
{"id":1336,"date":"2020-10-30T18:48:47","date_gmt":"2020-10-30T21:48:47","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.desenrolaenaomenrola.com.br\/2020\/10\/30\/pessoas-pretas-e-perifericas-irao-transformar-a-industria-da-tecnologia\/"},"modified":"2024-06-29T21:11:40","modified_gmt":"2024-06-30T00:11:40","slug":"pessoas-pretas-e-perifericas-irao-transformar-a-industria-da-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/quebrada-tech\/pessoas-pretas-e-perifericas-irao-transformar-a-industria-da-tecnologia\/","title":{"rendered":"Pessoas pretas e perif\u00e9ricas ir\u00e3o transformar a ind\u00fastria da tecnologia"},"content":{"rendered":"<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Conhe\u00e7a os &#8216;devs perif\u00e9ricos&#8217;,&nbsp;jovens moradores de periferias e favelas que est\u00e3o tendo a oportunidade de compreender como as quest\u00f5es de ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e territ\u00f3rio ir\u00e3o moldar o pensamento e a atua\u00e7\u00e3o profissional de uma nova gera\u00e7\u00e3o de profissionais de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"readmore\"><\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"image\" style=\"text-align: center;\">\n<div class=\"eb-image style-clear\">\n<div class=\"eb-image-figure is-responsive\">\n<p>\t\t\t\t<a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/706\/Gilmar-Cintra-programador-e-estudante-engenharia-da-computao.jpg\" title=\"Gilmar Cintra, programador e estudante de engenharia da computa\u00e7\u00e3o.\"><\/a><\/p>\n<p><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/706\/Gilmar-Cintra-programador-e-estudante-engenharia-da-computao.jpg\" title=\"Gilmar Cintra, programador e estudante de engenharia da computa\u00e7\u00e3o.\"><br \/>\n<\/a><a class=\"eb-image-viewport eb-image-popup-button\" href=\"images\/p\/706\/Gilmar-Cintra-programador-e-estudante-engenharia-da-computao.jpg\" title=\"Gilmar Cintra, programador e estudante de engenharia da computa\u00e7\u00e3o.\">\t\t<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"eb-image-caption\">\n\t\t\t<span>Gilmar Cintra, programador e estudante de engenharia da computa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ao relembrar a inf\u00e2ncia vivida na Brasil\u00e2ndia, distrito da zona norte de S\u00e3o Paulo, o programador e estudante engenharia da computa\u00e7\u00e3o Gilmar Cintra , 32, afirma que o tradicional futebol na quadra com os amigos era deixado de lado para conhecer e vivenciar os primeiros contatos com a ci\u00eancia e a tecnologia. &#8220;Em vez de ir em uma quadra com meus amigos, a gente ia em uma esta\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia&#8221;, conta ele.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse primeiro contato com o universo da tecnologia, Cintra afirma que foi na inf\u00e2ncia que surgiu o interesse pela ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o. &#8220;A\u00ed surgiu essa paix\u00e3o por computa\u00e7\u00e3o e quando voc\u00ea acha que acabou, que \u00e9 s\u00f3 aquilo sempre surge algo novo&#8221;, complementa a recorda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m a paix\u00e3o pela ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o de Gilmar vem acompanhada de uma frustra\u00e7\u00e3o. Ele acredita que a tecnologia que poderia ser usada para resolver problemas da sociedade, no entanto, ela est\u00e1 sendo utilizada para produzir ainda mais desigualdades sociais, criando uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o e ignorando problemas b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem fam\u00edlias que ainda passa fome. E tem gente que ainda quer fazer entrega de drone. A gente precisa primeiro resolver esses problemas, que eles s\u00e3o uma coisa b\u00e1sica que n\u00e3o deveria nem existir&#8221;, ressalta o programador.