
{"id":1654,"date":"2021-05-20T20:50:48","date_gmt":"2021-05-20T23:50:48","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/05\/20\/funk-o-problema-e-ser-da-favela\/"},"modified":"2024-06-29T21:09:58","modified_gmt":"2024-06-30T00:09:58","slug":"funk-o-problema-e-ser-da-favela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/colunas\/funk-o-problema-e-ser-da-favela\/","title":{"rendered":"Funk: o problema \u00e9 ser da favela"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Funk \u00e9 cultura, express\u00e3o, pol\u00edtica, arte e as vozes de muitos jovens de quebrada.&nbsp;<span>Se existe alguma preocupa\u00e7\u00e3o real sobre os malef\u00edcios do funk, antes precisaremos falar sobre os malef\u00edcios da fome.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Real Parque &#8211; Zona Sul, SP\/18 &#8211; Foto: DiCampana Fotocoletivo<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Sabemos que o funk est\u00e1 presente na realidade da periferia h\u00e1 muitos anos e divide opini\u00f5es sobre suas influ\u00eancias e se elas seriam boas ou ruins. Mas o funk \u00e9 sem d\u00favidas uma das formas mais claras de express\u00e3o da vida na favela, al\u00e9m de chamativo e envolvente para os jovens que desde cedo se sentem atra\u00eddos a escutar e dan\u00e7ar o ritmo.<\/span><\/p>\n<p>Quando falamos em funk \u00e9 comum se esperar um questionamento sobre ele ser cultura ou n\u00e3o, mas se cultura \u00e9 h\u00e1bito, costume e cren\u00e7a de povo ou grupo, o funk sem d\u00favidas \u00e9 cultura. A\u00ed outra pergunta seria &#8220;ele \u00e9 uma cultura boa?&#8221;<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1, n\u00e3o existe cultura boa ou ruim, mas quando ouvimos pessoas falarem algo de negativo no funk seria sempre por ele conter muita sexualiza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de falar sobre drogas e armas. Contudo m\u00fasicas do universo POP que fazem muito sucesso possuem conte\u00fado expl\u00edcito muitas vezes, por\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o produzidas por quem j\u00e1 \u00e9 marginalizado cotidianamente, o jovem perif\u00e9rico.<\/p>\n<p>A sexualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim? Sim. Sem d\u00favidas, o funk ainda possui muitas problem\u00e1ticas, mas o ponto dessas problem\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o o funk e sim a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para jovens.<\/p>\n<p>Bom reafirmar que o problema n\u00e3o \u00e9 o funk, mas quem o produz. Devemos lembrar que ritmos como o samba j\u00e1 sofreram ataques diretos do governo, n\u00e3o era sobre o ritmo, era sobre quem o tocava, a popula\u00e7\u00e3o negra e pobre e o governo com suas pol\u00edticas de embranquecimento que deixaram seus resqu\u00edcios perpetuados na hist\u00f3ria governamental do pa\u00eds racista e desigual em que o pobre s\u00f3 pode trabalhar.<\/p>\n<p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">As pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o de escolha do governo<\/strong> e \u00e9 ele que decide se determinado projeto ou a\u00e7\u00e3o ir\u00e1 ser aplicado ou vale a pena ser aplicado. Ent\u00e3o por que o governo n\u00e3o pensa em alternativas para os jovens que n\u00e3o sejam marginaliz\u00e1-los? Porque \u00e9 de interesse do governo que esses jovens estejam \u00e0s margens da sociedade e sempre sejam colocados com imagens violentas, o fim deles de acordo com esse contexto \u00e9 a cadeia ou a morte, n\u00e3o porque cometeram crimes, mas sim porque nasceram na favela.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a raiz do problema seria a falta criar de outros contextos dentro da periferia com menos viol\u00eancia, e mais educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer? Sim, o funk n\u00e3o \u00e9 um problema e sua linguagem traz uma hist\u00f3ria, cada funk est\u00e1 dentro de uma narrativa, mas todo funk \u00e9 funk. Nesse sentido n\u00e3o existe divis\u00e3o de funk bom ou ruim, s\u00e3o apenas narrativas diferentes para uma m\u00fasica com batida \u00fanica.