
{"id":2109,"date":"2021-12-06T19:35:18","date_gmt":"2021-12-06T22:35:18","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/12\/06\/substituo-por-salsicha-moradores-relatam-inseguranca-alimentar-em-criancas-nas-favelas-da-zona-oeste-de-sp\/"},"modified":"2024-06-29T21:06:06","modified_gmt":"2024-06-30T00:06:06","slug":"substituo-por-salsicha-moradores-relatam-inseguranca-alimentar-em-criancas-nas-favelas-da-zona-oeste-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/series\/substituo-por-salsicha-moradores-relatam-inseguranca-alimentar-em-criancas-nas-favelas-da-zona-oeste-de-sp\/","title":{"rendered":"\u201cSubstituo por salsicha\u201d: moradores relatam inseguran\u00e7a alimentar em crian\u00e7as nas favelas da zona oeste de SP"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Carestia, desemprego e aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas aumentaram a inseguran\u00e7a alimentar de fam\u00edlias, moradores de favelas da zona oeste de S\u00e3o Paulo. A\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias minimizam os impactos da fome, mas n\u00e3o resolveram o problema que permanece afetando crian\u00e7as e adultos da regi\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Com tr\u00eas filhos pequenos, a rotina de Samara Santos da Silva, 22, moradora da comunidade Bode Z\u00e9, localizado no distrito do Rio Pequeno, zona oeste de S\u00e3o Paulo, mudou completamente durante a pandemia, a ponto de impedir a moradora de ter um trabalho fora de casa, devido ao fato de as escolas e creches estarem fechadas. Ela \u00e9 m\u00e3e de Thalya, 6 anos, Ot\u00e1vio, 5 anos e Ellysa de 2 anos.<\/p>\n<p><span>O companheiro de Samara, Bruno Nunes Silva, 33 anos, foi o respons\u00e1vel por trabalhar fora enquanto ela cuidava das crian\u00e7as. Contudo, durante o per\u00edodo de isolamento social, a empresa de tape\u00e7aria automotiva que ele trabalhava quase n\u00e3o estava pegando clientes e as condi\u00e7\u00f5es financeiras da fam\u00edlia ficaram comprometidas, afetando a rotina alimentar dos filhos, que precisou mudar completamente.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"width:638.74794069193px;height:359px;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/b2ap3_medium_WhatsApp-Image-2021-11-17-at-20.48.37-1.jpeg\" style=\"width:638.74794069193px;height:359px;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:638.74794069193px;\">\n\t\t\t<span>Moradores das comunidades Bode Z\u00e9 e 1010, na fila para a retirada de marmitas. (Foto: Ellen Amaral)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Antes eu comprava costela, \u00e9 uma coisa que n\u00e3o d\u00e1 pra comprar mais, carne vermelha, porque t\u00e1 muito caro, a\u00ed eu substituo por salsicha, lingui\u00e7a, ovo&#8221;<\/p>\n<p><cite>conta Samara sobre a alimenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia.<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Uma das principais mudan\u00e7as que Samara e as crian\u00e7as sentiram, al\u00e9m da aus\u00eancia de carne vermelha nas refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, foi com as compras na feira. Todos estavam acostumados a comer frutas e verduras, o que n\u00e3o acontece mais com tanta frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Toda ter\u00e7a eu ia na feira e comprava frutas pras crian\u00e7as, agora eu n\u00e3o consigo ir porque aumentou bastante as coisas. A\u00ed eu compro s\u00f3 uma banana e uma ma\u00e7\u00e3, pra n\u00e3o faltar. Eu comprava bastante fruta e agora n\u00e3o d\u00e1 pra comprar, porque as coisas t\u00e3o muito caras, t\u00e1 muito dif\u00edcil&#8221;, relata Samara.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sair do Mapa da Fome em 2013, dados recentes da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), mostraram que na pandemia da Covid-19, o Brasil chegou ao mesmo patamar de inseguran\u00e7a alimentar do in\u00edcio dos anos 2000, em que quase 10% dos brasileiros n\u00e3o tinham o que comer.<\/p>\n<p>Essa realidade, al\u00e9m de afetar adultos, impacta principalmente crian\u00e7as na primeira inf\u00e2ncia, com idade de 0 a 6 anos, como retrata Samara, m\u00e3e de tr\u00eas filhos, moradoras da zona Oeste de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/b2ap3_medium_WhatsApp-Image-2021-11-29-at-18.30.35-1.