
{"id":1775,"date":"2021-08-20T12:33:06","date_gmt":"2021-08-20T15:33:06","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/08\/20\/meninas-das-quebradas-desafiam-papeis-de-genero-em-jogos-online\/"},"modified":"2024-06-29T21:07:08","modified_gmt":"2024-06-30T00:07:08","slug":"meninas-das-quebradas-desafiam-papeis-de-genero-em-jogos-online","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/quebrada-tech\/meninas-das-quebradas-desafiam-papeis-de-genero-em-jogos-online\/","title":{"rendered":"Meninas enfrentam machismo em jogos online com cria\u00e7\u00e3o de comunidades virtuais"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Com suas habilidades de comunica\u00e7\u00e3o e t\u00e9cnicas de jogo, as jogadoras criam uma comunidade virtual mais receptiva para outras meninas que passam por ataques machistas durante os jogos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Ana Luiza \u00e9 uma dessas jovens que est\u00e3o criando comunidades virtuais para combater o machismo durante partidas de&nbsp;Free Fire (Foto: Thais Siqueira)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ana Luiza, 13, moradora do Parque America, no Graja\u00fa, regi\u00e3o sul de S\u00e3o Paulo, \u00e9 um exemplo das pr\u00e9-adolescentes que est\u00e3o sempre antenadas com as novas tend\u00eancias digitais de entretenimento. Uma de suas recentes descobertas s\u00e3o os jogos online, mais especificamente o jogo de a\u00e7\u00e3o e aventura do g\u00eanero Battle Royale, g\u00eanero de jogo que envolve estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia e combate entre v\u00e1rios jogadores.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;A primeira vez que eu joguei um jogo online foi o Among Us, que ele tava bem famoso na \u00e9poca, a\u00ed s\u00f3 depois veio o Free Fire&#8221;, conta Ana Luiza que acessa esse universo digital gamer pelo celular. Ela complementa dizendo que os jogos s\u00e3o um dos seus principais passatempo:&#8221;Eu gosto bastante de jogar free fire, quando eu n\u00e3o tenho nada pra fazer e eu to entediada&#8221;.<\/p>\n<p>Uma das suas influ\u00eancias para come\u00e7ar a jogar free fire foram seus amigos de escola: &#8220;Eu comecei jogar free fire, por conta que, na escola, meus amigos falavam muito desse jogo, falavam que era muito bom, ai eu entrava na internet e falava muito desse jogo, e as pessoas ficavam loucas nesse jogo, ai um certo dia pensei, &#8216;porque n\u00e3o jogar?&#8217;, a\u00ed eu instalei e comecei jogar&#8221;, relata Ana.<\/p>\n<p>Ana conta que recebeu cr\u00edticas no in\u00edcio por n\u00e3o dominar muito as jogadas. &#8220;Maior dificuldade no in\u00edcio \u00e9 de que voc\u00ea era muito julgada de n\u00e3o conseguir jogar direito, por causa da Skin do jogo, que s\u00e3o as roupas que seu personagem usa, por voc\u00ea n\u00e3o ter diamante, essas coisas, essa foi a maior dificuldade&#8221;, compartilha a jovem.<\/p>\n<p>Para conseguir desenvolver suas habilidades no jogo, ela procurou refer\u00eancias assistindo outras mulheres jogando &#8220;porque elas tem um jeito melhor de explicar&#8221;, afirma Ana Luiza.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Esse processo de aprendizagem foi bem dif\u00edcil, porque eu fui julgada por amigos e aleat\u00f3rios, que hoje j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais meus amigos, eu fui assistindo v\u00eddeos de pessoas que jogam free fire, eu fui treinando, porque tem l\u00e1 o modo de treinamento, e acabou que deu tudo certo e hoje eu sou boa&#8221;, conta.<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ana Luiza conta que nota um aumento significativo de meninas durante as batalhas virtuais. &#8220;Eu vejo bastante meninas jogando, tem muito mais meninas jogando agora do que no in\u00edcio, no in\u00edcio tinha pouqu\u00edssimas, hoje j\u00e1 tem muitas&#8221;, afirma.<\/span><\/p>\n<p>Ela diz que mesmo com o aumento de meninas nos jogos, ainda recebem repress\u00e3o de outros garotos pelo seu g\u00eanero, principalmente quando come\u00e7am a ligar o microfone e falar durante as partidas.