
{"id":1772,"date":"2021-08-30T15:53:37","date_gmt":"2021-08-30T18:53:37","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/08\/30\/a-arte-me-salva-afirma-nayara-de-souza-mulher-lesbica-e-moradora-da-zona-leste\/"},"modified":"2024-06-29T21:07:02","modified_gmt":"2024-06-30T00:07:02","slug":"a-arte-me-salva-afirma-nayara-de-souza-mulher-lesbica-e-moradora-da-zona-leste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/series\/a-arte-me-salva-afirma-nayara-de-souza-mulher-lesbica-e-moradora-da-zona-leste\/","title":{"rendered":"\u201cA arte me salva\u201d, afirma Nayara, mulher, l\u00e9sbica e moradora da zona leste"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Na s\u00e9rie Relatos LGBTQIA +, Nayara de Souza&nbsp;conta como seu envolvimento com a arte mudou suas experi\u00eancias enquanto mulher, l\u00e9sbica e moradora da quebrada e como sua rela\u00e7\u00e3o com a igreja influenciou na aceita\u00e7\u00e3o de sua sexualidade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>&#8220;Sou sonhadora, gosto de viver os dias intensamente realizando tudo aquilo que est\u00e1 ao meu alcance&#8221;, essa \u00e9 uma das formas que Nayara&nbsp;de Souza, 24, se apresenta. Nayara \u00e9 moradora do Parque S\u00e3o Rafael, na zona leste da cidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 turism\u00f3loga, atualmente em um hotel, e se identifica como uma mulher l\u00e9sbica.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Amo a arte, tento me manter sempre estudando dan\u00e7a e arte circense. Estou me jogando no mundo do pole dance tamb\u00e9m e quero continuar desafiando meu corpo e fazer dele meu templo. Eu amo viajar, estar com amigas, ouvir m\u00fasica al\u00e9m de manter uma vida ativa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Atualmente Nayara mora com o pai na zona leste de S\u00e3o Paulo, mas conta que nasceu em Santo Andr\u00e9 e que seu pai veio de Formosa Oeste e sua m\u00e3e de Londrina, buscando outras possibilidades de vida.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sou a filha ca\u00e7ula, meu irm\u00e3o do meio morreu e minha irm\u00e3 mais velha (por parte de m\u00e3e, que foi criada pelo meu pai e n\u00e3o pelo pai dela) mora no quintal da minha av\u00f3 materna, por isso, meu pai me mima bastante&#8221;, compartilha Nayara.<\/p>\n<p>A turism\u00f3loga relembra como foram suas primeiras percep\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o a sua sexualidade e como a igreja atravessou esse processo. &#8220;Eu n\u00e3o entendia sobre ser homossexual, eu nasci e cresci na igreja, fui doutrinada em padr\u00f5es religiosos, imposi\u00e7\u00f5es r\u00edgidas de g\u00eanero, heteronormatividade, machismo estruturado, etc. Eu s\u00f3 conhecia uma realidade para a minha vida e acreditava que deveria seguir ela&#8221;, conta.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/b2ap3_medium_IMG-20210503-WA0002.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>(Foto: Nayara de Souza) da avenida Sapopemba, zona leste<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Eu apresentei algumas atitudes homoafetivas, a mais antiga que me recordo foi aos 13 anos, quando dei meu primeiro beijo e foi com menina, e me recordo de s\u00f3 gostar de homens porque eu fui imposta a gostar e n\u00e3o tinha nada que fazia isso parecer real.&#8221;<\/p>\n<p><cite>Nayara de Souza<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ela conta que come\u00e7ou a se questionar sobre sua sexualidade aos 15 anos, quando come\u00e7ou a sentir atra\u00e7\u00e3o por mulheres.<\/p>\n<p>&#8220;Uma hist\u00f3ria que marca minha vida foi quando eu estava em uma encontro religioso e tinha uma menina l\u00e1, por\u00e9m, eu achava que era um menino, quando eu vi ela pela primeira vez eu falei para a minha irm\u00e3: &#8216;que menino lindo&#8217; e ela me respondeu que achava que era uma menina l\u00e1 da igreja, por fim, descobri que era uma menina l\u00e9sbica e eu fiz amizade com ela na \u00e9poca&#8221;, relembra.<\/p>\n<p><span>A moradora da zona leste conta que depois que se apaixonou por uma menina, percebeu que realmente gostava de mulheres e come\u00e7ou a se questionar mais sobre o tema. &#8220;Ainda com 15 anos me apaixonei por uma menina, ela j\u00e1 se reconhecia como l\u00e9sbica, mas n\u00e3o aceitava por causa da igreja. Eu &#8216;namorava&#8217; um garoto mais velho que eu n\u00e3o gostava, hoje eu entendo que eu queria agradar minha fam\u00edlia&#8221;, reflete.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Foi depois disso que eu comecei reconstruir minha vida como uma mulher l\u00e9sbica.&#8221;<\/p>\n<p><cite>Nayara de Souza<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/b2ap3_medium_PSX_20210525_180045.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Foto de Mayara de Souza, moradora do Parque S\u00e3o Rafael<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&nbsp;<span>Nayara, refor\u00e7a que passou por momentos dif\u00edceis dentro desse processo de descoberta, e que at\u00e9 os 18 anos tentava de todas as formas se &#8220;libertar&#8221;. Constantemente buscava representatividade em filmes e s\u00e9ries, mas sempre tinha um final tr\u00e1gico.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Eu tive um relacionamento bem abusivo com uma menina tamb\u00e9m, mas eu continuei seguindo minha vida. Aos 21 anos eu tive depress\u00e3o, porque eu n\u00e3o me aceitava devido a doutrina\u00e7\u00e3o religiosa e tudo que eu havia passado, minha fam\u00edlia n\u00e3o me aceitava, eu sofri agress\u00e3o verbal e eu sabia que tamb\u00e9m n\u00e3o era aceita na sociedade&#8221;, afirma Nayara que depois desses processos come\u00e7ou a reconstruir sua vida como uma mulher l\u00e9sbica.