
{"id":1625,"date":"2021-05-05T19:55:38","date_gmt":"2021-05-05T22:55:38","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/05\/05\/rita-de-cassia-uma-trajetoria-de-muitas-transformacoes\/"},"modified":"2024-06-29T21:10:07","modified_gmt":"2024-06-30T00:10:07","slug":"rita-de-cassia-uma-trajetoria-de-muitas-transformacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/raizes-perifericas\/rita-de-cassia-uma-trajetoria-de-muitas-transformacoes\/","title":{"rendered":"Rita de C\u00e1ssia: uma trajet\u00f3ria de muitas transforma\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Com uma trajet\u00f3ria de vida marcada por dores e muitas conquistas, ela conta como algumas mulheres apoiaram e marcaram sua juventude e a experi\u00eancia de ser m\u00e3e.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Rita de C\u00e1ssia, 42, nasceu e passou boa parte da sua inf\u00e2ncia no Rio Pequeno, distrito da zona oeste de S\u00e3o Paulo, mas ao longo dos anos morou em alguns bairros, como no Jardim das Rosas, no Cap\u00e3o Redondo. Aos 17 anos, com a chegada da primeira filha e do casamento, se mudou para Carapicu\u00edba, regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, onde mora atualmente. J\u00e1 foi ajudante de servi\u00e7os gerais, vendedora, operadora e fiscal de caixa, e hoje \u00e9 supervisora de atendimento em uma empresa de comercializa\u00e7\u00e3o de aparelhos eletr\u00f4nicos.<\/span><\/p>\n<p>Na sua inf\u00e2ncia morou com sua m\u00e3e e seus seis irm\u00e3os. Rita se lembra que onde morava, ainda no Rio Pequeno, a princ\u00edpio era um terreno grande de sua v\u00f3, com v\u00e1rios barracos, um deles era o da sua m\u00e3e. Cresceu junto com muitos primos e tios que moravam no mesmo quintal, e afirma que foi uma inf\u00e2ncia boa, e o que mais se lembra s\u00e3o as partes legais.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Me marcou bastante, foi uma inf\u00e2ncia bem gostosa, porque eu fui criada com todos os meus primos, tias, todos morando na mesma rua, no mesmo quintal. Ent\u00e3o foi o que mais me marcou, as brincadeiras com meus primos&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Ela conta tamb\u00e9m que em alguns finais de semana sua fam\u00edlia se reunia para ouvir m\u00fasica, dan\u00e7ar, tomar uma bebida e enquanto isso aproveitava a rua com seus primos: &#8220;A gente crian\u00e7a tinha a liberdade de poder brincar na rua nessa \u00e9poca enquanto eles ficavam se divertindo l\u00e1 na sala, a gente tava correndo na rua, brincando de pega-pega, de pula-pula, de esconde-esconde. \u00c0s vezes a gente entrava l\u00e1 no meio da sala tamb\u00e9m para dan\u00e7ar junto com eles&#8221;, recorda.<\/span><\/p>\n<p>Mesmo guardando para si as partes boas da inf\u00e2ncia, ela conta que tamb\u00e9m tem uma parte de dificuldade nesse per\u00edodo, onde sua m\u00e3e precisava cuidar de sete filhos praticamente sozinha.<\/p>\n<p>&#8220;Eu me lembro que me marcou muito tamb\u00e9m quando a gente \u00e0s vezes n\u00e3o tinha um p\u00e3o para comer de manh\u00e3 cedo, e a\u00ed minha m\u00e3e fazia um bolinho de farinha com \u00e1gua e sal para gente poder comer de manh\u00e3. Quando \u00e0s vezes ela ia nas padarias pedir p\u00e3o amanhecido pra gente poder ter um p\u00e3o para comer de manh\u00e3 cedo. Quando ela ia no Ceasa pegar l\u00e1 o resto da feira pra gente poder ter uma verdura pra poder comer&#8221;, compartilha Rita citando os momentos bons e ruins que teve na sua inf\u00e2ncia, e refor\u00e7a que guarda para si as partes boas.<\/p>\n<p>J\u00e1 na adolesc\u00eancia, Rita passou um per\u00edodo morando com a av\u00f3, e uma de suas mem\u00f3rias da juventude \u00e9 da \u00e9poca dos bailes e da galera que andava junto e sa\u00eda aos finais de semana. Ela conta que trabalhou e estudou muito, e teve uma adolesc\u00eancia boa, onde conseguiu aproveitar muito, mesmo casando e tendo engravidado cedo.