
{"id":2075,"date":"2021-11-28T20:55:26","date_gmt":"2021-11-28T23:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/11\/28\/jovens-da-zona-sul-relatam-os-reflexos-da-transicao-capilar-em-sua-autoestima\/"},"modified":"2024-06-29T21:06:11","modified_gmt":"2024-06-30T00:06:11","slug":"jovens-da-zona-sul-relatam-os-reflexos-da-transicao-capilar-em-sua-autoestima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/jovens-da-zona-sul-relatam-os-reflexos-da-transicao-capilar-em-sua-autoestima\/","title":{"rendered":"Jovens da zona sul relatam os reflexos da transi\u00e7\u00e3o capilar em sua autoestima"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&nbsp;Entrevistamos tr\u00eas mulheres da regi\u00e3o sul de S\u00e3o Paulo, que trouxeram relatos sobre o processo da transi\u00e7\u00e3o capilar, e como, para al\u00e9m da quest\u00e3o est\u00e9tica, as mudan\u00e7as desse percurso impactaram sua sa\u00fade mental, autoestima e conv\u00edvio social.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/989\/6B5D25BE-9ECB-4E41-84A7-85DDE04194C0.jpeg\" title=\"Caroline Meneses de 21 anos e moradora do Cidade Ipava. (Foto: Fl\u00e1via Santos)\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/989\/6B5D25BE-9ECB-4E41-84A7-85DDE04194C0.jpeg\" title=\"Caroline Meneses de 21 anos e moradora do Cidade Ipava. (Foto: Fl\u00e1via Santos)\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/989\/6B5D25BE-9ECB-4E41-84A7-85DDE04194C0.jpeg\" title=\"Caroline Meneses de 21 anos e moradora do Cidade Ipava. (Foto: Fl\u00e1via Santos)\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Caroline Meneses de 21 anos e moradora do Cidade Ipava. (Foto: Fl\u00e1via Santos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A transi\u00e7\u00e3o capilar \u00e9 um m\u00e9todo adotado na maioria das vezes por mulheres, para retirar a parte do cabelo que tenha produtos qu\u00edmicos e voltar completamente para seu estado natural. Para entendermos os reflexos desse processo na vida de muitas mulheres da quebrada, seja antes, durante ou depois do procedimento, conversamos com tr\u00eas jovens que relataram suas experi\u00eancias e como isso afeta a sa\u00fade mental e estilo de vida de uma mulher, principalmente negra e perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>Os relatos das tr\u00eas mulheres demonstram como o processo de transi\u00e7\u00e3o contribui para que muitas pessoas passem por transforma\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do sentido f\u00edsico, passando pela inseguran\u00e7a pessoal, medo de n\u00e3o conseguir se aceitar no final do procedimento, afetando tamb\u00e9m o lado emocional, sendo que muitas vezes pode ser mais dif\u00edcil do que parece.<\/p>\n<p>A primeira mulher que entrevistamos se chama Myrelle Oliveira, de 22 anos, estudante de teatro, moradora da quebrada Jardim S\u00e3o Francisco, localizada na regi\u00e3o do Guarapiranga, na zona sul de S\u00e3o Paulo. Ela nos contou que desde sempre seu cabelo j\u00e1 era cacheado e muito volumoso, e por isso exigia muito tempo e cuidado.<\/p>\n<p>Segundo ela, mesmo com um cabelo bonito e saud\u00e1vel, por muitas vezes sua m\u00e3e n\u00e3o sabia como cuidar, por n\u00e3o ser um estilo t\u00e3o conhecido como \u00e9 hoje. &#8220;Naquela \u00e9poca ningu\u00e9m falava de cabelo cacheado, crespo ou ondulado. Era s\u00f3 cabelo liso, padr\u00e3o. Ent\u00e3o ela [a m\u00e3e] tinha muita dificuldade&#8221;, explica a jovem.<\/p>\n<p>Myrelle conta que devido a dificuldades como essa, desde seus 9 anos sua m\u00e3e passava produtos qu\u00edmicos para seu cabelo &#8220;abaixar&#8221;, perder o volume e textura natural. Conforme o tempo foi passando, ela aprendeu a passar chapinha em seu pr\u00f3prio cabelo e foi assim at\u00e9 seus 17 anos, alisando, pintando e passando outros tipos de produtos. Essa din\u00e2mica que durou at\u00e9 seus 18 anos, tirou totalmente a sa\u00fade do seu cabelo natural e tamb\u00e9m um pouco de sua autoestima.