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa cr\u00edtica sobre o mercado da tecnologia, o programador levanta outro questionamento: &#8220;como que a gente vai pra frente se tem muita gente que n\u00e3o tem nem saneamento b\u00e1sico?&#8221;<\/p>\n<p>Diante das viv\u00eancias e questionamentos do programador, outros aspectos importantes do processo de forma\u00e7\u00e3o de profissionais de tecnologia v\u00eam \u00e0 tona, como por exemplo, o ambiente universit\u00e1rio que forma os profissionais do futuro, mas ainda pecam nas quest\u00f5es de diversidade. &#8220;Todos meus professores s\u00e3o brancos, em grande maioria homem, s\u00f3 vejo tr\u00eas professoras mulheres dentro do curso e refor\u00e7o, todos s\u00e3o brancos&#8221;, afirma Gleyce Karen, 19, moradora de Po\u00e1, cidade da regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A estudante de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o conta que a falta de representatividade no curso tamb\u00e9m \u00e9 outro problema que gera impacto no aprendizado. &#8220;Tenho dois professores que s\u00e3o de outros pa\u00edses, pa\u00edses vizinhos do Brasil e falam espanhol. M\u00e1s dentro do curso n\u00e3o h\u00e1 diversidade e isso me entristece, pois n\u00e3o me vejo representada&#8221;.<\/p>\n<p>Karen se mudou de Po\u00e1 para a cidade de Dourados, em Mato Grosso do Sul, para estudar na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul. Ela relata que mora em um bairro rico na cultura ind\u00edgena, mas o racismo velado dos moradores brancos ainda a persegue. Em 2019, assim que ela chegou \u00e0 cidade, a estudante estava passando em uma das ruas do territ\u00f3rio e viu uma senhora olharem sua dire\u00e7\u00e3o e falar para uma pessoa pr\u00f3xima a ela: &#8220;olha a negrinha&#8221; e dar risada na sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s vivenciar essa situa\u00e7\u00e3o, Karen relembra que pensou seriamente em desistir dos estudos. &#8220;Pensei em voltar para S\u00e3o Paulo e desistir de tudo, m\u00e1s se desistisse seria menos uma mulher preta ocupando um espa\u00e7o onde majoritariamente \u00e9 composto por homens brancos, ent\u00e3o permaneci e resisti assim como meus ancestrais&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>Tais fatos relatados pela estudante sobre a discrimina\u00e7\u00e3o racial que vivenciou contribuem diretamente com a perman\u00eancia ou n\u00e3o de pessoas negras nesses lugares. Karen atribui sua insist\u00eancia de permanecer na cidade e na faculdade onde n\u00e3o consegue se reconhecer nos professores e tamb\u00e9m nos estudantes ao objetivo de desenvolver suas habilidades como programadora.<\/p>\n<p><span>&#8220;Eu gosto muito de programar, desenvolver um software, ver que um programa que eu me esforcei pra fazer est\u00e1 rodando bonitinho&#8221;, diz a estudante de forma entusiasmada, enfatizando que acredita que esses aprendizados podem mudar as quebrada e os moradores. &#8220;Acredito que a tecnologia muda o mundo, transforma e ajuda pessoas de v\u00e1rias formas e eu sempre vi a necessidade de fazer algo pelas pessoas de onde eu vim e no meu territ\u00f3rio. Encontrei na \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o essa possibilidade&#8221;.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"heading\">\n<h3>Algoritmo racista<span><\/span><\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"ebd-block   \" data-type=\"text\">\n<p>Ao falar sobre as propaga\u00e7\u00f5es de \u00f3dio e o vi\u00e9s do algoritmo que a partir da coleta de dados dos usu\u00e1rios aprende preconceitos com a ajuda da intelig\u00eancia artificial, formando um algoritmo preconceituoso, o programador morador da Brasil\u00e2ndia afirma que isso s\u00f3 acontece por que a sociedade \u00e9 racista. &#8220;Isso \u00e9 uma evid\u00eancia que nossa sociedade realmente \u00e9 racista, n\u00e3o tem como negar isso&#8221;, comenta o programador morador da Brasil\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Uma das propostas pensada pelo desenvolvedor para lidar com esse tipo de problema \u00e9 criar programas que aprendem e falam como a periferia. &#8220;A \u00fanica forma de uma maneira concreta seria desenvolver uma intelig\u00eancia artificial atrav\u00e9s dos inputs das pessoas que realmente moram em zonas perif\u00e9ricas&#8221;, conta Gilmar.