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o podia ir muito [aos bailes], era um pouco proibido, eu s\u00f3 podia ir se meus irm\u00e3os mais velhos fossem, sen\u00e3o eu n\u00e3o poderia ir. E a\u00ed pra poder sair \u00e0s vezes, aos domingos para curtir um pouquinho do baile, no sal\u00e3o, a princ\u00edpio eu mentia para minha v\u00f3. Eu dizia que ia para o shopping, mas na verdade eu ia para o sal\u00e3o para poder aproveitar um pouco, porque eu era um pouco presa, nem tanto pela minha v\u00f3, mais pelo meu pai que era muito machista, tinha uma mente muito fechada e era muito r\u00edgido&#8221;, conta Rita.<\/p>\n<p>Ela relembra que nessa \u00e9poca, por volta de 1992, tinham grupos que faziam disputa de dan\u00e7a nos bailes, e se reuniam para treinar os passinhos para o baile. &#8220;Tinham aquelas competi\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios grupos. O pessoal comprava a roupa parecida, era meio que uniforme para se destacarem, mostrar que cada um era de um grupo diferente. Era muito gostoso&#8221;, lembra Rita.<\/p>\n<p>Assim como muitos jovens, principalmente das periferias da cidade, na sua adolesc\u00eancia, Rita trabalhava, estudava e em parte da sua juventude passou a se dedicar ao atletismo.<\/p>\n<p>Seu primeiro emprego foi aos 11 anos em uma loja de artesanato perto do local onde morava. &#8220;A minha m\u00e3e ainda morava no Rio Pequeno, e a\u00ed ela era sozinha praticamente para criar sete filhos, e a\u00ed ela tinha arrumado um emprego para mim do lado de casa, que era um localzinho que tinham alguns hippies que faziam artesanatos, e a\u00ed ela arrumou pra mim poder limpar mesmo. Varrer, lavar banheiro e a\u00ed aos pouquinhos eles foram me ensinando a fazer alguns artesanatos para ajudar tamb\u00e9m&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Depois disso Rita seguiu trabalhando em uma papelaria, passou por uma empresa que fabricava fita cassete e continuou estudando. &#8220;Nessa \u00e9poca tamb\u00e9m eu trabalhava de dia e estudava \u00e0 noite, e a\u00ed teve um per\u00edodo que eu ingressei no atletismo atrav\u00e9s de uma professora minha de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Isso mais ou menos quando eu tinha uns 12 ou 13 anos. Eu meio que intercalava escola, trabalho e treino&#8221;. Ela conta tamb\u00e9m que com o tempo n\u00e3o conseguia mais trabalhar, pois estava buscando focar no treino, ent\u00e3o passou a estudar de manh\u00e3 e treinar a tarde.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>O esporte e a escola como canal de oportunidades e descobertas<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Na adolesc\u00eancia, Rita chegou a fazer atletismo na USP, oportunidade que conseguiu atrav\u00e9s de uma professora, na escola EMEF Brasil-Jap\u00e3o, no Rio Pequeno, que levou os alunos para uma sele\u00e7\u00e3o. Rita foi uma das selecionadas nessa peneira e come\u00e7ou a treinar no CEPEUSP &#8211; Centro de Pr\u00e1ticas Esportivas da USP.<\/span><\/p>\n<p>Esse contato com o atletismo aconteceu por meio da professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, F\u00e1tima. &#8220;Antes de entrar na USP, essa professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, que foi muito importante para que eu ingressasse nessa \u00e1rea de atletismo, ela levava a gente para competir, para fazer competi\u00e7\u00f5es interescolares. E a\u00ed ela que corria atr\u00e1s de tudo, que levava a gente, mas a gente normalmente competia por S\u00e3o Paulo mesmo&#8221;, conta Rita, ressaltando a import\u00e2ncia do apoio da professora nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Rita conta da vez que foram competir em Rio Claro, uma competi\u00e7\u00e3o estadual, e nessa \u00e9poca estava morando com seus av\u00f3s. Ela conta que os av\u00f3s davam o b\u00e1sico e essencial e sua m\u00e3e sempre buscava levar uma muda de roupa e material escolar quando precisava.