
{"id":1598,"date":"2021-05-30T22:32:30","date_gmt":"2021-05-31T01:32:30","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/05\/30\/direitos-invisiveis-como-estao-sobrevivendo-a-pandemia-os-trabalhadores-da-cultura-de-heliopolis-1\/"},"modified":"2024-06-29T21:07:38","modified_gmt":"2024-06-30T00:07:38","slug":"direitos-invisiveis-como-estao-sobrevivendo-a-pandemia-os-trabalhadores-da-cultura-de-heliopolis-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/direitos-invisiveis-como-estao-sobrevivendo-a-pandemia-os-trabalhadores-da-cultura-de-heliopolis-1\/","title":{"rendered":"Como os trabalhadores da cultura de Heli\u00f3polis est\u00e3o sobrevivendo \u00e0 pandemia?"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Estudo&nbsp;do&nbsp;Observat\u00f3rio De Olho Na Quebrada aponta que 84% dos artistas de Heli\u00f3polis tiveram seus trabalhos afetados pela pandemia em 2020.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Com cerca de 200 mil habitantes, a Cidade Nova Heli\u00f3polis tem o hist\u00f3rico de ser uma das favelas mais antigas de S\u00e3o Paulo. Um dos seus principais legados para a configura\u00e7\u00e3o cultural da cidade est\u00e1 na forma\u00e7\u00e3o do bairro constitu\u00eddo por fam\u00edlias das regi\u00f5es norte, nordeste e centro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma das moradoras de Heli\u00f3polis que representa esse cen\u00e1rio de constru\u00e7\u00e3o do bairro \u00e9 Gabrielle Santana, 23, artista e educadora, que nasceu em Cuiab\u00e1, capital do Mato Grosso. Ela \u00e9 conhecida dentro do territ\u00f3rio como MC Leona, uma das integrantes do grupo Crew Marretas do Hip Hop. A pandemia afetou negativamente a atua\u00e7\u00e3o profissional da moradora dentro do territ\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><b>&#8220;Os shows marcados foram cancelados, os cach\u00eas n\u00e3o foram recebidos&#8221;<\/b><\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p>\n<p><b>Gabrielle Santana \u00e9 artista e educadora&nbsp;social.<\/b><b><\/b><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>&#8220;Os shows marcados foram cancelados, os cach\u00eas n\u00e3o foram recebidos. Trabalhei o meu lado art\u00edstico especificamente nas redes sociais. Como educadora, o trabalho dobrou, pois trabalhamos em home office e presencialmente com o hor\u00e1rio reduzido, o que causou o aumento do n\u00edvel de ansiedade e reflex\u00f5es sobre sa\u00fade mental. Todos da minha \u00e1rea est\u00e3o saturados e desgastados mentalmente, os celulares n\u00e3o est\u00e3o aguentando o excessivo uso&#8221;, relata Santana.<\/p>\n<p>A educadora atende jovens e crian\u00e7as no Centro para Crian\u00e7as e Adolescentes &#8211; CCA Mina, equipamento comunit\u00e1rio administrado pela UNAS, uma organiza\u00e7\u00e3o social atuante em diversos projetos de combate as desigualdades sociais em Heli\u00f3polis.<\/p>\n<p>Atenta \u00e0 import\u00e2ncia de cobrar a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico para apoiar os agentes culturais de Heli\u00f3polis durante a pandemia, a moradora enfatiza a sua participa\u00e7\u00e3o no estudo realizado pelo Observat\u00f3rio De Olho Na Quebrada, iniciativa que atua na apura\u00e7\u00e3o de dados oficiais e produ\u00e7\u00e3o de pesquisas para criar estrat\u00e9gias e pol\u00edticas p\u00fablicas para o combate \u00e0 Covid-19.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_medium_3dese_20210430-152410_1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Mc Leona foi umas das artistas da Favela de Heli\u00f3polis que foi&nbsp;afetada pela crise gerada pela pandemia nos agentes culturais do territ\u00f3rio.