<\/p>\n<p>Ele prop\u00f5e em construir um programa que aprenda o comportamento de moradores da periferia e transforma isso em dados que alimenta a intelig\u00eancia artificial. &#8220;Se voc\u00ea pegar realmente as pessoas que moram nesses lugares, ou somente as pessoas negras, voc\u00ea consegue desenvolver uma intelig\u00eancia artificial que n\u00e3o seja racista, que n\u00e3o \u00e9 racista, porque espera-se que n\u00e3o seja inputs racistas e atrav\u00e9s desse aprendizado n\u00e3o racista a gente consegue desenvolver uma intelig\u00eancia artificial que n\u00e3o seja racista e n\u00e3o fique julgando&#8221;.<\/p>\n<p>Quando pensa na jun\u00e7\u00e3o de suas viv\u00eancias como morador da periferia com seus conhecimentos como desenvolvedor, o programador ressalta que os moradores possuem uma ferramenta muito importante para mudar a vida na periferia. &#8220;Eu imagino as comunidade no futuro com um projeto de reurbaniza\u00e7\u00e3o, ela tendo cabeamento el\u00e9trico, fibra \u00f3tica, telefonia, tudo embaixo da terra, um sistema de transporte eficiente&#8221;, imagina o desenvolvedor, fazendo uma releitura de como a tecnologias voltadas para as periferias pode impactar no seu desenvolvimento no futuro.<\/p>\n<p>J\u00e1 para a estudante de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o do Mato Grosso do Sul, a imagina\u00e7\u00e3o do programador da Brasil\u00e2ndia s\u00f3 se tornar\u00e1 realidade se mais pessoas pretas atuarem no mercado da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. &#8220;Com certeza acredito que com mais pessoas pretas dentro da \u00e1rea, o povo preto teria mais acesso \u00e0 internet, ter\u00edamos mais aplicativos voltados para n\u00f3s, aplicativos que facilitam ainda mais as nossas vidas&#8221;.<\/p>\n<p>Ela finaliza a entrevista afirmando que outro passo fundamental para concretizar esse futuro para a quebrada \u00e9 criar uma rede de &#8216;devs perif\u00e9ricos&#8217; para construir, disseminar e ensinar novas tecnologias. &#8220;Acredito que o meu dever \u00e9 repassar conhecimento a todos e inserir outras pessoas pretas da periferia e das favelas dentro da \u00e1rea tecnologia&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a os &#8216;devs perif\u00e9ricos&#8217;,&nbsp;jovens moradores de periferias e favelas que est\u00e3o tendo a oportunidade de compreender como as quest\u00f5es de ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e territ\u00f3rio ir\u00e3o moldar o pensamento e a atua\u00e7\u00e3o profissional de uma nova gera\u00e7\u00e3o de profissionais de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. 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Em 2018, ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. 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Em 2018 ela se formou em Pr\u00e1ticas Jornal\u00edsticas Nas Periferias pelo programa de forma\u00e7\u00e3o Voc\u00ea Rep\u00f3rter da Periferia. Ela atua em seu territ\u00f3rio com projetos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como o Cursinho Livre Cl\u00e1udia Silva Ferreira. Por meio da escrita, ela est\u00e1 aprendendo a ser cientista social fazendo jornalismo de quebrada."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1336"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3761,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1336\/revisions\/3761"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1336"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/desenrolaenaomenrola.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}