
{"id":2567,"date":"2022-08-08T13:00:36","date_gmt":"2022-08-08T16:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2022\/08\/08\/guilhotina-educacional-estuda-quem-pode-come-quem-trabalha\/"},"modified":"2024-06-29T21:04:08","modified_gmt":"2024-06-30T00:04:08","slug":"guilhotina-educacional-estuda-quem-pode-come-quem-trabalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/colunas\/guilhotina-educacional-estuda-quem-pode-come-quem-trabalha\/","title":{"rendered":"Guilhotina educacional: estuda quem pode, come quem trabalha"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o de uma escola de ensino integral precisa integrar sociedade civil, pesquisas sobre o p\u00fablico e pol\u00edticas p\u00fablicas que correlacionam, caso contr\u00e1rio ser\u00e1 um desastre.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1118\/WhatsApp-Image-2022-08-03-at-16.04.24.jpeg\" title=\"\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1118\/WhatsApp-Image-2022-08-03-at-16.04.24.jpeg\" title=\"\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1118\/WhatsApp-Image-2022-08-03-at-16.04.24.jpeg\" title=\"\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Um dos primeiros textos desta coluna buscou tratar sobre educa\u00e7\u00e3o de qualidade, contudo naquela mesma \u00e9poca eu havia come\u00e7ado a escrever um texto acerca do NOVOTEC, texto esse que nunca publiquei. Ao reler meus arquivos antigos e tentar abrir o debate sobre a PEI (Programa de Ensino Integral<\/span><span>) decidi que era necess\u00e1rio procurar tratar dos interesses pol\u00edticos e da aus\u00eancia do reconhecimento da realidade da maioria dos jovens brasileiros.<\/span><\/p>\n<p>A ideia da escola de ensino integral \u00e9 incr\u00edvel, n\u00e3o posso aqui negar que \u00e9 lindo pensar em adolescentes que podem estudar o dia todo, que possuem mat\u00e9rias novas e inovadoras numa grade escolar e muitas atividades extras.<\/p>\n<p>Contudo a PEI aplicada em S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 nada disso, n\u00e3o inova j\u00e1 que agrega e alinha suas ideias a um modelo de educa\u00e7\u00e3o para emprego da d\u00e9cada de 90 (ensino t\u00e9cnico), n\u00e3o traz atividades extracurriculares pensadas no desenvolvimento do adolescente e nem refaz a estrutura escolar que \u00e9 por vez extremamente desconfort\u00e1vel para estar durante longos per\u00edodos (e n\u00e3o t\u00f4 falando de dar alguns notebooks e colocar rede wifi viu?).<\/p>\n<p>Mas aqui n\u00e3o quero focar em tratar da mera estrutura f\u00edsica ou dos desdobramentos pedag\u00f3gicos da PEI, e sim discorrer um pouco sobre como uma escola de ensino integral n\u00e3o cabe na realidade do adolescente brasileiro e implantar isso como pol\u00edtica p\u00fablica \u00fanica e solit\u00e1ria gerar\u00e1 exclus\u00e3o escolar (evas\u00e3o ou abandono como o governo costuma intitular).<\/p>\n<p>Durante meu est\u00e1gio escolar realizado num per\u00edodo entre fim de fevereiro e maio vivenciei um pouco do desespero dos alunos sobre as mudan\u00e7as propostas, como fiz est\u00e1gio numa escola de ensino regular que estava come\u00e7ando a ter algumas coisas relacionadas a PEI, vi a entrada de muitos alunos novos vindos de outras escolas para tentar &#8220;fugir&#8221; do ensino integral e terminar o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que boa parte dos nossos adolescentes precisam trabalhar e estudar e que parte destes est\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de trabalho precarizadas, segundo um estudo publicado na Campanha da Funda\u00e7\u00e3o Abrinq com alertas acerca do trabalho infantil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"note\">\n<div class=\"alert alert-info\" role=\"alert\">&#8220;Os adolescentes s\u00e3o os mais prejudicados pela viola\u00e7\u00e3o: representam 1,3 milh\u00e3o do total de casos, seguidos pelos meninos que somam 66,4%, enquanto as meninas representam 33,6%, e pretos ou pardos que totalizam 66,1%&nbsp;dos casos de trabalho precoce&#8221;. <span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>S\u00f3 em 2020, cerca de 556&nbsp;crian\u00e7as e adolescentes foram v\u00edtimas de acidentes de trabalho, que v\u00e3o desde quedas at\u00e9 amputa\u00e7\u00f5es. Destas, 46 vieram a falecer. O Trabalho Infantil a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua Trimestral realizada pela Funda\u00e7\u00e3o Abrinq, com base nos dados do IBGE.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"note\">\n<div class=\"alert alert-info\" role=\"alert\">&#8220;Entre o grupo de adolescentes de 14 a 17 anos de idade que est\u00e3o no mercado de trabalho, 86% encontram-se em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil, na m\u00e9dia dos quatro trimestres de 2021, o que representa mais de 1 milh\u00e3o de adolescentes nesta faixa et\u00e1ria. Em 2020, a m\u00e9dia era 84,8%&#8221;.<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Claro que no mundo ideal ningu\u00e9m quer imaginar uma adolesc\u00eancia atravessada pelo trabalho, mas se nosso pa\u00eds legislou um dito &#8220;jovem aprendiz&#8221; \u00e9 porque muitas vezes esses adolescentes por diversos motivos entram no mercado de trabalho, a quest\u00e3o \u00e9 qual mercado os aguarda? O Estado est\u00e1 os apoiando nessa entrada? Trabalhar significa perder o direito ao estudo?