
{"id":1369,"date":"2020-11-25T21:10:35","date_gmt":"2020-11-26T00:10:35","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/11\/25\/moradores-afirmam-que-transporte-publico-precario-nas-periferias-de-sp-e-racismo\/"},"modified":"2024-06-29T21:11:28","modified_gmt":"2024-06-30T00:11:28","slug":"moradores-afirmam-que-transporte-publico-precario-nas-periferias-de-sp-e-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/contextos-perifericos\/moradores-afirmam-que-transporte-publico-precario-nas-periferias-de-sp-e-racismo\/","title":{"rendered":"Moradores afirmam que transporte p\u00fablico prec\u00e1rio nas periferias de SP \u00e9 racismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><i data-redactor-tag=\"i\">Entrevistamos tr\u00eas trabalhadores que moram nas periferias das regi\u00f5es norte, oeste e sul de S\u00e3o Paulo que chegam a passar cerca de 5 horas dentro do transporte coletivo, muitos deles em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, gerando uma s\u00e9rie de desgastes f\u00edsicos e emocionais nos passageiros.<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/b2ap3_large_Estao-Osasco-da-CPTM_Foto_Roseli.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Roseli Silva passa todos os dias pela Esta\u00e7\u00e3o Osasco da CPTM. (Foto: Roseli Silva)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Uma longa espera que varia de 20 a 40 minutos, muitas vezes embaixo de sol e chuva, \u00f4nibus em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, superlota\u00e7\u00e3o e aumentos abusivos nas tarifas de \u00f4nibus s\u00e3o fatos corriqueiros que fazem parte da rotina de quase 9 milh\u00f5es de pessoas que passam \u00e0s vezes mais de 5h por dia, dentro do \u00f4nibus, indo de um ponto ao outro da cidade para trabalhar, estudar e realizar compromissos diversos. Mas afinal, por que essa realidade ainda faz parte da vida de quem mora nas periferias e favelas de S\u00e3o Paulo?&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>Eu fico praticamente 5h nesse caminho todo dia, \u00e9 muito tempo<\/p>\n<p><cite>Roseli da Silva, moradora do bairro Jo\u00e3o XXIII, zona oeste de S\u00e3o Paulo<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Quem vive essa rotina todos os dias \u00e9 Roseli da Silva, 53, moradora do bairro Jo\u00e3o XXIII, zona oeste de S\u00e3o Paulo. Ela trabalha como empregada dom\u00e9stica em Santana de Parna\u00edba. Ela pega o \u00f4nibus que sai do seu bairro todos os dias \u00e0s 5h30, vai at\u00e9 o Terminal Pinheiros e l\u00e1 embarca no trem, indo em dire\u00e7\u00e3o esta\u00e7\u00e3o da CPTM do munic\u00edpio de Osasco, onde ela faz integra\u00e7\u00e3o e depois vai at\u00e9 a cidade de Carapicu\u00edba. Ao chegar l\u00e1, a moradora pega mais um \u00f4nibus, dessa vez intermunicipal para chegar ao seu trabalho \u00e0s 08h da manh\u00e3. S\u00f3 nesse trajeto de ida ao trabalho, ela gasta 2h30.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Eu entro \u00e0s 8h no trabalho. Indo e voltando eu fico praticamente 5h nesse caminho todos os dias, \u00e9 muito tempo n\u00e9, daria para fazer tanta coisa&#8221;, exclama a moradora, reafirmado a quantidade de horas gastas com o deslocamento de ida e volta da casa para o trabalho.<\/p>\n<p>Roseli ressalta que as condi\u00e7\u00f5es do transporte no bairro onde mora n\u00e3o corresponde com o valor pago pela tarifa que s\u00f3 aumenta. &#8220;Moro no bairro do Jardim Jo\u00e3o XXIII, e eu considero como um bairro bem prec\u00e1rio, condu\u00e7\u00f5es s\u00e3o lotadas, muito longe do centro, falta muita coisa, tem bastante linha de \u00f4nibus, eu moro bem pr\u00f3ximo ponto final do 7545, mas os \u00f4nibus s\u00e3o bem ruins, cheios de mais, tem vezes que n\u00e3o tem nem como entrar, ainda mais se tiver indo para o centro de manh\u00e3&#8221;, relata a moradora.