
{"id":1565,"date":"2021-04-05T21:35:19","date_gmt":"2021-04-06T00:35:19","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/04\/05\/terapeutas-criam-estrategias-de-atendimento-remoto-para-moradores-das-periferias-de-sp\/"},"modified":"2024-06-29T21:10:24","modified_gmt":"2024-06-30T00:10:24","slug":"terapeutas-criam-estrategias-de-atendimento-remoto-para-moradores-das-periferias-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/quebrada-tech\/terapeutas-criam-estrategias-de-atendimento-remoto-para-moradores-das-periferias-de-sp\/","title":{"rendered":"Terapeutas criam estrat\u00e9gias de atendimento remoto para moradores das periferias de SP"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Entrevistados afirmam que a realiza\u00e7\u00e3o de terapia por meio de plataformas de reuni\u00e3o ou chamadas de voz via celular fazem parte de uma medida emergencial para democratizar o acesso a sa\u00fade mental, demanda que cresceu generosamente junto com as desigualdades sociais que se agravaram durante a pandemia.<span>&nbsp;<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Integrantes do coletivo PerifAn\u00e1lise. (Foto: Adalberto Bussola)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar na import\u00e2ncia de obter autoconhecimento para cuidar da sa\u00fade mental? Voc\u00ea acha que esse \u00e9 um papo furado ou coisa de gente fresca que n\u00e3o sabe como gastar dinheiro e acaba investindo em consultas para falar dos problemas do cotidiano para pessoas desconhecidas que nem conhecem as suas reais necessidades f\u00edsicas e mentais?<\/span><\/p>\n<p>As perguntas acima fazem parte da cultura de muitas pessoas moradoras das periferias e favelas que n\u00e3o conhecem ou n\u00e3o tem acesso ao servi\u00e7o de um psic\u00f3logo ou psicanalista.<\/p>\n<p>Ao entender que a pandemia iria gerar um grande passo para tr\u00e1s, devido ao encerramento de diversas pol\u00edticas p\u00fablicas que garantiram acesso a direitos sociais importantes para a popula\u00e7\u00e3o pobre brasileira, um grupo de moradoras das periferias, formado por psic\u00f3logas come\u00e7ou a refletir sobre os efeitos do &#8216;bolsonarismo&#8217; e o modo do presidente Jair Bolsonaro enfrentar o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Esta motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica levou a cria\u00e7\u00e3o do PerifAn\u00e1lise, coletivo formado por mulheres da quebrada que atendem moradores das periferias que desenvolveram problemas de sa\u00fade mental durante a pandemia de covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;A periferia \u00e9 a que mais sofre com a ascens\u00e3o do bolsonarismo, \u00e9 nesse momento que a gente come\u00e7a estudar psican\u00e1lise&#8221;, afirma Paula Jamele, psic\u00f3loga cl\u00ednica que atua no PerifAn\u00e1lise, coletivo de profissionais que oferecem atendimento terap\u00eautico a moradores das periferias.<\/p>\n<p>O PerifAn\u00e1lise foi fundado em agosto de 2018, com o objetivo de cuidar do bem estar mental do moradores da periferia e democratizar a psican\u00e1lise. &#8220;A gente come\u00e7ou a construir a possibilidade de ter um dispositivo cl\u00ednico, que pudesse estar pr\u00f3ximo da periferia, j\u00e1 que a psican\u00e1lise \u00e9 sempre t\u00e3o centralizada, sempre t\u00e3o distante da periferia, e que muitas vezes acaba acontecendo de uma forma nem tanto democr\u00e1tica, ent\u00e3o no primeiro momento a gente pensa em construir um dispositivo cl\u00ednico que a periferia pudesse acessar&#8221;, acrescenta Jamele.<\/p>\n<p>Mesmo com uma ideia boa para ser colocada em pr\u00e1tica, a chegada da pandemia impediu imediatamente os atendimentos presenciais, assim o grupo passa imigrar o contato com os pacientes para o ambiente online, outro desafio a ser enfrentado nesse momento turbulento de luta pela vida.<\/p>\n<p>Ao firmar o compromisso de fazer atendimentos online, a psic\u00f3loga cl\u00ednica afirma que o coletivo ganhou bastante visibilidade no Instagram, uma plataforma que atraiu muitas pessoas interessadas em conhecer mais sobre o PerifAn\u00e1lise, fato que resultou inclusive no crescimento do projeto e gera\u00e7\u00e3o de novas oportunidades.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o no atendimento ao p\u00fablico exigiu do PerifAn\u00e1lise uma adapta\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio da escassez de recursos digitais que os moradores da periferia t\u00eam em plena era da quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial, puxada principalmente pelas novas tecnologias.