
{"id":1632,"date":"2021-05-06T21:12:46","date_gmt":"2021-05-07T00:12:46","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/05\/06\/do-ceara-para-sao-paulo-silene-alves-se-redescobriu-e-continua-sonhando-com-o-futuro\/"},"modified":"2024-06-29T21:10:05","modified_gmt":"2024-06-30T00:10:05","slug":"do-ceara-para-sao-paulo-silene-alves-se-redescobriu-e-continua-sonhando-com-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/raizes-perifericas\/do-ceara-para-sao-paulo-silene-alves-se-redescobriu-e-continua-sonhando-com-o-futuro\/","title":{"rendered":"Do Cear\u00e1 para S\u00e3o Paulo, Silene Alves se redescobriu e continua sonhando com o futuro"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Entre chegadas e partidas, foi em S\u00e3o Paulo que Silene fixou morada e hoje se redescobre dentro da costura e faz planos para seu futuro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Silene Alves Ferreira, 53, nasceu em Ibiapina, no norte do Cear\u00e1, \u00e9 moradora do Rio Pequeno na zona oeste de S\u00e3o Paulo, local onde mora h\u00e1 mais de 30 anos. Ela j\u00e1 atuou dentro de uma ONG que auxilia mulheres com c\u00e2ncer de mama, trabalha como balconista na mesma empresa desde que chegou na cidade e nos \u00faltimos meses redescobriu seu talento como costureira.<\/p>\n<p><span>Ela conta que cresceu junto com os pais e teve uma juventude de muito trabalho. Ela tamb\u00e9m conta que sempre teve o sonho de viajar e conhecer outros Estados: &#8220;Meu pensamento era viajar, ir para Bras\u00edlia, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, queria estudar, ser algu\u00e9m na vida. A gente estudava at\u00e9 a terceira s\u00e9rie s\u00f3, da\u00ed pra frente n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de continuar, mas eu sonhava alto.&#8221;<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Eu tinha vontade de ser professora, cheguei at\u00e9 dar aulinhas, ensinando o ABC, a cartilha da alfabetiza\u00e7\u00e3o para uns meninos de l\u00e1&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Durante a adolesc\u00eancia, Silene estudava a noite e durante o dia trabalhava na ro\u00e7a: &#8220;A ro\u00e7a que eu falo significa planta\u00e7\u00e3o de milho, feij\u00e3o, caf\u00e9. A gente trabalhava tamb\u00e9m no cafezal apanhando caf\u00e9, chegava at\u00e9 a capinar mato, tudo isso para ajudar meu pai, ajudar em casa, e a noite a gente estudava&#8221;, relembra Silene.<\/p>\n<p>Ela conta que teve uma juventude boa, e compartilha sobre seus divertimentos nessa \u00e9poca, per\u00edodo tamb\u00e9m da sua primeira gravidez. &#8220;Minha juventude, foi muito boa, a gente era muito preso n\u00e9, mas sa\u00edmos muito para os forros, dan\u00e7ava muito, eu amava um forr\u00f3, ainda amo, namorava muito, e foi a\u00ed nessa juventude com essas festas, que eu comecei a namorar. Um namoro forte, me apaixonei pela primeira vez, acabei engravidando sem casar e tive a minha primeira filha&#8221;, compartilha.<\/p>\n<p>A primeira gravidez trouxe mudan\u00e7as para Silene, e tamb\u00e9m a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho atrav\u00e9s da primeira filha: &#8220;Com a gravidez dela [primeira filha], eu tive que romper os meus sonhos, tinha 19 anos, tive que parar com tudo que eu queria, da\u00ed pra frente me inspirei em ser m\u00e3e, e o engra\u00e7ado \u00e9 que foi ela que realizou um sonho meu. O meu sonho era ser professora, e ela chegou a realizar esse sonho meu, hoje ela \u00e9 uma professora formada pela universidade p\u00fablica, e eu tenho muito orgulho disso, ela realizou meu sonho&#8221;, afirma Silene.