
{"id":59,"date":"2020-07-31T03:00:38","date_gmt":"2020-07-31T06:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/07\/31\/gravidez-online-encontros-virtuais-dao-apoio-emocional-as-maes-da-quebrada\/"},"modified":"2024-06-29T21:12:16","modified_gmt":"2024-06-30T00:12:16","slug":"gravidez-online-encontros-virtuais-dao-apoio-emocional-as-maes-da-quebrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/quebrada-tech\/gravidez-online-encontros-virtuais-dao-apoio-emocional-as-maes-da-quebrada\/","title":{"rendered":"Gravidez online: encontros virtuais d\u00e3o apoio emocional \u00e0s m\u00e3es da quebrada"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n\nVoc\u00ea j\u00e1 parou para pensar como a pandemia est\u00e1 afetando psicologicamente e fisicamente a vida das gestantes que moram nas periferias de S\u00e3o Paulo? Essa quest\u00e3o foi um ponto disparador que motivou a parteira Cil\u00e9ia Biaggioli, 42, moradora de Parelheiros, zona sul da cidade, a adotar uma plataforma digital de reuni\u00e3o como um ambiente de troca de conhecimento para difundir a sabedoria ancestral da gesta\u00e7\u00e3o e do parto humanizado.\n\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" style=\"text-align: center;\" data-type=\"image\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: Verdana, BlinkMacSystemFont, -apple-system, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen, Ubuntu, Cantarell, 'Open Sans', 'Helvetica Neue', sans-serif; color: initial;\">Pelo fato de estar impedida de realizar o atendimento presencial \u00e0s gestantes que residem em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos, essa foi uma das solu\u00e7\u00f5es encontradas, quando um grupo de doulas e parteiras que fazem parte do coletivo Sopro de Vida, onde Cil\u00e9ia atua como integrante, come\u00e7aram a pensar em formas de promover o bem estar f\u00edsico e emocional de futuras mam\u00e3es durante a pandemia de covid-19, o novo coronav\u00edrus.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n\nA parteira explica que a ess\u00eancia do parto humanizado est\u00e1 no resgate de uma tradi\u00e7\u00e3o perdida ao longo das gera\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 o resgate do que era antes n\u00e9, de um rito de celebra\u00e7\u00e3o, de um momento de passagem, de um nascimento de uma m\u00e3e, de um pai, de uma crian\u00e7a, de uma nova fam\u00edlia&#8221;, define.\n\nPara Cil\u00e9ia, a medicina ocidental produz pouco apoio emocional e f\u00edsico para as gestantes, reduzindo a mulher apenas a um corpo que d\u00e1 a luz. &#8220;Voc\u00ea vai para um hospital parir com pessoas completamente desconhecidas, que faz um toque em voc\u00ea a todo o momento, sem te perguntar se voc\u00ea quer e se pode n\u00e9?&#8221;, questiona ela.\n\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<figure class=\"wp-block-image\"><img alt=\"\" \/>Ela complementa o ponto chave sobre o questionamento: &#8220;por que o m\u00e9dico sempre sabe mais? A gente tem esse lugar de colocar um m\u00e9dico no endeusamento, em um lugar que \u00e9 muito negativo pra gente, como se ele soubesse da gente mais do que a gente mesmo&#8221;.<\/figure>\n\n\nE busca de espalhar um pensamento cr\u00edtico sobre essa cultura, todas as sextas-feiras \u00e0s 17h, ela promove encontros virtuais, que visam acolher e informar m\u00e3es gestantes ou na condi\u00e7\u00e3o de p\u00f3s parto. Al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o do coletivo Sopro de Vida, cada encontro conta com a colabora\u00e7\u00e3o de outras iniciativas e profissionais do parto humanizado, como o Mama Ekos e a doula Esther Marcondes. Fruto deste trabalho de acompanhamento semanal das gestantes, as organizadoras j\u00e1 pensaram em maneiras de ter um acompanhamento di\u00e1rio das participantes.\n\n&#8220;A gente tem um grupo do whatsapp que pode ser divulgado e \u00e9 aberto, e a gente deixa o link para essas gestantes que quiserem entrar. T\u00eam gestantes, por exemplo, que tem muitas dificuldades de acesso \u00e0 internet, essas gestantes nem sempre conseguem entrar na roda virtual, mas elas podem tirar as d\u00favidas no grupo de WhatsApp, ent\u00e3o a gente deixou esse momento bem aberto para poder fazer esses acolhimentos&#8221;, conta Cil\u00e9ia.\n\nA qualidade dos servi\u00e7os e da distribui\u00e7\u00e3o da internet nas periferias \u00e9 um tema bastante comum que j\u00e1 discutimos em outras publica\u00e7\u00f5es no Quebrada Tech, mas no caso das gestantes, essa condi\u00e7\u00e3o de infraestrutura gera outros impactos para al\u00e9m do acesso.