&nbsp;(Foto: Andreas Ciero)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>&#8220;Acho extremamente importante essas pesquisas para levantarmos dados e entendermos o contexto que profissionais da cultura, assim como eu, est\u00e3o vivendo nesse momento. Sabendo das necessidades, a resposta para os problemas se torna mais f\u00e1cil&#8221;, acredita ela.<\/span><\/p>\n<p>Ela enfatiza o papel do poder p\u00fablico para fornecer dados confi\u00e1veis nesse momento dif\u00edcil da sociedade. &#8220;O Governo poderia facilitar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, diminuir as burocracias ou se disponibilizar a ensinar os artistas que n\u00e3o entendem esses processos e criar novos editais, ajudar o dinheiro a circular entre n\u00f3s artistas tamb\u00e9m, que precisamos sobreviver.&#8221;<\/p>\n<p>Desde 2020, o Observat\u00f3rio De Olho Na Quebrada vem realizando uma s\u00e9rie de pesquisas dentro dos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos. Uma dessas investiga\u00e7\u00f5es aborda o<a href=\"https:\/\/www.unas.org.br\/single-post\/84-dos-artistas-de-heliopolis-tiveram-impactos-em-seu-trabalho-devido-a-pandemia\" target=\"_blank\" style=\"font-size: inherit; text-align: inherit;\" rel=\"noopener\">s impactos da pandemia nos trabalhadores da cultura<\/a> de Heli\u00f3polis, uma das maiores e mais antigas favelas da cidade, localizada na divisa da zona sul com o lado leste do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>A partir dos dados obtidos ao longo da pesquisa, os pesquisadores que fazem parte do Observat\u00f3rio de Olho na Quebrada visam ajudar a comunidade a lutar pelos seus direitos. O estudo foi realizado entre os meses de junho e julho de 2020, com o suporte de um formul\u00e1rio online e contou com a participa\u00e7\u00e3o de 50 trabalhadores da cultura, dentre eles artistas, produtores, educadores, t\u00e9cnicos que residem em Heli\u00f3polis, entre os meses de junho e julho de 2020.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/b2ap3_medium_2desenrola.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>MDH &#8211; Marretas do Hip Hop (Foto: Andreas Ciero)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><b>&#8220;\u00c9&nbsp;de grande import\u00e2ncia ter pesquisadores dentro da pr\u00f3pria quebrada, pois conhecemos e vivemos a realidade do territ\u00f3rio&#8221;<\/b><\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p>\n<p><b>Leticia Avelino \u00e9 pesquisadora do Observat\u00f3rio de Olho na Quebrada<\/b><b><\/b><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Nascida no Piau\u00ed e moradora de Heli\u00f3polis desde os tr\u00eas anos, Leticia Avelino, 21, atua como educadora de dan\u00e7a de freestyle. Ela faz parte do grupo dos trabalhadores da cultura que enxergaram na pesquisa uma forma de entender os impactos invis\u00edveis causados pela pandemia de covid-19 na economia da cultura local.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;A pesquisa \u00e9 muito importante, ainda mais para mim que sou artista na quebrada, \u00e9 uma pesquisa destinada para os pr\u00f3prios moradores e diversos outros lugares para buscar poss\u00edveis ajudas e oportunidades para quebrada&#8221;, define ela.<\/p>\n<p>Outro morador de Heli\u00f3polis que participou do desenvolvimento da pesquisa \u00e9 o artista Gabriel Feitosa, 19, o artista e pesquisador explica a proposta de trabalho do observat\u00f3rio no territ\u00f3rio. &#8220;Moro no Heli\u00f3polis. Enxergo ele como um bairro de luta. Sou pesquisador no projeto De Olho na Quebrada, aqui levantamos dados sobre a popula\u00e7\u00e3o daqui e temos o objetivo de manter a mem\u00f3ria de Heli\u00f3polis viva. Usamos toda a arte que reverbera ao nosso redor, m\u00fasica, dan\u00e7a, grafite e poesia. Trabalhamos com e para a comunidade&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Feitosa cita novamente a escassez de dados dentro sobre a vida nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos e a partir disso, ela explica o tema da pesquisa. &#8220;Quis ajudar na cria\u00e7\u00e3o da pesquisa porque sou artista. Um dos 84% dos artistas de Heli\u00f3polis que tiveram impactos em seu trabalho devido a pandemia, e n\u00e3o existe dados oficiais sobre isso, por isso resolvemos realizar uma s\u00e9rie de pesquisas.