
{"id":1518,"date":"2021-03-15T20:40:40","date_gmt":"2021-03-15T23:40:40","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/03\/15\/o-meu-territorio-de-militancia-sempre-foi-a-periferia-o-legado-de-anabela-goncalves\/"},"modified":"2024-06-29T21:10:39","modified_gmt":"2024-06-30T00:10:39","slug":"o-meu-territorio-de-militancia-sempre-foi-a-periferia-o-legado-de-anabela-goncalves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/series\/o-meu-territorio-de-militancia-sempre-foi-a-periferia-o-legado-de-anabela-goncalves\/","title":{"rendered":"\u201cO meu territ\u00f3rio de milit\u00e2ncia sempre foi a periferia\u201d: o legado de Anabela Gon\u00e7alves"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><i data-redactor-tag=\"i\" style=\"font-size: inherit; font-family: inherit; text-align: inherit; letter-spacing: 0px;\">Na segunda entrevista da s\u00e9rie trajet\u00f3ria pol\u00edtica, Anabela Gon\u00e7alves conta sua hist\u00f3ria dentro dos movimentos sociais do Jardim S\u00e3o Lu\u00eds, zona sul de S\u00e3o Paulo, e como essa viv\u00eancia contribuiu para a sua primeira participa\u00e7\u00e3o em uma elei\u00e7\u00e3o municipal, por meio de uma candidatura coletiva.&nbsp;<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Em 2020, a soci\u00f3loga Anabela Gon\u00e7alves, moradora do Jardim Ibirapuera, zona sul de S\u00e3o Paulo Paulo, participou da candidatura coletiva &#8216;Mais Direito \u00e0 Cidade&#8217;, chapa formada por Nabil Bonduki, Beto Cust\u00f3dio, Evaniza Rodrigues, Gil Mar\u00e7al, Iracema Ara\u00fajo e Rayssa Cortez, pessoas que atravessam de forma direta ou indireta a sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos da cidade.<\/span><\/p>\n<p>Em busca de ocupar um gabinete na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo, o grupo chegou a atingir mais 16 mil votos, mas n\u00e3o conseguiu se eleger para o legislativo municipal.<\/p>\n<p>Com base no atual momento de crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica no qual os moradores das periferias vivem em seu cotidiano, Anabela enfatiza que essa condi\u00e7\u00e3o impulsiona a presen\u00e7a e faz uma press\u00e3o para que lideran\u00e7as comunit\u00e1rias ocupem espa\u00e7os de decis\u00e3o dentro da c\u00e2mara dos deputados e vereadores, como uma forma de garantia de direitos da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><b style=\"background-color: initial; font-family: inherit; text-align: inherit; letter-spacing: 0px;\">&#8220;Eu nunca pensei em me candidatar, na verdade isso foi uma press\u00e3o comunit\u00e1ria&#8221;<\/b><\/p>\n<p><cite>Anabela Gon\u00e7alves<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>&#8220;Eu nunca pensei em me candidatar antes, isso nunca passou pela minha cabe\u00e7a, na verdade isso foi uma press\u00e3o comunit\u00e1ria, uma coisa super nova. Eu recebi o convite do Nabil Bonduki para compor a chapa coletiva como representa\u00e7\u00e3o feminista e perif\u00e9rica, e a ideia amadurece como uma possibilidade de construir uma ponte entre a pol\u00edtica e a casa das pessoas, a\u00ed eu aceitei porque a gente vive em um momento pol\u00edtico muito complicado e o atual presidente pressionou as lideran\u00e7as das periferias a se candidatar politicamente na ideia de garantir alguns direitos, dentro da c\u00e2mera dos vereadores e da c\u00e2mera dos deputados, tentando de alguma forma ter alguma garantia de direitos&#8221;, afirma.<\/span><\/p>\n<p>Anabela entende que h\u00e1 duas formas de vivenciar e fazer pol\u00edtica em nossas vidas. Nessa linha de compreens\u00e3o, ela define o voto como uma escolha ideol\u00f3gica e cultural sobre a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que queremos para a sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;Existe duas formas de pol\u00edtica para mim: a pol\u00edtica que move a sociedade que \u00e9 como a gente dorme, como a gente come, como a gente l\u00ea, o que a gente l\u00ea, como a gente transa, como a gente casa, tudo isso \u00e9 pol\u00edtica n\u00e9, \u00e9 uma forma