
{"id":1765,"date":"2021-08-17T14:42:16","date_gmt":"2021-08-17T17:42:16","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/08\/17\/o-acesso-ao-celular-precisa-virar-politica-publica\/"},"modified":"2024-06-29T21:07:10","modified_gmt":"2024-06-30T00:07:10","slug":"o-acesso-ao-celular-precisa-virar-politica-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/colunas\/o-acesso-ao-celular-precisa-virar-politica-publica\/","title":{"rendered":"O acesso ao celular precisa virar pol\u00edtica p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Nesse tempo hist\u00f3rico, o acesso ao celular n\u00e3o pode definir quem vive e quem morre. Quem acessa servi\u00e7os p\u00fablicos ou quem \u00e9 exclu\u00eddo por eles.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/909\/coluna-ronaldo.jpg\" title=\"Estudante do Cursinho Popular Ubuntu\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/909\/coluna-ronaldo.jpg\" title=\"Estudante do Cursinho Popular Ubuntu\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/909\/coluna-ronaldo.jpg\" title=\"Estudante do Cursinho Popular Ubuntu\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Estudante do Cursinho Popular Ubuntu<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Estudantes de escolas p\u00fablicas n\u00e3o conseguem acessar o ambiente de ensino remoto, m\u00e3es chefes de fam\u00edlia dividem o celular com filhos entre trabalho, estudos e entretenimento, bancos e casas lot\u00e9ricas registram diariamente uma s\u00e9rie de aglomera\u00e7\u00f5es formadas por moradores das periferias e favelas que n\u00e3o conseguem pagar suas contas, por meio de plataformas digitais ou receber o pagamento de benef\u00edcios sociais do governo.<\/span><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o cen\u00e1rio de milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras que em sua maioria d\u00e3o forma a est\u00e9tica cultural, social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica do cotidiano de territ\u00f3rios perif\u00e9ricos espalhados por todo o Brasil.<\/p>\n<p>Desempregados, atuando no mercado de trabalho informal, dependentes de recursos governamentais para garantir a alimenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na mesa ou totalmente exclu\u00eddos de qualquer forma de gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda. Essas s\u00e3o caracter\u00edsticas macroecon\u00f4micas que definem a cara dessa popula\u00e7\u00e3o brasileira que tem se tornado alvo da desigualdade digital.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os cen\u00e1rios que apontam o celular como um divisor de \u00e1guas na vida de milh\u00f5es de brasileiros. O impacto \u00e9 ainda mais profundo na vida da popula\u00e7\u00e3o preta, pobre e perif\u00e9rica, moradora de territ\u00f3rios onde o acesso a internet ainda \u00e9 um gargalo estruturante para se conectar com o mundo digital.<\/p>\n<p>Produzida pelo IBGE e divulgada no in\u00edcio da 2020, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua &#8211; Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (PNAD Cont\u00ednua TIC), apontou que a cada quatro brasileiros que t\u00eam acesso \u00e0 internet, tr\u00eas usam o celular como principal aparelho para acessar a web.<\/p>\n<p>Num contexto regional, a pesquisa TIC Domic\u00edlios 2019 publicada em 2020 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o (Cetic.br) mostrou que as fam\u00edlias que moram em \u00e1reas de maior vulnerabilidade social na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo usam o celular como principal ferramenta de conex\u00e3o com a internet.<\/p>\n<p>Na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, 61% dos usu\u00e1rios residentes em \u00e1reas de baixa vulnerabilidade acessam a internet, por meio de celulares e computadores, j\u00e1 nas regi\u00f5es com alta taxa de vulnerabilidade social, 70% dos entrevistados usam exclusivamente o celular como interface de acesso \u00e0 rede.