
{"id":1670,"date":"2021-06-04T13:19:07","date_gmt":"2021-06-04T16:19:07","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/06\/04\/pretos-e-a-mais-valia-da-vida-quais-espacos-estao-prontos-para-nossa-presenca\/"},"modified":"2024-06-29T21:07:37","modified_gmt":"2024-06-30T00:07:37","slug":"pretos-e-a-mais-valia-da-vida-quais-espacos-estao-prontos-para-nossa-presenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/pretos-e-a-mais-valia-da-vida-quais-espacos-estao-prontos-para-nossa-presenca\/","title":{"rendered":"Pretos e a mais valia da vida: quais espa\u00e7os est\u00e3o prontos para nossa presen\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ricardo Lima, jovem negro estudante na USP, sofria com&nbsp;bullying e racismo de colegas, docentes e da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. Seus pedidos de ajuda foram ignorados e no dia do&nbsp;suic\u00eddio nenhuma a\u00e7\u00e3o foi realizada para evitar sua morte. No dia 28 de maio, seus amigos realizaram um ato na USP em sua homenagem e cobrando provid\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas de racismo institucional dentro da universidade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Ato em mem\u00f3ria de Ricardo Lima, v\u00edtima de bullying e racismo institucional e se suicidou no dia 25 de maio de 2021. Foto de Felipe Dowson.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ter\u00e7a-feira, 25 de maio de 2021, por volta do fim da tarde um estudante <strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">preto<\/strong> matriculado no curso de Geografia da USP morreu por suic\u00eddio dentro da resid\u00eancia estudantil daquela que ostenta o titulo de &#8220;maior Universidade da Am\u00e9rica Latina&#8221;. Ricardo Lima da Silva, era mais um estudante preto da Universidade de S\u00e3o Paulo, residia no Crusp, conjunto habitacional da Universidade localizado dentro do campus Butant\u00e3 (Cidade Universit\u00e1ria).<\/span><\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o que propicia uma situa\u00e7\u00e3o limite como essa se sustenta em viol\u00eancias cotidianas que corpos pretes sofrem diariamente: <strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">racismo e<\/strong> <strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">necropol\u00edtica<\/strong>.&nbsp;Dessa maneira, s\u00e3o negados direitos b\u00e1sicos, levando a autodeprecia\u00e7\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o e a vulnerabilidade social. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a popula\u00e7\u00e3o <strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">preta e jovem<\/strong> \u00e9 a que mais se suicida.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, divulgados em 2019, a cada 10 jovens que se suicidam, seis s\u00e3o pretos. \u00c9 importante salientar que esse \u00edndice vem crescendo ao longo dos \u00faltimos anos, enquanto que o suic\u00eddio entre pessoas brancas diminui.<\/p>\n<p>O que leva uma pessoa a ceifar a pr\u00f3pria vida se n\u00e3o um sofrimento e uma press\u00e3o impostas por uma sociedade doentia que mo\u00ed vidas humanas? E que vidas s\u00e3o essas que t\u00eam suas mortes espetacularizadas, omissas e &#8220;insignificantes&#8221; para essa troca de valores que perpetua a mais valia da vida? As vidas pretas aparentam obter o menor dos valores.&nbsp;<\/p>\n<p>Dos gatilhos que nos rodeiam diariamente, aprendemos desde cedo a nos podar, pisar em ovos e estar sempre atentos conosco e ainda com o nosso ao redor. Talvez seja esse nosso &#8220;defeito de cor&#8221;: ter que suportar demais, ter que seguir suportando sem nos rebelarmos, n\u00e3o somos ensinados a reagir ao oposto dos algozes que seguem ensinamentos da normalidade sobre atacar nossos corpos e hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/b2ap3_large_36737ca4-ccc5-4f6c-87e5-fe92efffb91c.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Foto de Felipe Dawson<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ou quem sabe nosso &#8220;defeito de cor&#8221; \u00e9 ser quem somos nessa estrutura racista.