pol\u00edtica de atua\u00e7\u00e3o, como \u00e9 a nossa vida econ\u00f4mica; e existe quem organiza para que isso funcione, que supostamente seriam os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e a pol\u00edtica brasileira. Votar significa escolher uma linha ideol\u00f3gica de como eu quero que essa cultura funcione dentro do pa\u00eds, e eu quero que a cultura que existe hoje permane\u00e7a ou se eu quero uma mudan\u00e7a cultural, uma transforma\u00e7\u00e3o cultural do meu pa\u00eds&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Para a soci\u00f3loga, uma das quest\u00f5es que mais a incomoda na pol\u00edtica institucional \u00e9 a pouca participa\u00e7\u00e3o de mulheres negras, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricas dentro da pol\u00edtica institucional, e como isso \u00e9 uma pot\u00eancia para o v\u00edcio pol\u00edtico. &#8220;\u00c9 assim que funciona a estrutura que est\u00e1 a\u00ed, seja ruim, seja boa, ela t\u00e1 contaminada porque tamb\u00e9m existe uma baixa participa\u00e7\u00e3o popular, ter mulheres negras, mulheres ind\u00edgenas, a popula\u00e7\u00e3o que mais sofre com o desgoverno, com a falta da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica institucional, \u00e9 uma tentativa de fazer com que esse sistema funcione de uma forma melhor&#8221;.<\/p>\n<p>Ela cita a import\u00e2ncia de lutar por uma reforma pol\u00edtica que represente as demandas e os interesses do povo. &#8220;Hoje temos um poder judici\u00e1rio corrupto que estremece qualquer estrutura pol\u00edtica porque s\u00e3 eles quem de verdade deveria regulamentar e olhar o quanto isso est\u00e1 sendo feito e realizado conforme a lei ou n\u00e3o&#8221;, aponta ela.<\/p>\n<p>Outro problema pontuado por Anabela \u00e9 o cen\u00e1rio do v\u00edcio pol\u00edtico, da n\u00e3o rotatividade democr\u00e1tica, problemas que poderiam ser solucionados com mais participa\u00e7\u00e3o popular e a mudan\u00e7a de perspectiva da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Cada vez mais o sistema brasileiro \u00e9 mais viciado, os pol\u00edticos ficam e se aposentam na pol\u00edtica e isso promove um atraso no desenvolvimento brasileiro, no que diz respeito ao sistema cultural, do que a gente quer que transforme, \u00e9 importante que candidatos mais jovens ou com outras ideias, outros sistemas circulem dentro do sistema administrativo pol\u00edtico&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p><b style=\"background-color: initial; font-family: inherit; text-align: inherit; letter-spacing: 0px;\">&#8220;Colocar mulheres na pol\u00edtica \u00e9 importante, se isso n\u00e3o acontece o sistema democr\u00e1tico \u00e9 falho&#8221;<\/b><\/p>\n<p><cite>Anabela Gon\u00e7alves<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Anabela faz uma an\u00e1lise da quantidade de mulheres, negras, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricas no Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade que est\u00e3o dentro da pol\u00edtica institucional, e fala sobre a import\u00e2ncia de ocupar esse espa\u00e7o como uma forma de garantia de direitos que atendam toda a popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Olha eu costumo dizer que no Brasil a maioria das mulheres s\u00e3o ind\u00edgenas e negras, o n\u00famero de mulheres brancas \u00e9 muito reduzido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra na cidade, ent\u00e3o na verdade quando a gente elege mulheres negras e ind\u00edgenas a gente consegue com que esses grupos sociais garantam seus direitos dentro da cidade, sendo maioria, porque n\u00e3o somos minoria, sendo maioria a gente consegue direitos para todos e todas&#8221;, analisa.