
{"id":2949,"date":"2023-02-28T13:00:55","date_gmt":"2023-02-28T16:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2023\/02\/28\/quando-voce-fica-tanto-tempo-no-transporte-a-cidade-muda-afirma-poeta-sobre-direito-a-cidade\/"},"modified":"2024-06-29T21:02:58","modified_gmt":"2024-06-30T00:02:58","slug":"quando-voce-fica-tanto-tempo-no-transporte-a-cidade-muda-afirma-poeta-sobre-direito-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/raizes-perifericas\/quando-voce-fica-tanto-tempo-no-transporte-a-cidade-muda-afirma-poeta-sobre-direito-a-cidade\/","title":{"rendered":"\u201cQuando voc\u00ea fica tanto tempo no transporte a cidade muda\u201d, afirma poeta sobre direito \u00e0 cidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Atrav\u00e9s da poesia, Midria Pereira busca construir narrativas que dialoguem com sua identidade e reivindica o direito de acessar todos os espa\u00e7os a que tem direito.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>A partir da convic\u00e7\u00e3o de que todas as pessoas podem ser agentes transformadores, Midria da Silva Pereira, 23, que \u00e9 nascida e criada no bairro Recanto Verde do Sol, no distrito de Iguatemi, na zona leste de S\u00e3o Paulo, se considera uma trabalhadora da palavra, tendo essa como sua ferramenta de mudan\u00e7a e transforma\u00e7\u00e3o social.<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m de poeta, Midria tamb\u00e9m \u00e9 cientista social e atua diretamente com outros jovens. O contato com a literatura aconteceu ainda no ensino fundamental, ao participar do projeto C\u00edrculos de Leitura, onde teve a possibilidade de discutir suas leituras de forma coletiva e assim tamb\u00e9m come\u00e7ou a escrever.<\/p>\n<p>&#8220;Meu primeiro poema foi sobre amor, era uma coisa tipo assim: &#8216;ser\u00e1 que um dia, eu vou sonhar e iremos nos encontrar para ent\u00e3o dan\u00e7ar, a noite do luar&#8217;, era uma coisa assim tudo com ar&#8221;, relembra a poeta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-minimalbox\"><p>Cidade linda?<br \/>\nPra quem?<br \/>\nPorque enquanto o cart\u00e3o postal continuar a ser a Avenida Burguesa<br \/>\nPaulista, o resto da cidade vai continuar sendo sempre o resto<br \/>\nO relegado, o deixado de lado, a borda, a horda, a v\u00e1rzea<br \/>\nA periferia<br \/>\nInclusive amo a minha quebrada<br \/>\nSalve S\u00e3o Mateus, salve Recanto!<\/p>\n<p><cite>Trecho da poesia Paulistana Perif\u00e9rica de Midria Pereira.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>J\u00e1 no ensino m\u00e9dio, a poeta conheceu o Sarau do Vale que acontecia no seu bairro, e foi nesse momento que sua rela\u00e7\u00e3o com a poesia tamb\u00e9m mudou. &#8220;Foi esse espa\u00e7o de eu entender que tinha gente viva escrevendo, gente que era parecida comigo, de ouvir falar da Carolina Maria de Jesus, de Cora Coralina&#8221;, conta Midria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>Direito \u00e0 cidade<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>A atua\u00e7\u00e3o da poeta tem liga\u00e7\u00e3o direta com o direito \u00e0 cidade. Ela conta que a partir do momento que ingressou no ensino superior, sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade mudou. O que passou a refletir diretamente nas suas cria\u00e7\u00f5es. &#8220;Quando voc\u00ea come\u00e7a a fazer esse percurso todo dia e fica tanto tempo no transporte, a cidade muda&#8221;, afirma a poeta que realizava um trajeto de quatro horas no per\u00edodo da gradua\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 ent\u00e3o minha rela\u00e7\u00e3o com a cidade estava muito circunscrita ao meu bairro, aquela parte da zona leste: S\u00e3o Mateus, Jardim Iguatemi, Cidade Tiradentes. Era ir at\u00e9 o Carr\u00e3o para fazer um cursinho no s\u00e1bado, no Aricanduva para ir no shopping, e no Parque do Carmo pelo Sesc e o parque&#8221;, conta Midria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-minimalbox\"><p>Eu quero que as dist\u00e2ncias dessa cidade sejam encurtadas<br \/>\ne que a mobilidade n\u00e3o restrinja mais nossos caminhos de vida<br \/>\nMas isso n\u00e3o significa que eu queira chegar mais r\u00e1pido at\u00e9 o centro<br \/>\nEu quero um fura-fila pra cultura e pra todas as vias de desenvolvimento<br \/>\nbem ali perto de mim, na quebrada<br \/>\nNa zl, na zs, na zo, na zn<br \/>\nQue toda periferia seja reconhecida em sua pluralidade<br \/>\nNa sua gama de intermin\u00e1vel de possibilidades<\/p>\n<p><cite>Poema da Midria Pereira. <\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Atrav\u00e9s desse processo de acessar a cidade, Midria aponta que se conectou com diversos movimentos que lutam pelo direito de ir e vir, e passou a se aproximar de movimentos como o Passe Livre S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;O direito \u00e0 cidade \u00e9 tudo. Embora eu conseguisse ter uma vida ok s\u00f3 estando no meu bairro, quando come\u00e7o a sair dos meus distritos minhas redes se expandem. Com isso a possibilidade de proje\u00e7\u00e3o daquilo que estou fazendo&#8221;<\/p>\n<p><cite>conta a poeta que tamb\u00e9m passa a recitar em slams pela cidade.<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&#8220;Chego a participar do ZAP! Slam e depois ir recitar na televis\u00e3o no programa Manos e Minas, e isso acontece por quest\u00f5es de rede&nbsp;que est\u00e3o em determinados lugares e em outros n\u00e3o&#8221;, afirma Midria sobre estar em espa\u00e7os que n\u00e3o foram projetados para corpos como o seu, mas que atrav\u00e9s da sua poesia tem se tornado poss\u00edvel.