
{"id":2255,"date":"2022-04-08T15:45:39","date_gmt":"2022-04-08T18:45:39","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2022\/04\/08\/cuidar-de-si-faz-parte-do-plano-de-mudar-o-mundo\/"},"modified":"2024-06-29T21:05:37","modified_gmt":"2024-06-30T00:05:37","slug":"cuidar-de-si-faz-parte-do-plano-de-mudar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/colunas\/cuidar-de-si-faz-parte-do-plano-de-mudar-o-mundo\/","title":{"rendered":"Cuidar de si faz parte do plano de mudar o mundo!"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p> Olhar para si, com amor, aten\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o, respeitar nossos ciclos, tudo isso \u00e9 constantemente negado, principalmente para quem est\u00e1 nas margens da sociedade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1035\/Julia-Biaggioli.jpg\" title=\"Grafite realizado por AnaPraRua e Nino, no Jardim Progresso, em Parelheiros, zona sul de S\u00e3o Paulo. Foto: Julia Biaggioli\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1035\/Julia-Biaggioli.jpg\" title=\"Grafite realizado por AnaPraRua e Nino, no Jardim Progresso, em Parelheiros, zona sul de S\u00e3o Paulo. Foto: Julia Biaggioli\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/1035\/Julia-Biaggioli.jpg\" title=\"Grafite realizado por AnaPraRua e Nino, no Jardim Progresso, em Parelheiros, zona sul de S\u00e3o Paulo. Foto: Julia Biaggioli\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Grafite realizado por AnaPraRua e Nino, no Jardim Progresso, em Parelheiros, zona sul de S\u00e3o Paulo. Foto: Julia Biaggioli<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ultimamente venho pensando muito sobre autocuidado. Acho que a pandemia trouxe \u00e0 tona diversos entraves e com a recomenda\u00e7\u00e3o de isolamento social, essa foi uma das formas de sobreviv\u00eancia nesse per\u00edodo. Mas porque o fato de se auto amar, cuidar e conhecer, geralmente n\u00e3o \u00e9 algo espont\u00e2neo? Se preservar deveria ser algo imediato, afinal, meu corpo, minha mente, tudo que me comp\u00f5e est\u00e1 comigo &#8211; sempre!<\/span><\/p>\n<p>Quando recebi o convite do Desenrola para escrever para essa coluna, n\u00e3o pensei duas vezes: o nome seria <strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">Cura pelas bordas!<\/strong> \u00cdntegro coletivos e movimentos desde pequena e retratar a pot\u00eancia das margens, trazer questionamentos que envolvem essa pauta, pensar e discutir sobre os territ\u00f3rios populares e suas formas de enfrentamento \u00e9 a minha proposta aqui.<\/p>\n<p>Mas percebo tamb\u00e9m, nas discuss\u00f5es sobre as problem\u00e1ticas sociais, que a gente se coletiviza tanto, que esquecemos que esses debates s\u00e3o sobre PESSOAS e como todas essas din\u00e2micas nos afetam diretamente.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da pandemia, n\u00f3s (que moramos da ponte pra c\u00e1) sab\u00edamos que o maior preju\u00edzo seria para os nossos. A solidariedade nas comunidades foi muito romantizada, para esconder a falta de pol\u00edticas pensadas para as demandas das quebradas. Tudo que j\u00e1 era tenso, agravou: A lota\u00e7\u00e3o no transporte p\u00fablico, o colapso no sistema de sa\u00fade, a falta de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, a evas\u00e3o nas escolas, o desemprego, a fome e tantas outras quest\u00f5es.<\/p>\n<p>E o movimento para combater tudo isso nas margens foi fren\u00e9tico, arrecada\u00e7\u00e3o para campanhas, distribui\u00e7\u00e3o de cestas, muito conte\u00fado sendo produzido de n\u00f3s pros nossos, tantos outros projetos\u2026<\/p>\n<p>T\u00e1. Mas o que eu quero dizer com tudo isso? O rombo que a desigualdade social causa, faz com que esse olhar para si mesmo seja praticamente imposs\u00edvel e a pandemia, tamb\u00e9m agravou isso. A gente luta diariamente pelo b\u00e1sico e cuidar de si parece luxo.<\/p>\n<p>E as necessidades s\u00e3o tantas, que essa miss\u00e3o de mudar o mundo e tudo que a gente faz pra isso, parece ser insuficiente. Logo, cuidar de si vai sempre ficando pra depois. E as cobran\u00e7as aumentam, consequentemente a ansiedade intensifica e possivelmente, a depress\u00e3o tamb\u00e9m. Lidar com tantas mazelas e n\u00e3o se afetar, \u00e9 como ser de ferro\u2026 E a gente n\u00e3o \u00e9! As coisas nos atravessam e n\u00f3s temos direito de pausar e acolher isso.