<\/p>\n<p>&#8220;Direto eu fico ouvindo essas coisas, n\u00e3o aconteceu comigo ainda, mas com algumas amigas minhas, e eu j\u00e1 vi tamb\u00e9m. Tem meninos que acham que as meninas n\u00e3o podem jogar, ficam falando pra elas que elas tem que lavar uma lou\u00e7a, varrer um ch\u00e3o, limpar uma casa que esse jogo n\u00e3o \u00e9 pra menina&#8221;, conta Ana.<\/p>\n<p>&#8220;Se isso acontecesse comigo iria ficar sem entender, pra ser sincera, eu sou meio sem paci\u00eancia quando essas coisas acontecem, ent\u00e3o eu iria discutir, at\u00e9 a pessoa ficar quieta na dele, entendeu&#8221;, relata Ana contando como reagiria diante de situa\u00e7\u00f5es de machismo que v\u00ea amigas passando durante as batalhas virtuais.<\/p>\n<p>Ela ainda conta que sua melhor resposta \u00e9 &#8220;chamando para uma x1&#8221;, que no mundo gamer significa chamar para uma partida, e ganhando do advers\u00e1rio. &#8220;Eu iria responder numa partida, porque tem uns que que se acham melhor que os outros, fica chamando os outros de boot, ent\u00e3o eu ia responder chamando ele pro x1, pra mim poder ganhar, obviamente&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>Incentivando outras meninas no universo gamer<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>A&nbsp; jovem j\u00e1 entende que uma das quest\u00f5es para essas situa\u00e7\u00f5es de machismo acontecerem \u00e9 pela falta de representatividade de meninas no universo gamer, principalmente<\/span><\/p>\n<p>meninas negras e perif\u00e9ricas, que n\u00e3o tem oportunidade de acessar essa cultura.<\/p>\n<p>&#8220;Eu to querendo inclusive at\u00e9 come\u00e7ar um canal, pra poder mostrar eu jogando e quem sabe eu possa participar de torneio essas coisas&#8221;, conta Ana Luiza, que afirma tamb\u00e9m que sua principal motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 inspirar outras meninas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&#8220;Eu iria me sentir muito feliz, porque eu iria v\u00ea que eu estaria inspirando outras meninas a fazerem isso, a se mostrar&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ela reflete sobre as diferen\u00e7as que encontraria caso ingresse nesse cen\u00e1rio, que seria diferente de outras streamers que est\u00e3o em alta nas redes atualmente. &#8220;O que seria diferente se eu tivesse um canal seria a qualidade de c\u00e2mera, seria a cor da minha pele, seria o cen\u00e1rio, porque \u00e9 bem diferente, seria diferente tamb\u00e9m porque eu n\u00e3o tenho um pc pr\u00f3prio pra jogar, mas d\u00e1 pra jogar pelo celular, gravar a tela&#8221;, reflete Ana Luiza.<\/span><\/p>\n<p>Uma das coisas que a jogadora mais se diverte \u00e9 montando seu personagem, criando uma nova realidade no mundo virtual, colocando elementos da sua vida pessoal.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tamb\u00e9m gosto de colocar muito a realidade nos personagens, ela tem um pinguim, mas tem outros pets tamb\u00e9m que eu tenho. Agora que eu coloquei essa roupa, eu n\u00e3o pensei em nada tamb\u00e9m, eu s\u00f3 quis combinar look, mas geralmente eu coloco um cabelo black cacheado que eu tenho, eu coloco uma roupa assim, mas boa sabe, eu gosto de mostrar um pouco da realidade assim que eu vivo&#8221;, compartilha a jovem dizendo que reproduziria as vestimentas de sua personagem na sua realidade fora das telas<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/b2ap3_large_download-1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Personagem da Ana Luiza no Free Fire (Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o)<br \/>\n<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Outra jovem que se diverte no universo gamer \u00e9 Kauane Vit\u00f3ria, 12, moradora da Vila Rubi, na Cidade Dutra, zona sul de S\u00e3o Paulo. Ela joga free fire h\u00e1 muito tempo, tanto que nem lembra exatamente como come\u00e7ou, mas afirma que j\u00e1 \u00e9 muito boa.<\/span><\/p>\n<p>Ela conta que costuma jogar mais com meninos porque eles falam mais: &#8220;Jogo sim com microfone ligado direto pra mim tentar fazer amizade nova, jogo faz tempo, eu n\u00e3o tenho muito amiga menina, tenho mais menino, porque menino fala, menina n\u00e3o fala muito&#8221;, relata Kauane.