
{"id":2117,"date":"2021-12-08T20:25:14","date_gmt":"2021-12-08T23:25:14","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/12\/08\/pandemia-de-desigualdades-viola-direito-ao-convivio-familiar-de-criancas-nas-periferias\/"},"modified":"2024-06-29T21:06:04","modified_gmt":"2024-06-30T00:06:04","slug":"pandemia-de-desigualdades-viola-direito-ao-convivio-familiar-de-criancas-nas-periferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/series\/pandemia-de-desigualdades-viola-direito-ao-convivio-familiar-de-criancas-nas-periferias\/","title":{"rendered":"Pandemia de desigualdades viola direito ao conv\u00edvio familiar de crian\u00e7as nas periferias"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Em busca do sustento para os filhos, m\u00e3e solo enfrenta diariamente uma jornada tripla, que transforma a filha adolescente em respons\u00e1vel pelo irm\u00e3o de cinco anos, que nessa faixa et\u00e1ria de idade n\u00e3o tem acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o infantil. &nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Com a chegada da pandemia, as m\u00e3es solo nas periferias de S\u00e3o Paulo se desdobraram para manter uma estrutura de cuidados com os filhos. Essa \u00e9 a hist\u00f3ria da Irenilza Soares da Cruz, 46 anos, moradora do Cidade Ipava, bairro localizado no distrito do Jardim \u00c2ngela, zona sul da cidade.<\/p>\n<p><span>Irenilza \u00e9 conhecida carinhosamente como &#8220;Tuca&#8221; no territ\u00f3rio onde mora. Ela \u00e9 m\u00e3e de cinco filhos, entre eles est\u00e3o Tha\u00eds, 27, Stephanie, 21, Jo\u00e3o Pedro,14, e Thayn\u00e1 de 12, adolescente respons\u00e1vel por cuidar do irm\u00e3o mais novo, o Luiz Fernando de cinco anos.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n\tBaixa renda e jornada tripla<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Segundo o Mapa da Desigualdade de 2021 da Rede Nossa S\u00e3o Paulo, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia mensal de um trabalhador com emprego formal no distrito do Jardim \u00c2ngela \u00e9 de $2.450,00, mas o sal\u00e1rio que Irenilza recebe por m\u00eas n\u00e3o chega a um ter\u00e7o desse valor.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil manter a casa s\u00f3 com um sal\u00e1rio, porque vem conta de \u00e1gua, de luz, perua escolar. Ent\u00e3o a gente vai fazendo como pode, esse m\u00eas compra uma coisa, m\u00eas que vem compra outra e assim vai&#8221;, conta Irenilza.<\/p>\n<p>O fato de Irenilza deixar seus filhos sozinhos n\u00e3o se trata somente da confian\u00e7a que tem em Thayn\u00e1, mas tamb\u00e9m da necessidade de manter a casa e comprar o alimento para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;Com esse dinheiro que minha m\u00e3e pagaria pra outra pessoa cuidar, ela t\u00e1 juntando pra comprar as coisas pra dentro de casa&#8221; explica a adolescente.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/b2ap3_large_Foto_Flavia-Santos_2.jpeg\" alt=\"Irenilza trabalha em tr\u00eas lugares diferentes, um deles \u00e9 o seu bar que fica pr\u00f3ximo da sua casa na Cidade Ipava. (Foto: Flavia Santos)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span> Irenilza trabalha em tr\u00eas lugares diferentes, um deles \u00e9 o seu bar que fica pr\u00f3ximo da sua casa na Cidade Ipava. (Foto: Flavia Santos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Quando eu chego do trabalho, vou lavar uma roupa, porque o resto das coisas minha filha mais nova j\u00e1 fez&#8221;<\/p>\n<p><cite>Irenilza&nbsp;\u00e9 m\u00e3e de cinco filhos, uma dele \u00e9 o Luiz de cinco anos.