
{"id":2373,"date":"2022-05-13T14:56:54","date_gmt":"2022-05-13T17:56:54","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2022\/05\/13\/somos-mataveis-abolicionismo-penal-revela-presenca-da-escravidao-dentro-do-sistema-prisional-brasileiro\/"},"modified":"2024-06-29T21:05:16","modified_gmt":"2024-06-30T00:05:16","slug":"somos-mataveis-abolicionismo-penal-revela-presenca-da-escravidao-dentro-do-sistema-prisional-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/somos-mataveis-abolicionismo-penal-revela-presenca-da-escravidao-dentro-do-sistema-prisional-brasileiro\/","title":{"rendered":"\u201cSomos mat\u00e1veis\u201d: abolicionismo penal revela presen\u00e7a da escravid\u00e3o dentro do sistema prisional brasileiro"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Entrevista&nbsp;realizada pelo Desenrola com F\u00e1bio Pereira Campos, abolicionista e integrante&nbsp;do movimento social&nbsp;Amparar, mostra como o tratamento desumano dado aos escravos durante mais de 300 anos no Brasil continua mais vivo do que nunca, s\u00f3 que agora, acontece tamb\u00e9m&nbsp;dentro dos pres\u00eddios brasileiros.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>F\u00e1bio Pereira Campos, 44 anos, abolicionista e integrante da Associa\u00e7\u00e3o Amparar. Foto:&nbsp;Arquivo Pessoal.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Como o Abolicionismo Penal poderia transformar a vida da popula\u00e7\u00e3o negra brasileira, moradora das periferias e favelas que passa pelo processo de encarceramento? Essa \u00e9 a pergunta que norteia a entrevista especial realizada com F\u00e1bio Pereira, 44, estudante de Servi\u00e7o Social na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, que apresenta uma s\u00e9rie de argumentos s\u00f3lidos que questionam se o dia 13 de maio \u00e9 de fato uma data para celebrar a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;A gente tem dificuldade de elaborar hist\u00f3ria e mem\u00f3ria. Enquanto a gente n\u00e3o conseguir fazer isso de uma forma mais sistematizada, a hist\u00f3ria vai ser sempre contada pelo outro (pessoas brancas). E pelo outro ficou tudo legalzinho, a princesa assinou a Lei \u00c1urea, e ficou tudo certo&#8221;, ironiza o estudante de servi\u00e7o social.<\/p>\n<p>Desde 2015, Pereira atua como militante&nbsp;no movimento social&nbsp;Amparar, atendendo pessoas e fam\u00edlias afetadas pelas marcas do sistema prisional brasileiro, em busca de garantir acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e a direitos fundamentais, que possam reduzir o sofrimento destes sujeitos, que em sua maioria s\u00e3o negros e moradores das periferias e favelas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;As fam\u00edlias que est\u00e3o sofrendo processos de vulnerabilidade social&#8221;<\/p>\n<p><cite>Na Amparar, F\u00e1bio Pereira realiza atendimento de fam\u00edlias afetadas pelas desigualdades sociais causadas pelo sistema prisional brasileiro.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/b2ap3_medium_7d792606-1e86-4e4f-a935-2919455619fe-1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>F\u00e1bio participou de um interc\u00e2mbio em fevereiro de 2022, onde conheceu organiza\u00e7\u00f5es de lutas antiprisionais na Argentina.&nbsp;Foto: Arquivo Pessoal.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&nbsp;<span>Al\u00e9m deste trabalho, ele utiliza a sua viv\u00eancia dentro da universidade para desenvolver uma pesquisa sobre o Abolicionismo Penal, que de acordo com suas descobertas, se trata da continuidade da escravid\u00e3o, atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de fatos que mostram claramente que o tratamento dado aos escravos durante mais de 300 anos no Brasil continua mais vivo do que nunca, s\u00f3 que agora, acontece dentro dos pres\u00eddios brasileiros.<\/span><\/p>\n<p>Esse estudo tem o objetivo de entender como os assistentes sociais atuam para ajudar as fam\u00edlias de pessoas presas, e quais s\u00e3o os retornos que esses profissionais recebem diante de todo esse trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;As fam\u00edlias que est\u00e3o sofrendo processos de vulnerabilidade social, tem todo um processo do aumento da pobreza, porque elas t\u00eam que dar conta de suas casas, e tem que dar conta para manter uma pessoa que est\u00e1 presa&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>Segundo o estudo de Pereira, a sociedade enxerga o Abolicionismo Penal de forma limitada, e que \u00e9 preciso desmistificar o que as pessoas entendem, pois essa n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o com finalidade de acabar com as cadeias ou colocar todo mundo na rua.