
{"id":2553,"date":"2022-07-26T11:18:12","date_gmt":"2022-07-26T14:18:12","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2022\/07\/26\/ela-inspira-nossa-luta-o-pensamento-de-mulheres-pretas-sobre-tereza-de-benguela\/"},"modified":"2024-06-29T21:04:13","modified_gmt":"2024-06-30T00:04:13","slug":"ela-inspira-nossa-luta-o-pensamento-de-mulheres-pretas-sobre-tereza-de-benguela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/territorios-criativos\/ela-inspira-nossa-luta-o-pensamento-de-mulheres-pretas-sobre-tereza-de-benguela\/","title":{"rendered":"\u201cEla inspira nossa luta\u201d: o pensamento de mulheres pretas sobre Tereza de Benguela"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\" style=\"font-style: italic;\">\n<p><i data-redactor-tag=\"i\">Mulheres pretas e perif\u00e9ricas relatam a import\u00e2ncia de preservar a mem\u00f3ria e reconhecer o legado de Tereza de Benguela.<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Proje\u00e7\u00e3o realizada pelo Coletivo Coletores homenageia a l\u00edder quilombola Tereza de Benguela. (Foto: Coletivo Coletores)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&nbsp;<span>Em 25 de julho, \u00e9 celebrado o Dia da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha. Nesta data, a trajet\u00f3ria da l\u00edder quilombola Tereza de Benguela tamb\u00e9m passou a ser homenageada em \u00e2mbito nacional, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da Lei 12.987, sancionada em dois de junho de 2014 pela presidenta Dilma Rousseff (PT).<\/span><\/p>\n<p>A l\u00edder quilombola ficou conhecida por sua trajet\u00f3ria de vida dedicada a lutar pela liberdade das popula\u00e7\u00f5es pretas e ind\u00edgenas, que eram escravizadas pelos povos europeus no s\u00e9culo 18, no Brasil. Ainda hoje, essa atua\u00e7\u00e3o serve de inspira\u00e7\u00e3o para mulheres pretas que continuam lutando por igualdade de direitos.<\/p>\n<p>Por suas habilidades de lideran\u00e7a e estrat\u00e9gias de combate militar, ela era chamada de &#8220;Rainha Tereza&#8221;, a l\u00edder do Quilombo do Quariter\u00ea, localizado na fronteira do estado de Mato Grosso com a Bol\u00edvia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Tereza de Benguela \u00e9 s\u00edmbolo de representatividade para n\u00f3s mulheres negras. Ela inspira na continuidade da nossa luta di\u00e1ria por igualdade, autonomia, respeito e dignidade&#8221;&nbsp;<\/p>\n<p><cite>Rita Maria \u00e9&nbsp;produtora cultural e co-fundadora da Coletiva Tear &amp;&nbsp;Poesia.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/b2ap3_large_Foto_Rita-Carneiro_Reproduo-Facebook.jpg\" alt=\"Rita Carneira atua nas periferias da zona sul de S\u00e3o Paulo resgatando a cultura ancestral do bordado. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Facebook)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Rita Maria atua nas periferias da zona sul de S\u00e3o Paulo resgatando a cultura ancestral do bordado. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Facebook)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A trajet\u00f3ria de Rita se conecta com o legado de&nbsp;&nbsp;Tereza de Benguela pelo fato dela atuar na&nbsp;Coletiva Tear&amp;Poesia de Arte T\u00eaxtil, uma iniciativa&nbsp;composta por mulheres pretas que atuam e residem h\u00e1 cerca de 20 anos nas periferias da zona&nbsp;sul da cidade de S\u00e3o Paulo,.<\/p>\n<p><span>As a\u00e7\u00f5es da coletiva tem&nbsp;com foco em dialogar com a mulher em di\u00e1spora, tanto imigrantes africanas quanto latino-americanas e caribenhas, mostrando tamb\u00e9m semelhan\u00e7as entre grafismos nativos brasileiros, ind\u00edgenas, e africanos e buscando identificar semelhan\u00e7as pouco estudadas e menos difundidas entre culturas origin\u00e1rias das Am\u00e9ricas e da \u00c1frica.<\/span><\/p>\n<p>Para Rita, que \u00e9 engajada&nbsp;em &nbsp;resgatar a mem\u00f3ria e cultura do bordado praticado por mulheres pretas, ind\u00edgenas e latino americanas, a trajet\u00f3ria de Teresa de Benguela tem uma forte semelhan\u00e7a com as lutas das mulheres pretas que moram nas periferias.