
{"id":135,"date":"2020-05-05T03:00:25","date_gmt":"2020-05-05T06:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/05\/05\/direitos-invisiveis-mulheres-chefes-de-familia-narram-impacto-de-nao-pagar-aluguel-na-pandemia\/"},"modified":"2024-06-29T21:19:40","modified_gmt":"2024-06-30T00:19:40","slug":"direitos-invisiveis-mulheres-chefes-de-familia-narram-impacto-de-nao-pagar-aluguel-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/series\/direitos-invisiveis-mulheres-chefes-de-familia-narram-impacto-de-nao-pagar-aluguel-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Direitos invis\u00edveis: mulheres chefes de fam\u00edlia narram impacto de n\u00e3o pagar aluguel na pandemia"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Na segunda reportagem da s\u00e9rie &#8216;cidade dos direitos invis\u00edveis&#8217; voc\u00ea vai conhecer a hist\u00f3ria de moradoras da Favela Baracela, ocupa\u00e7\u00e3o de moradia localizada no Parque Novo Mundo, zona norte da cidade. Elas migraram de suas terras natais na regi\u00e3o nordeste do Brasil para construir a vida na cidade de S\u00e3o Paulo. Hoje, em plena pandemia, essas mulheres chefes de fam\u00edlia relatam como tem sido o cotidiano durante o isolamento social, per\u00edodo no qual elas foram demitidas de seus empregos.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>A vida de moradoras da favela Baracela, territ\u00f3rio de luta por moradia que existe a 40 anos no Parque Novo Mundo, bairro pertencente ao distrito da Vila Maria, zona norte de S\u00e3o Paulo, foi transformada radicalmente devido aos efeitos da crise econ\u00f4mica gerada pela pandemia de coronav\u00edrus. Boa parte dos habitantes da favela s\u00e3o vendedores ambulantes, diaristas, comerciantes locais ou desempenham outras fun\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho informal.<\/p>\n<p>A favela est\u00e1 dividida em dois territ\u00f3rios: a Baracela I, onde moram as fam\u00edlias mais antigas; e a Baracela II, onde residem os moradores mais novos que lutam pelo direito \u00e0 moradia. De acordo com Irani Dias, 49, coordenadora geral da Associa\u00e7\u00e3o de Luta por Moradia Estrela da Manh\u00e3, h\u00e1 cerca de 2.300 fam\u00edlias morando no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Dias afirma que a grande maioria dessas fam\u00edlias n\u00e3o est\u00e1 conseguindo gerar renda e que muitas s\u00e3o chefiadas por mulheres que s\u00e3o diaristas e que foram dispensadas do trabalho neste per\u00edodo de pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o em torno de 2.300 fam\u00edlias divididas em duas partes: Baracela I, com cerca de 40 anos, e Baracela II, que teve as primeiras constru\u00e7\u00f5es em 2016. Cerca de 80% das fam\u00edlias est\u00e3o em alta vulnerabilidade social e outras 20% constitu\u00edram seu com\u00e9rcio l\u00e1 dentro mesmo ou s\u00e3o ambulantes trabalhando em torno da zona norte&#8221;, descreve a coordenadora.<\/p>\n<p>Ela ressalta a condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica das fam\u00edlias que ocupam a favela. &#8220;A grande maioria das fam\u00edlias n\u00e3o est\u00e1 conseguindo gerar renda, muitas s\u00e3o mulheres diaristas que ganhavam por dia e foram dispensadas por suas patroas&#8221;.<\/p>\n<p>Na aus\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos competentes que poderia reduzir o impacto da pandemia na vida dos moradores, a coordenadora do movimento de moradia conta que a Associa\u00e7\u00e3o tem feito propostas e projetos que v\u00e3o desde a urbaniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da favela at\u00e9 a garantia de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos as fam\u00edlias da Baracela. &#8220;H\u00e1 uma proposta de reurbaniza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 que n\u00e3o cabe regulariza\u00e7\u00e3o por ser um terreno da CDHU, que j\u00e1 teve indeniza\u00e7\u00e3o. A \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o dentro do Parque Novo Mundo atende mais de 1.230 fam\u00edlias que estamos mobilizando para doar cestas e produtos de higiene&#8221;, finaliza.