
{"id":1639,"date":"2021-05-07T14:58:05","date_gmt":"2021-05-07T17:58:05","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/05\/07\/meu-sonho-era-ter-uma-filha-diz-elvira-goncalves-migrante-baiana-moradora-do-jardim-angela\/"},"modified":"2024-06-29T21:10:04","modified_gmt":"2024-06-30T00:10:04","slug":"meu-sonho-era-ter-uma-filha-diz-elvira-goncalves-migrante-baiana-moradora-do-jardim-angela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/raizes-perifericas\/meu-sonho-era-ter-uma-filha-diz-elvira-goncalves-migrante-baiana-moradora-do-jardim-angela\/","title":{"rendered":"\u201cMeu sonho era ter uma filha\u201d, diz Elvira Gon\u00e7alves, migrante baiana moradora do Jardim \u00c2ngela"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p> <i data-redactor-tag=\"i\">Aos 68 anos de idade, a migrante baiana da cidade de Ibitit\u00e1 compartilha como dedicou parte da sua vida&nbsp; para cuidar dos filhos e revela o trauma de perder uma filha aos 17 anos e mais tarde realizar o sonho de ter outra menina.<\/i> &nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A partir de um di\u00e1logo intimista, honesto e ancestral, o Desenrola faz um mergulho nas hist\u00f3rias das mulheres que colocaram no mundo os integrantes do coletivo. Uma delas \u00e9 a dona Elvira Gon\u00e7alves de Matos, 68, moradora do Jardim \u00c2ngela, zona sul de S\u00e3o Paulo. Ela \u00e9 m\u00e3e de cinco filhos, dona de casa, av\u00f3 de quatro netos e filha de pais camponeses que criaram 15 irm\u00e3os no munic\u00edpio baiano de Ibitit\u00e1, localizado na regi\u00e3o da Chapada Diamantina.<\/p>\n<p>Elvira conta que nasceu no distrito de Cano\u00e3o, um povoado localizado na cidade de Ibitit\u00e1, um territ\u00f3rio conhecido pela presen\u00e7a de rochas que represavam a \u00e1gua em \u00e9pocas de chuva, formando pequenos a\u00e7udes. A popula\u00e7\u00e3o local est\u00e1 estimada em 18 mil habitantes, segundo o \u00faltimo censo do IBGE.<\/p>\n<p>&#8220;Irec\u00ea \u00e9 a cidade mais pr\u00f3xima,&nbsp;\u00e9&nbsp;o lugar onde eu fui registrada. Nessa \u00e9poca n\u00e3o tinha cart\u00f3rio na cidade de Ibitit\u00e1, pois ela era um arraialzinho, onde as pessoas moravam mais na ro\u00e7a&#8221;, conta a migrante nordestina.<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias da sua fam\u00edlia na cidade de Ibitit\u00e1 remetem a uma lembran\u00e7a turva dos seus av\u00f3s, os quais ela j\u00e1 n\u00e3o lembra com muita clareza. &#8220;O nome da minha av\u00f3 materna \u00e9 Andreza e o meu av\u00f4 \u00e9 Roseno. Eles s\u00e3o pais da minha m\u00e3e, Flor\u00eancia Floripes de Matos. J\u00e1 os meus av\u00f3s por parte do meu pai, Pedro Floripes de Matos eu n\u00e3o vou conseguir lembrar porque eu n\u00e3o os conheci&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Elvira resgata com ternura a mem\u00f3ria afetiva que ela guarda sobre a fisionomia, cor e costumes da sua av\u00f3 Andreza. &#8220;Eu s\u00f3 conheci a minha av\u00f3 Andreza. Ela ficava o dia todo sentada numa almofada s\u00f3 batendo os bilros que fazia um barulho assim: &#8216;treco, treco, treco, treco&#8217;. Ela era fazendeira de birro, aquelas rendas que se usa para colocar em capa de sof\u00e1, roupas, toalhas, essas coisas assim&#8221;, relata.<\/p>\n<p><span>Segundo a ex-moradora de Ibitit\u00e1, a sua v\u00f3 fazia as rendas para presentear membros da fam\u00edlia, pois naquela \u00e9poca n\u00e3o havia possibilidade de vender os artigos de pano devido \u00e0 falta de trabalho e renda no povoado, o que limitava bastante a circula\u00e7\u00e3o de dinheiro entre as fam\u00edlias.