<\/p>\n<p>Depois de muito tempo, sua irm\u00e3, Mayara, come\u00e7ou a passar por um processo de entendimento pessoal, quando resolveu assumir seu cabelo natural, e isso fez surgir em Myrelle um desejo de pesquisar sobre m\u00e9todos e formas de recuperar o tempo que passou qu\u00edmica no cabelo.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 que um dia eu bati o martelo, eu queria mudar. Parei de passar qu\u00edmica no meu cabelo, deixava v\u00e1rios meses sem nada, fazia tran\u00e7as para ir a escola&#8221;, relata Myrelle, que come\u00e7ou a explorar na internet, redes sociais e v\u00eddeos no YouTube como fazer a tal transi\u00e7\u00e3o capilar, at\u00e9 que em 2017, com 18 anos, parou de alisar o cabelo.<\/p>\n<p>Durante esse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, ela conta que come\u00e7ou a se sentir estranha em seus ciclos sociais, n\u00e3o se sentia bem, e sempre deslocada. Sentimento que surgia tanto na escola, quanto em outros espa\u00e7os com amigos, por ser a \u00fanica que estava sempre de tran\u00e7a ou com o cabelo totalmente preso.<\/p>\n<p>Segundo ela, era um ac\u00famulo de sensa\u00e7\u00f5es, primeiro pela falta de informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o saber qual creme passar, que shampoo usar, e tamb\u00e9m a inseguran\u00e7a de n\u00e3o se sentir bem consigo mesma. Tanto que demorou muito para ela conseguir sair na rua com o cabelo solto, processo que s\u00f3 aconteceu por conta de um exerc\u00edcio no curso de teatro, onde ela se desprendeu de seus medos e passou a se aceitar como \u00e9, e com o cabelo que tem.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma semana de fazer 20 anos, teve uma din\u00e2mica no curso que eu precisava apresentar um personagem. E nessa constru\u00e7\u00e3o da minha personagem, na minha cabe\u00e7a ela tinha cabelo cacheado. Talvez foi um espelho da minha vontade que ainda n\u00e3o estava concreta, que era de soltar meu cabelo e entender que essa sou eu&#8221;, afirma Myrelle.<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a: &#8220;quem quiser me aceite, porque eu me aceito&#8221;, retomando sobre o significado desse momento da transi\u00e7\u00e3o capilar, onde afirma ter se redescoberto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Foi um processo dif\u00edcil por ter aberto m\u00e3o de muitas coisas, queria ter registrado todo o processo. Mas me ajudou a me descobrir, me amar, n\u00e3o me arrependo nem um pouco&#8221;<\/p>\n<p><cite>afirma a jovem Myrelle.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/989\/A4632F8C-ACC4-4463-A860-D20511308DA8.jpeg\" title=\"Caroline Meneses, tem 21 anos e passou pela transi\u00e7\u00e3o capilar aos 15 anos. Foto: Fl\u00e1via Santos\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/989\/A4632F8C-ACC4-4463-A860-D20511308DA8.jpeg\" title=\"Caroline Meneses, tem 21 anos e passou pela transi\u00e7\u00e3o capilar aos 15 anos. Foto: Fl\u00e1via Santos\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/989\/A4632F8C-ACC4-4463-A860-D20511308DA8.jpeg\" title=\"Caroline Meneses, tem 21 anos e passou pela transi\u00e7\u00e3o capilar aos 15 anos. Foto: Fl\u00e1via Santos\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/b2ap3_large_A4632F8C-ACC4-4463-A860-D20511308DA8.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Caroline Meneses, tem 21 anos e passou pela transi\u00e7\u00e3o capilar aos 15 anos. Foto: Fl\u00e1via Santos<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Outra mulher de quebrada que conversou com o Desenrola foi Caroline Meneses, de 21 anos, cria do bairro Cidade Ipava, regi\u00e3o do Jardim \u00c2ngela. Ela mora com seu pai e sua filha de 1 ano e conta que se reinventou ap\u00f3s ter iniciado a transi\u00e7\u00e3o capilar aos 15 anos,&nbsp;pois nesse mesmo per\u00edodo ela namorava uma pessoa branca e tamb\u00e9m com uma fam\u00edlia branca.<\/p>\n<p>&#8220;Aquilo me incomodava, s\u00f3 eu negra, todo mundo de cabelo liso. E quando era pra sair em fam\u00edlia, eu inventava desculpa para n\u00e3o ir, mas nunca falava o motivo de fato&#8221;, relata Carol.