<\/p>\n<p>Ela lembra que tinha uma linha de \u00f4nibus que era boa no bairro, com a numera\u00e7\u00e3o 771P, o coletivo fazia o itiner\u00e1rio do Jardim Jo\u00e3o XXIII at\u00e9 o Hospital das Cl\u00ednicas, mas a\u00ed o S\u00e3o Paulo Transporte (Sptrans), empresa p\u00fablica que gerencia os transporte p\u00fablico na cidade de S\u00e3o Paulo reduziu o trajeto, aumentando o n\u00famero de paradas e embarques dos passageiros. &#8220;Alteraram a linha e ela s\u00f3 vai at\u00e9 o Terminal Pinheiros. O transporte j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 bom n\u00e9, a\u00ed eles fazem ser pior mudando as rotas e tirando o \u00f4nibus&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3><b>Servi\u00e7o P\u00fablico<\/b><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>O transporte p\u00fablico \u00e9 um direito social garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, e aqui na cidade de S\u00e3o Paulo, esse servi\u00e7o atende diariamente mais de 8,7 milh\u00f5es de pessoas de acordo com a S\u00e3o Paulo Transporte (Sptrans), empresa p\u00fablica que gerencia cerca de 1.300 linhas de \u00f4nibus na cidade e conta com 129 km de corredores e 500 km de faixas exclusivas para \u00f4nibus.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3><b>A precariedade no transporte p\u00fablico \u00e9 uma forma de&nbsp;racismo?<\/b><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Roseli se autodeclara uma mulher negra e enxerga que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o dentro do transporte p\u00fablico \u00e9 preta. &#8220;Eu enxergo que somos n\u00f3s pessoas pretas as que mais usam o transporte, principalmente para ir trabalhar, e \u00e9 um desgaste sim, voc\u00ea fica cansado, voc\u00ea perde muito tempo esperando, voc\u00ea perde muito tempo dentro dele, chega a faltar tempo no final do dia de tanto que se perdeu no transporte p\u00fablico. \u00c0s vezes a condu\u00e7\u00e3o cansa mais que o trabalho&#8221;, avalia a moradora.<\/span><\/p>\n<p>Ao observar a cor dos trabalhadores dentro do transporte p\u00fablico, ela ressalta que ocorre um descaso com os passageiros, devido \u00e0 m\u00e1 qualidade do servi\u00e7o p\u00fablico. &#8220;O transporte p\u00fablico na nossa cidade \u00e9 muito caro, para as condi\u00e7\u00f5es que ele est\u00e1: \u00f4nibus lotado que quebra constantemente, s\u00e3o velhos, falta muito para ter um transporte bom, t\u00e1 muito longe de ser bom&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>Descrente dos resultados das urnas neste final de semana, a moradora destaca que n\u00e3o acredita que os candidatos \u00e0 prefeitura de S\u00e3o Paulo far\u00e3o de fato algo pelos trabalhadores que dependem do transporte. &#8220;As elei\u00e7\u00f5es est\u00e3o a\u00ed, eu n\u00e3o estou a par de nenhuma proposta, n\u00e3o \u00e9 algo que eu consiga entender direito e pesquisar ou ver na televis\u00e3o, eu n\u00e3o quero votar em mais ningu\u00e9m, eu n\u00e3o vejo que melhora, acho que \u00e9 muita promessa e nada para gente de fato&#8221;.<\/p>\n<p>Com uma consci\u00eancia coletiva, de pensar no bem estar do pr\u00f3ximo e n\u00e3o somente de si mesma, Roseli revela como seria o transporte p\u00fablico dos seus sonhos, que faria sentido na rotina da vida dos trabalhadores e moradores das periferias e favelas. &#8220;O transporte p\u00fablico do meu sonho seria que todos ficassem sentados em poltronas confort\u00e1veis, sem ter que pagar t\u00e3o caro, sem a catraca igual aqueles \u00f4nibus antigos sabe como os circulares. E que tivesse ar condicionado, tivesse estrutura para a gente que volta cansada do trabalho, e que de alguma forma eu, por exemplo, n\u00e3o tivesse que pegar tantas condu\u00e7\u00f5es para chegar at\u00e9 meu trabalho&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/b2ap3_large_Roseli-finalzia-a-jornada-para-chegar-ao-trabalho-embarcando-em-um-onibus-intermunicipal_Foto-Roseli-Silva.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Roseli finalza a jornada para chegar ao trabalho embarcando em um \u00f4nibus intermunicipal. (Foto: Roseli Silva)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>As pessoas negras s\u00e3o as que mais utilizam o transporte p\u00fablico&nbsp;porque a gente \u00e9 a maioria da classe trabalhadora<\/p>\n<p><cite>Bruna Sim\u00f5es, moradora do bairro Imirim, zona norte de S\u00e3o Paulo.