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_large_Igreja-Matriz-Nosso-Senhor-do-Bonfim_Ibitita_Bahia.jpg\" alt=\"Igreja Matriz Nosso Senhor do Bonfim de Ibitit\u00e1. (Foto: Banco de Imagens IBGE)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Igreja Matriz Nosso Senhor do Bonfim de Ibitit\u00e1. (Foto: Banco de Imagens IBGE)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\"><\/strong><b style=\"background-color: initial; font-family: inherit; text-align: inherit; letter-spacing: 0px;\"><strong data-redactor-tag=\"strong\" data-verified=\"redactor\">&#8220;A minha m\u00e3e passava o dia todo no rio pescando<\/strong><\/b><\/p>\n<p><cite>Elvira Gon\u00e7alves<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Para a dona Elvira, falar sobre a sua trajet\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m valorizar a forma como a sua m\u00e3e ajudava o seu pai, para conseguir comida para os seus 15 irm\u00e3os, numa \u00e9poca, onde as principais fontes de alimento era fruto do cultivo de legumes, gr\u00e3os, frutas, cria\u00e7\u00e3o de galinha, porco e principalmente da pesca, uma fonte di\u00e1ria de alimento para a mesa de uma grande fam\u00edlia baiana.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;A minha m\u00e3e passava o dia todo no rio pescando. Ela era pescadora&#8221;, relembra Elvira. Segundo ela, essa era uma forma da sua m\u00e3e apoiar Pedro Floripes, o seu companheiro, enquanto ele se dedicava a uma pequena ro\u00e7a, onde passava a maior parte do tempo em busca de cuidar da terra para ter uma boa colheita. &#8220;Meu pai plantava milho, feij\u00e3o, abobora, melancia e batata&#8221;, descreve ela.<\/p>\n<p>Quando a dona Elvira tinha 12 anos a sua m\u00e3e apareceu no povoado de Cano\u00e3o com um peixe enorme, que segundo ela deu muito trabalho para ser capturado. &#8220;Uma vez ela pegou um Surubim que arrastou ela para dentro do rio e ela ficou com \u00e1gua at\u00e9 o joelho, mas ela conseguiu pegar o peixe que deu 12 quilos&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>A m\u00e3e da dona Elvira pescou mais ou menos at\u00e9 os 50 anos de idade. Tamanha era sua for\u00e7a de vontade de continuar ajudando o seu companheiro, que ela n\u00e3o deixou se levar pelo avan\u00e7o da idade, e continuou fazendo o que mais gostava: pescar com linha e anzol na beira do Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Aos 85 anos, ela sofreu um acidente em sua casa na cidade de Ibotirama na Bahia, para onde ela se mudou ap\u00f3s os filhos estarem maiores. Ap\u00f3s a queda, ela fraturou a bacia e ficou com dificuldades para se mover, tendo que ficar internada durante muito tempo no hospital.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alguns meses de interna\u00e7\u00e3o, os filhos que permaneceram na Bahia e que continuaram vivendo ao seu lado decidiram tir\u00e1-la do hospital, devido a suspeitas de maus tratos e a levaram para casa. E foi nesse processo que a m\u00e3e da dona Elvira faleceu em sua resid\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 o seu pai, Pedro Floripes viveu at\u00e9 114 anos. O registro de nascimento, bem como o registro geral do senhor se encontram em poder dos irm\u00e3os da dona Elvira que ainda moram na Bahia. Muitos parentes e amigos at\u00e9 hoje se encantam com o vigor f\u00edsico e a longevidade do patriarca da fam\u00edlia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_large_IBGE-_-Biblioteca-_-Detalhes-_-Construcao-de-uma-casa-de-taipa.jpg\" alt=\"Casa de Taipa da regi\u00e3o nordeste do Brasil semelhante a cada onde  Elvira morava. (Foto: Banco de Imagens IBGE).