<\/p>\n<p>Desde a chegada da pandemia de covid-19 no Brasil, j\u00e1 se passaram 16 meses, e esse cen\u00e1rio apontado nessas pesquisas que antecedem o per\u00edodo pand\u00eamico, marcado pelas medidas sanit\u00e1rias de isolamento social, crescimento de crises pol\u00edticas e econ\u00f4micas, provavelmente se intensificou, gerando novos danos severos, n\u00e3o somente ao direito da inclus\u00e3o digital, mas sim, o direito \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Em alguns contextos bem pontuais, aplica\u00e7\u00f5es m\u00f3veis que visam o impacto social em massa da popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o cada vez mais levando em considera\u00e7\u00e3o o baixo consumo de mem\u00f3ria e de pacote de dados dos aparelhos, ampliando desta forma o n\u00famero de pessoas beneficiadas por esse tipo de configura\u00e7\u00e3o em seus smartphones.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 preciso se ater ao contexto da fome, das situa\u00e7\u00f5es de extrema pobreza que afetam os moradores das periferias e favelas. Como manter o uso de um celular de forma cont\u00ednua quando o arm\u00e1rio da cozinha n\u00e3o tem um saco de arroz ou de feij\u00e3o? Vender o celular na loja de assist\u00eancia t\u00e9cnica da quebrada para muitas pessoas \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e paliativa para conseguir uma quantia suficiente para comprar mantimentos para dois, tr\u00eas ou at\u00e9 mesmo um dia para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Por outro lado, ter um celular na pandemia significa tamb\u00e9m ter um meio de se comunicar com parentes, amigos, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, trabalho e a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias, respons\u00e1veis por garantir a sobreviv\u00eancia de muitos moradores das periferias e favelas nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Para participar de uma a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria \u00e9 necess\u00e1rio realizar um cadastro em n\u00facleos comunit\u00e1rios de doa\u00e7\u00f5es para garantir que cada morador ser\u00e1 comunicado sobre a data, local e hor\u00e1rio das doa\u00e7\u00f5es de alimentos, kit de higiene e marmitex.<\/p>\n<p>Mas como ser beneficiado por essas a\u00e7\u00f5es se muitas fam\u00edlias tiveram que desfazer dos seus celulares para comprar comida? Como os articuladores comunit\u00e1rios conseguem atingir os moradores que est\u00e3o incomunic\u00e1veis?<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um praticamente invis\u00edvel que passou desapercebido por governos e empresas durante todo o per\u00edodo de maior tens\u00e3o da pandemia de covid-19. As organiza\u00e7\u00f5es sociais, coletivos, movimentos sociais e l\u00edderes comunit\u00e1rios lidaram com essa situa\u00e7\u00e3o a todo instante e sentiram na pele o n\u00edvel da desigualdade digital nas periferias.<\/p>\n<p>O acesso ao celular n\u00e3o pode definir nesse tempo hist\u00f3rico quem vive e quem morre. Quem acessa servi\u00e7os p\u00fablicos ou quem \u00e9 exclu\u00eddo por eles, mas as pr\u00f3ximas pesquisas mostraram como isso aconteceu e poder\u00e1 continuar acontecendo, a menos que estudos demogr\u00e1ficos sejam colocados em pr\u00e1tica para embasar a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de Estado para reduzir os danos gerados pela pandemia.<\/p>\n<p>\u00c9 hora das Empresas e Governos escutarem a sociedade civil e repensar a sua maneira de fazer pol\u00edtica p\u00fablica. O futuro de milh\u00f5es de moradores das periferias e favelas, pessoas que constroem a hist\u00f3ria desse pa\u00eds depende dessa colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse tempo hist\u00f3rico, o acesso ao celular n\u00e3o pode definir quem vive e quem morre. Quem acessa servi\u00e7os p\u00fablicos ou quem \u00e9 exclu\u00eddo por eles. 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Ele \u00e9 co-fundador e editor do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Influenciado pela cultura Hip Hop e a Filosofia, o morador do Jardim \u00c2ngela vive a quebrada como uma plataforma urbana de conhecimento, para compreender e questionar o que \u00e9 periferia. Em busca da sua ancestralidade, uma de suas principais paix\u00f5es \u00e9 promover interc\u00e2mbios pol\u00edticos e culturais com comunidades tradicionais."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1765"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3716,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1765\/revisions\/3716"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1765"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}