<\/p>\n<p>Todo esse contexto, mais uma vez, n\u00e3o \u00e9 por acaso. Crescer na periferia \u00e9 entender desde cedo que tudo que a gente produz \u00e9 pra fora. A gente acorda de madruga pra fazer o centro girar, inclusive todos os caminhos, seja de bus\u00e3o, trem, metr\u00f4, s\u00e3o nesse sentido, e tudo que \u00e9 nosso \u00e9 marginalizado, inferiorizado. Ent\u00e3o a gente vai aprendendo a se odiar, desgostar de onde a gente veio, das nossas ra\u00edzes. Isso sem contar outras interseccionalidades (ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade, etc) que, \u00e0 medida que se acumulam, t\u00eam esses pensamentos cada vez mais enraizados: o outro primeiro, depois eu.<\/p>\n<p>E, por mais que a gente se articula, se empodera, se mobiliza pra afrontar todos esses processos que ainda persistem no cotidiano da quebrada, estamos sujeitos a reproduzir isso. Ainda mais num sistema que nos imp\u00f5e essa din\u00e2mica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>Ent\u00e3o, a escolha consciente de se autocuidar \u00e9 extremamente revolucion\u00e1ria!<span>&nbsp;<\/span><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Compreender nossos limites, dizer n\u00e3o, n\u00e3o abrir m\u00e3o de momentos de lazer, de descanso, dos nossos sonhos pessoais para al\u00e9m dos coletivos, entender que tudo bem n\u00e3o dar conta de tudo, dentre tantas outras coisas que a gente atropela.<\/span><\/p>\n<p>As estruturas nos adoecem e lutar a qualquer custo contra elas, tamb\u00e9m! Acredito que o cuidado consigo tamb\u00e9m \u00e9 resist\u00eancia. Olhar para si, com amor, aten\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o, respeitar nossos ciclos, tudo isso \u00e9 constantemente negado, principalmente para quem est\u00e1 nas margens da sociedade.<\/p>\n<p>E quando falamos das complexidades das rela\u00e7\u00f5es sociais, estas tamb\u00e9m s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es! E como em qualquer uma, a gente precisa se fortalecer individualmente, se firmar nas nossas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es, curar nossas pr\u00f3prias feridas e ter nossos momentos a s\u00f3s. Qualquer rela\u00e7\u00e3o em que passamos a nos anular, n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. \u00c9 um exerc\u00edcio constante reiterar: n\u00f3s somos pessoas, antes de ativistas.<\/p>\n<p>Enfim, esse texto n\u00e3o \u00e9 um apelo para voc\u00ea parar de lutar por um mundo melhor, mas sim um convite pra que voc\u00ea entenda que cuidar de si faz parte desse plano. E que essa pr\u00e1tica \u00e9 cont\u00ednua, num aprendizado constante, e o amor \u00e9 isso: &#8220;Uma combina\u00e7\u00e3o de cuidado, compromisso, conhecimento, responsabilidade, respeito e confian\u00e7a&#8221;, mas \u00e9 tamb\u00e9m &#8220;o ant\u00eddoto mais poderoso contra as pol\u00edticas de domina\u00e7\u00e3o&#8221;, como nos ensinou Bell Hooks.<\/p>\n<p>Que a gente proporcione isso para n\u00f3s mesmos, porque somos mais que merecedores. E que a gente crie redes de cuidado, antes de ir pro fronte, se n\u00e3o podemos acabar dando um tiro no p\u00e9.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um lembrete di\u00e1rio. Pra mim e pra voc\u00ea!<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olhar para si, com amor, aten\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o, respeitar nossos ciclos, tudo isso \u00e9 constantemente negado, principalmente para quem est\u00e1 nas margens da sociedade. 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Embura entre os distritos de Parelheiros e Marsilac. Articuladora cultural local, integra o F\u00f3rum de Cultura de Parelheiros; artivista atuante na Cia Teatro de Rocok\u00f3z e Coletiva Subversiva; Comunicadora, cofundadora do coletivo ARQUE Perifa - com narrativas autorais a partir do extremo sul, para cura pelas bordas. \r\nAtualmente cursa Geografia pela Unifesp e contribui em outros coletivos perif\u00e9ricos.\"\r\n"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2255"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2255\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3400,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2255\/revisions\/3400"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2255"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=2255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}