\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Casa de Taipa da regi\u00e3o nordeste do Brasil. (Foto: Banco de Imagens IBGE). <\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n<b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">Moradia e trabalho<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Na d\u00e9cada de 60, per\u00edodo no qual a dona Elvira ainda morava em Cano\u00e3o, na cidade de Ibitit\u00e1, ela conta que a vida era muito dif\u00edcil, e um dos principais aspectos desse cen\u00e1rio era a escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel. &#8220;Nesse tempo todo mundo morava na ro\u00e7a. A \u00e1gua era algo muito dif\u00edcil para ter, pois era uma \u00e1gua salgada e suja&#8221;, conta.<\/span><\/p>\n<p>A casa dos pais da dona Elvira era constru\u00edda com Taipa, um formato de constru\u00e7\u00e3o que ilustra a paisagem do nordeste brasileiro, tamb\u00e9m conhecido como pau a pique. Ela explica como era a constru\u00e7\u00e3o. &#8220;Voc\u00ea arma a estrutura da casa com madeira, e nas paredes voc\u00ea amarra um monte de varas e depois come\u00e7a a bater o barro nas paredes para preencher com a massa de barro de lou\u00e7a&#8221;, descreve.<\/p>\n<p>Para ela, os 15 irm\u00e3os e os seus pais dormirem na casa de Taipa, o ch\u00e3o da casa era forrado com esteiras de palha e camas de varas, divididos em tr\u00eas c\u00f4modos: uma cozinha, uma sala e um quarto. &#8220;L\u00e1 em casa todo mundo fazia sua cama de vara se fosse preciso&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Assim como a sua m\u00e3e que usava o rio S\u00e3o Francisco para pescar, Elvira tamb\u00e9m conseguiu o primeiro trabalho fora de casa levando roupas para fam\u00edlias de Cano\u00e3o na beira de velho chico. &#8220;L\u00e1 tinha as pedras e quando n\u00e3o tinha como usar essas rochas, a gente levava uma t\u00e1bua larga, botava na beira do rio, molhava a roupa na \u00e1gua e passava sab\u00e3o em pedra, a\u00ed a gente esfregava o sab\u00e3o e batia as roupas na pedra para tirar as manchas. Eu ganhei dinheiro lavando roupas de outras fam\u00edlias durante muitos anos&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>Com esse of\u00edcio de lavadeira, que ela considera a sua primeira profiss\u00e3o, Elvira conseguiu comprar as suas roupas, j\u00e1 que seus pais n\u00e3o tinham muitos recursos para manter os 15 filhos. Ela recorda que essa atividade era um meio de sobreviv\u00eancia para muitas mulheres de Ibitit\u00e1, que ocupavam a beiro do rio para fazer esse tipo de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;A beira do rio era tomada de mulheres, elas brigavam por um ponto para lavar roupa por que era muita gente, a areia do rio ficava branquinha de tanto sab\u00e3o que escorria das roupas que eram estendidas nas margens do rio&#8221;, relata ela, afirmando que al\u00e9m do grande n\u00famero de mulheres, a beiro do rio era d\u00edvida com uma s\u00e9rie de barcos, como lanchas, vapor e canoas de pescadores.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n<b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">A primeira filha<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Elvira conta que n\u00e3o tinha muitas op\u00e7\u00f5es de brincadeira na sua inf\u00e2ncia. O tempo livre era ocupado ajudando com os fazeres dom\u00e9sticos dentro de casa. Ela conta que a sua fam\u00edlia havia decidido se mudar de Ibitit\u00e1 para morar na cidade de Ibotirama, outro munic\u00edpio baiano localizado \u00e0s margens do Rio S\u00e3o Francisco.<\/span><\/p>\n<p>Foi nesta cidade que ela iniciou os trabalhos ao lado deu pai, ajudando no cultivo da ro\u00e7a. A essa altura, ela j\u00e1 estava com 16 anos. Nessa \u00e9poca, o machismo era algo comum na vida das fam\u00edlias nordestinas, havia tamb\u00e9m uma naturaliza\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es abusivas, conta ela.