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Enquanto isso, a m\u00e3e se divide em tr\u00eas trabalhos: atuando como boleira, atendendo os clientes do seu barzinho e ainda realizando a venda de cosm\u00e9ticos como parceira da Avon. A Tuca foi casada por 16 anos, mas hoje se encontra separada e ela n\u00e3o poupa esfor\u00e7os para dar o melhor aos seus filhos.<\/span><\/p>\n<p>Essa jornada tem sido ainda mais pesada e cansativa, pois a renda dela tem sido insuficiente para fazer as compras do m\u00eas, fato que a obriga a trabalhar em diversos lugares e ter pouco tempo para conviver com os filhos.<\/p>\n<p>De segunda-feira a sexta-feira, Irenilza sai \u00e0s cinco da manh\u00e3 de casa, e a partir deste momento sua filha Thayn\u00e1 de 12 anos come\u00e7a a cuidar das atividades dom\u00e9sticas e da cria\u00e7\u00e3o de Luiz, seu irm\u00e3o mais novo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu chego do trabalho, vou lavar uma roupa, porque o resto das coisas minha filha mais nova j\u00e1 fez&#8221;, relata Irenilza, apontando o papel da filha nos cuidados com a organiza\u00e7\u00e3o da casa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/b2ap3_large_Foto_Flavia-Santos_1.jpeg\" alt=\"Thayn\u00e1 tem 12 e est\u00e1 cursando a sexta s\u00e9rie. De segunda-feira a sexta-feira, ela cuida do irm\u00e3o mais novo, Luiz de 5 anos, para a m\u00e3e conseguir se dedicar \u00e0 tr\u00eas frentes de trabalho, que comp\u00f5e a renda da fam\u00edlia.  (Foto: Fl\u00e1via Santos)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Thayn\u00e1 tem 12 e est\u00e1 cursando a sexta s\u00e9rie. De segunda-feira a sexta-feira, ela cuida do irm\u00e3o mais novo, Luiz de 5 anos, para a m\u00e3e conseguir se dedicar \u00e0 tr\u00eas frentes de trabalho, que comp\u00f5e a renda da fam\u00edlia.  (Foto: Fl\u00e1via Santos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n\tA viola\u00e7\u00e3o do conv\u00edvio<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Com a rotina puxada, ela relata que \u00e0s vezes n\u00e3o consegue aproveitar o tempo com as crian\u00e7as, mas que sempre se esfor\u00e7a para fazer algo diferente e estar mais perto da fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Tem dias que eu n\u00e3o consigo ter um tempinho pra eles porque eu chego muito cansada, mas o que eu consigo fazer com eles quando posso eu fa\u00e7o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O tempo para Irenilza \u00e9 t\u00e3o curto que ela n\u00e3o consegue participar das reuni\u00f5es escolares dos filhos, porque os hor\u00e1rios da escola n\u00e3o se encaixam na sua rotina, e suas filhas mais velhas tamb\u00e9m n\u00e3o conseguem ir porque trabalham.<\/p>\n<p>Atuando desde 2011 como conselheira tutelar na regi\u00e3o da M&#8217; Boi Mirim e Jardim \u00c2ngela, Silvana Farias, de 50 anos, comenta que pandemia obrigou as m\u00e3es solo a abandonar o emprego ou a deixar seus filhos em casa sozinhos para assegurar o trabalho e a renda da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;Aumentou os casos de m\u00e3es que n\u00e3o sabiam como ter que trabalhar e n\u00e3o ter com quem deixar os filhos, foi complicado pois de qualquer forma a m\u00e3e era orientada e aconselhada que mesmo diante de tudo o que estava acontecendo, os filhos teriam que ter a supervis\u00e3o de parentes ou vizinhos, sendo assim alguns conseguiram, outros abandonaram seus empregos&#8221;, relata a conselheira.