
{"id":448,"date":"2018-02-21T03:00:00","date_gmt":"2018-02-21T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2018\/02\/21\/exposicao-de-grafiti-com-obras-em-aquarela-aborda-questoes-de-afeto-no-grajau\/"},"modified":"2024-06-29T21:21:36","modified_gmt":"2024-06-30T00:21:36","slug":"exposicao-de-grafiti-com-obras-em-aquarela-aborda-questoes-de-afeto-no-grajau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/territorios-criativos\/exposicao-de-grafiti-com-obras-em-aquarela-aborda-questoes-de-afeto-no-grajau\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o de grafiti com obras em aquarela aborda quest\u00f5es de afeto no Graja\u00fa"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Intitulada de &#8216;H\u00e1f\u00e9t\u00f4&#8217;, a exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane obras de 11 artistas perif\u00e9ricos com a ideia de fomentar o conceito art\u00edstico na regi\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>O artista Lelo ao lado de um dos seus grafites (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>No fim de outubro foi realizada a abertura da exposi\u00e7\u00e3o &#8216;H\u00e1f\u00e9t\u00f4&#8217;, no Ateli\u00ea Eloparalelo, localizado no Graja\u00fa, extremo sul de S\u00e3o Paulo. A exposi\u00e7\u00e3o conta com tr\u00eas obras de cada um dos 11 artistas para dialogar com quest\u00f5es de afetos cotidianos, presente na vida dos moradores da periferia.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;O nome da exposi\u00e7\u00e3o faz alus\u00e3o a v\u00e1rias palavras e isso foi pensado. Juntei artistas que t\u00eam um trabalho que dialogam com afetos cotidianos e artistas que s\u00e3o novos no rol\u00ea do hip-hop e, principalmente, em exposi\u00e7\u00f5es. Dos 11 artistas, contando comigo, cinco est\u00e3o expondo pela primeira vez&#8221;, explica o curador e tamb\u00e9m expositor da H\u00e1f\u00e9t\u00f4, Weslley Silva, mais conhecido como Lelo.<\/p>\n<p>Lelo, 20, \u00e9 estudante de artes visuais e dono do Ateli\u00ea Eloparalelo, espa\u00e7o onde est\u00e1 sediada a exposi\u00e7\u00e3o e onde tamb\u00e9m vive. Ele conta que o Ateli\u00ea nasceu de uma indigna\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de espa\u00e7os art\u00edsticos que promovam artistas perif\u00e9ricos. &#8220;Este foi um ano em que senti a necessidade de um espa\u00e7o meu. Trabalhei nove meses sem parar para conseguir construir o Ateli\u00ea junto com meu pai. Foi bem significativo pra mim, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o paterna afetiva&#8221;, afirma. Lelo v\u00ea o pai como um dos maiores artistas. &#8220;Construir uma casa sendo semianalfabetoe sem o ensino fundamental, m\u00e9dio ou superior \u00e9 uma das maiores artes que j\u00e1 vi em vida.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Com a arte eu espero provocar, causar reflex\u00f5es, identifica\u00e7\u00e3o, receber elogios &#8211; e cr\u00edticas -, fazer dinheiro. Tudo isso. Com minha presen\u00e7a, espero ver bons amigos, dar uns abra\u00e7os, uns ch\u00earo, uns bejo, beber umas breja, trocar umas ideias&#8221;, exclamou o tamb\u00e9m estudante de artes visuais e expositor Cau\u00e3 Bertoldo pouco antes da abertura de H\u00e1f\u00e9t\u00f4.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente diz uma coisa e a outra pessoa entende, a mensagem \u00e9 facilmente passada na \u00edntegra, basta conhecer as palavras e o significado delas. Quando a gente diz isso com imagens j\u00e1 \u00e9 outro rol\u00ea. Envolve um debru\u00e7ar-se sobre a imagem. Desvenda-se a mensagem a partir do que temos em n\u00f3s. A imagem se comunica com o que h\u00e1 na nossa subjetividade, nosso \u00e2mago. No final, a gente n\u00e3o consegue extrair nada de uma arte sen\u00e3o o que j\u00e1 existe em n\u00f3s mesmos&#8221;, conta Bertoldo.<\/p>\n<p>Ana Paula Resende, 22, mais conhecida como Anap, outra artista que est\u00e1 estudando artes visuais e expondo no evento, tamb\u00e9m fala da ideia e ess\u00eancia que a exposi\u00e7\u00e3o pretende mostrar. &#8220;O fato de passarmos por situa\u00e7\u00f5es de afetos e desafetos, simultaneamente, faz com que a expo resgate o &#8216;eu&#8217; mais profundo de cada pessoa de maneira \u00fanica e exclusiva, trazendo a reflex\u00e3o e o resgate de sonhos, afetos, desafetos e amores em forma de pinturas e ilustra\u00e7\u00f5es&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Ana conta que ser mulher no mundo da arte \u00e9 um ato de resist\u00eancia. &#8220;No meu caso, estou inserida no hip-hop e resisto pelo fato de que fa\u00e7o parte de um movimento que geralmente \u00e9 composto por homens, e a maioria, infelizmente, \u00e9 machista&#8221;.