<\/p>\n<p>Ainda assim, a jovem relembra uma situa\u00e7\u00e3o de machismo que enfrentou: &#8220;Eu tava numa partida jogando, nao sei o que aconteceu, que eu s\u00f3 morria, tipo assim, tem vez que eu to boa, tem vez que t\u00f4 fraca, tem vez que to mais ou menos, os meninos falaram assim, &#8216;vai lavar a lou\u00e7a, vai dobrar a roupa, vai lavar roupa, aqui n\u00e3o \u00e9 seu lugar de menina&#8217; e ficaram fazendo bullying&#8221;, afirma Kauane.<\/p>\n<p>Ela conta que mesmo quando encontra meninas nas partidas, diz n\u00e3o se identificar tanto com elas.&#8221;Sinto sim muita falta de ter mais meninas, mas quando encontro meninas, as meninas s\u00e3o tudo metida&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Eu acho assim, se as meninas n\u00e3o falarem mais no free fire, os meninos t\u00eam mais possibilidade de ganhar sim&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Para conseguir falar mais e em mais espa\u00e7os virtuais, a jovem fez um canal no Youtube e est\u00e1 esperando bater mil inscritos para come\u00e7ar a fazer lives e v\u00eddeos jogando. &#8220;Eu mesma que edito, eu mesma fa\u00e7o meus v\u00eddeos, eu mesma fa\u00e7o tudo, capa, tudo \u00e9 eu que fa\u00e7o mesmo&#8221;, conta a jovem.<\/span><\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m afirma que seu processo de aprendizagem acontece de forma intuitiva com as ferramentas de edi\u00e7\u00e3o. &#8220;Eu n\u00e3o vi nenhum tutorial, ningu\u00e9m me falou nada, eu baixei o aplicativo e fui tentando l\u00e1, fui tentando \u00e9 consegui&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A jovem conta que a falta de equipamento a impede de seguir produzindo conte\u00fados mais focados em jogos para seu canal. &#8220;Se eu postasse v\u00eddeo assim no meu canal, eu ia fazer live jogando, por isso eu quero dois celulares, porque to esperando ter outro celular pra fazer essas coisas assim, eu gostaria de fazer live ou ent\u00e3o gravar um v\u00eddeo&#8221;, finaliza.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com suas habilidades de comunica\u00e7\u00e3o e t\u00e9cnicas de jogo, as jogadoras criam uma comunidade virtual mais receptiva para outras meninas que passam por ataques machistas durante os jogos. 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Em 2018, ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Atrav\u00e9s da escrita e da escuta ativa, ela pauta a tecnologia contando a hist\u00f3rias de moradores e projetos das periferias e favelas, para transformar seu imagin\u00e1rio sobre a quebrada."},{"term_id":73,"user_id":7,"is_guest":0,"slug":"ronaldo-comunicacaogmail-com","display_name":"Ronaldo Matos","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d5c023cdb350cc81d5a42963af328e5ef634d2fff49293bcebb933eaf78d5961?s=96&d=mm&r=g","first_name":"Ronaldo","last_name":"Matos","user_url":"http:\/\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ronaldo.matosilva\"><i><\/i> \/ronaldo.matosilva<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ronaldomatosjor\/\"><i> <\/i> @ronaldomatosjor<\/a>\r\nApreciador do direito de imaginar, criar, pesquisar e refletir, Ronaldo Matos \u00e9 jornalista e educador. Ele \u00e9 co-fundador e editor do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Influenciado pela cultura Hip Hop e a Filosofia, o morador do Jardim \u00c2ngela vive a quebrada como uma plataforma urbana de conhecimento, para compreender e questionar o que \u00e9 periferia. Em busca da sua ancestralidade, uma de suas principais paix\u00f5es \u00e9 promover interc\u00e2mbios pol\u00edticos e culturais com comunidades tradicionais."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1775","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1775"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1775\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3670,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1775\/revisions\/3670"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1773"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1775"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}