<\/p>\n<p>Quando ela completou 17 anos teve seu primeiro filho, fruto de uma rela\u00e7\u00e3o abusiva que ela teve com um morador da mesma cidade de Ibotirama. Ao nascer, a sua primeira filha permaneceu viva durante 5 dias, e faleceu dormindo ao lado da m\u00e3e, devido alguns problemas de sa\u00fade que ela apresentou logo ap\u00f3s o parto. &#8220;Eu dormi e quando acordei eu vi minha filha sem vida, foi muito triste&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que os equipamentos p\u00fablicos de sa\u00fade eram de dif\u00edcil acesso, a hist\u00f3ria de dona Elvira revela como a mortalidade infantil est\u00e1 totalmente ligada com a aus\u00eancia do pol\u00edticas p\u00fablicas naquela \u00e9poca no nordeste.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tive a minha filha nas m\u00e3os de uma parteira. O meu cunhado ajudou a fazer o meu parto. Eu morava numa regi\u00e3o chada &#8216;Mata&#8217;, que fica h\u00e1 umas 20 l\u00e9guas de dist\u00e2ncia do centro da cidade de Ibotirama&#8221;, diz Elvira. Ao ser convertida, a dist\u00e2ncia de 20 l\u00e9guas equivale a mais de 90 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Ela complementa afirmando que hoje, por mais problemas que o sistema de sa\u00fade tenha em S\u00e3o Paulo, cidade onde ela morada com a fam\u00edlia, se a unha do p\u00e9 dela doer, ou bem ou mal o m\u00e9dico ir\u00e1 atender ela, mas na regi\u00e3o onde ela morava na Bahia at\u00e9 o hoje o sistema de sa\u00fade p\u00fablico de l\u00e1 \u00e9 ruim e ela v\u00ea muitos parentes vindo para c\u00e1 se tratar de alguma tipo de doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter essa experi\u00eancia com 17 anos, Elvira passou a redobrar o cuidado para n\u00e3o entrar em novos relacionamentos abusivos. Uma das medidas foi ficar um bom tempo se cuidado e longe de relacionamentos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n<b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">Chegada em S\u00e3o Paulo<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Elvira se mudou para S\u00e3o Paulo em 1972, quando tinha 19 anos, para tentar construir a vida na cidade que na \u00e9poca estava em processo de urbaniza\u00e7\u00e3o dos bairros perif\u00e9ricos. \u00c0 convite de um casal de amigos da sua m\u00e3e Flor\u00eancia, ela decidiu vir morar na cidad\u00e3 em busca de trabalho. Para realizar esse feito, a sua m\u00e3e teve que vender uma porca, criada na ro\u00e7a pelo seu pai, para conseguir pagar a passagem de \u00f4nibus.<\/span><\/p>\n<p>Com o apoio do casal de amigos da sua m\u00e3e que visitavam a Bahia em \u00e9poca de f\u00e9rias, e que j\u00e1 moravam no Jardim \u00c2ngela, zona sul de S\u00e3o Paulo, Elvira conseguiu uma casa para se hospedar durante um tempo e a partir de amizades que ela fez com amigos do casal surgiu a sua primeira oportunidade de trabalho.<\/p>\n<p>Dona Ana, a m\u00e3e do Ant\u00f4nio Neguim, um antigo amigo da fam\u00edlia de Elvira a abrigou e lhe apresentou pessoas que fazem parte do seu ciclo de amigos at\u00e9 hoje. Uma dessas pessoas \u00e9 Ant\u00f4nia Camilo, que lhe ofereceu a primeira oportunidade de trabalho em S\u00e3o Paulo, para trabalhar como diarista numa casa de comerciantes no centro da cidade.<\/p>\n<p>&#8220;Eu fui trabalhar de dom\u00e9stica aonde a minha comadre Ant\u00f4nia era cozinheira. Ela arrumou esse trabalhou para eu lavar roupa e limpar o apartamento dessa fam\u00edlia. E l\u00e1 tinha um quarto s\u00f3 para a gente dormir em um beliche&#8221;, relembra Elvira. Arrumar a cama, lavar lou\u00e7a, varrer o ch\u00e3o, limpar vidra\u00e7as e os banheiros, essas foram as principais tarefas dela num apartamento localizado na esquina das Alamedas Santos com a Ja\u00fa.