<\/p>\n<p>&#8220;Fui classificada para participar desse campeonato estadual, ela [professora] que bancou a minha viagem, inclusive, eu nem tinha a roupa adequada para poder competir, porque o correto \u00e9 ter roupas de esporte, uma cal\u00e7a de moletom no m\u00ednimo, um t\u00eanis, e eu n\u00e3o tinha. Eu lembro que arrumei a minha mala toda empolgada pra ir competir, mas eu n\u00e3o tinha a roupa adequada, e a\u00ed quando chegou l\u00e1 no local, ela foi e me cedeu algumas roupas dela pra eu poder participar da competi\u00e7\u00e3o, porque eu n\u00e3o tinha&#8221;, lembra Rita.<\/p>\n<p>Durante tr\u00eas anos Rita conseguiu participar de competi\u00e7\u00f5es e se empenhar no atletismo. Ela parou de treinar aos 16 anos, per\u00edodo em que sentiu bater forte a necessidade de ajudar financeiramente dentro de casa. Como n\u00e3o era federada pelo clube, n\u00e3o recebia na \u00e9poca o sal\u00e1rio m\u00ednimo que era pago aos federados, recebia um aux\u00edlio para o transporte e alimenta\u00e7\u00e3o, e suporte nos custos das viagens para competi\u00e7\u00f5es em outras cidades.<\/p>\n<p>Com o fim do patroc\u00ednio que a USP recebia de uma empresa na \u00e9poca, alguns atletas foram cortados, e ela estava entre eles.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tive que optar, ou continuar treinando ou sair do treino e ir trabalhar. E como eu tinha encerrado contrato na USP, eu tinha a op\u00e7\u00e3o de ir para outro clube para poder fazer uma peneira e come\u00e7ar treinar, mas a\u00ed tinha encerrado o contrato&#8221;, ela completa: &#8220;A Xerox que era uma empresa grande, que nessa \u00e9poca patrocinava a USP, deixou de patrocinar, e a\u00ed eles tiveram que parar o treino de algumas pessoas, cortar o contrato com algumas pessoas e eu estava no meio, mas eles incentivaram a gente a procurar outro clube, Clube Pinheiros, por exemplo, pra gente poder continuar&#8221;, conta Rita que ap\u00f3s tr\u00eas anos no atletismo, deixou de treinar aos 16 anos, mas continuou estudando e voltou a trabalhar.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/834\/Rita.png\" title=\"Rita de C\u00e1ssia - Foto: Acervo pessoal \/ Arte: Flavia Lopes\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/834\/Rita.png\" title=\"Rita de C\u00e1ssia - Foto: Acervo pessoal \/ Arte: Flavia Lopes\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/834\/Rita.png\" title=\"Rita de C\u00e1ssia - Foto: Acervo pessoal \/ Arte: Flavia Lopes\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_large_Rita.png\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Rita de C\u00e1ssia &#8211; Foto: Acervo pessoal \/ Arte: Flavia Lopes<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>Cuidando de si: a cria\u00e7\u00e3o de novos caminhos e possibilidades<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Um ano ap\u00f3s parar com o atletismo, Rita se casou e engravidou da primeira filha. Nesse per\u00edodo se mudou de vez para Carapicu\u00edba, onde morou por um tempo com a m\u00e3e, Dulcineia Augusta, at\u00e9 construir sua casa no espa\u00e7o do terreno que recebeu de sua m\u00e3e.<\/span><\/p>\n<p>Ap\u00f3s se casar e mudar de cidade, ficou quatro anos dedicado a cuidar da casa e dos filhos: &#8220;Quando eu casei que eu vim para Carapicu\u00edba, fiquei quatro anos sem trabalhar, sem estudar, fiquei quatro anos dedicada realmente \u00e0 fam\u00edlia, aos meus filhos, marido, casa. At\u00e9 que eu decidi retomar a minha vida, a minha vida de trabalho. E a\u00ed depois de quatro anos de casada, minha filha mais velha estava com 4 anos, meu filho com 3 anos e eu voltei a trabalhar&#8221;, conta Rita.<\/p>\n<p>Ao voltar a trabalhar, Rita desempenhou diversas atividades, desde auxiliar de servi\u00e7os gerais a fiscal de caixa. Mas foi principalmente a partir de um emprego no qual ficou durante nove anos, de 2004 a 2013, e das diversas fun\u00e7\u00f5es e cargos que passou a ter na empresa, que sentiu a necessidade de voltar a estudar e aumentar suas possibilidades de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Foi at\u00e9 isso que me incentivou a voltar a estudar, a fazer faculdade, porque a empresa dava oportunidade para crescer, mas ali voc\u00ea tinha que ter pelo menos o ensino m\u00e9dio, a faculdade para poder alcan\u00e7ar novos horizontes&#8221;, ela complementa:<\/p>\n<p>&#8220;Foi quando eu voltei a estudar com objetivo de crescer dentro da empresa, estar em outros setores, e meu objetivo era ir para \u00e1rea financeira que \u00e9 algo que eu gosto, at\u00e9 por isso que queria muito fazer ci\u00eancias cont\u00e1beis, mas acabei fazendo gest\u00e3o financeira. Mas foi l\u00e1 aonde realmente voltou meu interesse em voltar a estudar, pensando em crescer dentro da empresa&#8221;, compartilha.