<\/p>\n<p>A conselheira destaca que esse cen\u00e1rio impacta ainda mais o conv\u00edvio e a afinidade que precisa ser desenvolvida entre pais e filhos. &#8220;As fam\u00edlias de hoje j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam conv\u00edvio algum, os pais t\u00eam pouco tempo para os filhos e de certa forma atrapalha no crescimento enquanto indiv\u00edduo, pois os conselhos que t\u00ednhamos antigamente poucas fam\u00edlias trazem consigo para passarem este conceito de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Entre 0 e 3 anos e 11 meses a crian\u00e7a tem a creche com per\u00edodo integral, mas entre os 4 e 5 fica sem esta assist\u00eancia&#8221;<\/p>\n<p><cite>Silvana Farias \u00e9 conselheira tutelar&nbsp;h\u00e1 10 anos e tem vasta viv\u00eancia com atendimento a m\u00e3es solo no Jardim \u00c2ngela.&nbsp;<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Silvana ressalta que a situa\u00e7\u00e3o vivenciada por Irenilza, que tem um filho de cinco anos, afeta outras m\u00e3es e fam\u00edlias de todas as periferias de S\u00e3o Paulo, pois na primeira inf\u00e2ncia fica mais dif\u00edcil conseguir um equipamento p\u00fablico de educa\u00e7\u00e3o infantil com vagas abertas para essa faixa et\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Entre 0 e 3 anos e 11 meses a crian\u00e7a tem a creche com per\u00edodo integral, mas entre os 4 e 5 fica sem esta assist\u00eancia, e com 6 anos pode ser inserido nos Centros de Crian\u00e7as e Adolescentes (CCAs), s\u00f3 temos estas pol\u00edticas p\u00fablicas para auxiliar nesta fase da inf\u00e2ncia, n\u00e3o existe equipamentos p\u00fablicos que poderiam atender com esta idade, isto \u00e9 uma das dificuldades que temos&#8221;, conta a conselheira tutelar.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a pandemia contribuiu para o aprofundamento de problemas que antes eram pontuais entre as fam\u00edlias do territ\u00f3rio. &#8220;Com certeza as fam\u00edlias da periferia foram as mais afetadas neste per\u00edodo de pandemia, as den\u00fancias por &#8216;abandono de incapaz&#8217; aumentaram bastante&#8221;, aponta ela, argumentando que o abandono de crian\u00e7as s\u00f3 aumentou porque as m\u00e3es n\u00e3o tinham com quem deixar os filhos.<\/p>\n<p>Felizmente, esse n\u00e3o \u00e9 o caso da fam\u00edlia de Irenilza, mas segundo a conselheira tutelar, muitos pais perderam seus empregos durante a pandemia, gerando um aumento significativo no atendimento do conselho tutelar da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto a quest\u00e3o financeira, muitas destas fam\u00edlias perderam seus empregos e ficaram \u00e0 merc\u00ea do aux\u00edlio emergencial, na nossa regi\u00e3o muitas ONGs&nbsp;e movimentos acabaram auxiliando as fam\u00edlias&#8221; diz a conselheira, reconhecendo a import\u00e2ncia das a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias que aconteceram na regi\u00e3o, para garantir principalmente acesso a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/b2ap3_large_Foto-Flavia-Santos-3.jpeg\" alt=\"Embora tenha pouco tempo para conviver, Irenilza faz quest\u00e3o de ser uma pr\u00f3xima para a filha adolescente. (Foto: Fl\u00e1via Santos)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Embora tenha pouco tempo para conviver, Irenilza faz quest\u00e3o de ser uma pr\u00f3xima para a filha adolescente. (Foto: Fl\u00e1via Santos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n\tFilhos sozinhos na pandemia<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Irenilza conta que a preocupa\u00e7\u00e3o que sente em deixar seus filhos mais novos sozinhos \u00e9 grande, n\u00e3o s\u00f3 pelo fato de a qualquer momento algo pode acontecer, mas principalmente porque ainda s\u00e3o crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Eu saio pra trabalhar, mas com aquela preocupa\u00e7\u00e3o, que pode um fio ter um curto, o mais novo de 5 anos pode engasgar, porque ele \u00e9 uma crian\u00e7a que se engasga muito. Ent\u00e3o a gente sai para trabalhar, mas com aquele pensamento, sabe?