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia do abolicionismo penal \u00e9&nbsp;abolir a pena , e dessa forma a pris\u00e3o perderia a sua suposta fun\u00e7\u00e3o social,   que \u00e9  maquiar  o controle e as torturas de determinados corpos racializados  atrav\u00e9s de uma falsa ideia de justi\u00e7a&#8221;,&nbsp;<span>, explica Pereira.<\/span><\/p>\n<p><span>Outro prop\u00f3sito do Abolicionismo&nbsp;Penal \u00e9&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>garantir que essa<\/span><span>s pessoas  encarcerada<\/span><span>s e suas fam\u00edlias sejam acolhidas e auxiliadas diante de suas realidades,&nbsp;sem precisarem passar pela malha do judici\u00e1rio.&nbsp;<\/span><span>&#8220;\u00c9 preciso pensar pol\u00edticas p\u00fablicas que alcancem uma dimens\u00e3o que n\u00e3o determine outro processo de isolar aquelas pessoas e acharem que os problemas est\u00e3o sendo resolvidos a partir do isolamento, sendo que essa pessoa tem que sair em um determinado momento e ela precisa de alguma forma ser restabelecida na sua cidadania&#8221;, explica Pereira.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>Sobreviventes: marcas da escravid\u00e3o<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Segundo dados do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica e do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es do Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional, publicados pelo Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, 66,3% da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria no Brasil se autodeclara preta ou parda. Ou seja, dos 759 mil presos, 397 mil s\u00e3o afro-brasileiros e 195 mil s\u00e3o brancos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Voc\u00ea vai ficar 3 anos e 5 meses sendo torturado, de vez em quando vai chegar uma comida estragada e tudo bem, voc\u00ea vai tomar banho frio, e tudo bem se voc\u00ea tiver tuberculose e qualquer coisa&#8221;<\/p>\n<p><cite>F\u00e1bio Pereira \u00e9 estudante de Servi\u00e7o Social e pesquisador do Abolicionismo Penal.<br \/>\n<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/b2ap3_medium_ce4021ee-56c8-4840-82b8-d135c1a9e429-1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Presen\u00e7a da Associa\u00e7\u00e3o Amparar na Marcha da Maconha em 2019.&nbsp;Foto: Arquivo Pessoal.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Para Pereira, entre as marcas ainda presentes da escravid\u00e3o nos dias de hoje diante da periferia, est\u00e1 o tratamento diferente para pessoas negras e brancas dentro das penitenci\u00e1rias, o descaso com os encarcerados,&nbsp;a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para as fam\u00edlias,&nbsp;e&nbsp;as condi\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os de sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o e moradia dentro dos pres\u00eddios.<\/p>\n<p>&#8220;Ele [o juiz] n\u00e3o fala pra voc\u00ea: olha voc\u00ea vai ser preso, vai ficar 3 anos e 5 meses sendo torturado, de vez em quando vai chegar uma comida estragada e tudo bem, voc\u00ea vai tomar banho frio, e tudo bem se voc\u00ea tiver tuberculose e qualquer coisa, porque voc\u00ea vai ter que aguentar isso, porque voc\u00ea cometeu um crime&#8221;, argumenta Pereira.<\/p>\n<p>No seu ponto de vista abolicionista, as cadeias foram constru\u00eddas j\u00e1 pensando nos povos mais vulner\u00e1veis, e mesmo tendo pessoas brancas nesse espa\u00e7o, esse local de cadeia, de aprisionamento, foi e sempre ser\u00e1 mantido para pessoas pretas, isso simboliza um marco da escravid\u00e3o e que afeta at\u00e9 hoje a realidade dos povos das periferias.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o morrendo de fome na cadeia, tem alguma coisa muito errada com a nossa humanidade. S\u00f3 que \u00e9 a mesma humanidade que construiu esse processo escravista, porque as pessoas que frequentam ou s\u00e3o levadas para dentro do sistema prisional, elas t\u00eam as mesmas caracter\u00edsticas dos nossos ancestrais&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Essas pessoas n\u00e3o s\u00e3o egressas, s\u00e3o sobreviventes do sistema prisional&#8221;<\/p>\n<p><cite>Desde 2015, F\u00e1bio Pereira trabalha na Amparar, organiza\u00e7\u00e3o social que promove a\u00e7\u00f5es para garantir os direitos sociais de pessoas encarceradas e suas fam\u00edlias.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/b2ap3_thumbnail_WhatsApp-Image-2022-05-13-at-11.59.25.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>F\u00e1bio Pereira, abolicionista, estudante de Servi\u00e7o Social e criado na favela do Jabaquara, American\u00f3polis.&nbsp;Foto: Arquivo Pessoal.