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3><strong>&#8220;Fui mandada embora ainda na experi\u00eancia, porque onde eu tava ia fechar na quarentena&#8221;<\/strong><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Uma dessas fam\u00edlias \u00e9 a de Laiana Santos Silva, 22, m\u00e3e de duas crian\u00e7as que tamb\u00e9m perdeu o emprego na quarentena. Ela relata que est\u00e1 sobrevivendo com o aux\u00edlio emergencial e principalmente com as doa\u00e7\u00f5es que tem recebido dentro da comunidade. &#8220;Fui mandada embora ainda na experi\u00eancia, porque onde eu tava ia fechar na quarentena. Aqui na minha casa estamos sobrevivendo com cestas que o pessoal d\u00e1 aqui na favela. Se n\u00e3o fosse isso a gente morria de fome. Agora t\u00e1 muito dif\u00edcil, n\u00e3o tem emprego de jeito nenhum&#8221;, desabafa a moradora.<\/p>\n<p>Santos complementa dizendo que um al\u00edvio nesse momento \u00e9 n\u00e3o pagar aluguel. Ela sempre morou em casas de aluguel e por isso vivia se mudando por causa dos altos pre\u00e7os, condi\u00e7\u00e3o que a obrigou a morar por pouco tempo e logo se mudar de bairros como Santana, Jardim Brasil e tantos outros da zona norte. A moradora encontrou na ocupa\u00e7\u00e3o Baracela II o al\u00edvio de fugir dos alugu\u00e9is juntamente com o sonho da moradia pr\u00f3pria, que ela busca a mais de nove anos, quantidade de tempo que calha com o momento de sair de sua terra natal na Bahia em busca de uma vida melhor em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;Eu nasci em Porto Seguro, cidade tur\u00edstica da Bahia. E \u00e9 bem dif\u00edcil de conseguir trabalhar l\u00e1, ent\u00e3o a mais ou menos uns nove anos eu vim para c\u00e1, tentar trabalho e gra\u00e7as a deus sempre tive como me manter. J\u00e1 morei em muitos lugares de aluguel, meu sonho sempre foi ter um lugarzinho meu, eu sempre sonhei em sair do aluguel, gra\u00e7as a deus consegui esse terreno pra mim, agora quero fazer a minha casa de alvenaria aqui, porque eu ainda moro em barraco de madeira&#8221;.<\/p>\n<p>Outra moradora que tamb\u00e9m conseguiu fugir do aluguel por meio da conquista de um terreno na favela Baracela \u00e9 Jana\u00edna Louren\u00e7o Da Silva, 38, que nasceu em Garanhuns, Pernambuco e veio para S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m em busca de trabalho e desde que chegou aqui sonha com uma moradia pr\u00f3pria.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Eu sou de Pernambuco, um lugar chamado Garanhuns, minha fam\u00edlia toda \u00e9 de l\u00e1, desde que eu to em S\u00e3o Paulo sempre quis ter um lugar s\u00f3 meu, j\u00e1 morei em muito lugar nessa cidade, eu pagava aluguel de quase mil reais. Quando descobri por meio de um amigo que havia sido feita uma ocupa\u00e7\u00e3o e as fam\u00edlias estavam montando seus barracos, a\u00ed a gente veio arriscar, eu e meu esposo, ningu\u00e9m sabia se ia dar sorte ou n\u00e3o, mas viemos tentar e estamos aqui at\u00e9 hoje&#8221;.<\/p>\n<p><cite><\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Jana\u00edna tamb\u00e9m conta sobre a dificuldade de se manter dentro de casa nessa quarentena quando se mora em casas muito pequenas e com muita gente. Ela afirma que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ficar em casa e que n\u00e3o existe espa\u00e7o e nem estrutura para se isolar. &#8220;Tem muitas casas de alvenaria e barracos de madeira, as pessoas tentam se controlar, mas tem que sair, n\u00e3o tem como ficar direto em casa, o espa\u00e7o \u00e9 pequeno, n\u00e3o tem quintal, n\u00e3o tem garagem, a rua \u00e9 de barro, as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o dif\u00edceis, mas \u00e9 a \u00fanica que temos e agradecemos a ajuda que recebemos aqui&#8221;, descreve a moradora.<\/p>\n<p>Ela enfatiza que al\u00e9m destes fatores que inviabilizam o isolamento social, o abastecimento de \u00e1gua \u00e9 outro grande problema enfrentado pelos vizinhos na favela. &#8220;Pensando na quarentena n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ficar em casa e nem sem contato. A estrutura \u00e9 dif\u00edcil. A \u00e1gua, por exemplo, acaba de noite e s\u00f3 volta de manh\u00e3 cedo&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3><strong>Censo 2010: a desigualdade dos migrantes nordestinos<\/strong><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Os problemas com moradia, renda e empregabilidade narrados pelas moradoras chefes de fam\u00edlia entrevistadas pela nossa reportagem foram apontados nos dados do Censo 2010, que completa 10 anos de exist\u00eancia em 2020. Quem comprova essa liga\u00e7\u00e3o \u00e9 o <a href=\"http:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/bitstream\/11058\/5278\/1\/Comunicados_n115_Perfil.pdf\" title=\"\" class=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio socioecon\u00f4mico produzido em 2011 pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA)<\/a>, a partir da an\u00e1lise de alguns indicadores do Censo.