
{"id":1493,"date":"2021-02-25T20:48:32","date_gmt":"2021-02-25T23:48:32","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2021\/02\/25\/o-carnaval-sem-carnaval\/"},"modified":"2024-06-29T21:10:48","modified_gmt":"2024-06-30T00:10:48","slug":"o-carnaval-sem-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/colunas\/o-carnaval-sem-carnaval\/","title":{"rendered":"O CARNAVAL, SEM CARNAVAL"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Os biomas brasileiros se misturam com a musicalidade tornando o carnaval uma miscel\u00e2nea da hist\u00f3ria brasileira. Os blocos de carnaval de rua, hoje representam a difus\u00e3o ou um lembrete da import\u00e2ncia dessa cultura, sem ingresso, para todos, com ou sem fantasia, com ou sem bebedeira. Eu acompanho nas ruas a maior manifesta\u00e7\u00e3o cultural brasileira.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/774\/Foto-Arquivo-pessoal-Anabela---Bloquinho-favela-Monte-Azul-1994.jpg\" title=\"Foto: Arquivo pessoal Anabela Gon\u00e7alves - Bloquinho favela Monte Azul em 1994.\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/774\/Foto-Arquivo-pessoal-Anabela---Bloquinho-favela-Monte-Azul-1994.jpg\" title=\"Foto: Arquivo pessoal Anabela Gon\u00e7alves - Bloquinho favela Monte Azul em 1994.\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/774\/Foto-Arquivo-pessoal-Anabela---Bloquinho-favela-Monte-Azul-1994.jpg\" title=\"Foto: Arquivo pessoal Anabela Gon\u00e7alves - Bloquinho favela Monte Azul em 1994.\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Foto: Arquivo pessoal Anabela Gon\u00e7alves &#8211; Bloquinho favela Monte Azul em 1994.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-minimalbox\"><p>O carnaval \u00e9 uma festa muito antiga, que sempre correspondeu \u00e0s religi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s, mas que foi absorvida pelo cristianismo se tornando o per\u00edodo que antecede a quaresma. A palavra carnaval vem do Latim carnem levare, que significa &#8220;abster-se, afastar-se da carne&#8221;, v\u00e9spera da quarta-feira de cinzas, tempo onde se inicia a abstin\u00eancia da carne.<\/p>\n<p>Mas em contraponto, o carnaval \u00e9 a festa da carne, onde excessos s\u00e3o aceitos e fazem parte dessa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O carnaval veio nas naus portuguesas e foi envolvida pelos nossos ancestrais africanos em tambores e dan\u00e7as, o misto musical deu origem \u00e0s marchinhas e logo mais ao samba. No come\u00e7o feito com farinha e ovos, depois foi civilizado a moda europeia. Com toda sua import\u00e2ncia Chiquinha Gonzaga, em 1899, comp\u00f4s &#8220;\u00d3 abre alas&#8221; a primeira marchinha feita com o tom mais pr\u00f3ximo do que aconchegamos do carnaval.<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Foi dif\u00edcil escrever, pois entre tantos problemas importantes que estamos vivendo em nosso pa\u00eds, pouco mudou do cen\u00e1rio inicial dessa coluna, COVID-19, desgoverno Bolsonaro, crise econ\u00f4mica, mortes, muitas mortes e nosso cora\u00e7\u00e3o querendo muito extravasar na avenida tanta dor, mas n\u00e3o houve carnaval e n\u00e3o sabemos quando poderemos abra\u00e7ar as ruas da quebrada com nossos blocos.<\/p>\n<p>Mas resolvi escrever sobre o carnaval, festa que j\u00e1 foi muito discriminada pela sua forma de promover na gente a vontade de romper as barreiras morais para trazer \u00e0 tona nosso esp\u00edrito livre.<\/p>\n<p>Ainda nova, a Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria Monte Azul fazia pequenos cortejos da favela at\u00e9 o Centro Cultural Monte Azul. Ainda no CJ &#8211; Centro para Juventude, meus educadores Cido C\u00e2ndido e Rog\u00e9rio Modesto que al\u00e9m de educadores, eram atores das artes c\u00eanicas, faziam cantigas e sambinhas com a gente.<\/p>\n<p>Dentro do dia a dia do CJ, entre as leituras, a hora do esporte e almo\u00e7o, havia o tempo das cantigas e sambinhas tradicionais. Era assim como quem n\u00e3o quer nada o samba, o carnaval e a folia em nossas vidas.<\/p>\n<p>Eu cresci em uma viela onde o samba n\u00e3o era a principal cantiga, em minha casa s\u00f3 se tocava Amado Batista e Bart\u00f4 Galeno, mas o pagode e o samba faziam parte de um cen\u00e1rio maior na favela e na vida.<\/p>\n<p>No natal na periferia a gente ia de casa em casa dos amigos e cada petisco de ceia trazia um pouco de m\u00fasica, muitas m\u00fasicas e o samba em algumas casas traziam notas diferentes de ser e estar perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>O Bloco do Vagaranha na Monte Azul e depois o Bloco do Beco, j\u00e1 mais velha me trouxe de volta aquela paix\u00e3o dos 13 anos no cortejo da favela.