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Do outro lado a cidade, reside Bruna Sim\u00f5es da Silva, 30, mo bairro Imirim, zona norte de S\u00e3o Paulo. Ela trabalha como t\u00e9cnica em pedagogia no Servi\u00e7o de Assist\u00eancia \u00e0 Fam\u00edlia no Domic\u00edlio (SASF) no bairro Jardim Peri. No trajeto de \u00f4nibus ela leva apenas 15 minutos para chegar ao seu trabalho, mas tem que sair de casa \u00e0s 6h30 para chegar l\u00e1 \u00e0s 8h, porque este \u00f4nibus, segundo a moradora demora de 30 minutos a 1h hora para passar.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;O caminho que eu fa\u00e7o para o meu trabalho \u00e9 um caminho curto. Mas \u00e9 a\u00ed que j\u00e1 tem uma das quest\u00f5es que implica negativamente no transporte p\u00fablico do meu bairro. Eu trabalho em outro bairro perif\u00e9rico aqui da zona norte, que \u00e9 o Jd Peri, para eu conseguir chegar ao meu trabalho \u00e0s 8h, eu preciso sair de casa \u00e0s 6h30 no m\u00e1ximo, pego um \u00f4nibus que \u00e9 o Cohab Jardim Ant\u00e1rtica para chegar at\u00e9 o Peri. Eu pego esse \u00f4nibus no contrafluxo, ent\u00e3o tem dias que eu sou a \u00fanica passageira, porque estou fazendo o caminho contr\u00e1rio dos outros trabalhadores, s\u00f3 que essa linha tem apenas sete \u00f4nibus, ent\u00e3o o intervalo entre um e o outro chega a ser de 30 minutos e \u00e0s vezes pode chegar at\u00e9 45 minutos a 1 hora&#8221;.<\/p>\n<p>A partir de suas viv\u00eancias como usu\u00e1ria, a pedagoga enxerga que o Estado est\u00e1 sucateando o transporte e se aproveita disso. &#8220;Eu acho que o Estado tira bastante proveito do transporte p\u00fablico, mas ele pouco reverte para melhorar, e dentro das periferias ainda, n\u00e3o existe nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com isso, e sem contar que a pauta do transporte \u00e9 muito lucrativa, existem v\u00e1rias formas de desviar dinheiro p\u00fablico a partir dessa pauta, e, al\u00e9m disso, \u00e9 mais uma forma de explorar a classe trabalhadora, por exemplo, com o absurdo da tarifa que pagamos aqui que est\u00e1 no valor de 4,40, eu entendo que \u00e9 muito lucrativo e o Estado se apropria disso em v\u00e1rios momentos&#8221;.<\/p>\n<p>Atenta a quest\u00e3o racial presente no seu cotidiano, a moradora afirma que a maioria das pessoas que utilizam o transporte p\u00fablico s\u00e3o trabalhadores e trabalhadoras negras. &#8220;Eu me considero uma mulher negra, e as pessoas negras s\u00e3o as que mais utilizam o transporte p\u00fablico, porque a gente \u00e9 a maioria da classe trabalhadora, o transporte p\u00fablico desgasta sim os trabalhadores, ent\u00e3o, por exemplo, eu te disse que eu gasto 15 minutos at\u00e9 meu trabalho, mas j\u00e1 que a linha que me atende tem poucos \u00f4nibus eu preciso me organizar para sair da minha casa com uma 1 hora de anteced\u00eancia para chegar no hor\u00e1rio certo ao trabalho, por que \u00e9 desgastante? Porque eu preciso acordar mais cedo, e passo muito tempo parada no ponto esperando embaixo de chuva e sol, \u00e9 desgastante sim&#8221;.<\/p>\n<p>Para ela, existe uma quest\u00e3o ligada aos fatores de ra\u00e7a e g\u00eanero muito forte no transporte p\u00fablico de S\u00e3o Paulo. &#8220;Existe sim uma rela\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a e g\u00eanero com o transporte p\u00fablico, eu entendo que desde a pessoa que trabalha no transporte at\u00e9 quem utiliza, s\u00e3o pessoas que s\u00e3o consideradas minorias por esse Estado, e a\u00ed t\u00e1 todo mundo sofrendo com a condi\u00e7\u00e3o desse transporte, seja enquanto trabalhador da empresa, seja como usu\u00e1rio, existe rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero tamb\u00e9m tanto que no transporte p\u00fablico que v\u00e1rias mulheres s\u00e3o abusadas e assediadas diariamente, mais uma vez refor\u00e7ar o quanto machista \u00e9 esse Estado que a gente vive&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>A gente trabalha tanto e se mata e nem no transporte conseguimos ter uma qualidade de vida<\/p>\n<p><cite>Gerson Abad, morador do Parque Santo Amaro, no distrito do Jardim \u00c2ngela, zona sul de S\u00e3o Paulo<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p><span>Morador da zona sul de S\u00e3o Paulo, Gerson Abad Cesari Hinojosa, 23, reside no Parque Santo Amaro, no distrito do Jardim \u00c2ngela, regi\u00e3o onde os moradores exp\u00f5em constantemente nas redes sociais a demora para conseguir embarcar em algumas linhas de \u00f4nibus.