<\/p>\n<p>O rendimento mensal m\u00e9dio do trabalhador migrante nordestino que veio de Pernambuco para S\u00e3o Paulo era de R$ 903,20. J\u00e1 o trabalhador que veio da Bahia era de R$ 937,35. Ambos os estados correspondem aos locais de origem de Laina, que nasceu em Porto Seguro, cidade tur\u00edstica da Bahia e Jana\u00edna, que veio de Garanhuns, em Pernambuco.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m aponta que os migrantes que vieram de outros estados das regi\u00f5es Centro-Oeste e Sul, possuem rendimentos que giram em torno de R$ 2.000,00, ou seja, o dobro da renda recebida pelos migrantes nordestinos.<\/p>\n<p>Outro dado impactante que revela essa desigualdade entre os migrantes nordestinos \u00e9 o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, direito social estruturante que ajuda o cidad\u00e3o a conseguir melhores oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de renda e trabalho. Os baianos com idade entre 30 e 60 anos representam 59% entre os quais n\u00e3o conclu\u00edram o ensino fundamental, j\u00e1 os pernambucanos t\u00eam uma taxa de 56,4% de n\u00e3o conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com as pessoas nascidas em S\u00e3o Paulo, a taxa de n\u00e3o conclus\u00e3o do ensino fundamental cai para 24,3%, um indicador que revela novamente o dobro de diferen\u00e7a, o qual coloca os paulistanos em lugar privilegiado em rela\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as profiss\u00f5es mais ocupadas pelos migrantes nordestinos destaca-se a de empregadas dom\u00e9sticas, com a maior propor\u00e7\u00e3o de 21,1%. Esta posi\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho ilustra outro cen\u00e1rio apontado no estudo, no qual o indicador revela que 54,3% de baianos e 57,2% de pernambucanos residentes na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo recebem um sal\u00e1rio m\u00ednimo ou menos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/articles\/59\/215905731cffe433bc373f8845ac70c_20200817-024509_1.jpg\" title=\"Favela Baracela, no Parque Novo Mundo, zona norte de S\u00e3o Paulo. (Foto: Arquivo pessoal de moradores)\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/articles\/59\/215905731cffe433bc373f8845ac70c_20200817-024509_1.jpg\" title=\"Favela Baracela, no Parque Novo Mundo, zona norte de S\u00e3o Paulo. (Foto: Arquivo pessoal de moradores)\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/articles\/59\/215905731cffe433bc373f8845ac70c_20200817-024509_1.jpg\" title=\"Favela Baracela, no Parque Novo Mundo, zona norte de S\u00e3o Paulo. (Foto: Arquivo pessoal de moradores)\">\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/b2ap3_large_215905731cffe433bc373f8845ac70c_20200817-024509_1.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Favela Baracela, no Parque Novo Mundo, zona norte de S\u00e3o Paulo. (Foto: Arquivo pessoal de moradores)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3><strong>&#8220;A favela nunca \u00e9 ouvida de fato&#8221;<\/strong><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Segundo a pedagoga Luana Maria Ferreira Martins, 32, que atua em bairros da Subprefeitura da Vila Maria e Vila Guilherme com articula\u00e7\u00e3o cultural e territorial no coletivo Casa No Meio Do Mundo, as pol\u00edticas p\u00fablicas habitacionais n\u00e3o chegam \u00e0s favelas, onde os moradores sofrem com condi\u00e7\u00f5es de moradias prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8220;As pol\u00edtica p\u00fablicas habitacionais n\u00e3o chegam, os pr\u00e9dios constru\u00eddos a pouco tempo no territ\u00f3rio n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o os perfis familiares, n\u00e3o existem projetos habitacionais do Estado pensado de fato nos moradores que est\u00e3o em alta vulnerabilidade, muitos residem pr\u00f3ximos a c\u00f3rregos, em becos extremamente apertados e em casas alugadas, e ainda falando do impacto no perfil desse moradores s\u00e3o em sua maioria a popula\u00e7\u00e3o preta, pobre, nordestina, com perfil socioecon\u00f4mico que n\u00e3o supera a renda de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos&#8221;, avalia a pedagoga.