<\/span><\/p>\n<p>Anabela acredita que a inser\u00e7\u00e3o de mulheres negras e ind\u00edgenas na pol\u00edtica \u00e9 uma maneira de combater o racismo e o machismo na democracia. &#8220;Colocar mulheres na legislatura pol\u00edtica \u00e9 importante por que \u00e9 um direito da mulher ter participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e se isso n\u00e3o acontece significa que o sistema democr\u00e1tico \u00e9 falho, n\u00e3o est\u00e1 funcionando, ele continua sendo racista, machista, preconceituoso, ent\u00e3o pra dizer que o Brasil avan\u00e7a no que diz respeito a igualdade racial, igualdade de g\u00eanero, o primeiro lugar que tem que dar exemplo s\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os pol\u00edticos e os setores p\u00fablicos n\u00e9, enquanto a gente n\u00e3o conseguir olhar para o setor p\u00fablico e ver um maior n\u00famero de mulheres dentro da pol\u00edtica significa que nosso pa\u00eds est\u00e1 muito distante de ser um pa\u00eds que alcan\u00e7ou a igualdade racial ou a de g\u00eanero&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>\n<b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">Movimento social org\u00e2nico<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Atuando como presidenta da organiza\u00e7\u00e3o social Bloco do Beco, a soci\u00f3loga Anabela Gon\u00e7alves, 39, moradora do Jardim Ibirapuera, um dos bairros que formam o distrito do Jardim S\u00e3o Lu\u00eds, zona sul de S\u00e3o Paulo, acumula um hist\u00f3rico de vida dedicado ao desenvolvimento e execu\u00e7\u00e3o de projetos e programas sociais que possam melhorar a qualidade de vida e o acesso \u00e0 cultura dos moradores das periferias.<\/span><\/p>\n<p>O Bloco do Beco \u00e9 uma Associa\u00e7\u00e3o Cultural que atua desde 2002 no Jardim Ibirapuera. A rela\u00e7\u00e3o de Anabela com a organiza\u00e7\u00e3o na qual ela \u00e9 presidenta come\u00e7ou dentro da folia dos blocos de rua, e se prolongou para forma\u00e7\u00f5es socioculturais.<\/p>\n<p>&#8220;Minha rela\u00e7\u00e3o com o Bloco do Beco come\u00e7ou pelo carnaval n\u00e9, eu vinha nos blocos de carnaval e participava das a\u00e7\u00f5es sociais que eles promoviam aqui no Jardim Ibirapuera, e a\u00ed com o tempo n\u00f3s fomos se aproximando e eu recebi o convite da organiza\u00e7\u00e3o para fazer forma\u00e7\u00f5es dentro de um projeto que estava iniciando, que era o Bloquinho de Brincar, um espa\u00e7o de inf\u00e2ncia dentro da favela da Erundina, depois o bloco me convidou para acompanhar um projeto de forma\u00e7\u00e3o para jovens do Maracatu, com forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, cultural, social e musical na \u00e1rea do Maracatu que foi uma forma de instrumentalizar o grupo de Maracatu que j\u00e1 tinha no bloco&#8221;, relembra a soci\u00f3loga, afirmando que no final de 2019 foi convidada para ser presidenta do Bloco do Beco.<\/p>\n<p>A educadora popular faz quest\u00e3o de registrar a import\u00e2ncia hist\u00f3rica do Bloco do Beco e sua admira\u00e7\u00e3o pela organiza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 tem quase 20 anos de atua\u00e7\u00e3o na zona sul de S\u00e3o Paulo. &#8220;O Bloco do Beco \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que eu admiro muito, porque ela tem sua ess\u00eancia ainda no que a gente chama e reconhece como movimento social org\u00e2nico n\u00e9, que est\u00e1 dentro da comunidade, \u00e9 feito por quem est\u00e1 dentro da comunidade e \u00e9 feito pra ela n\u00e9, e a gente chama isso de movimento social org\u00e2nico. Ela nasce dos pr\u00f3prios moradores da comunidade&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>As ra\u00edzes culturais de Anabela foram constru\u00eddas em boa parte pelos v\u00ednculos sociais constru\u00eddos pela sua trajet\u00f3ria de vida nos bairros do Jardim Ibirapuera e Jardim Monte Azul, territ\u00f3rios onde ela cresceu e continua morando at\u00e9 hoje. Antes de se candidatar pela primeira vez para ocupar um espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica institucional, sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica revela uma s\u00e9rie de encontros com o fazer cultural e social nos movimentos sociais org\u00e2nicos das periferias.