<\/p>\n<p>&#8220;Estou atendendo uma analisante que mora na periferia e desde o in\u00edcio ela me disse: &#8216;olha minha internet n\u00e3o tem um bom sinal&#8217; e desde ent\u00e3o, a gente faz an\u00e1lise por chamada de voz, e a gente vai pensando em outras possibilidades que a tecnologia permita&#8221;, relata Jamele.<\/p>\n<p>Segundo a psic\u00f3loga, analisante \u00e9 a pessoa que recebe o atendimento terap\u00eautico e est\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o se passar por um processo de acompanhamento das suas necessidades de cuidado com a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a que existe uma diferen\u00e7a entre o servi\u00e7o de internet dispon\u00edvel no centro da cidade e na periferia. &#8220;O que \u00e9 uma internet da periferia em compara\u00e7\u00e3o para uma regi\u00e3o mais central? Tem isso, a gente foi percebendo ao longo do tempo \u00e9 percebe at\u00e9 hoje&#8221;, aponta Jamele.<\/p>\n<p>Com o atendimento reduzido a chama de voz, ou seja, sem ver a express\u00e3o facial do paciente, Jamele relata a import\u00e2ncia do \u00e1udio e da escuta ativa da voz para acessar o subconsciente dos seus pacientes. &#8220;Uma presen\u00e7a por chamada de voz, ainda que n\u00e3o se possa ver a imagem um do outro \u00e9 um elemento muito importante, porque a voz pra psican\u00e1lise vai dizer muito do aspecto inconsciente tamb\u00e9m&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Atenta ao di\u00e1logo com Jamele, a colega de profiss\u00e3o Em\u00edlia da Silva, 30, moradora da Cidade Tiradentes ressalta que o atendimento online n\u00e3o \u00e9 algo presente no cotidiano dos estudantes universit\u00e1rios. &#8220;Essa quest\u00e3o do online nunca foi muito abordada pelo menos na minha faculdade, eu sabia que existia, mas pouqu\u00edssimas pessoas faziam, j\u00e1 tinha ouvido ou lido algo sobre fora do Brasil, mas aqui no Brasil n\u00e3o&#8221;, conta ela, afirmando que j\u00e1 iniciei sua atua\u00e7\u00e3o profissional com o atendimento no ambiente digital.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Cidade Tiradentes, extremo leste de S\u00e3o Paulo, problema essa quest\u00e3o da grade pedag\u00f3gica e enfatiza que falta uma disciplina e estudos voltados para o atendimento online nas universidades.<\/p>\n<p>As ferramentas tecnol\u00f3gicas utilizadas por Emilia para realizar o atendimento s\u00e3o aplicativos que os analisantes j\u00e1 est\u00e3o familiarizados no seu cotidiano. &#8220;Eu costumo atender mais pelo whatsapp, pensando muito na mem\u00f3ria do celular, e se for por alguma outra plataforma, como Google Meet ou Skype, vai da demanda do analisante, eu espero ele colocar essa procura pela facilidade&#8221;, descreve.<\/p>\n<p>Ao trazer essa quest\u00e3o da flexibilidade de escolha de aplicativos para o atendimento, ela faz uma pondera\u00e7\u00e3o sobre o uso do whatsapp e a mem\u00f3ria dos smartphones dos analisantes. &#8220;O whatsapp chega at\u00e9 ser impessoal em alguns momentos, mas eu espero da pessoa n\u00e9, muitas pessoas n\u00e3o t\u00eam capacidade de baixar v\u00e1rios aplicativos e tem essa quest\u00e3o da mem\u00f3ria do celular&#8221;, argumenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><span>&#8220;Eu acho que o online \u00e9 mais uma possibilidade&#8221;<\/span><\/p>\n<p><cite>Rosimeire Bussola<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Rosimeire Bussola \u00e9 moradora de S\u00e3o Mateus e integrante do PerifAn\u00e1lise. Para ela, a experi\u00eancia com atendimento online \u00e9 atribuindo a uma nova maneira de se fazer psican\u00e1lise e torna-la&nbsp;mais acess\u00edvel para o morador da quebrada.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;A gente v\u00ea que existe uma infinidade de outras possibilidades, eu acho que o online \u00e9 mais uma possibilidade, tem muita gente j\u00e1 estudando, debatendo e conversando sobre essa ferramenta que gente chegou para ficar, e a gente consegue ver efeitos interessantes, tanto nos efeitos da cl\u00ednica convencional, quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura f\u00edsica&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>Bussola entende a cria\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o online como uma a\u00e7\u00e3o emergencial, para que pessoas tenham um lugar para falar das suas dores. &#8220;Quando a gente se disponibilizou em ouvir as pessoas elas vieram e com a pandemia, al\u00e9m da gente inventar formas de poder atend\u00ea-las, essas pessoas tamb\u00e9m se reinventaram&#8221;, explica.