<\/p>\n<p>Ela conta que n\u00e3o gosta de ficar parada e procura estar sempre em movimento: &#8220;Eu amo ir para rua, para o trabalho, me sinto muito mal em ficar em casa, tenho uma rotina que eu sempre trabalhei desde meus 12 anos, e eu gosto de trabalhar, se eu fico em casa, n\u00e3o consigo ficar parada, eu gosto de passear, ajudar as pessoas.&#8221;<\/p>\n<p><span>Em 2018, Silene passou por um tratamento de c\u00e2ncer de mama e afirma que esse momento a fez mudar muito: &#8220;Comecei a olhar muito mais pra mim e a fazer muito mais as coisas por mim, a\u00ed conheci a ONG &#8216;Amor e Mechas&#8217;, que faz perucas para mulheres. A\u00ed comecei a ajudar a recolher cabelo, a incentivar as pessoas a doarem, a conversar com outras mulheres que estavam passando pelo o que eu passei&#8221;, afirma.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Gosto de dan\u00e7ar meus forros, me faz muito bem, \u00e9 onde me sinto mais viva tamb\u00e9m, onde me lembro da minha juventude, me divirto muito, isso \u00e9 o pouco do que eu sou, \u00e9 isso que me faz bem, quem eu sou.&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>Costura como heran\u00e7a<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A costura tem uma grande rela\u00e7\u00e3o com uma heran\u00e7a familiar para Silene. Segundo ela, sua fam\u00edlia tem o DNA de costura, desde sua av\u00f3, tias, m\u00e3e, at\u00e9 as suas irm\u00e3s: &#8220;A maior refer\u00eancia \u00e9 uma irm\u00e3 minha, que foi uma costureira de m\u00e3o cheia, a melhor que eu j\u00e1 pude conhecer, ela que fazia minhas roupas. Eu tinha uma ideia de roupa mais diferente, e ela fazia tudo, e no meu tempo o que a gente aprendia com os pais, era costurar ou bordar, eu sou desse tempo ainda&#8221;, compartilha Silene, que pegou pela primeira vez em uma m\u00e1quina de costura quando tinha 13 anos, e em 2020, durante a pandemia da covid-19, voltou a ter contato com a costura.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente ficou em casa, eu estava desesperada, n\u00e3o conseguia ficar parada, n\u00e3o podia sair, eu j\u00e1 estava ficando aperriada de s\u00f3 cozinhar e arrumar a casa, a\u00ed minha filha comprou umas m\u00e1scaras de tecido, eu olhei para elas e fiquei: &#8216;eu vou fazer essas m\u00e1scaras para n\u00f3s e para ajudar quem n\u00e3o pode comprar&#8217;. No outro dia, fui em uma loja e comprei TNT, e comecei a costurar na m\u00e3o, depois pedi a m\u00e1quina de costura de uma amiga emprestada&#8221;, conta Silene que n\u00e3o sabia mais nem colocar a linha na agulha e contou com a ajuda da sobrinha.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Da\u00ed para frente fui tomando gosto por fazer m\u00e1scara, doei muita m\u00e1scara, e hoje eu tenho minha pr\u00f3pria m\u00e1quina que eu ganhei, e eu amo costurar. \u00c9 como disse pra minha filha uma vez, se eu tivesse tido condi\u00e7\u00f5es de estudar e desenvolver isso, eu seria uma bela de uma estilista.&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Hoje Silene consegue ter uma renda a partir das m\u00e1scaras que costura e tamb\u00e9m tem uma rede de apoio que a ajuda. &#8220;Hoje fa\u00e7o m\u00e1scara para vender e consigo tirar um dinheirinho fazendo m\u00e1scara, ainda dou na igreja, e tem muita gente que me ajuda, ganhei uma amigona por causa da minha filha, que me ajuda comprando tecidos mais barato no centro, isso me ajuda muito e eu consigo fazer mais e mais pra ajudar outras pessoas tamb\u00e9m, porque \u00e9 um momento que temos que nos ajudar, n\u00e3o tem jeito&#8221;, afirma Ferreira.