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Para o pesquisador, trabalhar com arte e cultura nas periferias e favelas significa ter que se virar, ter uma vida dupla, tripla, pois a arte exige dedica\u00e7\u00e3o total. &#8220;Para um morador de Heli\u00f3polis que tem que lidar com todas as adversidades viver de arte \u00e9 dif\u00edcil. A pesquisa fala sobre como os artistas perif\u00e9ricos est\u00e3o sendo prejudicados na pandemia. Foi feita pra comunidade e pela comunidade pelo De olho na Quebrada.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de educadora de dan\u00e7a, Let\u00edcia participou do processo de produ\u00e7\u00e3o da pesquisa. Ela ressalta que um dos maiores legados da pesquisa \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de moradores da quebrada no processo de elabora\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 de grande import\u00e2ncia ter pesquisadores da pr\u00f3pria quebrada, pois conhecemos e vivemos a realidade do territ\u00f3rio, assim sabemos o que precisa ser de mais aten\u00e7\u00e3o e o que pode ser criado para ajudar, e assim se baseia nossa a\u00e7\u00e3o de Heli\u00f3polis para Heli\u00f3polis&#8221;, afirma a pesquisadora, ressaltando que essa iniciativa pode inspirar outros agentes culturais de outras quebradas a fazer o mesmo pelo seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ela acredita que a pesquisa pode dar mais voz para as demandas de pol\u00edticas p\u00fablicas urgentes no territ\u00f3rio. &#8220;\u00c9 com a pesquisa que damos voz para aquilo que precisa ser falado e mudado, como um grito de socorro mesmo, sobre nosso territ\u00f3rio e nos mesmos, n\u00e3o h\u00e1 registros, n\u00e3o h\u00e1 dados, por isso a pesquisa. Ela tamb\u00e9m traz o impacto da visibilidade, impacta que as pessoas sabem que h\u00e1 luta, que algu\u00e9m est\u00e1 lutando por n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><b>&#8220;V\u00e1rios artistas da regi\u00e3o foram prejudicados, n\u00e3o conseguiram se sustentar&#8221;<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p>\n<p><b>Felipe de Oliveira \u00e9 rapper conhecido no territ\u00f3rio como Arkano<\/b><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>&#8220;Sou preto com a fam\u00edlia vinda l\u00e1 de Minas Gerais. Utilizo da linguagem do Hip Hop como elemento, meu trabalho \u00e9 pensado para adolescentes, jovens e adultos&#8221;, enaltece Felipe de Oliveira, rapper de 37 anos conhecido no territ\u00f3rio de Heli\u00f3polis como Arkano. Ele faz quest\u00e3o de enfatiza que mora na divisa com o distrito do Ipiranga e que a favela onde ele mora &#8220;historicamente importante para a cidade&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Assim com outros agentes culturais que entrevistamos na reportagem, Oliveira sofreu um grande impacto na sua agenda de shows. &#8220;As contrata\u00e7\u00f5es de shows ca\u00edram drasticamente por causa do fechamento dos espa\u00e7os culturais e privados, como casa de shows e espa\u00e7os relacionados com a arte e cultura. Meu trabalho art\u00edstico quebrou em mais de 90%. V\u00e1rios artistas da regi\u00e3o foram prejudicados, n\u00e3o conseguiram se sustentar, precisaram de aux\u00edlio, cestas b\u00e1sicas, tiveram que recorrer a solidariedade dos mais pr\u00f3ximos, cen\u00e1rio muito triste&#8221;, relata.