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>\n<span>&nbsp;&#8220;Voltar a estudar, por exemplo, foi algo que eu fiz por mim e que foi muito importante.&#8221;<span class=\"redactor-invisible-space\"><\/span><\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ela lembra que em 1997 ia fazer o primeiro colegial, mas acabou trancando. Chegou a iniciar o primeiro colegial, que hoje \u00e9 o ensino m\u00e9dio, mas depois que casou foi para Carapicu\u00edba e acabou trancando a matr\u00edcula. &#8220;Eu s\u00f3 fui voltar a estudar, acho que em 2010, por a\u00ed, que eu voltei, fiz o EJA, conclu\u00ed o EJA e em 2013 eu entrei na faculdade. Foi algo que eu fiz por mim realmente, que foi essencial e fundamental, muito importante para mim, mesmo eu n\u00e3o tendo conclu\u00eddo a faculdade, infelizmente&#8221;.<\/p>\n<p>Atualmente atuando como supervisora de atendimento, Rita conta que chegou at\u00e9 o \u00faltimo semestre de Gest\u00e3o Financeira, mas precisou trancar devido a problemas de sa\u00fade. &#8220;Parei no \u00faltimo semestre, porque eu tive um problema na coluna, onde fiquei impossibilitada de me movimentar, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de pegar transporte, de ir at\u00e9 a faculdade. Cheguei at\u00e9 ir na faculdade para conversar com as pessoas l\u00e1 respons\u00e1veis pelo curso para ver se tinha alguma forma de finalizar, porque eu tava no finalzinho, lembro at\u00e9 que era mais ou menos outubro, novembro, j\u00e1 estava terminando o \u00faltimo semestre e eu queria concluir de toda forma&#8221;.<\/p>\n<p>Ela acrescenta: &#8220;N\u00e3o queria ter trancado sem concluir, porque eu sabia que ia ser dif\u00edcil pra mim voltar, mas eles disseram que n\u00e3o tinha jeito realmente, que o ideal seria eu trancar e retornar depois que estivesse com a sa\u00fade restabelecida&#8221;, coloca Rita, que hoje atua como supervisora de atendimento em uma empresa de comercializa\u00e7\u00e3o de aparelhos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>A import\u00e2ncia da for\u00e7a, apoio e refer\u00eancia de outras mulheres durante sua vida<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ao longo desses anos, Rita teve algumas mulheres como refer\u00eancia e que tamb\u00e9m te deram apoio em diversos momentos. Desde sua m\u00e3e e sua av\u00f3, at\u00e9 a sua professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, e a m\u00e3e de uma amiga que a deixava dormir em sua casa quando precisava sair cedo para alguma competi\u00e7\u00e3o de atletismo.<\/p>\n<p>Sua m\u00e3e, Dulcinei Augusta, \u00e9 uma das suas principais refer\u00eancias de m\u00e3e e mulher para ela: &#8220;A minha m\u00e3e sempre foi muito guerreira. Sozinha naquela \u00e9poca para criar e sustentar sete filhos, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Se hoje n\u00e3o foi f\u00e1cil, naquela \u00e9poca foi muito menos. Mesmo assim, mesmo diante de tanta dificuldade a gente tinha ali de manh\u00e3 cedo nem que fosse bolinho com farinha e com \u00e1gua para comer de manh\u00e3 cedo, a gente tinha um p\u00e3o amanhecido para comer, a gente tinha pelo menos uma fruta ali que j\u00e1 n\u00e3o estava t\u00e3o boa para alguns, mas pra gente j\u00e1 fazia nossa felicidade. Minha m\u00e3e sempre foi muito guerreira&#8221;, compartilha Rita sobre sua m\u00e3e que faleceu em 2014.