<\/p>\n<p>Durante a sua juventude, Elvira conta que n\u00e3o tinha como se divertir e comprar produtos de beleza para cuidar de si. Era uma \u00e9poca dif\u00edcil e de dinheiro curto. &#8220;Produto de beleza ningu\u00e9m tinha, porque o dinheiro era muito pouco para comprar, al\u00e9m disso, eu n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m em S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o eu n\u00e3o me divertia indo em bailes. A \u00fanica coisa que eu conseguia comprar era um produto chamado Hen\u00ea para passar no cabelo&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Elvira lembra que por conta das dificuldades financeiras, algumas solu\u00e7\u00f5es criativas e baratas eram usadas para cuidar do cabelo, como por exemplo, o uso de ferro quente para facilitar o penteado e o uso de bobes para deixar o cabelo cacheado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2021-05-06-at-21.14.02-1.jpeg\" alt=\"Elvira teve a oportunidade de viajar para a Bahia em 2017 para matar a saudade da fam\u00edlias que n\u00e3o via h\u00e1 muitos anos. (Foto: Mar\u00edlia Matos)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Elvira teve a oportunidade de viajar para a Bahia em 2017 para matar a saudade da fam\u00edlias que n\u00e3o via h\u00e1 muitos anos. (Foto: Mar\u00edlia Matos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n<span>&nbsp;<\/span><b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">A fam\u00edlia<\/b><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Elvira permaneceu nesse trabalho durante um ano. Nesse meio tempo, ela conheceu Domingos Camilo, irm\u00e3o de Ant\u00f4nia, sua colega de trabalho. Domingos morava no mesmo bairro onde Elvira estava hospedada na casa dos amigos da sua m\u00e3e. Da amizade entre eles surgiu uma uni\u00e3o que j\u00e1 dura 49 anos.<\/span><\/p>\n<p>Para Elvira, construir uma fam\u00edlia ao lado de Domingos foi uma ben\u00e7\u00e3o, pois ela se sente muito feliz e emocionada ao falar do amor pelos filhos quatro filhos que teve com ele. No entanto, ela n\u00e3o esconde que deixou de cuidar de si em v\u00e1rias quest\u00f5es, uma delas \u00e9 o acesso a educa\u00e7\u00e3o, pois na sua cidade natal estudar n\u00e3o era uma possibilidade real e acess\u00edvel para todos os moradores.<\/p>\n<p>&#8220;Eu nunca fui \u00e0 escola. S\u00f3 depois de ter todos os meus filhos eu fui estudar no EJA. Quando eu era jovem os meus pais n\u00e3o me cobravam de ir \u00e0 escola e eu tamb\u00e9m n\u00e3o tinha interesse, porque j\u00e1 ajudava em casa e trabalhava na ro\u00e7a&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Elvira, o fato de n\u00e3o saber ler e nem escrever n\u00e3o a impediu de circular pela cidade, cuidar dos filhos e at\u00e9 mesmo se candidatar para outros postos de trabalho, mas o pre\u00e7o mais alto que ela pagou por n\u00e3o ter estudado foi a discrimina\u00e7\u00e3o que sofreu trabalhando como empregada dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>&#8220;Antigamente aqui em S\u00e3o Paulo as pessoas precisavam bastante de empregas dom\u00e9sticas. Era f\u00e1cil conseguir emprego. A escolaridade n\u00e3o atrapalhava. Mas al\u00e9m de pagar pouco, elas desfaziam da nossa profiss\u00e3o, ainda mais porque \u00e9ramos pobres e negras&#8221;, revela.