00e9s de temas sazonais. Maio: fam\u00edlia, abuso e tr\u00e1fico infantil, julho: Estatuto da Crian\u00e7a e Adolescente, novembro: empoderamento negro, etc. Ou temas urgentes e necess\u00e1rios para determinado p\u00fablico ou per\u00edodo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O artista e educador social conta que a cada ano tem que se readaptar ao contexto perif\u00e9rico. &#8220;Analisar as mudan\u00e7as da tend\u00eancia jovem, suas m\u00fasicas, g\u00edrias, points, e picos que a galera frequenta. O di\u00e1logo pelo fanzine acontece por uma linguagem simples e direta ao dia-a-dia de cada p\u00fablico que visitamos, seja do reggae, do funk, do rock, do sarau, do samba ao rap, do futebol, das minas e monas, da luta por moradia, pol\u00edticas p\u00fablicas ou aquela pra\u00e7a com \u00edndice de drogadi\u00e7\u00e3o&#8221;, conta Roger, que hoje tem em m\u00e9dia 60 temas diferentes de fanzine no acervo do Sarau Comics Edition, coletivo cultural no qual o educador desenvolve suas a\u00e7\u00f5es de arte-educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n<strong>Fanzine como instrumento de forma\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica<\/strong><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>O zineiro considera que o fanzine tamb\u00e9m funciona como ferramenta de fortalecimento de lutas, e oferece possibilidades de mudan\u00e7as. &#8220;Voc\u00ea nunca mais ser\u00e1 o mesmo depois que fazer um fanzine. Eu mesmo sou prova viva disso; sem o fanzine na minha vida, talvez nunca tivesse acessado os lugares e as pessoas que conheci. O fanzine por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 uma arma de revolu\u00e7\u00e3o, tipo a voz das minorias. Juntar a fome com a vontade de comer, ou seja, saber que voc\u00ea pode utilizar revista, recorte, letra, desenho, poesia, rima e juntar tudo num peda\u00e7o de papel. Falar o que bem querer da forma que quiser sobre determinado assunto&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>\n<span><strong>&#8220;Ser o pr\u00f3prio escritor e ilustrador de uma publica\u00e7\u00e3o independente, isso \u00e9 transformador!&#8221;<\/strong>&nbsp;<\/span><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Anos atr\u00e1s, Roger ajudava na organiza\u00e7\u00e3o de eventos de m\u00fasica, teatro e dan\u00e7a, para expor seus fanzines, mas percebia que as pessoas em sua maioria n\u00e3o interagiam.<\/p>\n<p>&#8220;Frequentei encontros de Animes, Expo Fanzines, Fanzinadas e Feiras de Publica\u00e7\u00f5es, contudo, n\u00e3o me sentia \u00e0 vontade. Ent\u00e3o, fui pras ruas, para o gueto. Para lugares que n\u00e3o existia &#8216;Faneditor&#8217; e nunca ouviram falar de fanzines. Troca de fanzines, mangueio e escambos. Com o tempo, passei ensinar, porque quem ensina aprende mais. Se quer ganhar dinheiro n\u00e3o vire fanzineiro! Fanzine est\u00e1 mais ligado \u00e1 valores do que a pre\u00e7os. A circula\u00e7\u00e3o acontece de diversas maneiras e te leva para muitos lugares&#8221;, compartilha.<\/p>\n<p>Continuar se conectando com outras pessoas atrav\u00e9s da sua arte no per\u00edodo da pandemia t\u00eam sido reconfortante para o artista, que conta como tem sido essa rela\u00e7\u00e3o nesse momento onde grande parte das conex\u00f5es tem se dado de forma online.<\/p>\n<p>&#8220;Interessante \u00e9 que boa parte das pessoas que conecta comigo e com as artes em fanzines virtualmente, nunca tiveram em m\u00e3os um artefato impresso do Sarau e talvez de outros fanzines. E boa parte das pessoas que levo a viv\u00eancia de fazer um zine, n\u00e3o tem acesso \u00e0 internet, ou acessam de vez em outra. Como dialogar com os dois p\u00fablicos? Nasce assim, uma nova forma de fanzinar, comunicar uma mensagem. Despertar ao p\u00fablico virtual a sensa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 fanzine&#8221;, analisa Roger.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/b2ap3_medium_downloa_20200817-014448_1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Atividade realizada em escola p\u00fablica com alunos adolescentes da periferias de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Quase todos os fanzines do educador social est\u00e3o digitalizados e salvos em m\u00eddia externa. Roger pensa em possibilidades para a sua miss\u00e3o de vida com os zines e para facilitar e expandir sua mensagem e arte para mais pessoas: curtas de v\u00eddeo, preparar oficinas EAD, abrir Art Labs de fanzines, editora e livraria, al\u00e9m de desenhar uma primeira exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Tendo certa no\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias tecnol\u00f3gicas e das novas formas de comunicar. Sabendo que o YouTube ser\u00e1 o novo Facebook da galera, tr\u00eas ou quatro anos atr\u00e1s comecei a investir num canal para fanzines como forma de express\u00e3o, pois os v\u00eddeos que ensinam fazer fanzine s\u00e3o de youtubers e n\u00e3o fanzineiros. Com o boom da pandemia, muitos zineiros migraram