<\/p>\n<p>Depois de passar muitas vezes por essa situa\u00e7\u00e3o, ela decidiu cortar seu cabelo por conta pr\u00f3pria, pois toda vez que o molhava e passava o creme, via que ele formava cachos, isso a encorajava para poder aos poucos perder o medo de entrar em uma transi\u00e7\u00e3o. Foi quando cortou toda a parte com qu\u00edmica do cabelo, deixando menos de um dedo dos fios, o que trouxe ainda mais inseguran\u00e7as, pois a vergonha que antes ela j\u00e1 tinha, aumentou.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Pensei &#8216;o que fiz da minha vida?&#8217;, cortei porque na hora me deu coragem, mas foi s\u00f3 na hora. Depois me desanimei, porque n\u00e3o sabia como a sociedade ia reagir com uma negra de cabelo crespo, s\u00f3 sabia como era uma negra de cabelo pranchado&#8221;.<\/p>\n<p><cite>compartilha a jovem.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Carol conta que passou por in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es de racismo, desde sua inf\u00e2ncia na escola, at\u00e9 depois j\u00e1 mais velha, e isso a assustava. Essa era a causa de grande parte da sua inseguran\u00e7a e da sua vergonha de ter o cabelo t\u00e3o curto e natural. Um reflexo disso \u00e9 que mesmo depois de 6 anos desde que cortou o cabelo, \u00e0s vezes se v\u00ea com um olhar de preconceito, por conta dos padr\u00f5es impostos pela sociedade, conta ela.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;As pessoas falam pra eu alisar, pranchar, dando todas as op\u00e7\u00f5es para deixar ele liso, e por \u00faltimo me falam pra tran\u00e7ar. N\u00e3o entendem a import\u00e2ncia da transi\u00e7\u00e3o. E pra mim, a import\u00e2ncia da transi\u00e7\u00e3o capilar foi me descobrir como mulher&#8221;, diz Caroline.<\/p>\n<p>Ela concluiu seu relato contando como foi dif\u00edcil o processo de transi\u00e7\u00e3o capilar, e como ainda \u00e9, mesmo depois desse per\u00edodo, pois afirma que at\u00e9 hoje ainda coloca a sociedade e o que pensam sobre ela na frente do que deseja ou busca, processo que est\u00e1 aprendendo a lidar. Obst\u00e1culos como esses tornam a trajet\u00f3ria de jovens e mulheres mais dif\u00edcil e frustrante.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Vivia de toca, indo pra escola de blusa. Fazia chuva ou sol, eu estava com a cabe\u00e7a coberta. Acho que foi uma das fases mais dif\u00edceis. Por isso at\u00e9 hoje de vez em quando me sinto mal, mas estou trabalhando nisso, para me ajudar a elevar a autoestima&#8221;<\/p>\n<p><cite>concluiu a jovem que segue buscando o fortalecimento da sua autoestima e autocuidado.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Conversamos tamb\u00e9m com a Tamires Aparecido, de 15 anos, moradora do bairro Jardim Aracati, na zona sul de S\u00e3o Paulo e estudante do ensino m\u00e9dio. Segundo ela, a rela\u00e7\u00e3o com seu cabelo antes da transi\u00e7\u00e3o sempre foi complicada, desde muito pequena, quando ainda n\u00e3o entendia o que era a sa\u00fade capilar e aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Algu\u00e9m da minha fam\u00edlia praticamente me obrigou a passar qu\u00edmica no cabelo, no in\u00edcio foi at\u00e9 bom, mas depois fui vendo e n\u00e3o fui gostando, passei a me sentir mal&#8221;, coloca a jovem que iniciou o processo de transi\u00e7\u00e3o h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>Segundo Tamires, o fato de se ver sempre diante de padr\u00f5es colocados na sociedade, seja em um comercial de produtos para cabelo, nas redes sociais ou at\u00e9 mesmo em espa\u00e7os de conv\u00edvio no dia a dia, \u00e9 o que mais a incomodava diante do seu cabelo e da sua apar\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Pra mim ningu\u00e9m tem que seguir um padr\u00e3o. Cada um tem seu cabelo, \u00e0s vezes voc\u00ea entra numa est\u00e9tica achando que vai se sentir bem, mas no fim acaba se sentindo mal&#8221;<\/p>\n<p><cite>coloca Tamires.