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m traz sua av\u00f3 como uma figura de refer\u00eancia: &#8220;Que tamb\u00e9m teve bastante filhos e eu passei boa parte da minha inf\u00e2ncia e da minha juventude tamb\u00e9m, ent\u00e3o s\u00e3o as duas que s\u00e3o refer\u00eancias&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/834\/vo-e-me.jpeg\" title=\"Rita de C\u00e1ssia com sua m\u00e3e Dulcineia Augusta e sua av\u00f3 C\u00edcera Maria, no dia de seu noivado em mar\u00e7o de 1994. Foto: Acervo pessoal\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/834\/vo-e-me.jpeg\" title=\"Rita de C\u00e1ssia com sua m\u00e3e Dulcineia Augusta e sua av\u00f3 C\u00edcera Maria, no dia de seu noivado em mar\u00e7o de 1994. Foto: Acervo pessoal\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/834\/vo-e-me.jpeg\" title=\"Rita de C\u00e1ssia com sua m\u00e3e Dulcineia Augusta e sua av\u00f3 C\u00edcera Maria, no dia de seu noivado em mar\u00e7o de 1994. Foto: Acervo pessoal\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_thumbnail_vo-e-me.jpeg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Rita de C\u00e1ssia com sua m\u00e3e Dulcineia Augusta e sua av\u00f3 C\u00edcera Maria, no dia de seu noivado em mar\u00e7o de 1994. Foto: Acervo pessoal<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Al\u00e9m de sua m\u00e3e e av\u00f3, outra mulher foi importante para Rita na sua juventude, foi sua professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, F\u00e1tima, na \u00e9poca em que estudava na EMEF Brasil-Jap\u00e3o. Foi a partir da\u00ed que passou a se dedicar durante um per\u00edodo de sua vida ao atletismo, e participou de competi\u00e7\u00f5es em outras cidades.<\/span><\/p>\n<p>Nessa mesma \u00e9poca do atletismo, tamb\u00e9m teve uma outra mulher que passou pela sua vida que foi um canal de apoio e acolhimento: a m\u00e3e de uma amiga, Dona Leda. Era uma per\u00edodo em que estava treinando no Rio Pequeno e morando em Carapicu\u00edba. Quando precisava viajar para competir e estar \u00e0s 6 horas da manh\u00e3 na USP, o trajeto de Carapicu\u00edba para chegar at\u00e9 a universidade era mais complicado.<\/p>\n<p>&#8220;Nessa \u00e9poca eu tinha uma amiga chamada Luciana, que era mais ou menos bem de vida e ela tinha uma casa enorme, grandona, e a\u00ed a m\u00e3e dela deixava eu dormir l\u00e1. Eu dormia \u00e0s vezes l\u00e1 na sexta-feira ou no s\u00e1bado, dependendo se a competi\u00e7\u00e3o era na sexta ou s\u00e1bado, e a\u00ed sa\u00eda cedinho para competir&#8221;, conta Rita.<\/p>\n<p>Ela completa relembrando quando sa\u00eda cedo para competir e dormia na casa da m\u00e3e de uma amiga: &#8220;Essa fase eu me lembro muito bem da dona Leda que me acolhia l\u00e1 quando eu precisava ir competir no final de semana e eu estava morando aqui em Carapicu\u00edba. Ela sempre tinha l\u00e1 um quartinho reservado para eu dormir, eu levantava de manh\u00e3 cedo na ponta do p\u00e9 pra n\u00e3o ter que incomodar ningu\u00e9m, e a\u00ed ela j\u00e1 tinha deixado caf\u00e9 da manh\u00e3 prontinho pra mim. Me acolheu muito, me ajudou muito nessa fase tamb\u00e9m&#8221;, relembra Rita.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>O processo de se tornar m\u00e3e<span>&nbsp;<\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Para Rita de C\u00e1ssia, ser m\u00e3e \u00e9 algo que transforma, um amor indescrit\u00edvel. Ela conta que sempre se via sendo m\u00e3e, que era algo que sempre quis muito. N\u00e3o pensava se seria m\u00e3e aos 17, aos 30 ou 40 anos, apenas imaginava que queria ser m\u00e3e.<\/p>\n<p>Mas para ela, a parte que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa nesse processo, independente de ter sido mais jovem ou mais velha, \u00e9 a maior responsabilidade pelos filhos que fica para a mulher: &#8220;A mulher, principalmente quando eu engravidei, quando eu tive filhos, acaba tendo que abdicar de muitas coisas. Na minha \u00e9poca ainda muito mais do que hoje&#8221;.