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_large_elvira.png\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Elvira Gon\u00e7alves de Matos, 68, \u00e9 moradora do Jardim \u00c2ngela, zona sul de S\u00e3o Paulo. (Foto: Ronaldo Matos\/Arte: Flavia Lopes)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3><b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">Os filhos<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ap\u00f3s ter o segundo filho Reginaldo, Elvira parou de trabalhar como empregada dom\u00e9stica. O nascimento dele aconteceu no Hospital S\u00e3o Leopoldo, localizado na Avenida Santo Amaro, zona sul da cidade e j\u00e1 completou 39 anos desde ent\u00e3o. A hist\u00f3ria dela em S\u00e3o Paulo para trazer uma nova crian\u00e7a ao mundo come\u00e7a com a realiza\u00e7\u00e3o de um parto f\u00f3rceps, procedimento realizado retirando o beb\u00ea puxando a sua cabe\u00e7a com o uso de instrumentos met\u00e1licos.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;A minha recupera\u00e7\u00e3o do segundo parto foi tranquila, mas o meu filho teve que ficar um tempo no hospital, pois ele teve um machucado nos olhos devido ao parto&#8221;, conta ela, afirmando que para criar Reginaldo foi preciso parar de trabalhar, com isso, apenas Domingos, seu companheiro permaneceu empregado.<\/p>\n<p>Ela conta que a cria\u00e7\u00e3o do segundo filho foi tranquila, mas em uma \u00e9poca dif\u00edcil na d\u00e9cada de 80, onde seu companheiro ficou desempregado, e com isso, ela voltou ao mercado de trabalho, para apoiar financeiramente as despesas da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;Reginaldo j\u00e1 tinha uns cinco anos. Eu precisei voltar ao trabalho como empregada dom\u00e9stica, pois a vida aqui em S\u00e3o Paulo era muito dif\u00edcil porque o sal\u00e1rio da gente era muito pouco, n\u00e3o dava para comprar muitas coisas, era s\u00f3 o b\u00e1sico&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>O terceiro filho dela foi Paulo, que nasceu dois anos depois de Reginaldo. Eles nasceram no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, per\u00edodo em que eles constru\u00edram um barraco de madeira na Estrada Guavirutuba no Jardim \u00c2ngela.<\/p>\n<p>O barraco coberto com telha Brasilit tinha dois quartos, uma cozinha, um banheiro e apenas uma janela. Neste espa\u00e7o, essa fam\u00edlia foi se proliferando at\u00e9 a chegada de mais dois filhos no final dos anos 80. Ronaldo nasceu em 1987 e Mar\u00edlia em 1988. Ter uma menina era um sonho de Elvira que ela alcan\u00e7ou na sua \u00faltima gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Eu cuidava de todos os filhos do meu jeito. Eu me lembro que eu encontrei muitas pessoas boas que me ajudaram, inclusive nos hospitais quando eles ficavam doentes. No Hospital S\u00e3o Paulo, por exemplo tinha m\u00e9dicos excelentes nos anos 90 que viraram at\u00e9 meus amigos, e me atendiam super bem com meus filhos&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Ela complementa afirmando que a Santa Casa de Santo Amaro foi outro equipamento de sa\u00fade onde a equipe m\u00e9dica ajudou muito no cuidado com seus filhos. &#8220;Os meus filhos Reginaldo e Mar\u00edlia tinham problemas de bronquite e inflama\u00e7\u00e3o na garganta, ent\u00e3o eu sempre estava levando-os para o hospital. Eu lembro de tr\u00eas m\u00e9dicos que marcaram a minha vida que s\u00e3o os doutores Waldo, Lins e Gaspar que me tratavam muito bem na Santa Casa e cuidaram dos meus filhos que ficavam internados com crises de bronquite.&#8221;<\/p>\n<p>Dedicada a cuidar dos filhos, Elvira conta que nunca conseguiu ter tempo e oportunidade para se divertir ou ter um lazer, a dedica\u00e7\u00e3o sempre foi com as crias. &#8220;N\u00e3o existia divers\u00e3o. Desde quando eu cheguei em S\u00e3o Paulo eu nunca fui em um baile, parque ou restaurante. Para n\u00e3o dizer que eu n\u00e3o saia, eu costumava ir em festas de fam\u00edlia, como almo\u00e7os de final de semana e anivers\u00e1rios.