<\/p>\n<p>Para ela, voltar a costurar depois de quase 40 anos a fez lembrar muito de sua irm\u00e3, que j\u00e1 faleceu: &#8220;Quando eu estava tentando colocar a linha na agulha que eu n\u00e3o conseguia, e fiquei apavorada, lembrei muito de quando eu tentava pegar na m\u00e1quina da minha irm\u00e3, ela n\u00e3o deixava a gente nem se aproximar, mas quando ela sa\u00eda, eu ia direto na m\u00e1quina dela para costurar&#8221;. Ela completa a mem\u00f3ria: &#8220;Inclusive quando eu peguei essa m\u00e1quina agora, depois de quase 40 anos, ela veio muito forte na minha mem\u00f3ria, e aquele pensamento t\u00e3o positivo que eu tinha dela, reclamando da gente pegar na m\u00e1quina, e eu pensando nela, e falando que ia conseguir por a linha na agulha, e em pensamento pedindo ajuda dela, falando &#8216;me ajuda minha irm\u00e3, que eu preciso aprender a colocar essa linha na agulha para doar m\u00e1scara&#8217;, a\u00ed logo depois eu consegui, consegui e chega eu senti ela comigo, e dali pra frente e n\u00e3o parei mais&#8221;, conta Silene.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/836\/WhatsApp-Image-2021-05-06-at-17.15.32.jpeg\" title=\"Silene Ferreira voltando a costurar.\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/836\/WhatsApp-Image-2021-05-06-at-17.15.32.jpeg\" title=\"Silene Ferreira voltando a costurar.\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/836\/WhatsApp-Image-2021-05-06-at-17.15.32.jpeg\" title=\"Silene Ferreira voltando a costurar.\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_large_WhatsApp-Image-2021-05-06-at-17.15.32.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Silene Ferreira voltando a costurar.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>O caminho at\u00e9 S\u00e3o Paulo<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Silene conta que o seu sonho era viajar e que at\u00e9 o momento de chegar para morar em S\u00e3o Paulo, viveu um tempo em outros dois estados. &#8220;Eu morei um tempo na casa de uma parenta em Bras\u00edlia, e depois eu fui para o Rio [de Janeiro] com a minha filha mais velha atr\u00e1s do pai dela que tinha ido para l\u00e1 atr\u00e1s de trabalho, e eu era muito nova&#8221;. Silene conta que foi para o Rio de Janeiro com sua sogra, para se encontrar com o pai de sua filha e que chegou a morar com ele por um tempo.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tinha uma irm\u00e3 em S\u00e3o Paulo, que ela tinha vindo bem antes de eu sair de l\u00e1, mas ela nunca mais deu not\u00edcia, ela tinha praticamente sumido, a gente falava com marido dela, mas n\u00e3o falava com ela, a\u00ed um dia muito desgostosa dessa rela\u00e7\u00e3o com os pais dos meus filhos, vi que ele n\u00e3o queria nada com nada, descobri que estava gr\u00e1vida do segundo filho, e eu pensei &#8216;se eu ficar aqui vai ser s\u00f3 sofrimento'&#8221;, conta Silene que resolveu ir atr\u00e1s de sua irm\u00e3, com sua filha mais nova e gr\u00e1vida do segundo filho.<\/p>\n<p>Ela conta como chegou em S\u00e3o Paulo: &#8220;Vim para S\u00e3o Paulo, eu n\u00e3o conhecia nada, s\u00f3 tinha o endere\u00e7o do servi\u00e7o do meu cunhado, a\u00ed chegando aqui, comecei a trabalhar nessa empresa que eu trabalho hoje, com 5 meses de gr\u00e1vida, escondi a gravidez para n\u00e3o ser mandada embora e trabalhei gr\u00e1vida at\u00e9 o dia que ele nasceu, e trabalho nessa empresa at\u00e9 hoje&#8221;, relata Silene.<\/p>\n<p>Hoje com tr\u00eas filhos, Silne conta como foi a gravidez de cada um deles e o que encontrou nesse caminho: &#8220;Na minha primeira gravidez, a gravidez da Marina, eu tinha 19 anos, eu n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o nenhuma do que tava passando, o que que era aquilo, eu tinha muitos sonhos, mas eu tamb\u00e9m queria ser m\u00e3e, ser dona de casa, ter um marido do meu lado para constituir fam\u00edlia&#8221;, compartilha.