<\/p>\n<p>Ela afirma que alguns anos atr\u00e1s, o compartilhar das responsabilidades de cuidados com os filhos era um pouco diferente: &#8220;Hoje ainda os homens s\u00e3o muito mais parceiros, companheiros, eles dividem a responsabilidade dos filhos, da cria\u00e7\u00e3o, do cuidado, do ter que levantar de madrugada para trocar, de ter que levantar de madrugada para amamentar. Quando eu casei n\u00e3o, ent\u00e3o eu tive que abdicar de muita coisa&#8221;, aponta Rita.<\/p>\n<p>Ainda assim, a gravidez mesmo sem ter sido planejada, foi algo importante e bom, segundo ela: &#8220;Quando eu fui fazer o exame, eu fui no posto de sa\u00fade pegar o resultado, a enfermeira veio me falar o resultado, ela veio com uma cara de pesar, com uma cara de tristeza, pensando &#8216;nossa, uma menina t\u00e3o jovem, j\u00e1 gr\u00e1vida&#8217;. Achando que eu ia cair em desespero, mas na verdade foi o oposto, eu comecei a sorrir, fiquei t\u00e3o feliz, n\u00e3o pensei em nada, nenhuma consequ\u00eancia de como dizer para minha v\u00f3, ou mais do que dizer para minha v\u00f3, como dizer para o meu pai, eu s\u00f3 conseguia sorrir e ficar feliz&#8221;, conta Rita.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m afirma que n\u00e3o pensou nem nas consequ\u00eancias, mas a descoberta a fez querer ser cada vez mais forte. &#8220;Cair e levantar cada vez mais, me dava for\u00e7a para poder sempre quando acontecia alguma coisa ruim, que n\u00e3o dava certo, passar pela dificuldade, porque voc\u00ea tira for\u00e7a de onde voc\u00ea n\u00e3o tem pelos seus filhos. Muda tudo, pelo menos para mim. Voc\u00ea descobre realmente o real sentido da palavra amor, o real sentido da vida, \u00e9 uma coisa muito boa, apesar de n\u00e3o ser f\u00e1cil&#8221;, reflete.<\/p>\n<p>Ela afirma que sua inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia e juventude influenciaram nas decis\u00f5es e escolhas que fez para sua vida e na constru\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 hoje. &#8220;Hoje eu vejo que a pessoa que eu sou \u00e9 muito resultado de tudo que eu passei na minha vida, sejam as coisas boas ou as coisas ruins. As coisas boas porque eu procurei manter e as coisas ruins que eu tirei como li\u00e7\u00e3o para n\u00e3o fazer igual, pra n\u00e3o repetir e ser diferente. O que eu sou hoje \u00e9 muito resultado de tudo o que eu vivi&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para o futuro Rita j\u00e1 tem uma imagem do que deseja.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p> &#8220;Daqui alguns anos eu me imagino no meu sitiozinho, aposentada, criando minhas galinhas, cuidando da minha horta. Com os meus netinhos indo l\u00e1 final de semana me perturbar.&#8221;<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Mas ressalta: &#8220;Mas antes disso, eu imagino eu aqui com os meus netinhos, ainda aqui em Carapicu\u00edba, porque vai demorar alguns anos para eu conseguir meu s\u00edtio e para me aposentar. Mas antes disso ainda me imagino aqui em casa, com a casa cheia, com meus filhos, meu genro, minha nora, meus netos. Me imagino dessa forma&#8221;, finaliza Rita.<\/p>\n<p>Ser m\u00e3e sempre foi um desejo de Rita. Mesmo com as grandes mudan\u00e7as que aconteceram em sua vida com a chegada de seus dois filhos, sua trajet\u00f3ria n\u00e3o se resume no cap\u00edtulo em que se tornou m\u00e3e. Terminou os estudos, ingressou no ensino superior, hoje \u00e9 supervisora de uma equipe, e ao longo da sua caminhada descobriu e passou por v\u00e1rias rotas, com perdas e grandes conquistas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><em data-redactor-tag=\"em\">Esse perfil faz parte do conte\u00fado da semana do dia das m\u00e3es, onde compartilhamos um pouco das hist\u00f3rias das m\u00e3es dos integrantes da equipe do Desenrola e N\u00e3o Me Enrola. Al\u00e9m de tantas outras coisas, Rita de C\u00e1ssia \u00e9 m\u00e3e da Evelyn Vilhena, jornalista e integrante da equipe do Desenrola.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma trajet\u00f3ria de vida marcada por dores e muitas conquistas, ela conta como algumas mulheres apoiaram e marcaram sua juventude e a experi\u00eancia de ser m\u00e3e. 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