\n\n&#8220;A periferia n\u00e3o tem internet direito. Entende? Ent\u00e3o mesmo a roda virtual \u00e9 muito ruim&#8221;, enfatiza a parteira, indignada com a falta de recursos que a periferia tem para os moradores e articuladores do territ\u00f3rio, que n\u00e3o conseguem fazer seu trabalho pela falta de acesso \u00e0 internet, precisando criar novas maneiras de comunica\u00e7\u00e3o, para lidar com as aus\u00eancias que a parteira citou.\n\nEla acredita que durante a pandemia, o acesso \u00e0 internet e a desigualdade dos direitos digitais dificultou ainda mais o simples ato de tirar uma d\u00favida. &#8220;Para mulheres que quiserem fazer perguntas a gente deixou nosso telefone e o zap na p\u00e1gina, porque \u00e9 muito dif\u00edcil n\u00e9&#8221;.\n\nAo justificar o por que a rede entendeu que a comunica\u00e7\u00e3o por WhatsApp seria a mais eficiente em um momento de urg\u00eancia Cil\u00e9ia relata: &#8220;\u00e0s vezes demora meia hora para chegar um WhatsApp, mas ele vai chegar, entendeu, a\u00ed \u00e9 diferente de uma conversa n\u00e9, de uma videochamada, se pergunta uma coisa tem que responder ali na hora n\u00e3o tem outra sa\u00edda&#8221;.\n\nPor conta da m\u00e1 qualidade da internet no distrito de Parelheiros, Cil\u00e9ia conta que durante as rodas e seus trabalhos que exigem um grande tr\u00e1fego de dados, ela e sua fam\u00edlia v\u00e3o para casa da sogra, localizado no Cambuci bairro situado na regi\u00e3o central do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, para conseguir fazer seus trabalhos.\n\n&#8220;Por exemplo, a internet hoje est\u00e1 imposs\u00edvel, e a gente est\u00e1 fazendo um festival online de inverno de Parelheiros. A fam\u00edlia inteira est\u00e1 indo pro Cambuci porque n\u00e3o tem o que ser feito, a internet cai toda hora, n\u00e3o funciona. Voc\u00ea n\u00e3o consegue anexar, n\u00e3o consegue fazer as coisas, trabalhamos com edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo, a\u00ed tem que subir pro Youtube, uma coisa que na internet do Cambuci demora dois minutos, l\u00e1 demora um dia e meio&#8221;, compara a parteira.\n\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>Tratar as dores<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n\nAndr\u00e9a Martinelli, 26, mora na Vila Marcelo, bairro localizado na periferia da zona sul de S\u00e3o Paulo. M\u00e3e solo, professora, p\u00f3s-graduada em psicopedagogia, ela \u00e9 uma das organizadoras do encontro virtual. &#8220;Come\u00e7amos as rodas com a equipe de parteira, aprendiz de parteira e doulas. A\u00ed trazemos as gestantes. Elas tamb\u00e9m convidam as amigas n\u00e3o s\u00f3 gestantes, mas p\u00f3s-parto tamb\u00e9m, que nesse per\u00edodo de isolamento social tamb\u00e9m sofrem com falta de apoio, por falta de contato humano&#8221;, explica Andr\u00e9a.\n\nEla \u00e9 respons\u00e1vel por mobilizar mulheres das periferias para a roda, pois a equipe percebe que o parto humanizado ainda \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o distante para gestantes perif\u00e9ricas. &#8220;A gente convida e muitas vezes elas n\u00e3o tem tempo sabe, esse tempo de poder parar mesmo, que \u00e9 uma vez por semana, uma hora e meia ter esse tempo para ter uma troca&#8221;.\n\nPara conseguir acessar essas mulheres gr\u00e1vidas, as organizadoras est\u00e3o em busca de divulgar os encontros virtuais para gestantes que frequentam unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade nos territ\u00f3rios. &#8220;A gente est\u00e1 tentando levar essa divulga\u00e7\u00e3o pra a UBS, pra eles passarem para as gestantes, para elas terem acesso a esse conte\u00fado, de saber que existem as rodas&#8221;, afirma Martinelli.\n\nAssim como \u00e0 internet, a telemedicina ainda n\u00e3o chegou para todas as mulheres gestantes da periferia. Sabendo disso, as organizadoras da roda virtual utilizam de uma abordagem para tratar suas dores emocionais e f\u00edsicas da forma mais humana e natural poss\u00edvel, atrav\u00e9s da escuta. &#8220;A gente busca sempre usar formas medicinais n\u00e9, do uso de ervas naturais, para conseguir tratar algum tipo de enj\u00f4o, ou outro fator que a gestante t\u00e1 sentido, e tamb\u00e9m tenta trabalhar a parte emocional, ent\u00e3o antes disso a gente conversa: &#8216;aconteceu tal coisa com voc\u00ea? passou alguma coisa essa semana? &#8216; &#8211; e a gente vai buscando essas quest\u00f5es emocionais que levaram essa mulher a sentir&#8221;.