<\/p>\n<p>Desde os 13 anos de idade, Gon\u00e7alves afirma que j\u00e1 se envolvia com iniciativas no meio pol\u00edtico e cultural. &#8220;Com 13 anos eu tinha um grupo de teatro que se chamava Submundo de Teatro e um dos integrantes era o Gil Mar\u00e7al, ele come\u00e7ou a fazer aula de piano com o professor Ralf Rickli, que tinha ideias de transforma\u00e7\u00e3o social muito forte e eu comecei a fazer aula de voz com ele, e ele era uma pessoa muito engajada na forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social e cultural. A gente fez dessa conviv\u00eancia uma organiza\u00e7\u00e3o social que se chamava &#8216;Organiza\u00e7\u00e3o Sociocultural Tropis&#8217;, tropis \u00e9 a quilha do barco, a madeira que d\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o ao barco, com essa ideia de poder orientar e poder dar dire\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es e projetos dos jovens, mas possibilitando para eles a autonomia de navegar&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>Segundo a soci\u00f3loga, a Associa\u00e7\u00e3o Tropis foi formando-a politicamente e a tornou uma educadora, debatedora da pol\u00edtica e ativista social. Em 1999, ano no qual ela estava chegando ao final do ensino m\u00e9dio, esta viv\u00eancia colaborou para atuar profissionalmente em outras organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Bloco do Beco, a soci\u00f3loga atuou no Instituto Sou da Paz, Projeto Guri, Funda\u00e7\u00e3o Julita, A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria, Casa de Cultura do Campo Limpo e na Secretaria de Cultura do Estado de S\u00e3o Paulo com a an\u00e1lise de programa\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h2>\n<b style=\"color: inherit; letter-spacing: 0px; text-align: inherit;\">A identidade como forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/b><span>&nbsp;<\/span><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>8m<span>Anabela faz uma an\u00e1lise da sua identidade e express\u00e3o \u00e9tnica, pontuando a miscigena\u00e7\u00e3o no Brasil e as dificuldades de se fazer um debate das etnias brasileiras. &#8220;eu sou uma mulher afro-\u00edndigena, \u00e9 uma identidade, eu falo negraindigena, eu sou uma mulher de tra\u00e7os ind\u00edgenas e negros, miscigenada da periferia, que reconhece nas duas etnias refer\u00eancias pol\u00edticas e sociais que foram fundamentais para o fortalecimento da minha identidade, claro que eu vou falar que l\u00e1 por 95, isso n\u00e3o era t\u00e3o claro como bandeira como se tornou em 2000, isso se tornou mais forte principalmente por minha atua\u00e7\u00e3o ser muito forte como mulheres feministas&#8221;, conta ela.<\/span><\/p>\n<p>Outro componente importante para a constru\u00e7\u00e3o da identidade da soci\u00f3loga foi a viv\u00eancia com o feminismo nas periferias. &#8220;Pensar a atua\u00e7\u00e3o das mulheres e o feminismo na periferia me trouxe esse lugar, mas essa \u00e9 uma discuss\u00e3o muito profunda, porque discutir o lugar da miscigena\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil no Brasil, ou voc\u00ea \u00e9 negro, ou voc\u00ea \u00e9 ind\u00edgena, essa composi\u00e7\u00e3o de uma mulher negra e ind\u00edgena, \u00e9 a ideia de que a minha miscigena\u00e7\u00e3o, o meu lugar de parda, \u00e9 um lugar que recorre a duas grandes etnias brasileiras que formaram essa popula\u00e7\u00e3o, esse povo, e que tem ra\u00edzes culturais muito fortes, de luta e que isso me inspirou para as lutas, para milit\u00e2ncia, para pro ativismo social&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Em sua trajet\u00f3ria Anabela sempre teve sua atua\u00e7\u00e3o e estudo de campo voltado ao territ\u00f3rio perif\u00e9rico dentro das organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais por onde atuou e se formou. &#8220;Eu nasci na periferia, sempre morei na favela, antes da favela, quando era muito pequena morava em corti\u00e7o, fui para favela Monte Azul, vivi minha vida l\u00e1, desde os meus dois anos de idade, morei a minha vida na beira do c\u00f3rrego, at\u00e9 ele ser canalizado, minha casa continua no mesmo lugar, ent\u00e3o minhas refer\u00eancias sociais s\u00e3o as