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Thalya, Ot\u00e1vio&nbsp;e Ellysa jantando ap\u00f3s chegarem da escola. &nbsp;(Foto: Arquivo pessoal)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Com todas as dificuldades e comprando s\u00f3 o b\u00e1sico dentro de casa, Samara come\u00e7ou a depender de doa\u00e7\u00f5es de cestas b\u00e1sicas e marmitas, j\u00e1 que o pouco de comida que conseguiam juntar, Samara e Bruno preferiram priorizar as crian\u00e7as:<\/p>\n<p>&#8220;Eu comecei a ir atr\u00e1s de cesta, comecei a ganhar cesta, \u00e9 o que estava ajudando. Teve uma \u00e9poca, bem assim da pandemia, que eu n\u00e3o comia porque tinha um pouquinho de arroz, a\u00ed eu fazia pras crian\u00e7as, eu n\u00e3o comia&#8221;, desabafa Samara.<\/p>\n<p>Samara come\u00e7ou a pegar as cestas b\u00e1sicas oferecidas pela Pastoral da Crian\u00e7a, localizada na igreja do bairro. Outro refor\u00e7o na alimenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia veio com a e tamb\u00e9m a distribui\u00e7\u00e3o de marmitas, iniciativa realizada por L\u00edlia Cristina, lideran\u00e7a comunit\u00e1ria da Bode Z\u00e9, que se articulou de forma aut\u00f3noma e depois com a prefeitura, para a distribui\u00e7\u00e3o de marmitas para os moradores.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Eu n\u00e3o tenho vergonha n\u00e3o, fui atr\u00e1s e consegui bastante doa\u00e7\u00e3o. Teve um tempo que eu n\u00e3o tinha nem bolacha, nem danone, mas porque o dinheiro n\u00e3o estava sobrando, tinha que tirar da janta pra comer no almo\u00e7o, a\u00ed s\u00f3 comia ovo, ovo, ovo, ovo&#8221;<\/p>\n<p><cite>enfatiza Samara.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>L\u00edlia Cristina, 57 anos, se tornou lideran\u00e7a comunit\u00e1ria no come\u00e7o da pandemia de coronav\u00edrus. Morando na comunidade h\u00e1 mais de 50 anos, ela percebeu a extrema necessidade de combater a inseguran\u00e7a alimentar que estava afetando as fam\u00edlias do bairro.<\/p>\n<p>Por conta pr\u00f3pria, ela come\u00e7ou a se movimentar para ajudar essas fam\u00edlias e tentar captar recursos da prefeitura para doa\u00e7\u00e3o de roupas, utens\u00edlios de higiene e principalmente alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Eu fa\u00e7o a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas quando eu recebo. Eu adotei tudo isso porque eu me vi em meio a pandemia sem condi\u00e7\u00f5es, sem ter o que comer na minha casa. Meu marido \u00e9 professor substituto de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica na escola de Osasco, ent\u00e3o faz dois anos que o meu marido n\u00e3o tem sal\u00e1rio&#8221;, conta L\u00edlia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/b2ap3_medium_n.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>A entrega de marmitas \u00e9 feita todos os dias, a partir de 12h, no quintal da casa de L\u00edlia. (Foto: Ellen Amaral)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Passando necessidade, ela foi pedir uma cesta b\u00e1sica para uma organiza\u00e7\u00e3o social da regi\u00e3o e foi negada pelo fato de ter casa pr\u00f3pria dentro do territ\u00f3rio, mesmo sem ter como colocar comida dentro da casa, morando com o marido e os dois filhos. A partir desse dia, ela come\u00e7ou a lutar pelos direitos dela como moradora e pelos vizinhos que estavam na mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde que passou a distribuir as marmitas na porta de sua casa, a fila para a retirada \u00e9 composta majoritariamente por crian\u00e7as, a partir de 5 anos. Alguns pegavam duas marmitas, uma para comer naquele instante e outra para a janta, ou uma para si e outra para os pais, que chegavam do trabalho com fome.<\/p>\n<p>Para L\u00edlia, a entrega de marmitas e outros trabalhos de doa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o existiam antes da pandemia s\u00e3o essenciais, pois a alimenta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as se reconfigurou totalmente na pandemia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;A alimenta\u00e7\u00e3o mudou na casa dos trabalhadores aqui da comunidade Bode Z\u00e9. Eles podem ter o arroz, o feij\u00e3o, o macarr\u00e3o, o molho, mas eles n\u00e3o tem a prote\u00edna, eles n\u00e3o tem legumes. Eu tenho crian\u00e7a que nunca tinha visto uma manga. Uma vez eu fui doar uma manga para uma crian\u00e7a e ela disse: &#8220;Que que \u00e9 isso, tia? As crian\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o comendo do jeito que deveriam comer. As crian\u00e7as est\u00e3o largadas&#8221;<\/p>\n<p><cite>lamenta L\u00edlia.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Madalena da Concei\u00e7\u00e3o Ramos, 43 anos, mora na 1010, comunidade pr\u00f3xima a Bode Z\u00e9, e tem duas filhas, Mariana, 8 anos e Alessandra, 4 anos. Ela trabalha como t\u00e9cnica de enfermagem, mas no come\u00e7o da pandemia precisou ficar em casa com as crian\u00e7as, enquanto o marido, Adson Ramos, sa\u00eda para trabalhar, em uma empresa de monitoramento de seguran\u00e7a, que n\u00e3o paralisou com o isolamento.