&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>De acordo com o Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2021, 250 presos morreram no sistema prisional do Estado de S\u00e3o Paulo em 2020. O Rio de Janeiro ficou em segundo lugar, com 154 \u00f3bitos. O suic\u00eddio est\u00e1 entre as principais causas das mortes de presos, segundo o estudo.<\/p>\n<p>Pereira considera que as pessoas que conseguem sair do sistema prisional no Brasil n\u00e3o s\u00e3o egressas, como aponta a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal (LEP), mas sim, sobreviventes. Esses sobreviventes s\u00e3o vistos como mercadorias, e sempre colocadas de escanteio, principalmente quando seus perfis se tratam de pessoas pretas, perif\u00e9ricas, a falta de aux\u00edlio dentro das cadeias para esses que s\u00e3o tratados como minoria, \u00e9 presente e vis\u00edvel.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;A pessoa n\u00e3o \u00e9 confundida, ela \u00e9 identificada&#8221;<\/p>\n<p><cite>F\u00e1bio Pereira atua como assistente social, dialogando diretamente com pessoas que sobreviveram ao sistema prisional brasileiro.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&#8220;Uma pessoa presa, o Estado vive dizendo que ela custa de 3 a 4 mil, e a gente sabe que essa n\u00e3o \u00e9 a grana pra manuten\u00e7\u00e3o da vida dessas pessoas. Esses lugares de confinamento, esses calabou\u00e7os que se institui as pris\u00f5es no Brasil, e no mundo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Na Bahia, onde 81,1% da popula\u00e7\u00e3o se autodeclara preta ou parda, o estado diz que gasta 3.273 reais por cada preso dentro do sistema prisional. Em Tocantins, esse valor aumenta ainda mais. O estado gasta por m\u00eas 4.200 reais por preso. Em S\u00e3o Paulo, o governo gasta 1.373 reais com cada preso, um valor que refor\u00e7a a tese de Pereira, de ser um valor insuficiente para manter uma pessoa vivendo com dignidade dentro do sistema prisional.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>O formato de encarceramento no pa\u00eds<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Mas para al\u00e9m desta realidade, est\u00e1 o fato de que a constru\u00e7\u00e3o de um sujeito criminoso ainda precisa ser debatido, pois foi estruturada no pensamento de que &#8220;bandido bom \u00e9 bandido morto&#8221;, e \u00e9 a partir deste pensamento que o sistema penal do pa\u00eds come\u00e7a a colocar em pr\u00e1tica seus formatos de encarceramento.<\/p>\n<p>&#8220;A pessoa n\u00e3o \u00e9 confundida, ela \u00e9 identificada, ela tem uma identidade racializada enquanto sujeito criminoso, porque ela t\u00e1 dentro desse bojo da constru\u00e7\u00e3o desse sujeito&#8221;, enfatiza o abolicionista.<\/p>\n<p>O estudante e pesquisador entende o sistema penal como um espa\u00e7o de castigo, no qual as pessoas s\u00e3o tratadas como material descart\u00e1vel, e que ningu\u00e9m faz nada para mudar, por isso, ele ressalta a import\u00e2ncia de lutar e pontuar o que realmente acontece dentro desses locais, e que isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais um sistema, isso \u00e9 um crime.<\/p>\n<p>&#8220;A gente precisa reivindicar esse lugar, a gente precisa apontar o que as pris\u00f5es t\u00eam feito no mundo tamb\u00e9m \u00e9 um crime de lesa-humanidade, e ningu\u00e9m se importa. Porque s\u00e3o pessoas que s\u00e3o descart\u00e1veis&#8221;, afirma o abolicionista.<\/p>\n<p>O estudante de servi\u00e7o social tamb\u00e9m diz que o tratamento praticado diante de pessoas em estado de encarceramento \u00e9 sempre baseado em sua etnia, do solo de onde veio, e que isso sempre aconteceu, pois, segundo ele, a ideia era que pessoas negras fossem totalmente arrancadas da sociedade, refor\u00e7ando tamb\u00e9m o fato de que os povos pretos s\u00e3o sobreviventes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Cadeia n\u00e3o reabilita ningu\u00e9m, \u00e9 simplesmente um lugar de castigo, de vingan\u00e7a social, s\u00e3o as pessoas que sobreviveram ao processo de embranquecimento no Brasil que v\u00e3o passar por esses lugares. Porque a ideia \u00e9 que n\u00e3o existisse mais negros em 2022&#8221;, finaliza.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista&nbsp;realizada pelo Desenrola com F\u00e1bio Pereira Campos, abolicionista e integrante&nbsp;do movimento social&nbsp;Amparar, mostra como o tratamento desumano dado aos escravos durante mais de 300 anos no Brasil continua mais vivo do que nunca, s\u00f3 que agora, acontece tamb\u00e9m&nbsp;dentro dos pres\u00eddios brasileiros. F\u00e1bio Pereira Campos, 44 anos, abolicionista e integrante da Associa\u00e7\u00e3o Amparar. Foto:&nbsp;Arquivo Pessoal. 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