periferias&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Ela conta que s\u00f3 saiu do territ\u00f3rio para estudar no centro da cidade. &#8220;Eu sa\u00ed da periferia e fui para o centro para estudar durante um per\u00edodo da minha vida, para fazer a faculdade de sociologia na FESP, nesse per\u00edodo trabalhava na Secretaria de Cultura do Estado como analista de programa\u00e7\u00e3o, mas para sustentar tamb\u00e9m esse processo de estudo. Quando terminei a faculdade, voltei para periferia, morando no Jardim S\u00e3o Lu\u00eds, onde est\u00e3o minhas refer\u00eancias, e \u00e9 minha \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o propriamente dita que \u00e9 a lutar n\u00e9 pela melhoria de condi\u00e7\u00f5es aqui na periferia.&#8221;<\/p>\n<p>A soci\u00f3loga finaliza trazendo a import\u00e2ncia de se lembrar das mulheres que vieram antes dela, de se tomar como refer\u00eancias essas viv\u00eancias e heran\u00e7as para sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica. &#8220;Uma das quest\u00f5es \u00e9tnicas que eu carrego comigo nessa trajet\u00f3ria \u00e9 que eu valorizo muito a trajet\u00f3ria das da minha m\u00e3e, da minha v\u00f3, que s\u00e3o l\u00e1 de Vit\u00f3ria da Conquista, na Bahia, que \u00e9 de onde vem minha heran\u00e7a materna n\u00e9, matriarcal. Eu valorizo muito essas quest\u00f5es que estruturam a minha vida n\u00e9, para pensar a\u00e7\u00f5es importantes e a cultura \u00e9 uma das coisas que sempre foi o fio de costura, foi assim que eu parei no Bloco do Beco n\u00e9, eu nasci da cultura, eu vim do teatro, era uma adolescente que fazia teatro no Centro da Juventude, me envolvi no movimento social e foi me levando para outras a\u00e7\u00f5es, para outros estudos, para aperfei\u00e7oar essa atua\u00e7\u00e3o dentro da periferia, sempre com uma ideia de que a cultura \u00e9 sim um fio provedor de transforma\u00e7\u00e3o, e que n\u00f3s atores, pessoas perif\u00e9ricas somos as principais ferramentas de transforma\u00e7\u00e3o de tudo isso,&#8221; conclui.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na segunda entrevista da s\u00e9rie trajet\u00f3ria pol\u00edtica, Anabela Gon\u00e7alves conta sua hist\u00f3ria dentro dos movimentos sociais do Jardim S\u00e3o Lu\u00eds, zona sul de S\u00e3o Paulo, e como essa viv\u00eancia contribuiu para a sua primeira participa\u00e7\u00e3o em uma elei\u00e7\u00e3o municipal, por meio de uma candidatura coletiva.&nbsp; Em 2020, a soci\u00f3loga Anabela Gon\u00e7alves, moradora do Jardim Ibirapuera, [&hellip;]&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":1517,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[189,188,48,181,187,186,182],"ppma_author":[77],"class_list":["post-1518","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-series","tag-8m-na-quebrada","tag-desenrola-jornalismo","tag-especial","tag-mulheres-na-politica","tag-noticias-da-periferias","tag-politica-institucional","tag-trajetoria-politica"],"acf":[],"authors":[{"term_id":77,"user_id":6,"is_guest":0,"slug":"vitoria-reporterpoliticagmail-com","display_name":"Vit\u00f3ria Guilhermina","avatar_url":{"url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Foto-Vitoria.jpeg","url2x":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Foto-Vitoria.jpeg"},"first_name":"Vit\u00f3ria","last_name":"Guilhermina","user_url":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/","job_title":"","description":"<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/xxvitoriaalves\"><i><\/i> \/xxvitoriaalves<\/a>\r\n<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_vitoriaae\/\"><i> <\/i> @_vitoriaae<\/a>\r\nMoradora do Rio Pequeno, zona oeste de S\u00e3o Paulo, Vit\u00f3ria Guilhermina, 20, \u00e9 formada em Orienta\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria pela Etec CEPAM. Em 2018 ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Ela atua em seu territ\u00f3rio com projetos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como o Cursinho Livre Cl\u00e1udia Silva Ferreira. 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