<\/p>\n<p>Assim como para Samara, por ter crian\u00e7as pequenas, um dos maiores impactos que Madalena sentiu, foi com o aumento dos alimentos na feira. A solu\u00e7\u00e3o encontrada para lidar com a alta dos pre\u00e7os, foi a substitui\u00e7\u00e3o desses produtos.<\/p>\n<p>&#8220;Tem algumas frutas que as pequenas gostam muito, n\u00e9? Por exemplo, morango. E a\u00ed nesse per\u00edodo estava muito caro, a gente n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de comprar. Como eu n\u00e3o estava trabalhando ent\u00e3o n\u00e3o tinha dinheiro suficiente, ou quando tinha algum dinheiro, dava prioridade a outras coisas. A gente substitu\u00edda por uma mais em conta&#8221;, relata Madalena.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>Madalena conta que a principal substitui\u00e7\u00e3o que fez, foi trocar as outras frutas por melancia. Pois como \u00e9 uma fruta que tem muita \u00e1gua, j\u00e1 matava a sede das crian\u00e7as. &#8220;A minha pequenininha bebe bastante \u00e1gua e a nossa \u00e1gua aqui n\u00e3o \u00e9 da gente, tem que comprar \u00e1gua tamb\u00e9m. Ent\u00e3o a melancia j\u00e1 substitu\u00eda&#8221;<\/p>\n<p><cite>explica Madalena.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>O aumento do valor do g\u00e1s de cozinha tamb\u00e9m impactou a alimenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Madalena come\u00e7ou a cozinhar em maior quantidade e deixar tudo congelado, para evitar utilizar muito o g\u00e1s.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o aumento dos alimentos fez com que ela substitu\u00edsse a carne vermelha por ovos e frango e n\u00e3o adquirisse mais todos os produtos que geralmente comp\u00f5em uma cesta b\u00e1sica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"note\">\n<div class=\"alert alert-info\" role=\"alert\">De acordo com o \u00faltimo levantamento do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (DIEESE), realizado em agosto de 2021, no estado de S\u00e3o Paulo, o valor da cesta b\u00e1sica consome 63,93% do sal\u00e1rio m\u00ednimo, chegando a custar R$650,50. No ranking de todo o pa\u00eds, o estado atualmente ocupa a 3\u00aa posi\u00e7\u00e3o, perdendo somente para Porto Alegre e Florian\u00f3polis.<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>\n\t Conselho de Seguran\u00e7a Alimentar<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><span>&nbsp;<\/span><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Maria Ang\u00e9lica, que atua no Conselho Municipal de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (COMUSAN), \u00e9 moradora do Butant\u00e3, na Zona Oeste de S\u00e3o Paulo e se tornou membro do Conselho por conta de todas as articula\u00e7\u00f5es que j\u00e1 fazia em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ela conta que a luta para fazer a ponte entre a necessidade alimentar das fam\u00edlias perif\u00e9ricas, principalmente com as escolas fechadas, at\u00e9 a capta\u00e7\u00e3o de recursos foi um processo burocr\u00e1tico que a desestabilizou muitas vezes, principalmente para entregar cestas b\u00e1sicas \u00e0s comunidades no in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Passou tr\u00eas meses, nada da outra cesta. Escuta, as fam\u00edlias v\u00e3o esperar tr\u00eas meses pra comer? [ pensou] A\u00ed a gente come\u00e7ou a lutar pela marmitex. A lutar pelo alimento. J\u00e1 que a cesta n\u00e3o est\u00e1 vindo, tem que correr atr\u00e1s de outra coisa&#8221;, expressa Maria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/b2ap3_medium_WhatsApp-Image-2021-11-17-at-20.48.38-1-1.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>As marmitas ajudaram a suprir a necessidade alimentar&nbsp;dentro das comunidades, e&nbsp;a&nbsp;fila&nbsp;\u00e9&nbsp;composta&nbsp;majoritariamente&nbsp;por crian\u00e7as. (Foto: Ellen Amaral)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A conselheira diz que todas as demandas que chegavam at\u00e9 ela eram graves, e que apesar de ter viv\u00eancias nas comunidades Bode Z\u00e9 e 1010, ela tamb\u00e9m viu os abismos de desigualdade que cercavam todos os cantos de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;A m\u00e3e tinha que abrir m\u00e3o [do alimento] e inclusive escolher o filho mais novo que j\u00e1 estava chorando de fome do que o filho mais velho que poderia segurar um pouquinho mais&#8221;<\/p>\n<p><cite>conta ela, apontando uma situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar de uma fam\u00edlia perif\u00e9rica.