
{"id":1973,"date":"2021-10-18T16:40:50","date_gmt":"2021-10-18T19:40:50","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/10\/18\/tenho-dificuldade-para-me-virar-no-onibus-cheio-diz-estudante-com-paralisia-cerebral-da-cidade-ipava\/"},"modified":"2024-06-29T21:06:31","modified_gmt":"2024-06-30T00:06:31","slug":"tenho-dificuldade-para-me-virar-no-onibus-cheio-diz-estudante-com-paralisia-cerebral-da-cidade-ipava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/series\/tenho-dificuldade-para-me-virar-no-onibus-cheio-diz-estudante-com-paralisia-cerebral-da-cidade-ipava\/","title":{"rendered":"\u201cTenho dificuldade para me virar no \u00f4nibus cheio\u201d, diz estudante com paralisia cerebral da Cidade Ipava"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Quais s\u00e3o as barreiras impostas pelo transporte p\u00fablico no cotidiano de uma estudante da quebrada para se deslocar at\u00e9 a escola? Conhe\u00e7a essa hist\u00f3ria na primeira entrevista da s\u00e9rie Barreiras da Acessibilidade do Desenrola. &nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Na pesquisa Viver Em S\u00e3o Paulo com o tema &#8216;Pessoas com Defici\u00eancia&#8217; publicada em 2019 pela Rede Nossa S\u00e3o Paulo, um diagnostico chamou a aten\u00e7\u00e3o da sociedade civil e de gestores p\u00fablicos: aumentou o n\u00famero de paulistanos que percebem pessoas com defici\u00eancia utilizando o transporte p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p>Neste contexto, entrevistamos a estudante Karen Carneiro, 17, moradora da Cidade Ipava, bairro do Jardim \u00c2ngela, zona sul de S\u00e3o Paulo, para ela relatar como o uso de transporte p\u00fablico faz parte do seu cotidiano. Ela depende do \u00f4nibus para ir e voltar da Escola Estadual Professor Alberto Conte, localizada em Santo Amaro, onde est\u00e1 cursando o segundo ano do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;A paralisia afeta principalmente o lado esquerdo do meu corpo&#8221;<\/p>\n<p><cite>Karen Carneiro \u00e9 moradora da Cidade Ipava, bairro localizado no distrito do Jardim \u00c2ngela, zona sul de S\u00e3o Paulo.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Desde que nasceu, Karen \u00e9 portadora de paralisia cerebral com diparesia. &#8220;A paralisia afeta principalmente o lado esquerdo do meu corpo e essa paralisia ocorreu por causa da falta de oxig\u00eanio na hora do parto&#8221;, explica a jovem que nasceu de parto prematuro.<\/span><\/p>\n<p>A paralisia cerebral diparesia consiste em sequelas que promovem altera\u00e7\u00f5es do t\u00f4nus muscular e dist\u00farbios motores que geram dificuldade de equil\u00edbrio e locomo\u00e7\u00e3o. Essas sequelas atingem principalmente membros inferiores do corpo humano, como a cintura p\u00e9lvica, coxa, joelho, canela, panturrilha e os p\u00e9s.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/960\/Foto-de-Capa_entrevista-Karen-Carneiro.png\" title=\"Karen sofre para se locomover at\u00e9 a escola pegando \u00f4nibus cheios e com pouco espa\u00e7o para se segurar. (Foto: Flavia Santos)\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/960\/Foto-de-Capa_entrevista-Karen-Carneiro.png\" title=\"Karen sofre para se locomover at\u00e9 a escola pegando \u00f4nibus cheios e com pouco espa\u00e7o para se segurar. (Foto: Flavia Santos)\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/960\/Foto-de-Capa_entrevista-Karen-Carneiro.png\" title=\"Karen sofre para se locomover at\u00e9 a escola pegando \u00f4nibus cheios e com pouco espa\u00e7o para se segurar. (Foto: Flavia Santos)\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/b2ap3_large_Foto-de-Capa_entrevista-Karen-Carneiro.png\" alt=\"Karen sofre para se locomover at\u00e9 a escola pegando \u00f4nibus cheios e com pouco espa\u00e7o para se segurar. (Foto: Flavia Santos)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Karen sofre para se locomover at\u00e9 a escola pegando \u00f4nibus cheios e com pouco espa\u00e7o para se segurar. (Foto: Flavia Santos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n\t<b style=\"color: inherit; text-align: inherit;\">Trajeto de \u00f4nibus at\u00e9 a escola<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Sempre que ela faz o trajeto da sua casa na Cidade Ipava at\u00e9 a escola em Santo Amaro, a estudante percorre cerca de 30 quil\u00f4metros, para ir e volta da escola. Como ela n\u00e3o usa um servi\u00e7o privado ou p\u00fablico para pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica, o transporte p\u00fablico \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o de mobilidade mais acess\u00edvel para se chegar at\u00e9 o seu destino.