<\/span><\/p>\n<p>Ent\u00e3o j\u00e1 que vamos criar o mundo ideal, estes jovens v\u00e3o ter que largar a escola? Pois n\u00e3o vivem o ideal? A PEI al\u00e9m de negar a dimens\u00e3o de vida dos nossos jovens brasileiros, ainda \u00e9 implantada ap\u00f3s uma pandemia que deixou v\u00e1rias fam\u00edlias devastadas em diversas dimens\u00f5es de suas vidas.<\/p>\n<p>Nisso, adolescentes que trabalham desde dos 14 anos (oficialmente) ter\u00e3o que escolher: trabalho ou estudo? E dentro disso vai pesar aquilo que dar\u00e1 mais fome.<\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o de uma escola de ensino integral precisa integrar sociedade civil, pesquisas sobre o p\u00fablico e pol\u00edticas p\u00fablicas que correlacionam, caso contr\u00e1rio ser\u00e1 um desastre.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que nossos jovens sempre sonharam com isso? Com educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e0s 7h da manh\u00e3 sendo que suas aulas ocorrem \u00e0 tarde? A escola antes de ser um lugar de &#8220;moldar&#8221; trabalhadores (o que foi injetado na escola perante ao modelo social), \u00e9 um dos lugares onde ocorrem as primeiras intera\u00e7\u00f5es sociais, as trocas, os desdobramentos de descobertas, \u00e9 um local rico e amplo, proveitoso em produzir grandes mentes caso as deixe brilhar.<\/p>\n<p>E uma realidade onde os interesses desses indiv\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o ouvidos \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o da desimport\u00e2ncia do papel do jovem no Brasil dentro do recorte do debate, n\u00e3o existe um acolhimento.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>A quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 o que poderia dar certo, mas sim o que j\u00e1 est\u00e1 dando errado.<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>O fato da PEI ser em ensino integral n\u00e3o \u00e9 um mal, como disse inicialmente \u00e9 incr\u00edvel pensar sobre e inclusive no nordeste houveram algumas movimenta\u00e7\u00f5es nesse sentido que foram mais bem pensadas e implantadas, contudo qual a realidade dos nossos jovens? Nossos jovens est\u00e3o conseguindo ser o que s\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel estudar sem estabilidade de vida? Uma pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o pode ser feita sozinha, ainda mais quando se trata de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o devem ser para benef\u00edcio populacional e n\u00e3o eleitoral, com o passar dos anos a frase de Darcy Ribeiro se torna mais real: &#8220;A crise na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma crise e sim um projeto&#8221;.<\/p>\n<p>Pensar em educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma urg\u00eancia comunit\u00e1ria e social, mais do que nunca n\u00e3o \u00e9 sobre o que eu acredito e penso, \u00e9 sobre os impactos que as pol\u00edticas t\u00eam na vida das pessoas, \u00e9 sobre o desenvolvimento de indiv\u00edduos com direitos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>A crian\u00e7a tem cem linguagens (e depois, cem, cem, cem), mas roubaram-lhe noventa e nove.<br \/>\nA escola e a cultura separam-lhe a cabe\u00e7a do corpo.<br \/>\nDizem-lhe: de pensar sem as m\u00e3os, de fazer sem a cabe\u00e7a, de escutar e de n\u00e3o falar,<br \/>\nDe compreender sem alegrias, de amar e maravilhar-se s\u00f3 na P\u00e1scoa e no Natal.<br \/>\nDizem-lhe: de descobrir o mundo que j\u00e1 existe e, de cem, roubaram-lhe noventa e nove.<br \/>\nDizem-lhe: que o jogo e o trabalho, a realidade e a fantasia, a ci\u00eancia e a imagina\u00e7\u00e3o,<br \/>\nO c\u00e9u e a terra, a raz\u00e3o e o sonho, s\u00e3o coisas que n\u00e3o est\u00e3o juntas.<br \/>\nDizem-lhe: que as cem n\u00e3o existem. A crian\u00e7a diz: ao contr\u00e1rio, as cem existem.<\/p>\n<p><cite><span>Loris Malaguzzi<\/span><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A implanta\u00e7\u00e3o de uma escola de ensino integral precisa integrar sociedade civil, pesquisas sobre o p\u00fablico e pol\u00edticas p\u00fablicas que correlacionam, caso contr\u00e1rio ser\u00e1 um desastre. 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Em 2019 retornou para Rede Ubuntu como coordenadora e atualmente coordena o Polo Santo Dias (Jardim \u00c2ngela) e o Polo Dona Edite (C\u00e9u Cap\u00e3o Redondo). \u00c9 uma das organizadoras do Sarau Apoema - Jardim \u00c2ngela.\""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2567"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2567\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3592,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2567\/revisions\/3592"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2566"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2567"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=2567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}