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu gostava muito de comer galinha matada na hora, aquelas galinhas velhas que vendia na granja. Essa era uma comida simples e barata que eu fazia \u00e0s vezes e toda a minha fam\u00edlia gostava, quando iam na minha casa aos finais de semana&#8221;, diz Elvira, contando sobre uma das suas \u00fanicas lembran\u00e7as de almo\u00e7os em fam\u00edlia que ela preparava.<\/p>\n<p>Ela enfatiza que antigamente, as fam\u00edlias mais pobres n\u00e3o tinham muita op\u00e7\u00e3o de divers\u00e3o e at\u00e9 para fazer uma comida diferente em casa era dif\u00edcil, devido aos altos pre\u00e7os dos alimentos e o baixo sal\u00e1rio, que n\u00e3o sobrava para fazer esses tipos de atividades em fam\u00edlia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_large_Toda-encantada-Evlria-segura-Miguel-no-colo-o-seu-quarto-neto.jpg\" alt=\"Toda encantada, Elvira segura Miguel no colo, o seu quarto neto. (Foto: Ronaldo Matos)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Toda encantada, Elvira segura Miguel no colo, o seu quarto neto. (Foto: Ronaldo Matos)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>\n<b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">Sonhos<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Os momentos de alegrias para Elvira s\u00e3o baseados no nascimento dos seus filhos, em especial, ela destaca o nascimento da filha Mar\u00edlia. &#8220;Como a minha primeira filha morreu, o meu sonho era ter outra menina e eu tive a Mar\u00edlia, isso foi muito importante na minha vida&#8221;, revela ela, com um sorriso no rosto e olhos lacrimejando.<\/span><\/p>\n<p>A autonomia financeira \u00e9 outo ponto marcante na vida de Elvira. Segundo ela, em um determinando momento da sua vida ela come\u00e7ou a coletar latas de alum\u00ednio na rua, para vender no ferro velho, em busca de ter seu pr\u00f3prio dinheiro, para comprar as coisas que ela gosta. A depend\u00eancia financeira do marido ganhou um peso maior, ap\u00f3s ela estar mais madura e com os filhos criados.<\/p>\n<p>&#8220;Eu vivia catando latinha na rua, mas eu nunca passei fome. Eu n\u00e3o queria ficar em casa deitada e dormindo, eu gosto de ter o meu pr\u00f3prio dinheiro, ser independente, para comprar as coisas que eu gosto de comer e para ajudar nas contas de casa&#8221;, justifica.<\/p>\n<p>Elvira catou latinhas dos 61 a 64 anos.Ela parou de fazer a coleta de reciclagem para vender ap\u00f3s conseguir ter o benef\u00edcio do INSS que assegura a ela ter um sal\u00e1rio-m\u00ednimo por m\u00eas. O acesso ao benef\u00edcio veio quando ela completou 65 anos, e contou com apoio dos filhos que n\u00e3o moravam mais na mesma casa que ela, para realizar o procedimento burocr\u00e1tico de solicita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se ela pudesse voltar no tempo, uma das coisas que faria diferente seria uma dedica\u00e7\u00e3o maior ao trabalho, j\u00e1 que boa parte da vida foi dedicada a cuidar da casa e dos filhos. &#8220;Se eu pudesse voltar no tempo eu teria trabalhado mais, eu ainda tenho vontade de trabalhar, porque viver dentro de casa s\u00f3 dormindo \u00e9 muito chato, n\u00e3o que hoje eu aguente trabalhar, pois tenho muitos problemas de sa\u00fade, mas seria bom ter trabalhado mais para ter uma casa melhor e poder ajudar meus filhos.&#8221;<\/p>\n<p>Com 68 anos e uma s\u00e9rie de problemas de sa\u00fade, ela luta para se manter viva, consumindo rem\u00e9dios para retardar e controlar o impacto das doen\u00e7as que ela adquiriu ao longo da vida. &#8220;Eu tenho diabetes, press\u00e3o alta, tiroide e colesterol alto. Eu fa\u00e7o tratamento para todas elas e tomo rem\u00e9dios controlados.