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Eu fiquei feliz com a minha gravidez, mas n\u00e3o casei, eu passei por cima das honras da minha m\u00e3e, do meu pai, fui morar na casa da minha sogra, que foi uma pessoa maravilhosa, foi um anjo na minha vida, que me acolheu com bra\u00e7os abertos, foi quem me ajudou muito, e isso foi minha gravidez dos 19 anos.&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_medium_WhatsApp-Image-2021-05-06-at-17.18.34.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Um dos primeiros registros de Silene Ferreira em S\u00e3o Paulo. <\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Na sua segunda gravidez a costureira passou por mais mudan\u00e7as. &#8220;A segunda gravidez, do meu filho do meio, o Rafael, meu \u00fanico menino, foi mais turbulenta. Eu estava no Rio, vim parar em S\u00e3o Paulo, eu tinha que correr para trabalhar, eu j\u00e1 tinha uma menina, tive que esconder essa gravidez at\u00e9 o dia que nasceu, por causa se eu n\u00e3o tivesse escondido n\u00e3o teria arranjado trabalho, trabalhei at\u00e9 o dia que ele nasceu, ele nasceu em casa, n\u00e3o deu nem tempo de chegar no hospital, minha irm\u00e3 que cortou o cord\u00e3o umbilical, foi algo mais conturbado mesmo&#8221;, relata Silene.<\/p>\n<p>J\u00e1 na \u00faltima gravidez, da terceira filha, Ferreira conta que foi um processo diferente dos outros dois: &#8220;A da minha filha ca\u00e7ula, a Vit\u00f3ria, eu j\u00e1 era mais velha, o pai dela tamb\u00e9m, e a gente se juntou de novo, com a ideia dessa vez construir a fam\u00edlia que quer\u00edamos e falamos l\u00e1 atr\u00e1s, a ideia era se juntar e criar esses tr\u00eas filhos, e eu me sentia muito orgulhosa de estar gr\u00e1vida e estar com o marido do lado, ent\u00e3o isso era minha felicidade, mas tudo acabou indo por \u00e1gua abaixo, n\u00e3o conseguimos ficar juntos, e ele foi embora, me deixando com esses tr\u00eas filhos para criar, sozinha, e hoje est\u00e3o a\u00ed enormes, crescidos e s\u00e3o meu maior orgulho&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ela conta que se sente feliz sendo m\u00e3e e que se pudesse voltar, teria tido mais filhos. &#8220;Eu me inspirei em ser m\u00e3e, e fui e sou, n\u00e3o sei se boa, porque \u00e9 como diz, a gente quer ser uma m\u00e3e t\u00e3o boa, quer proteger os filhos de tudo, acaba sendo uma m\u00e3e ruim, porque ensina eles coisa que \u00e0s vezes eles tem que aprender s\u00f3, de tentar ser t\u00e3o boa, e sempre proteger acaba sendo ruim para eles mesmos&#8221;, ela finaliza: &#8220;eu me sinto uma m\u00e3e muito feliz, tenho tr\u00eas filhos maravilhosos que eu amo muito, se voltasse atr\u00e1s n\u00e3o seria m\u00e3e s\u00f3 de tr\u00eas mas de seis, que eu me sinto muito feliz em ser m\u00e3e&#8221;.<\/p>\n<p>Silene tamb\u00e9m conta de onde partiu sua inspira\u00e7\u00e3o para ser m\u00e3e, sobre como a sua cria\u00e7\u00e3o e a sua m\u00e3e foram suas refer\u00eancias. &#8220;Eu me vi na minha m\u00e3e, a minha m\u00e3e \u00e9 uma m\u00e3e at\u00e9 hoje com os 86 anos dela, era uma m\u00e3e que s\u00f3 ela, naquele tempo as coisas era tudo dif\u00edcil, mas mesmo assim ela era uma m\u00e3e acolhedora, ela queria que os filhos tivesse tudo ali ligado a ela&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m conta que se espelhou em seu pai e em outras mulheres: &#8220;o meu pai era um marido muito bom, e um pai maravilhoso, ele tamb\u00e9m foi quem me inspirou muito, quem eu carrego dentro de mim pra sempre, e outras mulheres que passaram na minha vida desde que eu cheguei aqui, me inspiraram muito, as madrinhas dos meus filhos, \u00e0s minhas irm\u00e3s, todas mulheres que passaram por muito, foram muito fortes e me deixaram muito forte tamb\u00e9m&#8221;, compartilha.