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   has-nested\" data-type=\"gallery\">\n<div class=\"eb-gallery\">\n<div class=\"eb-gallery-stage\" data-plupload-drop-element=\"\">\n<div class=\"eb-gallery-viewport\" style=\"left: -100%;\">\n<div class=\"eb-gallery-item\" data-id=\"g01086254930201993\" style=\"left: 0%;\">\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:56.25%;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/b2ap3_large_839A6E43-0A8B-45A3-8CD5-FF872F907E1_20211128-210509_1.jpeg\" style=\"width:100%;height:118.825%;top:-9.412%;left:0%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\" style=\"width:100%;\">\n\t\t\t<span>Tamires Aparecido (Fotos: Acervo pessoal)<br \/>\n<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-item active\" data-id=\"g036006942683056486\" style=\"left: 100%;\">\n<div class=\"ebd-block  is-nested is-isolated  \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center; width: 100%;\">\n<div class=\"eb-image is-fluid style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\" style=\"padding-top:56.25%;\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/b2ap3_large_EF2D0D7B-9C54-4BAF-8393-A27910008CD2.jpeg\" style=\"width:104.556%;height:100%;top:0%;left:-2.278%;\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-button eb-gallery-next-button\">\n\t\t\t\t<i class=\"fa fa-chevron-right\"><\/i><\/div>\n<div class=\"eb-gallery-button eb-gallery-prev-button\">\n\t\t\t\t<i class=\"fa fa-chevron-left\"><\/i><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-menu\">\n<div class=\"eb-gallery-menu-item\" data-id=\"g01086254930201993\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"eb-gallery-menu-item active\" data-id=\"g036006942683056486\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Tamires iniciou a transi\u00e7\u00e3o aos 14 anos, e para ajudar nesse percurso come\u00e7ou fazendo tran\u00e7as, para sentir aos poucos como esse processo funcionava. Mas apesar de ter dado esse grande passo, as incertezas e receios a intrigava muito por n\u00e3o saber se iria conseguir manter, chegar at\u00e9 o final e principalmente, se aceitar e se amar como \u00e9.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que minha sa\u00fade mental foi afetada um pouco, \u00e0s vezes consigo me aceitar, \u00e0s vezes n\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 por conta do meu cabelo, mas pelo meu f\u00edsico, meu jeito, do meu falar, do meu vestir. \u00c0s vezes me sinto muito insegura&#8221;, coloca Tamires.<\/p>\n<p>A jovem usou em quase todo o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, as tran\u00e7as conhecidas como box braids, para a auxiliar no processo. Mas al\u00e9m de tudo, para a esconder de poss\u00edveis coment\u00e1rios maldosos que normalmente circulam.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;O padr\u00e3o social me afeta muito. Por isso tenho as tran\u00e7as e eu n\u00e3o quero tirar, \u00e9 um escudo que uso para me proteger, fico pensando que se eu tirar as pessoas v\u00e3o voltar a me zoar e isso vai me dar v\u00e1rios gatilhos&#8221;<\/p>\n<p><cite>relata a jovem que h\u00e1 um ano passa&nbsp;por esse processo de transi\u00e7\u00e3o.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Tamires conta que apesar de ter sido e continuar sendo dif\u00edcil todo esse caminho percorrido em busca de aceita\u00e7\u00e3o e desenvolvimento pessoal, se conhecer e ter consci\u00eancia de sua identidade \u00e9 totalmente crucial e libertador.<\/p>\n<p>&#8220;A import\u00e2ncia da transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 uma quest\u00e3o de melhorar minha autoestima, mas de mostrar quem eu sou, mostrar minhas ra\u00edzes, mostrar a minha identidade. Porque minha identidade \u00e9 o meu car\u00e1ter e tamb\u00e9m como as pessoas me veem&#8221;, conclui Tamires.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Entrevistamos tr\u00eas mulheres da regi\u00e3o sul de S\u00e3o Paulo, que trouxeram relatos sobre o processo da transi\u00e7\u00e3o capilar, e como, para al\u00e9m da quest\u00e3o est\u00e9tica, as mudan\u00e7as desse percurso impactaram sua sa\u00fade mental, autoestima e conv\u00edvio social. Caroline Meneses de 21 anos e moradora do Cidade Ipava. 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