<\/p>\n<p>Para Ferreira, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria com altos valores de alugu\u00e9is expulsa as pessoas dos territ\u00f3rios, fazendo com que muitas fam\u00edlias tenham que morar em ocupa\u00e7\u00f5es, causando uma sensa\u00e7\u00e3o falsa de realiza\u00e7\u00e3o do sonho de casa pr\u00f3pria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"quotes\">\n<blockquote class=\"eb-quote style-default\"><p>&#8220;Por conta dos altos valores de alugu\u00e9is e a parte burocr\u00e1tica que tamb\u00e9m n\u00e3o facilita, os moradores acabam indo viver em ocupa\u00e7\u00f5es, mas acho que isso cria uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o de sonho da casa pr\u00f3pria, muitos terrenos s\u00e3o desapropriados, deixando muitos moradores iludidos, ou vivendo em situa\u00e7\u00f5es insalubres onde correm perigo constante, o poder p\u00fablico poderiam encontrar maneiras de facilitar condi\u00e7\u00f5es habitacionais, onde os moradores pudessem realmente realizar um sonho de casa pr\u00f3pria&#8221;<\/p>\n<p><cite>explica.<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ela tamb\u00e9m ressalta que o isolamento social n\u00e3o est\u00e1 funcionando nas quebradas, e que o poder p\u00fablico deveria tomar outras medidas pensando nas estruturas dessas fam\u00edlias. &#8220;O isolamento n\u00e3o est\u00e1 funcionando, primeiro as condi\u00e7\u00f5es habitacionais n\u00e3o permitem, s\u00e3o casas pequenas, barracos, corti\u00e7os que muitas vezes moram cinco pessoas, sendo imposs\u00edvel o isolamento social, segundo a quest\u00e3o financeira, muitas fam\u00edlias n\u00e3o est\u00e3o tendo o que comer e precisam sair para trabalhar&#8221;.<\/p>\n<p>Para amenizar os impactos da pandemia no cotidiano dos moradores, ela sugere um olhar mais sens\u00edvel e pr\u00f3ximo da realidade&nbsp;das pessoas. &#8220;As medidas necess\u00e1rias s\u00e3o um olhar mais sens\u00edvel para as quest\u00f5es perif\u00e9ricas, ampliar pol\u00edticas de assist\u00eancia como os aux\u00edlios que a quebrada precisa, mas demora a aprovar. A periferia est\u00e1 precisando de a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico urgentemente, pois a fome n\u00e3o est\u00e1 esperando, muitos v\u00e3o morrer pelos v\u00edrus e muitos de fome, a quebrada precisa ser motivada, se j\u00e1 estivessem realizados projetos habitacionais na periferia antes dessa crise, seria mais f\u00e1cil o isolamento social acontecer de maneira mais eficiente&#8221;.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es de moradia est\u00e3o o tempo todo pensando nas vidas dentro das favelas e tentando elaborar projeto e propostas que melhorem as condi\u00e7\u00f5es de moradias dessas pessoas, mas muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o ouvidas ou levadas em conta. Luana nos conta que percebe a favela sendo ouvida pelo poder p\u00fablico s\u00f3 quando h\u00e1 um processo de reintegra\u00e7\u00e3o de posse.<\/p>\n<p>&#8220;A favela nunca \u00e9 ouvida de fato, observo o descaso em criar projetos habitacionais, \u00e9 tudo sempre empurrado com a barriga, quando poderia ser organizado de uma forma correta, os moradores s\u00f3 s\u00e3o lembrados quando sofre processo de reintegra\u00e7\u00e3o de posse, o poder p\u00fablico n\u00e3o cria projetos habitacionais, que realmente pautem as necessidades de moradia na vida das pessoas que moram em favelas&#8221;, finaliza.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na segunda reportagem da s\u00e9rie &#8216;cidade dos direitos invis\u00edveis&#8217; voc\u00ea vai conhecer a hist\u00f3ria de moradoras da Favela Baracela, ocupa\u00e7\u00e3o de moradia localizada no Parque Novo Mundo, zona norte da cidade. 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Em 2018 ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Ela atua em seu territ\u00f3rio com projetos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como o Cursinho Livre Cl\u00e1udia Silva Ferreira. 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