<\/p>\n<p>O m\u00fasico opina sobre como o poder p\u00fablico poderia apoiar os trabalhadores da cultura e fala sobre a lei Aldir Blanc, uma pol\u00edtica p\u00fablica de emerg\u00eancia cultural. &#8220;Reduzir a burocracia para acesso \u00e0s verbas de recursos p\u00fablicos emergenciais, muitas vezes \u00e9 tanto documento a ser emitido e enviado que acaba por desestimular os artistas. E inda tem a lei Aldir Blanc no meio disso, que foi o m\u00ednimo que deveriam ter feito, acho que \u00e9 melhor algum recurso do que nada, por\u00e9m na minha vis\u00e3o, durante o per\u00edodo de maior necessidade dos artistas esse recurso n\u00e3o estava dispon\u00edvel ou era muito dif\u00edcil para acess\u00e1-lo&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Segundo o gestor e produtor cultural Gilson Mar\u00e7al, 41, morador do Jardim Monte Azul no distrito do Jardim S\u00e3o Lu\u00eds, zona sul da cidade, a Lei federal de Emerg\u00eancia Cultural Aldir Blanc veio para promover uma ajuda emergencial para artistas, coletivos e empresas que atuam no setor cultural e atravessam dificuldades financeiras durante a pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Os eventos culturais foram as primeiras atividades a parar devido ao Covid-19, deixando no Brasil mais de um milh\u00e3o de trabalhadores da cultura sem renda. O recurso vem do Fundo Nacional de Cultura (que tem tr\u00eas bilh\u00f5es de reais) repassados aos Estados e Munic\u00edpios de todo o Brasil. Cada Estado e Cidade precisou mandar um plano de trabalho para o Governo Federal e recebeu o recurso. S\u00e3o 3 linhas de apoio: 1) Renda de 600 reais para Trabalhadores e Trabalhadoras da Cultura \/ 2) Apoio a Espa\u00e7os Culturais (subs\u00eddio) \/ 3) Editais, Pr\u00eamios e Chamadas P\u00fablicas&#8221;, explica o gestor cultural.<\/p>\n<p>Para efetiva\u00e7\u00e3o da Lei Aldir Blanc, o Estado \u00e9 respons\u00e1vel por pagar a renda individual de 600 reais e lan\u00e7ar editais e a prefeitura local fica com a fun\u00e7\u00e3o de promover o apoio aos espa\u00e7os culturais.<\/p>\n<p>&#8220;No caso o Munic\u00edpio ficou respons\u00e1vel pelos Apoios aos Espa\u00e7os Culturais, o que \u00e9 muito importante. Muitos destes espa\u00e7os pagam alugu\u00e9is e contas que s\u00e3o pagas com os ingressos do p\u00fablico, do barzinho, dos produtos vendidos nos eventos. A lei fala em apoiar espa\u00e7os f\u00edsicos que t\u00eam CNPJ, Espa\u00e7os Informais por meio de CPF, como tamb\u00e9m apoiar &#8216;teatro de rua e demais express\u00f5es art\u00edsticas e culturais realizadas em espa\u00e7os p\u00fablicos&#8221;, descreve Mar\u00e7al.<\/p>\n<p>A Prefeitura de S\u00e3o Paulo privilegiou no seu cadastro os Espa\u00e7os F\u00edsicos com CNPJ, deixando de lado os Espa\u00e7os Informais e Atividades que s\u00e3o realizadas em Espa\u00e7os P\u00fablicos, como as Rodas de Samba, as Rodas de Capoeira, a Cultura Popular, as Artes de Rua e Eventos Tradicionais que ocorrem nas ruas dos bairros.<\/p>\n<p>Ao avaliar os impactos da pandemia nos trabalhadores da cultura, Mar\u00e7al lembra que os governo federal e municipal realizaram diversos ataques ao setor cultural bem antes da pandemia chegar com for\u00e7as \u00e0s periferias.