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>Possibilidades de exist\u00eancia<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Antes de participar do sarau no seu territ\u00f3rio, as poesias de Midria tinham um tom mais contemplativo sobre a vida. A partir do contato com o sarau, passou a refletir sobre si &#8220;tentando construir uma narrativa que me coubesse&#8221;, conta.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Tem uma poesia que eu escrevi que termina: &#8216;A sociedade querendo ou n\u00e3o, vou usar meu cabelo assim ponto final da quest\u00e3o&#8217;.&nbsp;Era uma afirma\u00e7\u00e3o, e no sarau as pessoas ouvindo e valorizando aquilo, criava outra realidade, que tudo bem eu ter meu cabelo natural e n\u00e3o preciso passar por nenhum tipo de viol\u00eancia por conta disso&#8221;, compartilha.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1220\/IMG_7877.jpg\" title=\"Poeta Midria Pereira recitando poema do seu livro \" a=\"\" menina=\"\" que=\"\" nasceu=\"\" sem=\"\" cor\".=\"\" foto:=\"\" millena=\"\" nascimento\"=\"\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1220\/IMG_7877.jpg\" title=\"Poeta Midria Pereira recitando poema do seu livro \" a=\"\" menina=\"\" que=\"\" nasceu=\"\" sem=\"\" cor\".=\"\" foto:=\"\" millena=\"\" nascimento\"=\"\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1220\/IMG_7877.jpg\" title=\"Poeta Midria Pereira recitando poema do seu livro \" a=\"\" menina=\"\" que=\"\" nasceu=\"\" sem=\"\" cor\".=\"\" foto:=\"\" millena=\"\" nascimento\"=\"\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/b2ap3_large_IMG_7877.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Poeta Midria Pereira recitando poema do seu livro &#8220;A menina que nasceu sem cor&#8221;. Foto: Millena Nascimento<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A poeta ainda descobriu novas vers\u00f5es do racismo e da sua pr\u00f3pria exist\u00eancia tamb\u00e9m no processo de circular pela cidade e no ensino superior. A partir disso, Midria publicou dois livros onde fala sobre &#8216;a menina que nasceu sem cor&#8217;.<\/p>\n<p>&#8220;Eu precisava construir alguma coisa que refletisse a minha experi\u00eancia [que] era essa do n\u00e3o lugar. Quando eu escrevo &#8216;a menina que nasceu sem cor&#8217;, que hoje \u00e9 meus dois livros publicados, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 colocar que eu sou negra e ponto, \u00e9 uma forma de fazer toda reconstru\u00e7\u00e3o da minha identidade&#8221;, diz Midria.<\/p>\n<p>Com a possibilidade de acessar novos espa\u00e7os, junto com dois amigos, Nuno e Ygor, a poeta criou o Slam Usperifa. Inicialmente era uma forma de recepcionar os calouros do curso de ci\u00eancias sociais da USP, mas em pouco tempo passou a reunir poetas de v\u00e1rios territ\u00f3rios, onde muitos entraram pela primeira vez na universidade recitando sobre seus corpos.<\/p>\n<p>A poeta ainda busca unir sua arte com as palavras \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o enquanto cientista social, e assim reafirmar os poetas como profissionais em um campo importante de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Fiz duas pesquisas sobre slam, uma primeira estudando a trajet\u00f3ria de profissionaliza\u00e7\u00e3o de poetas negras do slam em S\u00e3o Paulo. \u00c9 muito importante registrar isso e estou transformando essa pesquisa em um document\u00e1rio para ter registrado. Porque \u00e9 isso, a minha av\u00f3 n\u00e3o vai ler as 100 p\u00e1ginas de relat\u00f3rio, mas se tiver um filme, um v\u00eddeo, ela vai conseguir entender&#8221;<\/p>\n<p><cite>Midria Pereira.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>\u00c9 nessa associa\u00e7\u00e3o entre suas diversas formas de atua\u00e7\u00e3o que a poeta une esfor\u00e7os para colocar a poesia e o trabalho de poetas em evid\u00eancia. Sua pr\u00f3xima produ\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sobre poetas negras surdas dentro do slam, evidenciando o corpo dentro da poesia.<\/p>\n<p>&#8220;O mundo entrega muitos marcadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade, classe, e a gente sempre tem que ir criando nossa hist\u00f3ria, nosso ponto de vista&#8221;, finaliza a poeta.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s da poesia, Midria Pereira busca construir narrativas que dialoguem com sua identidade e reivindica o direito de acessar todos os espa\u00e7os a que tem direito. 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Em 2018 ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Ela atua em seu territ\u00f3rio com projetos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como o Cursinho Livre Cl\u00e1udia Silva Ferreira. Por meio da escrita, ela est\u00e1 aprendendo a ser cientista social fazendo jornalismo de quebrada."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2949","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2949"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2949\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3136,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2949\/revisions\/3136"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2949"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=2949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}