<\/p>\n<p>O samba dos trabalhadores que uniam culturas em um samba que tinha um tom de caxambu e jongo, na cria\u00e7\u00e3o dos mestres do samba paulistano. Essas s\u00e3o refer\u00eancias que constru\u00ed com tempo, com estudo, com as conversas do bar do Prudente, do Matias, do Cear\u00e1, tantos malandros reformados pela ret\u00f3rica da vida urbana que trazem em sua narrativa alguma ideia do samba. Chamamos essa sabedoria de Velha Guarda, aqueles que o tempo guarda a hist\u00f3ria oral de trabalhadores na constru\u00e7\u00e3o do samba nas ruas e nas escolas de samba tradicionais.<\/p>\n<p>Por isso o Bloco do Beco se tornou minha escola e minha milit\u00e2ncia, por me mostrar a face pol\u00edtica do samba, suas linhas de resist\u00eancia cultural e como se configura como narrativa e pertencimento do povo perif\u00e9rico.<\/p>\n<p>O samba foi parte da ferramenta educadora que fez minha vida, l\u00e1 no CJ. Eu entendo a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o musical, mesmo que po\u00e9tica na constru\u00e7\u00e3o da minha trajet\u00f3ria. Os blocos de carnaval perif\u00e9ricos trazem de volta ao bra\u00e7o dos trabalhadores a experi\u00eancia subjetiva da produ\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica.<\/p>\n<p>Eu quero aqui homenagear os Blocos que vem fazendo nossos carnavais felizes na quebrada, bonitos em sorrisos, educativos no conv\u00edvio comunit\u00e1rio, na cultura que enfeita a vida t\u00e3o dura do nosso povo. Bloco do Vagaranha, Bloco do Beco, Bloco do Hercu, Bloco Afro \u00c9diSanto, do Litra\u00e7o, F\u00edgado de Ferro, Eco Campos, entre outros que surgem entre as ruas da quebrada.<\/p>\n<p>O carnaval \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural leg\u00edtima que precisa de tempo, ensaios, recursos para sair na avenida. O carnaval tamb\u00e9m \u00e9 um direito cultural conquistado nos \u00faltimos anos e com isso fomentado pelo poder p\u00fablico, mesmo que ainda de forma t\u00edmida.<\/p>\n<p>Lutamos pela festa do povo, pela vacina, pelas vielas e ruas cheias de alegria, pelo brilho do olho e das purpurinas, lutamos por pol\u00edtica p\u00fablica de aux\u00edlio ao povo pobre perif\u00e9rico nesse momento de crise. A cultura tem \u00e9 luta!<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\">\n<p>Ascend\u00eancia<\/p>\n<p>Se eu soubesse naquela avenida,<br \/>\ncarnaval que me embalava,<br \/>\nMesmo que a repress\u00e3o,<br \/>\nali tardia<br \/>\nestivessem agourando nosso futuro,<br \/>\no cora\u00e7\u00e3o virava a cara,<br \/>\nda agonia de viver fraco.<br \/>\nHoje olhar triste<br \/>\nsobre a avenida vazia,<br \/>\nBandeira parada.<br \/>\nNesta triste alvorada<br \/>\nme resta olhar no retrato dessa vida<br \/>\nA alegria \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o sem trilhos,<br \/>\nde milh\u00f5es de incapazes,<br \/>\nNo meu samba met\u00e1fora<br \/>\nda aurora que vir\u00e1.<\/p>\n<p><cite>Anabela Gon\u00e7alves<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Um ano sem samba \u00e9 um ano sem rever\u00eancia aos nossos ancestrais que lutaram para que tra\u00e7os musicais culturais juntos, preservassem tamb\u00e9m nossa cultura negra em diversas vertentes, seja litor\u00e2nea, sertaneja ou urbana.<\/p>\n<p>Os biomas brasileiros se misturam com a musicalidade tornando o carnaval uma miscel\u00e2nea da hist\u00f3ria brasileira. Os blocos de carnaval de rua, hoje representam a difus\u00e3o ou um lembrete da import\u00e2ncia dessa cultura, sem ingresso, para todos, com ou sem fantasia, com ou sem bebedeira. Eu acompanho nas ruas a maior manifesta\u00e7\u00e3o cultural brasileira.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os biomas brasileiros se misturam com a musicalidade tornando o carnaval uma miscel\u00e2nea da hist\u00f3ria brasileira. Os blocos de carnaval de rua, hoje representam a difus\u00e3o ou um lembrete da import\u00e2ncia dessa cultura, sem ingresso, para todos, com ou sem fantasia, com ou sem bebedeira. Eu acompanho nas ruas a maior manifesta\u00e7\u00e3o cultural brasileira. 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Com experi\u00eancia em ger\u00eancia de projetos, planejamento e acompanhamento de equipe de a\u00e7\u00e3o e educadora. Atuo como presidenta da organiza\u00e7\u00e3o social Bloco do Beco, al\u00e9m de 20 anos como ativista na Periferia Sul com a\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de g\u00eanero, pol\u00edtica e cultura, em coletivos como KATU de educa\u00e7\u00e3o, Fala Guerreira e Periferia Segue Sangrando."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1493"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1493\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3720,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1493\/revisions\/3720"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1493"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}