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o solid\u00e1ria do morador da periferia, que busca de alguma forma ajudar o pr\u00f3ximo a superar determinado problema \u00e9 algo presente em uma das experi\u00eancias de atendimentos online realizado por Rosimeire.<\/p>\n<p>Pude perceber o quanto as pessoas davam import\u00e2ncia para esse espa\u00e7o de escuta, tive experi\u00eancia de pegarem celulares emprestados pra poder sustentar a presen\u00e7a os atendimentos, e ouvi coisas do tipo: olha eu moro aqui na favela, ent\u00e3o \u00e9 muito barulho, vou precisar encontrar outro lugar&#8221;, confidencia a psic\u00f3loga, afirmando que esse relato aponta para as condi\u00e7\u00f5es da vulnerabilidade social do indiv\u00edduo, mas aponta tamb\u00e9m para uma busca de solu\u00e7\u00e3o para continuar contando suas quest\u00f5es no espa\u00e7o terap\u00eautico online.<\/p>\n<p>Uma das coisas que torna os valores acess\u00edveis no coletivo \u00e9 a flexibilidade de pre\u00e7os na sess\u00e3o, onde \u00e9 adequado para cada morador, de acordo com suas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas no momento de buscar a terapia. &#8220;Isso que a gente faz de combinar com cada pessoa, com cada analisante de que ela possa pagar aquilo que ela consegue no momento&#8221;, diz Rosimeire, abordando que atrav\u00e9s desse questionamento ela busca durante as sess\u00f5es trazer uma maior consci\u00eancia sobre o valor do dinheiro. &#8220;Ao longo do acompanhamento das sess\u00f5es, a pr\u00f3pria pessoa v\u00ea quanto quer e quanto vai pagar inclusive isso acaba sendo o acompanhamento da pr\u00f3pria an\u00e1lise, qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do dinheiro para vida de cada pessoa&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/b2ap3_large_creditos_Katia_Lopes.jpeg\" alt=\"Douglas Felix \u00e9 psic\u00f3logo e s\u00f3cio propriet\u00e1rio do espa\u00e7o terap\u00eautico Canto Baob\u00e1. (Foto: Katia Lopes)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Douglas Felix \u00e9 psic\u00f3logo e s\u00f3cio propriet\u00e1rio do espa\u00e7o terap\u00eautico Canto Baob\u00e1. (Foto: Katia Lopes)  <\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><span>&#8220;Atendemos pessoas na laje, banheiro, pra\u00e7a, j\u00e1 atendi tamb\u00e9m na frente do ponto de \u00f4nibus&#8221;<\/span><\/p>\n<p><cite> <a name=\"_Hlk68540961\">Douglas Felix<\/a><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Outro projeto que se prop\u00f4s a oferecer um espa\u00e7o de cuidado para a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o preta e perif\u00e9rica \u00e9 o Canto Baob\u00e1, iniciativa que oferece terapia com \u00eanfase em quest\u00f5es raciais, g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual. A cl\u00ednica foi idealizada pelo psic\u00f3logo <\/span>Douglas Felix<span>, 36, antes da pandemia e hoje tamb\u00e9m utiliza o ambiente online para atender os analisantes.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;A gente foi ser perguntando quem era essas pessoas que estavam na cl\u00ednica de psicologia e como esses psic\u00f3logos estavam recebendo mesmo, quando a gente come\u00e7ou a construir o projeto, nossa ideia sempre foi atender essa popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, porque a gente lembrou muito da nossa hist\u00f3ria&#8221;, relembra Felix, abordando como os motivos para criar a empresa.<\/p>\n<p>Para o psic\u00f3logo que saiu do Parque Santo Ant\u00f4nio, na zona sul de S\u00e3o Paulo e foi morar na Bela Vista, regi\u00e3o central, as sess\u00f5es de terapia ficaram mais intensas nesse novo formato online. &#8220;Eu vejo que as sess\u00f5es ficaram muito mais profundas, porque agora eles conseguem mostrar pra gente de uma forma mais concreta o que eles querem dizer, ou o que eles querem dizer&#8221;, analisa Felix.<\/p>\n<p>Douglas entende o cen\u00e1rio no qual estamos vivendo torna a terapia um servi\u00e7o essencial pra cuidar da sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Essa pandemia fez a gente repensar novas formas de construir e ser psic\u00f3logo, de chegar a outros espa\u00e7os, de levar a psicologia de uma forma diferente, ou at\u00e9 mesmo tirar esse estere\u00f3tipo, essa forma que psicologia \u00e9 s\u00f3 pra quem precisa, a gente vai vendo que a sa\u00fade mental tinha que ser muito mais trabalhada nas pol\u00edticas p\u00fablicas, pelos nossos governantes&#8221;, opina.