para as plataformas e isso fez mover as \u00e1guas que eu j\u00e1 estava nadando. Abriu um leque para novas conex\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n<strong>Primeira Copa Am\u00e9rica de Fanzine<\/strong><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/b2ap3_large_96ff3dc43e2074027ef8636f5ddc062_20200817-014228_1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Exposi\u00e7\u00e3o de fanzines na PerifaCon, a primeira Comic Con da Periferia. (Foto: Anders Rinaldi)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Em 2020, o artista representou o Brasil na primeira Copa Am\u00e9rica de Fanzine que aconteceu de forma online durante os meses de junho e julho. &#8220;Foi surreal! Confesso que ainda n\u00e3o estou acreditando, s\u00e9rio mesmo. Al\u00e9m das Feiras de Fanzines que s\u00e3o uma verdadeira competi\u00e7\u00e3o de vendas, nunca participei de nada igual&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Foi atrav\u00e9s de uma mensagem da revista El Otro Parche de Bogot\u00e1, informando que iriam organizar uma Copa Am\u00e9rica de Fanzines, que o zineiro recebeu o convite para participar da competi\u00e7\u00e3o junto com outros artistas da Am\u00e9rica Latina. Roger convidou outros zineiros brasileiros, e ap\u00f3s uma competi\u00e7\u00e3o entre os artistas do Brasil, passou a disputar com participantes de outros pa\u00edses, que antes tamb\u00e9m realizaram o mesmo processo de classifica\u00e7\u00e3o em cada pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Em Junho, come\u00e7ou a disputa de fanzine X fanzine de cada pa\u00eds, com voto virtual, quem tivesse maior n\u00famero ganhava. No andar da carruagem, com picos de ansiedades ora dificuldades, em fazer a galera votar at\u00e9 mesmo aquela que se diz fanzineira, chegamos ao 4\u00b0 lugar. O mais interessante, que quem patrocinou a competi\u00e7\u00e3o foi o Consulado do Brasil em Bucaramanga na Col\u00f4mbia. Recebi mensagens do C\u00f4nsul dizendo que todos do Consulado estavam votando e torcendo para o Brasil. Achei isso formid\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A possibilidade de uma segunda edi\u00e7\u00e3o do torneio \u00e1 algo que est\u00e1 no radar de Roger. &#8220;Tivemos uma Live com os quatro finalistas da Copa, junto com a correspondente da Organiza\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m do Consulado. A Inten\u00e7\u00e3o \u00e9 preparar a 2\u00b0 Copa Am\u00e9rica del Fanzines e pensar num Centro Latino-Americano do Fanzine, algo assim do tipo. Ah! O pr\u00eamio final ser\u00e1 a c\u00f3pias de todos os Fanzines participantes da Copa; Chile, Bol\u00edvia, Peru, Col\u00f4mbia, Argentina, Venezuela, entre outros, que, para um bom fanzineiro \u00e9 maravilhoso demais&#8221;.<\/p>\n<p>Para participar da competi\u00e7\u00e3o, o zineiro escolheu o fanzine &#8220;Voz que Clama No deserto&#8221;, que j\u00e1 passou de mil impress\u00f5es e est\u00e1 em portugu\u00eas brasileiro e espanhol. Ao longo da competi\u00e7\u00e3o, ele descobriu que seria o mesmo fanzine at\u00e9 o final, e n\u00e3o um por competi\u00e7\u00e3o. &#8220;Sen\u00e3o, teria enviado logo, o top das gal\u00e1xias! Entretanto este fanzine de bolso &#8220;Voz que Clama No deserto&#8221; tem um qu\u00ea de prof\u00e9tico&#8221;.<\/p>\n<p>O zineiro conta da import\u00e2ncia do zine escolhido para a Copa: &#8220;Ele foi criado depois de uma grande ruptura entre os integrantes do Sarau Comics. Este foi o primeiro Zine que fiz quando parti em carreira solo. Quando entrei na Acepusp &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Cultural de Educadores e Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo -, quando entendi o que \u00e9 Direita e Esquerda. Ele \u00e9 a ponte da minha travessia do fanzine como forma de express\u00e3o para o fanzine de arte como forma de protesto&#8221;, compartilha.<\/p>\n<p>Entre as oficinas de recorte, montagem e colagem que realiza por diversos cantos da cidade, at\u00e9 as novas descobertas que a arte do fanzine trouxe para Roger, a participa\u00e7\u00e3o na Copa Am\u00e9rica foi mais uma oportunidade de troca, crescimento e aprendizado.<\/p>\n<p>&#8220;Trouxe aquela alegria de mostrar a garra do Brasil, aquela determina\u00e7\u00e3o que todo brasileiro tem em competir. O que faltou mesmo foi envolvimento da galera. De acreditar e d\u00e1 um voto de valor. Sou muito grato por toda esta viv\u00eancia, mais uma que o fanzine pregou em mim&#8221;, finaliza o artista que segue tendo a arte como sua miss\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s da arte do fanzine, o educador social Roger Beats, aborda diversas tem\u00e1ticas de luta e resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. Al\u00e9m de proporcionar viv\u00eancias de recorte, montagem e colagem em fanzines para crian\u00e7as e adolescentes, atrav\u00e9s desta linguagem art\u00edstica e comunicativa, eles descobrem novas possibilidades de enxergar e estar no mundo. 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