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o foi f\u00e1cil, eu fui julgada, ouvi muitas coisas cru\u00e9is e s\u00f3 quando eu tive depress\u00e3o e quis tirar minha pr\u00f3pria vida as coisas come\u00e7aram a melhorar, eu tive apoio familiar e parei de ter tanta agress\u00e3o verbal, al\u00e9m de que eu fui me reconstruindo e deixando de me afetar por isso. Hoje eu me sinto \u00e0 vontade dentro de casa e falo abertamente sobre minha sexualidade sem me importar&#8221;, diz Nayara.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Ser uma mulher l\u00e9sbica \u00e9 saber que n\u00e3o estarei segura e que as pessoas simplesmente aturam mas n\u00e3o aceitam, algumas respeitam, mas n\u00e3o entendem e que eu estou aqui por mim, apenas por mim e por quem representa a mesma luta.&#8221;<\/p>\n<p><cite>Nayara de Souza<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>A arte como instrumento de sobreviv\u00eancia<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Para Nayara, a arte reflete sobre quem ela \u00e9, que foi e continua sendo salva e fortalecida pela arte. &#8220;A arte fortalece quem eu sou por completo, quando eu estou dan\u00e7ando ou performando na lira, no trap\u00e9zio no tecido acrob\u00e1tico ou no pole dance, eu sinto que sou livre, que posso ser eu mesma, que posso me doar por completo e que estou segura, al\u00e9m de que \u00e9 um ref\u00fagio das minha frustra\u00e7\u00f5es, dos meus medos, da minha ansiedade e depress\u00e3o&#8221;, afirma.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;A arte me salvou, a arte me salva!&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Durante a pandemia, precisou mudar sua rotina, o que significou ficar distante das aulas, do circo e de outras atividades que a energizam.<\/p>\n<p><span>&#8220;A pandemia trouxe a minha segunda crise de depress\u00e3o, eu perdi tudo que me fazia bem, meu trabalho, minhas aulas, a dan\u00e7a, o circo, minha rotina. Eu tive mais tempo comigo mesma, eu tive que encarar meus medos, minhas frustra\u00e7\u00f5es, meus traumas, eu tive tempo de encarar coisas que eu odiava em mim, eu passava horas me olhando no espelho e odiando o que eu via&#8221;, compartilha.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;A pandemia me fez refletir sobre toda a minha vida e tudo o que essa estrutura machista, patriarcal da sociedade fez eu vivenciar. Eu questionei muito sobre minha sexualidade e sobre a imposi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Nayara segue se descobrindo e diariamente identificando o que a faz bem ou mal. &#8220;No momento as coisas est\u00e3o se ajeitando, foi muito dif\u00edcil para mim, hoje em dia o que est\u00e1 sendo mais dif\u00edcil de lidar \u00e9 com o emocional, tive muitas crises existenciais e baixa autoestima. Por muito tempo fiquei sem minhas rotas de ref\u00fagio e tive que bater de frente com tudo que me fez e me faz mal&#8221;, finaliza.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na s\u00e9rie Relatos LGBTQIA +, Nayara de Souza&nbsp;conta como seu envolvimento com a arte mudou suas experi\u00eancias enquanto mulher, l\u00e9sbica e moradora da quebrada e como sua rela\u00e7\u00e3o com a igreja influenciou na aceita\u00e7\u00e3o de sua sexualidade. &#8220;Sou sonhadora, gosto de viver os dias intensamente realizando tudo aquilo que est\u00e1 ao meu alcance&#8221;, essa \u00e9 [&hellip;]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":1769,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[301,302,111,48,214,299,49,300],"ppma_author":[77],"class_list":["post-1772","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-series","tag-artesalva","tag-descobrimento","tag-direitos-lgbtqia","tag-especial","tag-pandemia-de-covid-19","tag-relatoslgbtqai","tag-territorio-da-noticia","tag-territoriolgbtqai"],"acf":[],"authors":[{"term_id":77,"user_id":6,"is_guest":0,"slug":"vitoria-reporterpoliticagmail-com","display_name":"Vit\u00f3ria Guilhermina","avatar_url":{"url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Foto-Vitoria.jpeg","url2x":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Foto-Vitoria.jpeg"},"first_name":"Vit\u00f3ria","last_name":"Guilhermina","user_url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/xxvitoriaalves\"><i><\/i> \/xxvitoriaalves<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_vitoriaae\/\"><i> <\/i> @_vitoriaae<\/a>\r\nMoradora do Rio Pequeno, zona oeste de S\u00e3o Paulo, Vit\u00f3ria Guilhermina, 20, \u00e9 formada em Orienta\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria pela Etec CEPAM. Em 2018 ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Ela atua em seu territ\u00f3rio com projetos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como o Cursinho Livre Cl\u00e1udia Silva Ferreira. Por meio da escrita, ela est\u00e1 aprendendo a ser cientista social fazendo jornalismo de quebrada."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1772"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1772\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3081,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1772\/revisions\/3081"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1772"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}