<\/p>\n<p>Para Silene, a pandemia afetou a conviv\u00eancia com seus filhos de uma forma boa e o isolamento mudou essas rela\u00e7\u00f5es: &#8220;A gente teve uma conviv\u00eancia bem mais forte do que quando antes da pandemia, porque antes era do servi\u00e7o pra casa e de casa pro servi\u00e7o. Sa\u00eda de f\u00e9rias, quando eu saia de f\u00e9rias elas estavam trabalhando, ent\u00e3o a gente nunca tinha tido essa conviv\u00eancia t\u00e3o longa como foi agora&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n\tFuturo<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Silene afirma que o que ela mais fez e faz por ela mesma \u00e9 passear e viajar: &#8220;Eu sai de f\u00e9rias e viajei, sozinha. Viajei. Isso eu fiz por mim, eu falei: &#8216;n\u00e3o vou levar filho, vou fazer por mim, maravilhoso&#8217;. Outras f\u00e9rias que tirei tamb\u00e9m, viajei de novo, passei uma semana numa praia a\u00ed deserta, tamb\u00e9m muito boa, s\u00f3 eu&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo ela, foi um tempo que tirou para si. &#8220;Eu falei: &#8216;\u00e9 eu que vou fazer isso, \u00e9 pra mim, vou viajar&#8217;. Andei no mar, andei de navio, andei de barco, me senti uma pessoa maravilhosa, que eu tava fazendo pra mim, pra minha felicidade, se eu pudesse viajava muito, hoje \u00e9 uma coisa que eu priorizo muito \u00e9 sair, conhecer os lugares, eu amo viajar, espero que em breve eu possa viajar mais, conhecer o Brasil, que aqui tem muito lugar bonito, pretendo conhecer todos&#8221;, conta Silene.<\/p>\n<p>Ela finaliza contando sobre seus sonhos e o que almeja para o futuro. &#8220;Ent\u00e3o, hoje eu t\u00f4 com 53 anos, daqui mais 3 anos eu me aposento, o que eu vejo no futuro? \u00c9 ter uma aposentadoria com sa\u00fade pra que eu possa curtir essa aposentadoria, n\u00e3o quero mais trabalhar com f\u00e9 em deus, quero curtir minha aposentadoria, viajando, cuidando dos meus netos quando precisar, ficar mais em casa cuidando da minha casa, sem ter essa preocupa\u00e7\u00e3o de sair todo dia de manh\u00e3zinha pra trabalhar, apesar que eu gosto muito, mas \u00e9 isso que eu me vejo no futuro&#8221;.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_large_Silene.png\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Ter minha aposentadoria e curtir minha aposentadoria do jeito que todo mundo deveria curtir a aposentadoria, que a gente trabalha tanto, se gasta tanto, ent\u00e3o quando a gente percebe esse dinheirinho, mesmo que seja pouco, tendo a ajuda dos filhos d\u00e1 pra gente curtir uma coisa melhor. Ent\u00e3o eu me vejo no futuro assim, e ser\u00e1 assim, eu espero&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><em data-redactor-tag=\"em\" data-verified=\"redactor\">Esse perfil faz parte do conte\u00fado da semana do dia das m\u00e3es, onde compartilhamos um pouco das hist\u00f3rias das m\u00e3es dos integrantes da equipe do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Al\u00e9m de tantas outras coisas, Silene Ferreira \u00e9 m\u00e3e da Vit\u00f3ria Guilhermina, rep\u00f3rter da equipe do Desenrola.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre chegadas e partidas, foi em S\u00e3o Paulo que Silene fixou morada e hoje se redescobre dentro da costura e faz planos para seu futuro. Silene Alves Ferreira, 53, nasceu em Ibiapina, no norte do Cear\u00e1, \u00e9 moradora do Rio Pequeno na zona oeste de S\u00e3o Paulo, local onde mora h\u00e1 mais de 30 anos. 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Em 2018 ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Ela atua em seu territ\u00f3rio com projetos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como o Cursinho Livre Cl\u00e1udia Silva Ferreira. 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