<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>De acordo com Maria, o principal foco do Conselho \u00e9 atuar em conjunto com a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, como a na primeira idade, que est\u00e1 em fase de desenvolvimento. Por conta da inseguran\u00e7a alimentar, em alguns territ\u00f3rios ela presencia crian\u00e7as com oito anos com o tamanho de crian\u00e7as de quatro, pois a carestia impediu esse desenvolvimento.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Voc\u00ea s\u00f3 vai saber que ela tem oito anos quando voc\u00ea olha o cadastro dela,&nbsp;<\/p>\n<p><cite>diz Maria.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Essa atua\u00e7\u00e3o, constitui incluir nas recomenda\u00e7\u00f5es de metas para o prefeito, o enfrentamento da desnutri\u00e7\u00e3o e da falta de acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada das crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Todo suporte para que as m\u00e3es possam manter o aleitamento materno, porque a gente buscou se articular com a Pol\u00edtica Municipal da Primeira Inf\u00e2ncia de forma a mostrar que as pol\u00edticas t\u00eam que ser articuladas para poder fazer o enfrentamento da fome e da Inseguran\u00e7a alimentar e nutricional de maneira efetiva&#8221;, exp\u00f5e.<\/p>\n<p>A conselheira relata que uma das maiores lutas do Conselho Municipal, \u00e9 garantir que as cestas b\u00e1sicas e a comida distribu\u00edda nas escolas no processo de retomada, alcancem todos os crit\u00e9rios de alimenta\u00e7\u00e3o digna para os cidad\u00e3os e para as crian\u00e7as em idade de desenvolvimento.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Al\u00e9m de dar o arroz, o feij\u00e3o que \u00e9 o que as figuras que est\u00e3o no poder p\u00fablico imaginam que estufa o est\u00f4mago da crian\u00e7a e est\u00e1 tudo certo. &#8216;Mata a fome&#8217; [eles pensam]. A gente n\u00e3o quer matar a fome. A gente quer dar um alimento digno. Direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p><cite>enfatiza a conselheira, sobre a luta di\u00e1ria para levar uma alimenta\u00e7\u00e3o digna para o prato das crian\u00e7as perif\u00e9ricas.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carestia, desemprego e aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas aumentaram a inseguran\u00e7a alimentar de fam\u00edlias, moradores de favelas da zona oeste de S\u00e3o Paulo. A\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias minimizam os impactos da fome, mas n\u00e3o resolveram o problema que permanece afetando crian\u00e7as e adultos da regi\u00e3o. &nbsp; Com tr\u00eas filhos pequenos, a rotina de Samara Santos da Silva, 22, [&hellip;]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":2104,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[470,471,474,472,47,48,467,473,59,469,49,119,468],"ppma_author":[432,73],"class_list":["post-2109","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-series","tag-470","tag-bode-ze","tag-carestia","tag-conselho-de-seguranca-alimentar","tag-contextos-perifericos","tag-especial","tag-fmcsv","tag-inseguranca-alimentar","tag-politicas-publicas","tag-primeira-infancia","tag-territorio-da-noticia","tag-territorio-educador","tag-transferencia-de-renda"],"acf":[],"authors":[{"term_id":432,"user_id":21,"is_guest":0,"slug":"vocereporterdaperiferiagmail-com","display_name":"Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/8088299945440ce7c7a19f76fbf2c1216f64af34e42089fd340e40418a667b1d?s=96&d=mm&r=g","first_name":"Voc\u00ea","last_name":"Rep\u00f3rter da Periferia","user_url":"http:\/\/","job_title":"","description":""},{"term_id":73,"user_id":7,"is_guest":0,"slug":"ronaldo-comunicacaogmail-com","display_name":"Ronaldo Matos","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d5c023cdb350cc81d5a42963af328e5ef634d2fff49293bcebb933eaf78d5961?s=96&d=mm&r=g","first_name":"Ronaldo","last_name":"Matos","user_url":"http:\/\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ronaldo.matosilva\"><i><\/i> \/ronaldo.matosilva<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ronaldomatosjor\/\"><i> <\/i> @ronaldomatosjor<\/a>\r\nApreciador do direito de imaginar, criar, pesquisar e refletir, Ronaldo Matos \u00e9 jornalista e educador. Ele \u00e9 co-fundador e editor do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Influenciado pela cultura Hip Hop e a Filosofia, o morador do Jardim \u00c2ngela vive a quebrada como uma plataforma urbana de conhecimento, para compreender e questionar o que \u00e9 periferia. 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