&#8221;<\/p>\n<p>Um dos sonhos da migrante baiana era ter a oportunidade de voltar na Bahia para rever os irm\u00e3os e parentes que ela tinha pouco contato. &#8220;Foi uma ben\u00e7\u00e3o de Deus. Se eu morrer hoje eu vou tranquila, porque o meu sonho era rever meus irm\u00e3os e irm\u00e3s que est\u00e3o vivos. A \u00fanica tristeza que guardo \u00e9 o fato de meus irm\u00e3os mais velhos terem morrido e eu n\u00e3o tido a oportunidade de ver eles antes&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Com um semblante j\u00e1 emocionado ela revela o sentimento que tem pelos filhos: &#8220;Os meus filhos \u00e9 tudo o que eu tenho na vida. Eles s\u00e3o os meus p\u00e9s, bra\u00e7os, olhos, \u00e9 tudo o que eu tenho&#8221;, define ela. A liga\u00e7\u00e3o com os filhos refletes no sonho de futuro que Elvira tem em rela\u00e7\u00e3o aos seus netos. &#8220;Eu quero viver um pouco mais para eu ver meus netos crescer e receber eles em casa para eu cozinhar para eles e a gente passar um dia inteiro juntos&#8221;, finaliza ela.<\/p>\n<p><em data-redactor-tag=\"em\">Esse perfil faz parte do conte\u00fado da semana do dia das m\u00e3es, onde compartilhamos um pouco das hist\u00f3rias das m\u00e3es dos integrantes da equipe do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Al\u00e9m de tantas outras coisas, Elvira Gon\u00e7alves&nbsp;\u00e9 m\u00e3e de Ronaldo Matos, editor&nbsp;do Desenrola.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 68 anos de idade, a migrante baiana da cidade de Ibitit\u00e1 compartilha como dedicou parte da sua vida&nbsp; para cuidar dos filhos e revela o trauma de perder uma filha aos 17 anos e mais tarde realizar o sonho de ter outra menina. &nbsp; A partir de um di\u00e1logo intimista, honesto e ancestral, o [&hellip;]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1633,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[236,233,232,26,234,237,42],"ppma_author":[73],"class_list":["post-1639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-raizes-perifericas","tag-amor-aos-filhos","tag-dia-das-maes","tag-dias-das-maes-na-quebrada","tag-jornalismo-periferico","tag-mae-periferica","tag-migrante-baiana","tag-raizes-perifericas"],"acf":[],"authors":[{"term_id":73,"user_id":7,"is_guest":0,"slug":"ronaldo-comunicacaogmail-com","display_name":"Ronaldo Matos","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d5c023cdb350cc81d5a42963af328e5ef634d2fff49293bcebb933eaf78d5961?s=96&d=mm&r=g","first_name":"Ronaldo","last_name":"Matos","user_url":"http:\/\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ronaldo.matosilva\"><i><\/i> \/ronaldo.matosilva<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ronaldomatosjor\/\"><i> <\/i> @ronaldomatosjor<\/a>\r\nApreciador do direito de imaginar, criar, pesquisar e refletir, Ronaldo Matos \u00e9 jornalista e educador. Ele \u00e9 co-fundador e editor do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Influenciado pela cultura Hip Hop e a Filosofia, o morador do Jardim \u00c2ngela vive a quebrada como uma plataforma urbana de conhecimento, para compreender e questionar o que \u00e9 periferia. Em busca da sua ancestralidade, uma de suas principais paix\u00f5es \u00e9 promover interc\u00e2mbios pol\u00edticos e culturais com comunidades tradicionais."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1639"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3118,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1639\/revisions\/3118"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1639"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}