<\/p>\n<p>&#8220;As lutas da mulheres negras s\u00e3o constantes&nbsp;enquanto sujeitas hist\u00f3ricas e de direitos. Lutam cotidianamente no combate ao racismo, \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica, o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra e LGBTQIA+&#8221;, afirma a co-fundadora da&nbsp;Tear &amp;&nbsp;Poesia.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n\t<b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">Legado<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas), 27% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 composta por mulheres pretas. Atenta a esse contexto hist\u00f3rico e demogr\u00e1fico,&nbsp; a&nbsp;soci\u00f3loga e professora Ale Tavares atua h\u00e1 mais de 15 anos com projetos de impacto educativo, social e pol\u00edtico nas periferias da zona sul de S\u00e3o Paulo, que visam promover debates, reflex\u00f5es e senso cr\u00edtico sobre a import\u00e2ncia dos saberes das mulheres pretas e perif\u00e9ricas para construir sociedades mais justas.<\/p>\n<p>De acordo com as viv\u00eancias e pesquisas no campo do feminismo perif\u00e9rico, Ale considera o resgate de mem\u00f3ria uma estrat\u00e9gia importante para transformar positivamente o imagin\u00e1rio das mulheres pretas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>       &#8220;Pensar e resgatar a mem\u00f3ria de mulheres negras como Tereza de Benguela e tantas outras \u00e9 construir um imagin\u00e1rio de que mulheres negras foram, s\u00e3o e ser\u00e3o importantes para a constru\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds&#8221;<\/p>\n<p><cite>       Ale Tavares, soci\u00f3loga e pesquisadora de movimentos feministas nas periferias<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/b2ap3_large_Ale-Tavares_Reproduao-Facebook.jpg\" alt=\"A soci\u00f3loga Ale Tavares atua com a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento enraizado no movimento de mulheres pretas que atuam conta as desigualdades sociais nas periferias da zona sul de S\u00e3o Paulo. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Facebook)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>A soci\u00f3loga Ale Tavares atua com a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento enraizado no movimento de mulheres pretas que desenvolvem espa\u00e7os de reflex\u00e3o, di\u00e1logo e estrat\u00e9gias de combate contra as&nbsp;desigualdades sociais nas periferias da zona sul de S\u00e3o Paulo. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Facebook)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ela explica que esse resgate de memoraria tamb\u00e9m mobiliza aspectos positivos em torno da identidade coletiva de mulheres negras, e isso \u00e9 importante para que meninas e mulheres reconhe\u00e7am essas virtudes presentes em suas ancestrais.<\/span><\/p>\n<p>A partir desta percep\u00e7\u00e3o, Ale argumenta que a preserva\u00e7\u00e3o desta mem\u00f3ria tamb\u00e9m impacta na constru\u00e7\u00e3o do futuro das mulheres pretas, pois ela considera, que os conhecimento e conquistas registrados pela hist\u00f3ria ajudam a inspirar outras mulheres a pensar melhor sobre o presente e o que ser\u00e1 do seu futuro individual e coletivo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente tem essas refer\u00eancias, isso ilumina a percep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o de milhares de mulheres negras que est\u00e3o chefiando e conduzindo fam\u00edlias, escolas, postos de sa\u00fade, territ\u00f3rios e diversos ativismos. Eu vejo essa rela\u00e7\u00e3o muito forte na ancestralidade de mulheres negras, para projetar outros futuros&#8221;, conclui.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres pretas e perif\u00e9ricas relatam a import\u00e2ncia de preservar a mem\u00f3ria e reconhecer o legado de Tereza de Benguela. Proje\u00e7\u00e3o realizada pelo Coletivo Coletores homenageia a l\u00edder quilombola Tereza de Benguela. (Foto: Coletivo Coletores) &nbsp;Em 25 de julho, \u00e9 celebrado o Dia da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha. 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Ela \u00e9 co-fundadora do Desenrola E N\u00e3o Me Enrola. Uma das suas principais motiva\u00e7\u00f5es \u00e9 criar espa\u00e7os de reflex\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias da juventude perif\u00e9rica e do campo do jornalismo das periferias. 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