&#8221;, desabafa.<\/p>\n<p>Segundo Irenilza, a pandemia s\u00f3 piorou a preocupa\u00e7\u00e3o com os filhos, porque as crian\u00e7as nesse per\u00edodo ficaram mais doentes, e como ela n\u00e3o pode faltar no servi\u00e7o, a inseguran\u00e7a toma conta dos seus pensamentos que focam na sa\u00fade das crian\u00e7as e o medo de estar longe de casa.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel por cuidar do irm\u00e3o de cinco anos, Thayn\u00e1 est\u00e1 cursando a 6\u00aa s\u00e9rie na Escola Municipal Professor Edvaldo dos Santos Dantas. Ela conta que \u00e9 raro os momentos que consegue se encontrar com seus amigos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Mesmo chegando cansada, minha m\u00e3e chega e brinca com a gente&#8221;<\/p>\n<p><cite>Thayn\u00e1&nbsp;considera a m\u00e3e como uma grande amiga.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Mesmo na adolesc\u00eancia, Thayn\u00e1 j\u00e1 demonstra um amadurecimento em rela\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o da m\u00e3e e com os cuidados do seu irm\u00e3o mais novo. &#8220;Minha rela\u00e7\u00e3o com eles \u00e9 muito boa. Eu sinto que estou tendo bastante responsabilidade n\u00e9, cuidar assim, sendo t\u00e3o nova&#8221;, diz a estudante.<\/span><\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter tempo para conviver com os amigos da escola, ela conta que sua m\u00e3e todos os dias se torna sua melhor amiga, elas conversam e brincam bastante juntas. &#8220;Mesmo chegando cansada, minha m\u00e3e chega e brinca com a gente quando consegue, ela \u00e9 muito brincalhona&#8221;, revela Thayn\u00e1.<\/p>\n<p>A partir dos relatos de Thayn\u00e1, que demonstram o impacto de cuidar do irm\u00e3o mais novo nas suas rela\u00e7\u00f5es sociais com outros jovens da mesma idade, convidamos a psic\u00f3loga Tha\u00eds Ferreira,32 anos, formada pela Universidade Metodista e que atende fam\u00edlias das periferias, para analisar suas respostas.<\/p>\n<p>A terapeuta enfatiza que numa situa\u00e7\u00e3o como essa vivenciada pela adolescente \u00e9 de suma import\u00e2ncia manter uma rela\u00e7\u00e3o sadia e pr\u00f3xima entre pais e filhos. &#8220;Uma crian\u00e7a que acaba tendo que cuidar de outra, infelizmente ambos perdem aquele momento que precisavam ter com os pais, j\u00e1 que alguns acabam se responsabilizando pelo outro filho&#8221;, avalia a psic\u00f3loga.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Oriento muito sobre atividade f\u00edsica para os adultos e para as crian\u00e7as, o brincar, ter rotinas, mas cuidado com o excesso de telas digitais&#8221;<\/p>\n<p><cite>Tha\u00eds Ferreira \u00e9 psic\u00f3loga com experi\u00eancia em atender fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social&nbsp;nas periferias.&nbsp;<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ela aponta que os impactos na sa\u00fade mental que envolvem essas situa\u00e7\u00f5es de m\u00e3es solo se intensificou durante a pandemia, afetando ainda mais o cotidiano das fam\u00edlias. E que isso \u00e9 tratado com cuidado caso a caso, mas que em sua maioria, as orienta\u00e7\u00f5es e conselhos passados se assemelham.