<\/p>\n<p>Um dos argumentos do psic\u00f3logo para tornar a terapia um servi\u00e7o essencial ou uma pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 a quest\u00e3o dos fatores sociais que causam as doen\u00e7as invis\u00edveis que atingem principalmente os moradores das periferias.<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea pensa em uma doen\u00e7a quem vai somatizando no corpo, o quanto tem a haver com a hist\u00f3ria dessa pessoa, principalmente em pessoas perif\u00e9ricas n\u00e9, ela n\u00e3o tem a escolha de fazer um home office, ela tem que ir l\u00e1 fazer o trampo dela, ent\u00e3o ela tem que ser colocar em risco, a gente vai pensando o quanto de outras viol\u00eancias estruturais foram acontecendo com essa pessoa&#8221;, reflete o psic\u00f3logo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/b2ap3_large_creditos_Juliana_Ribeiro.jpeg\" alt=\"Ana Albuquerque e s\u00f3cia de Douglas na constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o terap\u00eautico Canto Baob\u00e1. (Foto: Juliana Ribeiro)\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Ana Albuquerque e s\u00f3cia de Douglas na constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o terap\u00eautico Canto Baob\u00e1. (Foto: Juliana Ribeiro)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A psic\u00f3loga Ana Albuquerque, 29, \u00e9 s\u00f3cia de Felix na constru\u00e7\u00e3o do Canto Baob\u00e1, conta que os atendimentos t\u00eam circulado em torno de temas e debates focado em desigualdades sociais. &#8220;A gente tem trabalhado falando muito do social e tentando aliviar culpas singulares que v\u00e3o sendo internalizadas, o que \u00e9 s\u00f3 mais uma estrat\u00e9gia das viol\u00eancias e opress\u00f5es tamb\u00e9m&#8221;, explica.<\/p>\n<p>De olho na mobilidade que as plataformas digitais oferecem, a psic\u00f3loga revela que tem realizado atendimentos nos locais mais diversos. &#8220;Atendemos as pessoas na laje, banheiro, pra\u00e7as, e j\u00e1 atendi tamb\u00e9m na frente do ponto de \u00f4nibus, onde dava pra encontrar ali um espa\u00e7o, a gente foi tentando ter a criatividade e trazer essa pessoa, ent\u00e3o vamos continuar pensando e criando o que d\u00e1 para fazer&#8221;, conta Albuquerque.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m morava na periferia, mais precisamente na Freguesia do \u00d3, regi\u00e3o noroeste de S\u00e3o Paulo. A psic\u00f3loga revela mais uma vez s\u00e3o as desigualdades sociais s\u00e3o temas recorrentes nos atendimentos realizados por ela. &#8220;Muito da ansiedade vem de uma ang\u00fastia, do eu n\u00e3o posso ficar em casa, eu vou pegar transporte, eu vou chegar do trabalho, eu vou faltar, eu moro com toda minha fam\u00edlia, n\u00e3o tenho tantos c\u00f4modos aqui, \u00e9 a ansiedade \u00e9 despertada a partir do eu posso passar todo dia, posso transgredir todo dia, e a gente tem trabalhado muito isso, e a gente tem trabalhado muito para que essa culpabiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja singular.&#8221;<\/p>\n<p><span>A psic\u00f3loga finaliza a entrevista falando do qu\u00e3o importante \u00e9 se adaptar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de cada pessoa, pensando no acesso \u00e0 internet, para ela ter acesso ao cuidado com a sua sa\u00fade mental. &#8220;Nem todo mundo tem um lugar pra fazer terapia com privacidade e a gente precisa pensar tamb\u00e9m como a internet n\u00e3o chega a todos os lugares?&#8221;, questiona ela, esclarecendo que fazer uma triagem dos analisantes \u00e9 o ponto de partida para gerar uma inclus\u00e3o social. &#8220;Hoje a gente pensa em um caminho de triagem, de entender a realidade de cada pessoa, e o fechamento do valor \u00e9 individual, de acordo com cada realidade, cada hist\u00f3ria e com cada pessoa&#8221;, conclui.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevistados afirmam que a realiza\u00e7\u00e3o de terapia por meio de plataformas de reuni\u00e3o ou chamadas de voz via celular fazem parte de uma medida emergencial para democratizar o acesso a sa\u00fade mental, demanda que cresceu generosamente junto com as desigualdades sociais que se agravaram durante a pandemia.&nbsp; Integrantes do coletivo PerifAn\u00e1lise. 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Em 2018, ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. 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