<\/p>\n<p>Lelo tamb\u00e9m fala da resist\u00eancia para explicar o que \u00e9, segundo seu ponto de vista, a arte da periferia. &#8220;A arte perif\u00e9rica \u00e9 resistir, sabe? \u00c9 correr tr\u00eas vezes mais com recursos tr\u00eas vezes menos. \u00c9 n\u00e3o ter saneamento b\u00e1sico, ser assaltado, sentir a repress\u00e3o e o descaso das vias p\u00fablicas e transformar isso em m\u00fasica, poesia, tinta e sentimento&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que a falta de espa\u00e7o e representatividade pra gente \u00e9 enorme, mas aos poucos estamos mudando isso. A periferia est\u00e1 criando seu pr\u00f3prio conte\u00fado. Estamos saindo da depend\u00eancia e aprova\u00e7\u00e3o do clero e fazendo as coisas girarem entre gente da gente &#8211; e eles n\u00e3o gostam disso&#8221;, enfatiza o artista.<\/p>\n<p>Cau\u00e3 \u00e9 militante da causa LGBT. O artista fala que em todas as suas artes faz um discurso de milit\u00e2ncia como forma de acabar com preconceitos. &#8220;Sempre pinto personagens de pele escura e todo personagem \u00e9 de certa forma um autorretrato. Levo nas costas a vontade de fazer o outro se ver e se sentir naquela pintura. O outro eixo \u00e9 a quest\u00e3o da bissexualidade. Desenho meus personagens sem me preocupar se ele \u00e9 menino ou menina, por exemplo. Construo a imagem do jovem negro LGBT ao nosso modo, usando nossos s\u00edmbolos, nossas experimenta\u00e7\u00f5es de mundo, para exorcizar todo estere\u00f3tipo ou preconceito que est\u00e1 atrelado a imagem social negativa do que \u00e9 ser negro, em todos esses contextos&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Weslley Silva, o Lelo, conheceu todos os artistas de H\u00e1f\u00e9t\u00f4 atrav\u00e9s da arte, da rua, das m\u00eddias sociais e de exposi\u00e7\u00f5es passadas. &#8220;Foram quase quatro meses de planejamento e conv\u00edvio, atividades como pain\u00e9is de divulga\u00e7\u00e3o, mutir\u00e3o, troca de ideias, rodas de conversa e di\u00e1logos. Foi louco ver como tudo foi fluindo bem para que chegasse neste resultado final. A periferia \u00e9 forte porque trabalha em redes&#8221;, completa.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe s\u00f3 um ou uma artista que me inspira, principalmente porque moro no Graja\u00fa. Praticamente todos os dias eu conhe\u00e7o um artista novo e, assim, sempre acabo absorvendo um pouquinho de cada um. A arte \u00e9 provocativa. Ela causa rumores, faz pensar e repensar. Se ela n\u00e3o causasse esses efeitos n\u00e3o faria sentido&#8221;, argumenta a expositora Ana Paula Resende (Anap).<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o H\u00e1f\u00e9t\u00f4 conta com obras produzidas com t\u00e9cnica de aquarela sob canson, acr\u00edlica, \u00f3leo, recorte, spray e l\u00e1pis de cor e podem ser adquiridas por valores que ficam entre 60 e 175 reais. A exposi\u00e7\u00e3o fica em cartaz at\u00e9 o dia 25 de novembro no Ateli\u00ea Eloparalelo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Intitulada de &#8216;H\u00e1f\u00e9t\u00f4&#8217;, a exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane obras de 11 artistas perif\u00e9ricos com a ideia de fomentar o conceito art\u00edstico na regi\u00e3o. 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Criado em 2013 pelo coletivo de comunica\u00e7\u00e3o Desenrola e N\u00e3o Me Enrola, a iniciativa usa ferramentas do jornalismo para o desenvolvimento do senso cr\u00edtico, a fim de estimular a compreens\u00e3o e o valor das rela\u00e7\u00f5es humanas em ambientes repletos de potencialidades em meio \u00e0s desigualdades sociais."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=448"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/448\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3501,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/448\/revisions\/3501"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/447"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=448"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}