<\/span><\/p>\n<p>Todos os dias, o morador atravessa a cidade para ir at\u00e9 o munic\u00edpio de Francisco Morato, onde ele trabalha como t\u00e9cnico de enfermagem. Sua rotina come\u00e7a \u00e0s 3h30, quando ele acorda para chegar \u00e0s 7h no local de trabalho. Ao vivenciar esse trajeto todo dia, o morador acredita que o transporte p\u00fablico \u00e9 uma forma de torturar os passageiros.<\/p>\n<p>&#8220;O transporte \u00e9 um desgaste sim, eu, por exemplo, tenho que estar de p\u00e9 3h30 da manh\u00e3 para conseguir chegar \u00e0 cidade de Francisco Morato \u00e0s 7h, \u00e9 uma escolha minha? Sim, porque n\u00e3o tem emprego onde eu moro e tenho que ir para outra cidade conseguir isso, eu viajo at\u00e9 outra cidade todo dia para poder trabalhar, as pessoas que trabalham l\u00e1 normalmente moram extremamente longe de seus trabalhos e t\u00eam que fazer grandes viagens, os trens s\u00e3o lentos, eu, por exemplo, uso a linha rubi, essa \u00e9 uma linha que n\u00e3o d\u00e1 para confiar, \u00e9 muito lenta, eu nunca sei se vou chegar no hor\u00e1rio certo, sempre estou correndo&#8221;, avalia Abad.<\/p>\n<p>O t\u00e9cnico em enfermagem volta no tempo e relembra a experi\u00eancia de circular pela cidade quando era estudante e tinha o passe livre, e como esse direito foi sumindo e restringindo o acesso das pessoas. &#8220;Sempre usei o passe livre porque sempre estive estudando e para mim era maravilhoso, quando era 24h e dava para pegar mais \u00f4nibus e metr\u00f4s, mas foi mudando as gest\u00f5es, at\u00e9 chegar agora onde \u00e9 limitado e n\u00e3o \u00e9 mais &#8216;passe livre&#8217;, n\u00e3o temos liberdade para passar, \u00e9 passe limitado&#8221;, diz o morador.<\/p>\n<p>Dentro da sua condi\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rio cont\u00ednuo de \u00f4nibus, trem e metr\u00f4, Abad tamb\u00e9m enfatiza que o aumenta das tarifas afeta muito o trabalhador. &#8220;A passagem com certeza \u00e9 a pior coisa do transporte p\u00fablico, tem os hor\u00e1rios de pico, eu acho que eu nunca conheci outra realidade, n\u00e3o consigo pensar em um transporte bom, porque nunca vivi ou vi isso&#8221;.<\/p>\n<p>O t\u00e9cnico em enfermagem tamb\u00e9m sonha com a possibilidade de ter no futuro um transporte com melhorias b\u00e1sicas, que melhorasse a qualidade de vida e no bolso dos moradores. &#8220;A gente trabalha tanto e se mata e nem no transporte conseguimos ter uma qualidade vida, para mim o transporte p\u00fablico ideal seria aquele que a gente n\u00e3o tivesse apertado independente do hor\u00e1rio, que desse para sentar, onde o limite m\u00e1ximo seria ter passageiros sentados e teria \u00f4nibus passando um atr\u00e1s do outro, queria que n\u00e3o houvesse aglomera\u00e7\u00f5es, que o transporte fosse acess\u00edvel a todos de verdade, a passagem n\u00e3o exclu\u00edsse tanto assim as pessoas&#8221;.<\/p>\n<p>Ele finaliza afirmando que &#8220;deveria existir alguma forma das pessoas de baixa renda acessar esse transporte de forma p\u00fablica&#8221;, opina ele, fazendo uma refer\u00eancia \u00e0 gratuidade no transporte, se ele fosse realmente p\u00fablico e permitisse o livre acesso \u00e0 cidade.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevistamos tr\u00eas trabalhadores que moram nas periferias das regi\u00f5es norte, oeste e sul de S\u00e3o Paulo que chegam a passar cerca de 5 horas dentro do transporte coletivo, muitos deles em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, gerando uma s\u00e9rie de desgastes f\u00edsicos e emocionais nos passageiros. 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