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;No meu trajeto logo que saio de casa para pegar o \u00f4nibus eu enfrento um pouco de dificuldade para se virar no \u00f4nibus cheio com a mochila, porque o equil\u00edbrio \u00e9 um pouco menor do que o de pessoas sem algum tipo de defici\u00eancia ou mobilidade reduzida&#8221;, relata a estudante sobre a sua rotina dentro do coletivo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Ainda encontro cal\u00e7adas altas e baixas e outros desn\u00edveis e irregularidades&#8221;<\/p>\n<p><cite>Karen Carneiro, 17, \u00e9 estudante do segundo ano do ensino m\u00e9dio na&nbsp;Escola Estadual Professor Alberto Conte.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>As barreiras que interferem na acessibilidade da jovem at\u00e9 a escola n\u00e3o param por a\u00ed, pois ap\u00f3s descer do \u00f4nibus, ela conta que o caminho at\u00e9 a escola revela novos desafios. &#8220;Logo quando chego pr\u00f3ximo a escola tenho menor dificuldade, mas ainda encontro com cal\u00e7adas altas e baixas e outros desn\u00edveis e irregularidades.&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m do transporte p\u00fablico e das cal\u00e7adas desniveladas apresentarem uma s\u00e9rie de barreiras, Karen diz que na escola em que estuda n\u00e3o h\u00e1 recursos e estruturas necess\u00e1rias para alunos portadores de defici\u00eancia, e agora que as aulas voltaram para o modo presencial, essa perspectiva ficou ainda mais evidente, pois para ela, mesmo tratando-se de uma escola antiga e tradicional na regi\u00e3o de Santo Amaro, a adapta\u00e7\u00e3o para outros alunos seria de grande valia.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n\t<b style=\"color: inherit; text-align: inherit;\">Pandemia e futuro<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Mesmo enfrentando essas barreiras de acessibilidade, a estudante se descreve como uma jovem t\u00edmida, indecisa e caseira, mas que possui muitos sonhos e metas, refor\u00e7ando que a sua defici\u00eancia f\u00edsica n\u00e3o a impede de circular a cidade e viver experi\u00eancias de vida que fa\u00e7am sentido para a vida dela.<\/p>\n<p>Desta forma, Karen segue em busca de realizar seus sonhos e metas pessoais, o que gera combust\u00edvel para continuar seguindo em frente. &#8220;O meu sonho atualmente \u00e9 terminar o ensino m\u00e9dio e entrar numa universidade federal, mas ainda estou pensando o que vou cursar e depois pensar em constituir uma fam\u00edlia&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><span>Ficar&nbsp;isolada em casa com seus familiares durante quase dois anos, no per\u00edodo&nbsp;da pandemia,&nbsp;deu origem a cria\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos saud\u00e1veis e de cuidados pessoais importantes para o bem-estar de Karen. &#8220;Por conta da paralisia, a pandemia me fez come\u00e7ar a fazer atividades f\u00edsicas que \u00e9 algo importante&#8221;, conta a estudante.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Hoje eu entendo que sou como qualquer pessoa, capaz de fazer qualquer coisa&#8221;<\/p>\n<p><cite>Karen Carneiro tem paralisia cerebral que atinge principalmente o lado esquerdo do seu corpo.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Al\u00e9m da sa\u00fade f\u00edsica, a moradora da Cidade Ipava tamb\u00e9m passou a cuidar da sa\u00fade mental. &#8220;Tive ajuda de um psic\u00f3logo para eu entender como uma pessoa com paralisia \u00e9 uma pessoa normal como qualquer outra&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Ap\u00f3s relatar essa s\u00e9rie de experi\u00eancias&nbsp;para enfrentar as barreiras da acessibilidade que come\u00e7am na sua quebrada e se estendem por toda a cidade, Karen concluiu que tudo que aprendeu e exercitou durante esse per\u00edodo \u00e9 fruto do seu&nbsp;reconhecimento como pessoa, jovem, mulher e deficiente f\u00edsico da quebrada.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje eu entendo que sou como qualquer pessoa, capaz de fazer qualquer coisa e a import\u00e2ncia de fazer tudo no seu tempo, se demorar ou n\u00e3o, isso n\u00e3o impede de eu buscar e fazer o que quero&#8221;, finaliza.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quais s\u00e3o as barreiras impostas pelo transporte p\u00fablico no cotidiano de uma estudante da quebrada para se deslocar at\u00e9 a escola? 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Criado em 2013 pelo coletivo de comunica\u00e7\u00e3o Desenrola e N\u00e3o Me Enrola, a iniciativa usa ferramentas do jornalismo para o desenvolvimento do senso cr\u00edtico, a fim de estimular a compreens\u00e3o e o valor das rela\u00e7\u00f5es humanas em ambientes repletos de potencialidades em meio \u00e0s desigualdades sociais."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1973"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3146,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1973\/revisions\/3146"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1973"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}