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Eu sempre oriento as fam\u00edlias a se &#8216;reinventar&#8217;, se adaptar, entender que foi algo que n\u00e3o estava no nosso controle, e ent\u00e3o n\u00e3o podemos dominar a situa\u00e7\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Ela esclarece que em situa\u00e7\u00f5es de confinamento e perda de rela\u00e7\u00f5es sociais, a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos ajuda no al\u00edvio da ansiedade e da depress\u00e3o. O que ajuda bastante tamb\u00e9m \u00e9 o desapego das tecnologias e redes sociais, tirar um tempo para si mesmo e praticar atividades que gosta.<\/p>\n<p>&#8220;Oriento muito sobre atividade f\u00edsica para os adultos e para as crian\u00e7as, o brincar, ter rotinas, mas cuidado com o excesso de telas como&nbsp;tablet, celular, televis\u00e3o e&nbsp;games&#8221;, finaliza a terapeuta,<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em busca do sustento para os filhos, m\u00e3e solo enfrenta diariamente uma jornada tripla, que transforma a filha adolescente em respons\u00e1vel pelo irm\u00e3o de cinco anos, que nessa faixa et\u00e1ria de idade n\u00e3o tem acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o infantil. &nbsp; Com a chegada da pandemia, as m\u00e3es solo nas periferias de S\u00e3o Paulo [&hellip;]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":2113,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[47,479,130,478,48,203,467,26,477,187,45,53,469],"ppma_author":[501,73],"class_list":["post-2117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-series","tag-contextos-perifericos","tag-convivio-familiar","tag-desigualdades-sociais","tag-direitos-humanos","tag-especial","tag-favelas","tag-fmcsv","tag-jornalismo-periferico","tag-maes-solo","tag-noticias-da-periferias","tag-pandemia","tag-periferias","tag-primeira-infancia"],"acf":[],"authors":[{"term_id":501,"user_id":8,"is_guest":0,"slug":"user-vcreporter-desenrolacattive-me","display_name":"Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/a1e716557053a686740ce5d041bf0fbc8da1f5dd528dac5e5b6a235dcefede3b?s=96&d=mm&r=g","first_name":"Voc\u00ea","last_name":"Rep\u00f3rter da Periferia","user_url":"http:\/\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/VoceReporterdaPeriferia\"><i><\/i> \/VoceReporterdaPeriferia<\/a>\r\n\r\nConte\u00fados produzidos por jovens do programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia.\r\nO Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia busca reconstruir e ressignificar olhares e narrativas sobre os territ\u00f3rios perif\u00e9ricos. Criado em 2013 pelo coletivo de comunica\u00e7\u00e3o Desenrola e N\u00e3o Me Enrola, a iniciativa usa ferramentas do jornalismo para o desenvolvimento do senso cr\u00edtico, a fim de estimular a compreens\u00e3o e o valor das rela\u00e7\u00f5es humanas em ambientes repletos de potencialidades em meio \u00e0s desigualdades sociais."},{"term_id":73,"user_id":7,"is_guest":0,"slug":"ronaldo-comunicacaogmail-com","display_name":"Ronaldo Matos","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d5c023cdb350cc81d5a42963af328e5ef634d2fff49293bcebb933eaf78d5961?s=96&d=mm&r=g","first_name":"Ronaldo","last_name":"Matos","user_url":"http:\/\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ronaldo.matosilva\"><i><\/i> \/ronaldo.matosilva<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ronaldomatosjor\/\"><i> <\/i> @ronaldomatosjor<\/a>\r\nApreciador do direito de imaginar, criar, pesquisar e refletir, Ronaldo Matos \u00e9 jornalista e educador. Ele \u00e9 co-fundador e editor do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Influenciado pela cultura Hip Hop e a Filosofia, o morador do Jardim \u00c2ngela vive a quebrada como uma plataforma urbana de conhecimento, para compreender e questionar o que \u00e9 periferia. 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