<\/p>\n<p>Enquanto pessoa que ama arte e principalmente m\u00fasica eu sempre afirmo que nunca encontrei algo que se compare ao funk brasileiro de favela, \u00e9 realmente um ritmo que deve e precisa ser valorizado enquanto heran\u00e7a cultural dos nossos. E sempre oriento a quem critica o funk uma longa an\u00e1lise de letras de m\u00fasicas de outros pa\u00edses que s\u00e3o para o p\u00fablico jovem e identificar diferen\u00e7as t\u00e3o absurdas assim (n\u00e3o existem).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>Funk \u00e9 pol\u00edtica ent\u00e3o?&nbsp;<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Sim, tudo \u00e9 pol\u00edtica. O funk passou por v\u00e1rios momentos que envolviam discuss\u00f5es como acesso a cidade e lazer, podemos relembrar os &#8216;rolezinhos&#8217; para falar sobre isso ou at\u00e9 mesmo os bailes de favela. O funk une esses jovens enquanto express\u00e3o cultural e de reafirma\u00e7\u00e3o dos corpos favelados na cidade, um grito da juventude que tamb\u00e9m merece se divertir, que a partir do funk tamb\u00e9m cantam experi\u00eancias que d\u00e3o for\u00e7a a outros jovens&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;\u00d4 vit\u00f3ria chegou,<br \/>\nDeus aben\u00e7oou, o barraquinho de madeira, os buraco da telha, ele j\u00e1 tampou (am\u00e9m)&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><cite>MC Lipi, Vit\u00f3ria Chegou<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>\u00c9 atrav\u00e9s do funk que muitos jovens conseguem a oportunidade de viver da arte, \u00e9 tamb\u00e9m com o funk que os jovens das periferias se expressam, e se h\u00e1 coisas que a sociedade dita como negativas s\u00e3o frutos da pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o da sociedade com esses jovens. As discuss\u00f5es que ressurgiram sobre o funk ser cultura ou n\u00e3o s\u00f3 demonstram que nada aprendemos sobre mudan\u00e7as sociais e transforma\u00e7\u00f5es, tampouco sobre juventude e suas express\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Vem chupando no talento, meu grelinho de diamante.<br \/>\nVai, vai meu grelinho de diamante.&#8221;<\/p>\n<p><cite>Mc Baby Perigosa, Grelinho de diamante<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>O funk \u00e9 uma forma de introduzir temas como empoderamento feminino, liberdade e desigualdade. Tamb\u00e9m de falar de duras realidades com outras perspectivas, com novos olhares e novas formas de lidar. Isso \u00e9 pol\u00edtica, pol\u00edtica da cultura que veio da favela e tem que ser valorizada como tal.<\/p>\n<p>Funk \u00e9 cultura, express\u00e3o, pol\u00edtica, arte e as vozes de muitos jovens de quebrada.<\/p>\n<p>Se existe alguma preocupa\u00e7\u00e3o real sobre os malef\u00edcios do funk, antes precisaremos falar sobre os malef\u00edcios da fome.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Eu s\u00f3 quero \u00e9 ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, \u00e9&#8230; E poder me orgulhar e ter a consci\u00eancia que o pobre tem seu lugar&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><cite>Cidinho e Doca\/ RAP da felicidade<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Funk \u00e9 cultura, express\u00e3o, pol\u00edtica, arte e as vozes de muitos jovens de quebrada.&nbsp;Se existe alguma preocupa\u00e7\u00e3o real sobre os malef\u00edcios do funk, antes precisaremos falar sobre os malef\u00edcios da fome. 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Em 2019 retornou para Rede Ubuntu como coordenadora e atualmente coordena o Polo Santo Dias (Jardim \u00c2ngela) e o Polo Dona Edite (C\u00e9u Cap\u00e3o Redondo). \u00c9 uma das organizadoras do Sarau Apoema - Jardim \u00c2ngela.\""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1654"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3561,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1654\/revisions\/3561"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1654"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}