&nbsp;<\/p>\n<p>Me questiono o quanto Ricardo teve que suportar por ocupar um espa\u00e7o de direito &#8220;democr\u00e1tico&#8221;. Mas que nossa ocupa\u00e7\u00e3o, o simples fato, de ter ocupa\u00e7\u00e3o preta gera desconforto na estrutura social do pa\u00eds que foi erguido por m\u00e3os de trabalho escravo. O fardo de ser racializado se junta ao fardo de ter que ocupar lugares. E isso vai para al\u00e9m do discurso de empoderamento. \u00c9 sobre pararmos para avaliar quais os custos das nossas conquistas. Um t\u00edtulo acad\u00eamico n\u00e3o deveria custar a sa\u00fade mental e desconforto de ningu\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n<p>Estamos sempre no discurso de como popula\u00e7\u00e3o pobre e preta ter que ocupar e &#8220;ocupar&#8221; tudo e todos os espa\u00e7os, mas que tal agora pensamos em ferramentas que possibilitem a perman\u00eancia dos nossos nos espa\u00e7os que queremos representatividade. A &#8220;ocupa\u00e7\u00e3o&#8221; desses lugares e institui\u00e7\u00f5es sem o alicerce de pol\u00edticas de inclus\u00e3o e acesso (para al\u00e9m das cotas sociais), necessitamos de acolhimento, pertencimento, pois a &#8220;representatividade&#8221; de estar ocupando pode se tornar fardo ao nosso povo.<\/p>\n<p>O nosso &#8220;defeito de cor&#8221; nem ao menos \u00e9 nosso, \u00e9 do racista que n\u00e3o se enxerga dentro e como reprodutor na manuten\u00e7\u00e3o da estrutura.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o temos d\u00favida que houve pura neglig\u00eancia com o aluno Ricardo por parte da USP e suas entidades representantes. Mais do que isso, houve <strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">racismo institucional, bullying e omiss\u00e3o de ajuda<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como o Ricardo, todas as pessoas racializadas e pobres que passaram ou que est\u00e3o no meio acad\u00eamico, j\u00e1 se depararam com a maneira que o racismo estrutural \u00e9 perpetuado. Da burocracia \u00e0 omiss\u00e3o, somos diariamente alvos das mais variadas formas de viol\u00eancia dentro dos espa\u00e7os.&nbsp;<\/p>\n<p>O que nos choca \u00e9 um espa\u00e7o que se diz &#8220;intelectual e culto&#8221; n\u00e3o ser a maior e nem a melhor universidade se voc\u00ea for preto e pobre. O que vemos nesses espa\u00e7os \u00e9 um epistemic\u00eddio aliado \u00e0 neglig\u00eancia. De que adianta as cotas raciais isoladas de uma pol\u00edtica de perman\u00eancia que assegure nossa sa\u00fade f\u00edsica e mental?<\/p>\n<p>N\u00e3o existe uso pol\u00edtico desta trag\u00e9dia que afetou nosso amigo Ricardo. Sabemos que a perman\u00eancia de pessoas pretas e pobres dentro da universidade sempre ser\u00e1 um ato pol\u00edtico, assim como sua aus\u00eancia ser\u00e1 pauta reivindicat\u00f3ria entre n\u00f3s! O que se discute aqui s\u00e3o quest\u00f5es para al\u00e9m do imediato como pol\u00edticas de perman\u00eancia estudantil, qualidade de vida e bem estar social, empenhadas \u00e0 uma comunidade que vem sendo, historicamente, negligenciada.<\/p>\n<p>Do Ricardo aos tantos jovens pretes e pobres das quebradas, frutos de cursinhos populares, fica nosso incentivo, for\u00e7a, alegria e preocupa\u00e7\u00e3o com eles ao lutarem e ocuparem a t\u00e3o sonhada vaga na faculdade p\u00fablica. Que adotemos o uso das pol\u00edticas p\u00fablicas de perman\u00eancia com maior seguridade para a cuidar dos nossos jovens sonhadores, que ingressam nesse sistema cheio de sonhos, desejos e vontades de mudar a estrutura.<\/p>\n<p>Ao Ricardo e a todos os nossos mortos, desejamos que &#8220;<strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">Olorum os recebam, de bra\u00e7os abertos&#8221;<\/em><\/strong> e aos que ficam desejamos que as dores sejam curadas e que a luta por dias melhores n\u00e3o seja em v\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/b2ap3_large_574c4867-3296-4a20-87f6-33039752b2dc.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Foto de Felipe Dawson<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Lima, jovem negro estudante na USP, sofria com&nbsp;bullying e racismo de colegas, docentes e da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. 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