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tinha como prever ou evitar, mas se tiv\u00e9ssemos uma pol\u00edtica cultural forte, que desse conta de apoiar o setor neste momento de crise, o estrago poderia ser menor. O Governo Federal ataca a arte e a cultura de forma verbal e de forma pr\u00e1tica, com a extin\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura e a redu\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento. Quando olhamos para a Cidade de S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 muito diferente, o or\u00e7amento da Cultura foi cortado na Cidade e no Estado. No caso da Cidade, o Programa VAI 1 e 2, a Semana do Hip Hop, o Programa Vocacional, PIA (inicia\u00e7\u00e3o art\u00edstica) tiveram seu or\u00e7amento reduzido e diminu\u00edram seus atendimentos&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>O produtor enfatiza sua an\u00e1lise explicando o contexto dos trabalhadores da cultura neste momento. &#8220;Apesar da execu\u00e7\u00e3o da Lei de Emerg\u00eancia Cultural Aldir Blanc, os trabalhadores da cultura seguem em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, de alta vulnerabilidade e sem perspectiva de retomada das atividades culturais presenciais&#8221;.<\/p>\n<p>Para contextualizar sua vis\u00e3o pol\u00edtica e anal\u00edtica sobre a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da cultura, Mar\u00e7al cita alguns n\u00fameros que demonstram sua preocupa\u00e7\u00e3o com o setor. &#8220;Muitas casas de shows grandes e pequenas est\u00e3o fechando. S\u00f3 nos seis primeiros meses da pandemia 900 mil trabalhadores formais e informais perderam seus empregos e renda. Uma pesquisa do Ita\u00fa Cultural em novembro de 2020 revela que metade dos trabalhadores especializados em cultura perderam seus postos no \u00faltimo ano. O setor tem promovido a\u00e7\u00f5es para ajudar os trabalhadores da cultura e segue articulado \u00e0 expans\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de Leis Municipais de Emerg\u00eancia Cultural, agora estaduais e municipais, para que seja poss\u00edvel promover mais uma nova ponte deste momento cr\u00edtico at\u00e9 um controle da pandemia&#8221;, finaliza.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo&nbsp;do&nbsp;Observat\u00f3rio De Olho Na Quebrada aponta que 84% dos artistas de Heli\u00f3polis tiveram seus trabalhos afetados pela pandemia em 2020.&nbsp; Com cerca de 200 mil habitantes, a Cidade Nova Heli\u00f3polis tem o hist\u00f3rico de ser uma das favelas mais antigas de S\u00e3o Paulo. Um dos seus principais legados para a configura\u00e7\u00e3o cultural da cidade est\u00e1 [&hellip;]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[47,48,49],"ppma_author":[77],"class_list":["post-1598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-contextos-perifericos","tag-contextos-perifericos","tag-especial","tag-territorio-da-noticia"],"acf":[],"authors":[{"term_id":77,"user_id":6,"is_guest":0,"slug":"vitoria-reporterpoliticagmail-com","display_name":"Vit\u00f3ria Guilhermina","avatar_url":{"url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Foto-Vitoria.jpeg","url2x":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Foto-Vitoria.jpeg"},"first_name":"Vit\u00f3ria","last_name":"Guilhermina","user_url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/xxvitoriaalves\"><i><\/i> \/xxvitoriaalves<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_vitoriaae\/\"><i> <\/i> @_vitoriaae<\/a>\r\nMoradora do Rio Pequeno, zona oeste de S\u00e3o Paulo, Vit\u00f3ria Guilhermina, 20, \u00e9 formada em Orienta\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria pela Etec CEPAM. Em 2018 ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Ela atua em seu territ\u00f3rio com projetos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como o Cursinho Livre Cl\u00e1udia Silva Ferreira. Por meio da escrita, ela est\u00e1 aprendendo a ser cientista social fazendo jornalismo de quebrada."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1598"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1598\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3358,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1598\/revisions\/3358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1598"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}