\n\nMartinelli relembra sobre a import\u00e2ncia dessa roda virtual, que carrega uma grande import\u00e2ncia de desconstruir todos os conceitos pr\u00e9-estabelecidos que elas aprenderam sobre gesta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o lhe fazem bem. &#8220;Quando a gente faz esse acompanhamento para gestantes e preparamos elas pro parto, a gente ajuda a diminuir a chance dela sofrer viol\u00eancia obst\u00e9trica, delas serem enganadas nos hospitais, e a gente tamb\u00e9m mostra para ela as op\u00e7\u00f5es que elas t\u00eam, se \u00e9 uma gesta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, ela pode parir em uma casa de parto, ela pode parir em casa com parteira, enfim tem outras op\u00e7\u00f5es&#8221;, finaliza.\n\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>&#8220;\u00c9 mais um grupo de amigas que apoiam umas \u00e0s outras&#8221;<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n\nM\u00e3e da Manuela de tr\u00eas meses, Suzane Mayumi, 26, moradora de Parelheiros, conheceu a roda virtual por meio de Andr\u00e9a Matinneli, uma das organizadoras. Durante sua gesta\u00e7\u00e3o, ela foi acompanhada pela Andrea e Cil\u00e9ia at\u00e9 seu beb\u00ea nascer. Hoje, ela acompanha a roda para falar sobre sua experi\u00eancia e como est\u00e1 sendo a segunda maternidade.\n\n&#8220;\u00c9 mais um grupo de amigas que apoiam umas \u00e0s outras&#8221;, define Suzane ao contar o que significa para ela a experi\u00eancia do encontro virtual de gestantes. Consciente do impacto do grupo de apoio na sua gest\u00e3o, ela faz um relato da experi\u00eancia: &#8220;consegui tirar minhas d\u00favidas e obtive mais conhecimento na roda, pois me alertaram como n\u00e3o ter o abuso no parto, como que seria o trabalho de parto, o que fazer nas situa\u00e7\u00f5es de trabalho de parto e amamenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, para pegar de maneira correta e n\u00e3o machucar a mama&#8221;, conta a moradora.\n\nMayumi entende que esse afastamento social no momento de pandemia faz com que as mulheres estejam mais propensas a depress\u00e3o p\u00f3s-parto. &#8220;Eu digo que se n\u00e3o fosse as dicas que eu tive, poderia n\u00e3o ter a mesma que tive maravilhosa que tive dessa gesta\u00e7\u00e3o, pois na primeira gesta\u00e7\u00e3o eu estava totalmente leiga no assunto&#8221;.\n\nA moradora de Parelheiros teve sua primeira filha com 19 anos e partir desta viv\u00eancia, ela aponta que suas maiores dificuldades naquela \u00e9poca foram a falta de informa\u00e7\u00e3o, que a levou a ter experi\u00eancias dif\u00edceis na sua primeira gesta\u00e7\u00e3o.\n\nAtualmente, a moradora atua na roda contando um pouco sobre suas experi\u00eancias e apoiando outras mulheres que est\u00e3o passando pelo per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o. &#8220;Indiquei que elas doassem o leite materno, visto que nessa pandemia o banco de leite caiu muito e precisam da doa\u00e7\u00e3o para manter o estoque e poder ter leite para os rec\u00e9m nascidos&#8221;.\n\nNo final da entrevista a parteira Cil\u00e9ia faz uma analogia com esse momento atual e o processo de gesta\u00e7\u00e3o. &#8220;Eu brinco que a quarentena ela \u00e9 um grande &#8216;puerp\u00e9rio&#8217;, esse momento da lua negra, o momento que o parto aconteceu e a gente entra ent\u00e3o nessa introspec\u00e7\u00e3o, esse momento de amamenta\u00e7\u00e3o que \u00e9 um momento muito dif\u00edcil, que a sociedade fala pouco e a gente t\u00e3o pouco compreende&#8221;.\n\n<\/div><!-- \/wp:post-content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar como a pandemia est\u00e1 afetando psicologicamente e fisicamente a vida das gestantes que moram nas periferias de S\u00e3o Paulo? 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Em 2018, ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Atrav\u00e9s da escrita e da escuta ativa, ela pauta a tecnologia contando a hist\u00f3rias de moradores e projetos das periferias e favelas, para transformar seu imagin\u00e1rio sobre a quebrada."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8073,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59\/revisions\/8073"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=59"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}